domingo, 29 de março de 2026

PARA REFLETIR SOBRE O PROCESSO ELEITORAL

  






POR PROFESSOR JOÃO PAULO 

Nós do campo popular e democrático, nós de esquerda, vamos enfrentar mais um processo eleitoral. Mas uma vez teremos que enfrentar todo o aparato ideológico da burguesia brasileira, que neste bloco histórico, tem atuado incansável contra o povo deste país.

A máquina de destruir gente da burguesia,  desde 2005 não descansou um só minuto na tarefa de destruir o projeto popular que o Partido dos Trabalhadores e setores de centro, centro-esquerda e esquerda, tem buscado por em prática no país desde 2003, como já tratei em ensaios anteriores.

Não é fácil fazer o enfrentamento à burguesia, os caras controlam o sistema econômico e consequentemente o poder político e ideológico/cultural, não só no Brasil, mas em todo o mundo, exceto, os países que não se alinham à "democracia liberal burguesa". 

No Brasil há um pouco mais de duas décadas, estamos tentando, por dentro do Estado burguês superar a lógica neoliberal ou ultraliberal, sem propor um processo de ruptura radical e estrutural com a perspectiva burguesa, é o que a conjuntura extremamente desfavorável nos permite.

Nestas primeiras décadas do século XXI a ideologia/cultura burguesa está a cada momento mais consolidada. Os instrumentos de dominação ideológica da burguesia estão a todo vapor, trabalhando radicalmente para não permitir a hegemonia do PT e das forças de esquerda no país, mesmo com os governos petistas entregado à população do país, em poucos anos na direção do Estado brasileiro, muito mais do que a burguesia entregou em quinhentos e dez anos de história.

Dois mil e vinte seis será uma ano decisivo para o futuro do país. O processo de luta de classes vai está muito claro. De um lado estarão juntas as forças que representam a burguesia brasileira, com seus vários interesses de classe, os bancos, a Faria Lima, o agro conservador, a mídia corporativa, as Igrejas Pentecostais e neopentecostais, setores conservadores da indústria e comércio. 

Do outro lado, estarão as forças populares e democráticas, a esquerda do país, os setores mais conscientes desta esquerda, que conseguem fazer análise de conjuntura, a agricultura familiar, movimentos populares rurais e urbanos, sindicalismo, setores religiosos progressistas, os setores mais avançados do agro, da indústria e do comércio.

Será um momento de enfrentamento que vai dizer qual o futuro do país. Se vamos eleger Lula e o PT, e caminhar na direção da democracia, das ciências, da construção de uma sociedade, justa, fraterna e mais igualitária. Ou se daremos um passo de cem anos para trás, elegendo a burguesia subserviente e sabuja deste país, elegendo mais um Bolsonaro, e empurraremos este país para a barbárie total.

Na verdade, será uma guerra eleitoral, a burguesia já está a pleno vapor nesta corrida eleitoral, com todas as armas apontadas contra o povo brasileiro e contra o país. Nós do campo popular e democrático, nós de esquerda, ainda estamos engatinhando, cuidando de nossas vaidades ideológicas, mas no frigir dos ovos teremos que lutar na mesma trincheira, pois, não será uma guerra fácil, estamos lutando contra um inimigo muito forte e bem estruturado. 

O que importa neste momento é vencer a guerra, se nós de esquerda vencermos em outubro e novembro, teremos a possibilidade de construir uma sociedade mais justa e igualitária, teremos um futuro, daremos um passo longo na direção da civilidade, de uma sociabilidade mais humanizada, e quem sabe poderemos marchar em direção a uma ruptura sistêmica. 

Se a direita e extrema-direita vencer, o Brasil vai ser empurrado para a barbárie ultraliberal, o projeto nefasto da burguesia nacional e internacional vai reconquistar esse país e o processo de recolonização do país e consequentemente de toda a América Latina estará em curso. 

Não podemos esquecer que para o império estadunidense, essa eleição no Brasil, também será fundamental. O império estadunidense precisa retomar o Brasil, pois o país é a maior economia do hemisfério sul do planeta, e a soberania econômica e política do Brasil é uma barreira para os interesses dos EUA.

É impor




tante que todos e todas compreendam a importância deste processo eleitoral de 2026 e entenda que tem muito mais em jogo, do que um simples processo eleitoral. Estaremos disputando o nosso futuro, estaremos disputando se nos mantemos no caminho da civilização ou se vamos rumo a barbárie ultraliberal, proposta pelo império para o sul global.

quarta-feira, 25 de março de 2026

SOBRE A INDÚSTRIA CULTURAL BURGUESA NO BRASIL DO SECULO XXI

 


POR PROFESSOR JOÃO PAULO 


Estas primeiras décadas do século XXI tem deixado claro que o método marxista de leitura da sociedade está vivo e que continua sendo o melhor caminho para entender a sociedade, e mais, alguns pressupostos marxistas estão presentes constantemente nessa sociedade que alguns dizem ter superado Marx e Engels. 

