domingo, 27 de agosto de 2023

LENDO CENÁRIOS POLÍTICOS E ECONÔMICOS


POR PROFESSOR JOÃO PAULO (*)

Mais uma vez tivemos a cúpula do BRICS, em um momento em que a hegemonia econômica norte-americana começa a ser colocada em xeque pelos países emergentes e pelas grandes economias do hemisfério sul do planeta. Neste grande encontro o BRICS definiu por fazer uma ampliação do bloco econômico e trazer mais seis países para a composição deste bloco. Países que contemplam o continente Africano, Oriente Médio, América do Sul e Ásia Oriental, com diferentes culturas, modelos de gestão do Estado, alguns com muito dinheiro, outros nem tanto, mas, o BRICS está crescendo e se transformando em um fantasma a perseguir os países de ponta da economia capitalista mundial. 
Primeiro é preciso ter claro que não há nada de revolucionário à esquerda, na construção do BRICS e deste mundo multipolar. É uma ação econômica e política no campo da geopolítica mundial, mas, que não tem em perspectiva a superação do modo de produção capitalista, ao contrário, é uma luta dos mercados emergentes pela conquista de espaço no mercado mundial capitalista. Se esta ação pode levar à superação deste modelo de desenvolvimento de caráter liberal burguês, e caminhar para um novo modelo de desenvolvimento econômico, político e social, a história irá dizer. Mas, a proposta neste momento é de disputar o mercado e buscar a humanização do modo de produção vigente, através do emprego de novas relações políticas, mais solidárias e fraternas do que as práticadas pelo G7 e o FMI.

Depois é importante deixar claro que a política externa do governo Lula está no caminho certo para o país, para o povo brasileiro e para a construção do mundo multipolar. Para ter essa certeza, é só observar o quanto a grande mídia burguesa está incomodada com os movimentos políticos do Presidente e do Itamarati. 

Os caras das grandes mídias corporativistas estão diuturnamente tecendo críticas às posições do governo nessa nova conjuntura internacional. O fato do Brasil estar na linha de frente desta multipolaridade, e isso coloca em xeque o poder do "império norte-americano" sobre a América Latina e o sul global, deixa essa burguesia subserviente e sabuja deste país, aterrorizada. Mas isso não afeta somente a burguesia brasileira, o comandante geral da OTAN, já postou em suas redes sociais, uma mensagem defendendo a invasão e divisão do país em quatro países, com mapa e tudo mais desenhado, caso o país persista nesta política externa agressiva rumo à sua independência. Imaginem se um cara deste tem algum escrúpulo na hora de defender o seu chefe, o imperialismo norte-americano. Certamente a posição geopolítica do Brasil está incomodando muito a burguesia financeira do mundo.

A verdade é que a burguesia dirigente mundial está apavorada com a perspectiva de perder e a hegemonia sobre o planeta.

O BRICS já é uma realidade. A ida da companheira Dilma para direção do Banco do BRICS foi uma cartada de mestre do companheiro Lula. A esquerda ainda não entendeu o jogo, normal, sempre demora um pouco até cair a ficha, mas a direita já, e sabe que o país pode e certamente vai, caminhar rumo à sua autonomia financeira, soberania nacional e independência no xadrez geopolítico, tanto em relação aos EUA, quanto em relação à China, e percebe, mesmo em médio prazo, que o Brasil avança na direção de se tornar uma potência global, e que com isso a classe que vive do trabalho vai definitivamente deixar as muitas "senzalas" mantidas a ferro e fogo por esta burguesia atrasada e sabuja deste país.

Tudo me levar a crer nesta perspectiva, os acontecimentos tem me mostrado com clareza, que caminhamos para uma nova era em nossa história. Se tudo ocorrer como pretende o Partido dos Trabalhadores e Trabalhadoras, o futuro nos revelará agradáveis surpresas em médio prazo.

(*) O professor João Paulo Pereira, é historiador e servidor aposentado da rede de educação do Estado da Bahia, tendo atuado como diretor e professor do ensino fundamental e médio na cidade de Vitória da Conquista - Ba.

quinta-feira, 24 de agosto de 2023

CAPITALISMO E DEMOCRACIA? NÃO COMBINAM!