Não dar para ler os acontecimentos históricos e políticos destas primeiras três décadas do século, sem o conceito vivo da luta de classes. No final do século XX a América Latina, superou definitivamente as ditaduras civis militares que estouraram em todo o continente sob a batuta da CIA e da Casa Branca, a partir da década de 1950. No entanto, o poder politico e econômico se manteve nas mãos das burguesias locais, que mantiveram os países a serviço do imperialismo estadunidense, até a década de 1990. 

No início do século XXI, começou a ficar claro que a população latino americana estava muito insatisfeita com os rumos que a burguesia e os EUA estavam dando aos países e as populações do hemisfério sul do continente. O século começou com uma mudança significativa nas escolhas eleitorais da população, que passaram a eleger consecutivamente governos de centro-esquerda e esquerda em toda a América Latina. 

Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai, Chile, Peru, Venezuela, Colômbia, Nicarágua, El Salvador, México, em todos estes países tivemos eleições com vitórias das forças populares e democráticas, em algum momento deste novo século. Essa guinada a esquerda das populações latino americanas assustou a Casa Branca, acostumada a manter sua estabilidade econômica, pilhando as riquezas do continente sul americano. 

É preciso lembrar que desde 2002 a economia estadunidense entrou em decadência. Estão desde esse período apontada acima, gastando mais do que arrecada, um gasto de 1,25 % da relação gastos/PIB do país. Evidente que o império estadunidense iria atuar para não permitir que a América Latina fugisse do seu controle político, econômico, ideológico/cultural.

Nesse sentido, a CIA e a Casa Branca, passaram a desenvolver um lento, mas eficiente processo de retomada do domínio político e econômico do hemisfério sul do continente Americano. Sem a continuidade do processo de exploração desta região das Américas a situação econômica e política dos EUA estaria ainda mais caótica. A CIA ficou encarregada de derrubar governos e à Casa Branca encarregada de eleger candidatos comprometidos com a subserviência e entreguismo das riquezas naturais dos países. 

É nesta relação que se revela a eterna "luta de classes". Enquanto a classe historicamente subalternizada, caminhava para a esquerda, elegendo governos de centro-esquerda e esquerda, a burguesia caminhou rapidamente para a extrema-direita, radicalizando o debate em toda a América Latina, a serviço dos interesses estadunidenses.

A partir deste ponto, vou tratar específicamente do caso brasileiro, mas tudo que for dito sobre o Brasil, cabe também para todos os países latinos americanos, guardadas as diferenças culturais, políticas e regionais, mas os processos tiveram nuances parecidas.

Tendo fracassado completamente o projeto neoliberal no Brasil, que foi levado a cabo pelo PSDB, após o fracasso do projeto Fernando Collor de Melo, a população brasileira guinou a esquerda. O Partido dos Trabalhadores, após disputar um segundo turno e ter ficado em segundo lugar nas eleições contra FHC, se tornou a referência de esquerda no país, o único partido de massas com capilaridade para fazer o enfrentamento à burguesia. 

Na eleição de 2002 era quase certa a vitória eleitoral do PT, tendo Lula como referência. Todas as perspectivas se confirmaram, o PT venceu o pleito eleitoral, numa conjuntura política, econômica e social, adversas, inflação alta, desemprego altíssimo, grande parte da população na informalidade, fome e insegurança alimentar em todo o país, salário mínimo abaixo de cem dólares, déficit de moradias, sistema público de saúde precário, educação destroçada, serviços públicos, produção cultural, produção científica, estagnados. 

Os desafios eram muitos, Lula presidente tinha a difícil tarefa de recolocar o país no rumo do crescimento econômico, garantindo a inclusão social de milhões de brasileiras e brasileiros abandonados pelo projeto neoliberal da burguesia subserviente e sabuja deste país. O primeiro governo do PT e de Lula precisava da uma freio de arrumação no Estado brasileiro, garantir a governabilidade, pois não tinha maioria no Legislativo e promover mudanças políticas, econômicas e sociais, que interferisse realmente na melhoria da qualidade de vida da população mais pobre do país. 

Mesmo com muitas dificuldades, o primeiro governo Lula começou um processo de mudanças que de fato melhorou a vida de boa parte da população mais pobre. Lula com muita capacidade de negociação, garantiu apoio de parte do Congresso, nas duas casas Legislativas, e o que a burguesia brasileira esperava, o fracasso do governo do PT, não aconteceu. Mas a burguesia brasileira também esperava pelo sucesso do governo, e se preparou para enfrentar um PT ainda mais forte do que em 2002. 

Os caras (burguesia) sabia que havia perdido o discurso, não convenceria ninguém se dissesse que o governo Lula foi ruim. Era preciso mais que isso, e o projeto para derrotar o PT foi gradualmente sendo posto em prática. A ideia era se utilizar de uma velha máxima, "se não pode vence-lo, junte-se a ele". Na segunda eleição de Lula, um monte de penduricalhos já estavam ao lado do PT. PTB, PL, MDB, PDT, PPS,  outros partidos menores e sem expressão política. 

A ideia da burguesia brasileira, mas agora, fortalecida pela burguesia internacional era colocar no governo todo tipo de gente, setores que sempre foram parte do CENTRÃO. Evidente que para o PT seria bom, governar com maioria nas duas casas Legislativas era a ideia de paraíso para qualquer governo. Na verdade esse inchaço das forças de composição do governo era um belo "cavalo de Tróia, a burguesia fortalecida por organismos internacionais (lê-se CIA) especializados em derrubar governos, só lembrando que a derrubada de governos já estava em curso em toda a América Latina, já tinha um projeto de derrubada do PT pronto. 

Como não tinham como contra-argumentar em relação às políticas implementadas pelos governos petistas, precisavam trazer o PT para a vala comum da política brasileira. Era preciso plantar a pecha de corrupção no PT, desta forma a burguesia nivelaria o processo político por baixo no país, e o debate deixaria de ser sobre política e passava para o velho debate moral, típico da velha política praticada pela burguesia ao longo de todo o século XX.

É nesse contexto que nasceu o "Mensalão". A burguesia brasileira e a burguesia financeira internacional já contavam com uma vitória eleitoral do PT, e precisava criar uma situação política, que fosse capaz de eliminar possíveis sucessores de Lula à presidência e ao mesmo tempo colar no PT a pecha de corrupção. O "projeto mensalão" foi minuciosamente pensado para cumprir esse papel, "matar dois coelhos com uma cajadada só". 

Se não conseguissem transformar o PT em um vilão nacional, ao menos destruiriam os possíveis sucessores de Lula ao cargo de presidente do país, essa era a ideia majoritária. Mas conseguiram as duas coisas, o "projeto mensalão" cumpriu os dois papéis. É neste momento que a Indústria Cultural burguesa, entre no jogo. Em 2005 e 2006 a grande mídia corporativa era a melhor ferramenta para a burguesia destilar seu veneno, a internet e redes sociais, ainda era incipiente, e a burguesia, proprietário de todos os meios de comunicação de massas, passou a utilizar violentamente e com eficiência. A revista Veja, produzia o editorial, que já começava nas capas das revistas, reportagens de três a quatro laudas nas páginas amarelas, a rede Globo de Televisão espalhava as falsas matérias, de forma tendenciosa e disseminando o "terror da corrupção do petismo" e os comentaristas faziam o trabalho de convencimento da classe média do país, as outras revistas, jornais e  emissoras, pegavam uma carona e também cumpriam o papel de divulgadores das mentiras fabricadas pelas principais mídias. 

Essa fórmula funcionou muito bem, de fato, o antipetismo começou a ser gestado na farsa do mensalão. Mas não foi suficiente, mesmo tendo tirado da cena política, José Dirceu, José Genuíno, Delubio Soares, João Paulo Cunha, possíveis sucessores de Lula ao Cargo de presidente e ter causado rupturas na estrutura do PT, com a debandada do grupo que comeu a pilha do mensalão, deixou o partido, batendo forte numa tal corrupcão endêmica do PT, para fundar o PSOL e a Rede de Sustentabilidade, os bons resultados do governo Lula 2 foram suficientes para garantir mais uma eleição ao partido. 

Lula com mais de 80 % de aprovação popular elegeu sua ministra Dilma Rousseff à presidência da República. O sucesso de mais um governo do PT, certamente deixaria o partido imbatível eleitoralmente, era preciso derrotar o PT definitivamente, para garantir o retorno da burguesia brasileira à direção do Estado, e garantir o retorno das políticas neoliberais de subserviência ao capitalismo financeiro internacional.

É neste momento que a "indústria cultural burguesa" volta ao ataque. Dilma não tinha a mesma inserção popular que Lula, seria mais fácil mobilizar as massas contra o seu governo. Era preciso impedir o sucesso do governo Dilma de qualquer forma. A partir de 2012 a Câmara de Deputados iniciou o processo de sabotagem ao governo, impedindo votações importantes para o governo, votando contra medidas importantes para equilibrio fiscal e arrecadação financeira. 

O processo de desestabilização do governo petista estava em curso, agora era preciso inflar a opinião pública contra o governo do PT. E foi o que a burguesia brasileira começou a fazer, quando estudantes foram as ruas em São Paulo protestar contra o aumento de vinte centavos da tarifa do transporte público, um editorial no jornal da rede Globo, feito por Arnaldo Jabour, foi o estopim para desencadear no país uma série de manifestações contra o governo, que se transformam rapidamente em movimentos nacionais anti PT. 