POR PROFESSOR JOÃO PAULO 

O modo de produção capitalista se orgulha de ter introduzido no mundo o regime "democrático", principalmente no mundo ocidental, onde se localiza a maioria das potências capitalistas do planeta. Em quase todo o ocidente, a república Iluminista prevalece como modelo de gestão do Estado burguês dominante, seja em um modelo presidencialista ou parlamentarista, o que é comum, é o modelo pensado pelos Iluministas do século XVIII, a divisão do Estado em três poderes, Executivo, Legislativo, Judiciário, o sufrágio universal, e o Liberalismo como ferramenta para a gestão econômica do Estado.
O Estado no ocidente em quase todos os países, está sob a égide da classe dirigente do capitalismo, a burguesia, e esta turma se utiliza do Estado para se manter no controle de todas as ações políticas em seus países e no mundo. Neste mundo capitalista o Estado funciona como o "cofrinho" da burguesia, todas as vezes que esta burguesia precisa de dinheiro para ampliar seus lucros e manter a reprodução e acumulação de riquezas, recorrem ao seu "Estado/cofrinho" para recapitalizar o mercado. 
A burguesia é "proprietária" do Estado Liberal burguês, desde a "era das revoluções burguesas" hegemonizaram a sociedade a partir da Europa e Estados Unidos, e fazem do Estado o que bem entendem, usam o Estado em benefício próprio.É por isso que a burguesia briga tanto para não perder a direção do Estado, é por isso que são capazes de qualquer coisa para continuar com o Estado em suas mãos. 
Aqui no Brasil, nós passamos por eventos históricos importantes nos últimos treze anos, claro que estes eventos começaram bem antes, mas, vou definir aqui os últimos treze anos como delimitação de tempo para analisarmos neste ensaio, avalio que é o tempo histórico necessário para que qualquer pessoa que ler o texto entenda a ideia de democracia imposta pela burguesia ao mundo. 
Desde a eleição da companheira Dilma para a presidência da República, que a burguesia brasileira acirrou a oposição ao PT e o fez de forma tão radicalizada, ao ponto de promoverem um golpe de Estado para derrubar o PT e à presidenta Dilma caso ela fosse reeleita. E o pior que conseguiram, em um processo de Lawfare (guerra jurídica), o maior já usado contra um partido político na América Latina, o golpe se confirmou em 2016 e 2018, com o falso impeachment e a ilegal prisão de Lula, respectivamente, que o impediu de disputar a eleição naquele ano. 
Mas, não vou me prender ao golpe, sobre ele já estou discutindo em um livro que estou me propondo a escrever e se Deus quiser publicá-lo. Vou direto para o assunto que é objeto de análise aqui, como funciona o Estado Burguês no que diz respeito à política e como o mito da democracia burguesa domina e determina o mundo. 
Como já introduzir acima, pegando aqui o caso do Brasil especificamente. Em qualquer processo eleitoral a burguesia vai disputar com uma candidatura própria, esta é uma condição natural para a classe social que tem a hegemonia do processo econômico, político e cultural de uma sociedade, e quando algo dá muito errado a ponto da burguesia não ter um nome para disputar o pleito eleitoral em condições de vencê-lo, ela dá um jeito, mas, sempre vão ter um candidato "pra chamar de seu". 
Nas duas últimas eleições para presidência da República no Brasil, 2018 e 2022, a burguesia não tinha um nome com condições reais de eleição para ser o seu representante. O processo do golpe deu tão ruim para a burguesia que destruiu muito mais os prováveis candidatos da direita tradicional, do que ao Partido dos Trabalhadores, apesar das muitas mentiras contadas pela grande mídia corporativa, que pertencem à burguesia, terem feito um estrago enorme no PT, foram os partidões tradicionais da burguesia quem mais perderam espaços políticos, aqui faço referências ao, PSDB, PMDB e DEMOCRATA. 
Diante do quadro de total inanição da direita tradicional do país, o jeito foi apelar para o palhaço fascista que despontava para o grande público, em função de sua falas com viés fascistas e agressivas, mas, que repercutiam com força nas camadas mais bestializadas e brutalizadas da sociedade brasileira.
Apoiaram o Bolsonaro. Claro que o apoio a este cara nunca foi a primeira opção para a burguesia, mas, se não tinha outro, vai tu mesmo! Foi deste jeito que o fascista, miliciano, batedor de carteira, emergiu do esgoto da história e chegou à direção do Estado Brasileiro. 
É evidente que a burguesia sabia que o "energumeno" não tinha nenhuma possibilidade real de fazer uma boa gestão do Estado, mas, na falta de alternativas, embarcaram nesta aventura desastrosa para a população e para o país. Mais isso não importa muito à burguesia, desde que o Estado sirva para o fim único, criar as condições objetivas para que eles continuem acumulando dinheiro, e para isto, plantaram o Paulo Guedes ao lado do "entulho" que apoiaram. 