Se aproveitando das "marchas dos idiotas", termo cunhado por mim em um artigo escrito no calor dos movimentos em 2013, mas chamada de "Jornadas de Junho" pela grande mídia, e do inexplicável ódio ao PT que nasceu com a farsa do "mensalão", que condenou lideranças políticas do PT, por "domínio dos fatos", e sem provas materiais, a burguesia brasileira, a CIA, a mídia corporativa e setores do ministério público e do poder judiciário corrompido, iniciaram uma longa campanha de destruição do Partido dos Trabalhadores, da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula. 

Uma campanha massiva de difamação e de imputação de crimes ao governo Dilma, ao ex-presidente Lula e ao PT, e um processo gigantesco de Lawfare (guerra jurídica) contra um partido e lideranças políticas deste partido.

O resto dessa história todo mundo já conhece. O que chama atenção é o processo de construção do ódio ao PT e ao mesmo tempo o processo de desconstrução da história do partido, e de repente o Partido dos Trabalhadores havia se tornado o inimigo público número um, para uma boa parte da população do país, que mesmo sem saber porquê, passou a odiar o PT mesmo sem ter a menor ideia dos motivos.

Este ódio é fruto de um longo processo de atuação da indústria cultural burguesa sobre a sociedade brasileira. E aqui não quero fazer referência somente à população de senso comum ou analfabetos políticos, mesmo setores da intelectualidade da classe que vive do trabalho, foram absorvidos pelas narrativas burguesas. 

Então o primeiro elemento utilizado pela classe dirigente deste país para promover sua indústria cultural é a grande mídia corporativa, ela sempre esteve a serviço dos interesses da classe dominante do país e das elites econômicas internacionais e vai sempre ser o primeiro pilar na construção da ideologia/cultura burguesa. Não dar para esquecer da arte feita pelos telejornais da rede Globo, que colocava uma imagem distorcida da Petrobrás e um cano com dinheiro saindo da principal empresa pública do país. 

Sem falar das caras de pau das apresentadoras e dos apresentadores destes jornais, dando um monte de notícias falsas, da tal "operação Lava Jato", tocada por figuras sujas do ministério público do Paraná e por um juiz de primeira vara também do Paraná, todos treinados pela CIA para por em prática o maior processo de guerra jurídica contra o PT, Dilma e Lula.

A partir de 2010 houve no país a universalização da internet e das redes sociais, com a chegada da internet 3G e do smartphone, coincidindo com a ascensão da extrema-direita no mundo, a partir da atuação do ativista neonazista Steve Bannon, que se tornou presidente do site Breitbart News e passou a ter uma atuação mundial, formando militantes neofascistas em todo o mundo para operar as redes sociais em favor dos interesses da classe dirigente mundial.

As redes sociais e a rede mundial de internet passaram a fazer parte do tripé que forma a indústria cultural burguesa no país e no mundo. E aqui no Brasil as redes sociais se transformaram numa importante ferramenta de dominação ideológica e cultural da população brasileira. Passando a cumprir um papel fundamental na deformação de uma massa mais alienada e convicta de sua condição.

Por fim, a classe dirigente brasileira e mundial, entendeu que a religiosidade popular pode se transformar em uma importante ferramenta de dominação. Desde o final do século XX os EUA passaram a exportar uma religiosidade nova, fundamentalista, totalitária, alienante, para os países pobres de todo o mundo. Muito mais próxima do Judaísmo do que do Cristianismo. 

A finalidade desta exportação do segmento religioso Pentecostal era muito clara, combater a Teologia da Libertação na América Latina, África e países pobres da Ásia e consolidar o pentecostalismo como doutrina religiosa nestas regiões do mundo. O Pentecostalismo e o neopentecostalismo tem uma função política muito clara, manter a população pobre destes países periféricos do capitalismo, na mais completa alienação de uma fé mística, fundamentalista e negacionista de qualquer racionalidade.

A medida que esta religiosidade foi ganhando força no país, ampliando o número de adeptos, foram se tornando ainda mais importante para o processo de dominação, além de servir como ferramenta de dominação e alienação, passou a desenvolver a "Teologia do Domínio", ocupação de espaços políticos e sociais, sempre a serviço da direita e da extrema-direita, fazendo a defesa de um ideário nazifascista. 

A religiosidade pentecostal e neopetecostal se tornou a terceira ponta do tripé de formação ideológica e cultural da classe dirigente brasileira e mundial.

E este projeto de dominação, bestialização e alienação produzido pela indústria cultural burguesa no Brasil, continua a todo vapor. E este ano eleitoral, certamente vai atuar com muita força contra o PT, contra o governo Lula 3, contra o Brasil e contra o povo brasileiro. Não darão tréguas, pois o imperialismo estadunidense precisa retomar o controle do Brasil, maior economia do hemisfério sul do planeta a qualquer custo, para tentar sair da crise econômica que assola o país há vinte e três anos.

E todas as pernas deste tripé de alienação estão à postos. A mídia corporativa burguesa, está buscando a todo custo, envolver o PT e os governos do PT em escândalos de corrupção, tanto no caso do INSS, quanto neste esquema do Banco Master. A Rede Globo, foi obrigada a pedir desculpas públicas, por uma tentativa dantesca de ligar o governo Lula 3 e o PT ao caso do Banco Master. Ficou tão ruim e caiu tão mal na opinião pública, que fizeram um pedido de desculpas, sem dizer a quem pediam. Um texto horroroso que tentou esconder a quem estava se desculpando.

Tem uma tal de CNN Brasil, que só está faltando pedir a Trump para invadir o país. Um jornalismo opinativo horrível. Nas redes sociais já há algum tempo a galera de extrema-direita vem mantendo seus asseclas de prontidão, em qualquer postagem eles aparecem em bando para comentar. E as Igrejas Pentecostais e neopentecostais, essas continuam destruindo os ensinamentos do Cristianismo.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

PARA ENTENDER O HOJE: SOBRE O SOCIALISMO E COMUNISMO

 

POR PROFESSOR JOÃO PAULO 

Nos últimos anos tenho lido e ouvido muitos impropérios e bobagens nestas redes sociais, espaço destinado a mediocridade da humanidade, mas que não podemos abandonar pois, se tornou um importante veículo de comunicação social. Mas o que mais me causa incômodo é o nivelamento por baixo, baixíssimo nível, que essa extrema-direita burra, faz de nós com eles. E nós ainda não descobrimos uma forma pedagógica de superar este nivelamento por baixo, subir o nível do debate e quem sabe trazer essa gente para nivelar o debate por cima.  

Particularmente, acho que o melhor caminho é demonstrar conhecimento, produzindo os textões mesmo, pois, os caras não escrevem e quando tentam se enrolam todos, os textos são horrorosos, mesmo aqueles com um grau de escolaridade maior, é até cômico ler o que a maioria desta turma escreve. 

Um dos pontos que eles insistem em utilizar e o fazem como xingamento e não como ciência, é a classificação da esquerda como comunista. Do alto de suas ignorâncias, parece que para essa turma, ser comunista é uma doença hiper contagiosa que precisa ser extirpada da sociedade com urgência. Saibam senhores de "direita", seria engraçado se não fosse tráfico,.eu me sinto muito honrado de ser chamado de comunista, os maiores e melhores homens da história humana eram e ainda são  comunistas.

Mas esta turma nem sabe o que é comunismo, na realidade a maioria deles, nunca leram nada sobre o tema e utilizam de uma narrativa produzida pela "guerra fria" para estruturar suas intervenções. Essa gente hoje, que fazem parte da extrema direita, são semi analfabetos ou analfabetos funcionais, preguiçosos e de baixíssimo nível de cognição. A única referência que têm são as narrativas desenvolvidas pelos países imperialistas do Ocidente. 

Então vamos aprofundar um pouco na história do "comunismo", quem sabe algum destes desinformados, por um milagre Divino, faz essa leitura e por um milagre ainda maior consegue aprender algo.

Vamos começar pela etmologia da palavra "comunismo", que vem do latim, "communis", que significa, "comum", "coletivo", ou "que pertence a todos". Então "comunismo", está diretamente ligado a ideia de colocar tudo em comunidade. Com o advento dos estudos produzidos por Karl Marx e Friedrich Engels no século XIX, a ideia de "comunismo", passou a defender a coletivizição dos meios de produção, ou seja, tudo na sociedade que produção riquezas deve ser colocado em comum, deve pertencer a todos.

Nesse sentido, o comunista, deve ser alguém que defende que as riquezas de uma sociedade devem servir a toda a sociedade, em vez de ser apropriada por uma única pessoa, ou por um grupo pequenos de privilegiados. Desta forma, temos exemplos na história, mesmo antes de Marx e Engels, de pessoas que defenderam o "comunismo". Pra começar é preciso dizer que todas as sociedades que se  desenvolveram de forma natural até hoje, em sua gênesi, viveram sob o regime do "comunismo primitivo", uma sociedade sem classes sociais, onde todos trabalhavam coletivamente e o resultado deste trabalho, era dividido igualmente para toda comunidade. 

Depois temos o exemplo das primeiras comunidades Cristãs, descritas por São Paulo Apóstolo, no livro dos Atos dos Apóstolos, na Bíblia, livro sagrado para o Cristianismo. 