Outra questão que precisa ser lembrada é que havia um tendência mundial, e ainda há junto à burguesia financeira, em dobrar a apostar no fascismo, com viés ultraliberal, como alternativa política e econômica, vamos lembrar que Boris Johnson foi primeiro ministro na Inglaterra e afundou o país. Nos Estados Unidos o Donald Trump foi eleito presidente e o país teve um destino trágico sob a gestão  Trumpista. 
Na Ucrânia foi eleito um palhaço fascista a presidência do país, um ultraliberal, e o resultado está aí para todo mundo ver. E aqui no Brasil a burguesia só teve como opção o fascistoide miliciano, batedor de carteira, que certamente será preso. E por fim, a Argentina está preste a mergulhar em uma aventura irresponsável, elegendo um palhaço fascista, ultraliberal e com um cabelo mais escroto, do que o Boris Johnson, para presidente, um deputado de nome Javier Milei, o que certamente vai terminar de destruir a já fragilizada economia do país. 
O fascismo sempre é uma opção para a burguesia, sobretudo, em momentos de crises estruturais da economia capitalista, como esta que estamos vivendo há três décadas. Foi assim que figuras perversas como Mussolini, Hitler, Franco, Salazar e Hirohito, chegaram ao poder na Europa e no Japão, no início do século passado.
Importante ressaltar que todos estes líderes fascistas contaram com apoio irrestrito da burguesia. O fascismo sempre andou lado a lado com o capital privado, era patrocinado por grandes empresas capitalistas de todo o mundo. 
Neste novo momento o fascismo vem alinhado a uma política econômica ultraliberal, que pretende reduzir ao extremo o tamanho do Estado, deixando apenas o que serve do Estado para capitalizar o mercado em momentos de retração econômica. Este modelo tentou ser posto em prática no Brasil de Bolsonaro através do Paulo Guedes, mas, não tiveram competência para fazer da certo, o que foi muito bom para nós, classe que vive do trabalho, senão teríamos todos nós sidos empurrados para a pobreza extrema, como já estávamos a caminho. 
Quando afirmo acima, que o Bolsonaro pode ser preso, é porque todas as vezes que a burguesia comete um erro estratégico ela mesma se incumbe de fazer a limpeza. Olhe o destino de Trump, do Boris Johnson, os dois entulhos foram varridos para fora o processo. O Trump ainda goza de algum respaldo político, pois, as leis norte-americanas, aparentemente são mais brandas do que aqui no Brasil e permite que um cara que comandou uma tentativa de golpe, ainda possa disputar o processo eleitoral. 
Mas, o entulho daqui muito provavelmente será banido do processo político, já está inelegível e falta pouco para ser preso, assim espero, não pelo roubo das joias, mas, gostaria que fosse responsabilizado, pelas quatrocentas mil mortes durante a pandemia da covid 19, a história dirá se estou certo nesta avaliação.
A burguesia se reivindica a responsável pela belíssima "democracia ocidental", entretanto, está sempre recorrendo a figuras autoritárias e totalitárias para atingir os fins que servem à sua classe social. Este conceito de democracia que temos hoje é meramente ideológico, aceitamos a democracia burguesa como parâmetro para julgar o mundo, porque só conhecemos este modelo. Desta forma somos levados a crer que qualquer coisa diferente disto que está posto aqui, é uma ruptura com o "Estado de Direito". Mais a pergunta é, quem estabeleceu que a "democracia burguesa é o único, ou o melhor modelo de democracia no mundo? Claro, foi a própria burguesia que nos disse isto no momento em que hegemonizou a sociedade e determinou sua cultura como verdade absoluta.
Não dá para definir que o mundo ocidental aonde foi posta em prática a democracia liberal burguesa, seja um exemplo de democracia para nenhum país do mundo. Democracia etimologicamente significa "governo do povo", e isto ainda não foi conquistado por nenhum país do planeta Terra em nenhum momento histórico. É este governo do povo que nós que militamos na esquerda queremos conquistar, lutamos para conquistar. 
Uma tarefa que ainda estamos distantes de realizar, mas, temos que continuar tentando, afinal, usando uma categoria marxista leninista, somos a "vanguarda do proletariado", e precisamos persistir na ideia de um dia superarmos em definitivo a democracia liberal burguesa e conquistar uma democracia plena, onde definitivamente um governo eleito pelo povo, não precisará mais abrir mão de seus projetos e princípios, para fazer o jogo da classe dirigente e conseguir aprovar um terço das demandas populares, como está acontecendo agora com o governo Lula neste primeiro ano de mandato. 
É fundamental que continuemos construindo a luta até que tenhamos a hegemonia da "sociedade civil", o que certamente nos dará forças suficientes para conquistarmos em definitivo a "sociedade política", e instaurar a verdadeira democracia em todo o país. 
Capitalismo e democracia são antônimos, são palavras antagônicas. Neste sistema político é impossível haver democracia já que neste modo de produção, 1% da população mundial detém 82% das riquezas que circulam no mundo, sobrando apenas 28% para ser dividido para 99% da população mundial. Não há como colocar numa mesma frase democracia e capitalismo de forma positiva.