Na Idade Média, surgiram os "Valdanses", os "Cátaros ou Albigenses", "Os Movimentos Franciscanos Radicais, (Frei Dolcino)", as "Ordens Monásticas". Todas estas ordens defendiam uma vida coletiva, negavam a propriedade privada e se fundamentavam na Igreja Primitiva, Primeiras Comunidades Cristãs.

Na Idade Moderna, podemos dizer que os povos que habitavam o continente Americano foram referências de sociedades coletivistas, bem mais próximas do comunismo do que do capitalismo que começava a se desenvolver na Europa Ocidental com o "Mercantilismo" fase inferior do capitalismo, ou capitalismo comercial. 

Na Idade Contemporânea, ainda anterior às teorias de Marx e Engels, "as Comunas de Paris" serviram como base para o desenvolvimento dos estudos de Karl Marx e Fiendrich Engels. Ainda anterior ao Marxismo, surgiram os chamados "Socialistas Utópicos" é só a partir de 1917 com a Revolução Russa, o pensamento marxista foi posto em prática.

No entanto, a Resolução teve que adequar o pensamento marxista para as condições objetivas da Rússia, que diferente do que Marx e Engels, afirmara em sua obra, não era um país onde o modo de produção capitalista estivesse avançado e a luta de classes estivesse muito evidenciado, a Rússia era uma sociedade pré-capitalista com uma indústria incipiente e uma classe trabalhadora formada em sua maioria por camponeses.

Na Rússia, China, Coreia do Norte, Cuba, bem como, em nenhum dos países que experienciaram o "socialismo real", não dá para cravar que viveram sob o regime comunista, tendo a partir da teoria do "Socialismo Científico de Marx e Engels", a historiografia reconhece os processos revolucionários, mas,  aponta estas experiências reais, como "modo de produção asiático" e não como o "comunismo científico". 

Toda a argumentação anticomunista imposta pela burguesia ocidental é fundamentada na antiga URRS, nos primeiros momentos da Revolução Chinesa e em Cuba. Todos estes movimentos revolucionários tiveram problemas estruturais para enfrentar, e por conta destes problemas foram obrigados a tomar decisões que contaminaram o nascimento do socialismo científico. Mas, inegavelmente, as vitórias dessas revoluções foram maiores do que os problemas que viveram.

A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, tirou milhões de pessoas da pobreza extrema, universalizou a educação e a saúde, garantiu emprego e renda a toda a população e avançou tecnologicamente a ponto de disputar espaços políticos e econômicos com as potências capitalistas ocidentais. Da mesma forma a China tirou milhões da pobreza extrema, e hoje é a nação mais desenvolvida do mundo, com canções incontestáveis em todas as áreas da produção. Cuba mesmo sofrendo a sessenta anos com o embargo econômico e político, tem os melhores índices de educação do continente Americano, é referência em Saúde para todos o mundo e quando vencer o embargo, construírá a mais bela sociedade do planeta. Sobre a Coreia do Norte não temos muito o que dizer, temos poucas informações sobre o país, mas na realidade tem se mostrado capaz de sobreviver sozinho. 

Neste sentido, não há como justificar essa ideia estúpida desta extrema-direita imbecil, de fazer a crítica vazia ao comunismo, ou ao socialismo. Desde as primeiras comunidades Cristãs, até às experiências do socialismo real, passando pela cidade de Canudos aqui na Bahia, os resultados foram virtuosos, mostraram ao mundo que existem alternativas viáveis ao modo de produção capitalista. E o mundo está pronto para viver outro modo de produção, justo, igualitário e fraterno, só precisamos construí-lo.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

SOBRE O PT E LUIS INÁCIO LULA DA SILVA

POR PROFESSOR JOÃO PAULO 

A história humana está repleta de indivíduos que marcaram seu tempo e espaço por fazer algo muito especial para o seu povo. Em todos os cantos do mundo essas figuras se destacaram por ações políticas que impactaram a vida da sociedade, sobretudo, daqueles que mais precisavam de ajuda.


O mais importante destas figuras históricas para nós ocidentais, sem dúvidas foi Jesus Cristo, o ser que se doou integralmente para garantir a liberdade do seu povo, mas também, que deu origem ao maior segmento religioso da história humana, o Cristianismo.

Mas outros indivíduos marcaram a história d.C, com um grau de importância também grandioso para seu povo. Maomé, tem um grau de importância muito grande para o povo mulçumano, Moisés e Davi para os Judeus, Krishna para o Hinduismo, apesar de não ser a única divindade na forma humana, já que estamos falando de uma religiosidade politeísta, Mahatma Gandhi para o povo indiano, Nelson Mandela para o povo nativo da África do Sul, Martin Luther King para os negros estadunidenses, Ernesto Che Guevara para a luta dos oprimidos da América Latina, Fidel Castro para o povo Cubano. 

Falando específicamente do Brasil, temos também nossos heróis. Muitos líderes permeiam nossa história ao longo destes quinhentos e vinte seis anos. Muitos realmente merecem destaque, outros nem tanto. São frutos da produção historiográfica positivista que é a base da história oficial do país, produzida pela burguesia dirigente, que têm seus próprios interesses políticos em produzir heróis de mentira, para garantir o controle ideológico sobre a população pobre brasileira. 

Estas lideranças produzidas pela burguesia, são sempre homens brancos, originários das camadas médias e da burguesia, inviabilizando, negros e negras, povos originários e brancos pobres que lutaram e deram suas vidas para construir uma nação livre, igualitária e soberana. 

Ainda no período colonial, tivemos várias lideranças populares lutando por liberdade e justiça social que não são lembradas pela histirografia oficial deste país. Entre as lideranças dos povos originários que foram exemplos de resistência à invasão europeia ao "Pindorama", nome indígena para as terras que chamamos de Brasil, podemos citar algumas, que tiveram maior destaque, mesmo não sendo as únicas. Importante lembrar que nem sempre esta resistência tenha sido armada, houve casos em que estas lideranças decidiram por um alinhamento estratégico com os invasores para garantir a sobrevivência do seu povo. 

A essa lista de heróis anônimos de nossa história podemos citar, caciques e pajés que lideraram seu povo em várias lutas: Araribóia (Temiminó), Cunhambebe (Tupinambá), Antônio Paraipaba (Potiguara), Felipe de Sousa e Castro (Potiguara), Potiguaçu (Potiguara) Idiane Crudzá, Aimberê e seu pai Cairuçu (Tamoios).

Entre as lideranças negras no período colonial podem ser nominadas figuras de destaques na organização dos "Quilombos" centros de resistência dos negros escravizados no país. As mais conhecidas lideranças foram: Gangazumba, Zumbi dos Palmares, Dandara dos Palmares, Tereza de Benguela, Zacimba Gaba. Tiveram também as lideranças negras militares, Henrique Dias e Manoel Gonçalves Dória. E ainda podemos destacar lideranças religiosas como a "Irmandade do Rosário"e "Lideranças Malês". 

Ainda tivemos no período imperial movimentos que foram liberados por populares e que tiveram seus nomes invizibilizados pela historiografia oficial. Lideranças populares que chegaram a dirigir as províncias com as vitórias temporárias dos movimentos. Na Cabanagem, movimento que aconteceu na província do Grã Pará, Eduardo Angelim, mestiço e Vicente Ferreira de Paula, indígena. Na Sabinada, movimento que aconteceu aqui na Bahia  Francisco Sabino Álvares da Rocha Vieira e José Carneiro da Silva Rego ambos Jornalistas mestiços, também podemos falar da Balaiada, movimento que aconteceu no Maranhão, Rio Grande do Norte e Piauí, Raimundo Gomes, Manuel Francisco dos Anjos Ferreira e Cosme Bento das Chagas. 

A Revolta dos Malês em 1835, ainda no "primeiro reinado", também teve lideranças populares, importante que assim como nos movimentos indígenas e nos quilombos, houve liderança de uma mulher, Luisa Mahim e dois líderes do sexo masculino, Francisco de Sousa Martins e Pacífico Licutan.

Na Revolução Praieira de 1941, em Pernambuco, destaque para líderes como Pedro Ivo Veloso da Silveira, Joaquim Nunes Machado, Antônio Borges da Fonseca,Inácio Bento de Loiola e Manuel Pereira de Morais. Também não dá para esquecer de Frei Caneca, importante liderança que atuou tanto na Bahia, quanto em Pernambuco. 

Depois da Praieira os movimentos sociais tiveram um período de acomodação, o "segundo reinado" se consolidou e as elites brasileiras, representadas pelos dois partidos da ordem, Conservadores e Liberais, dividiram o poder no Brasil e construíram a estrutura política que permanece viva e detentora do poder politico até hoje no Brasil. 

Então veio a "Proclamação da República no Brasil", nada mudou na estrutura da sociedade, o poder politico, econômico e social, se manteve nas mãos dos mesmos latifundiários que comadavam o Segundo Reinado, agora concentrado no eixo São Paulo e Minas Gerais, não restou muito ao povo a não ser se manter na luta por um país mais justo e com outro modelo de sociabilidade. 

A partir deste momento faremos um resumo dos fatos históricos, com o objetivo de não ampliar muito este ensaio, pois foram tantos acontecimentos importantes na história repúblicana deste país, que se fosse falar sobre todos os fatos históricos, teriamos que transformar este ensaio em livro, como este não é o objetivo, vamos falar superficialmente sobre alguns acontecimentos: 

Sobre a "República Velha" já fizemos uma breve avaliação. Só manteve o poder nas mãos das oligarquias políticas que já dominavam a vida política do país desde o período imperial. O povo se manteve na luta o tempo todo, todos os movimentos foram duramente reprimidos pelo governo central do país.

"A Primeira República 1889 a 1930 foi marcada por intensas revoltas rurais e urbanas, geradas pela exclusão social, concentração de terras, coronelismo e falta de direitos trabalhistas. Principais conflitos incluíram, o Messianismo, Canudos, Contestado, Cangaço, Revolta da Vacina, Revolta da Chibata e o Tenentismo, culminando na crise da República Oligárquica". 

Não vamos detalhar cada movimento deste, mas, todos tiverem um caráter popular, com lideranças que surgiram da luta dos pobres, só para destacar alguns nomes, Padre Cícero no Ceará, Antônio Conselheiro na Bahia, Lampião no Nordeste, Luis Carlos Prestes, no Sul do país.

Em 1930 o país vive a "Revolução de 1930" movimento que uniu vários setores descontentes com o controle da política e da economia por São Paulo e Minas Gerais e após a vitória dos revolucionários, foi instituída uma "República Nova" sob o comando do gaúcho Getúlio Vargas, um militar e estancieiro (latifundiários gaúchos), que como todo bom gaúcho anseiava por mais poder politico no país. Getúlio Vargas governou de 1930 a 1934 como governo provisório, em 1934 foi eleito indiretamente à presidência da República, em 1937 Getúlio promoveu um auto golpe de Estado e criou o Estado Novo, uma ditadura civil, que durou até 1945, quando foi deposto pelos militares. 

Neste período não houve destaque para nenhuma liderança popular. Luis Carlos Prestes e sua esposa Olga Benário, se destacaram a frente do Partido Comunista, mas foram duramente reprimidos pelo regime, presos, e Olga foi deportada para a Alemanha nazista, tendo morrido em um campo de concentração de Hitler. 

De 1930 até 1964, tivemos um refluxo da luta popular no Brasil, destaque para as Ligas Camponesas, que surgiram no final do Estado Novo e foi o embrião das lutas pela reforma agrária no país. As grandes lideranças populares deste movimento foram: Francisco Julião, João Pedro Teixeira, Elizabeth Teixeira, esposa de João Pedro e Alexina Crespo, Companheira de Francisco Julião. 

Neste ínterim surgiram novos movimentos populares no país, ligados a Igreja Católica. É preciso salientar que a Igreja no país passava também por uma mudança de paradigma. A Ação Católica começou a atuar no país ainda nas décadas de 30 e 40 do século XX, sob a égide do Papa Pio XI, neste período havia forte influência do Movimento Integralista Brasileiro, no movimento católico, destinado a participação do Laicato nas ações de evangelização no país.

Mas a derrota do nazifascismo na segunda guerra mundial, o Concílio Vaticano II e o Pontificado de João XXIII, mudou a perspectiva dos Ensinamentos Sociais da Igreja na Europa e essas mudanças chegaram ao Brasil. A Ação Católica, aliada ao nascimento da CNBB, ganha contornos mais populares e democraticas e mais a esquerda. 

Surgem neste momento de mudanças teológicas as pastorais populares JAC, JEC, JIC, JOC, JUC e com as pastorais novas lideranças. No Clero emergiram Dom Helder Câmera, Padre Henrique Cláudio de Lima Vaz (Pe. Vaz), Padre Lebret, ligados a TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO. No Laicato, Alceu Amoroso Lima (Tristão de Athayde), Herbert de Souza (Betinho), José Luiz Sigrist.

Não podemos esquecer de figuras históricas e importantes do Partido Comunista do Brasil, que nasceu em 1922 e atravessou todo este período da história do Brasil na luta por uma sociedade mais justa e igualitária. Importante lembrar de escritores como Jorge Amado, Graciliano Ramos e Álvaro Moreira, o historiador Caio Prado Júnior, o pintor Cândido Portinari, o físico, Mário Schemberg, o arquiteto Oscar Niemeyer e o Jornalista, Aparício Torelli. Além de Militantes históricos como João Amazonas, Haroldo Lima, Carlos Mariguella. 

Em 1964 estoura no país mais um golpe de Estado. Agora os EUA através de seus organismo de inteligência durante a Guerra Fria, organizaram golpes de Estados em toda a América Latina, temendo que todo o continente vivesse o mesmo processo de ruptura revolucionária que ocorreu em Cuba, que derrotou os setores que comandavam o país a serviço dos EUA e se alinhassem ideologicamente à União Soviética. 

Vários países tiveram a substituição de governos eleitos democraticamente pelo seu povo, com perspectivas de centro-esquerda e esquerda, por ditaduras civis militares, pensadas e postas em prática pelas burguesias locais e pela CIA, que pôs em prática dois projetos de ataque aos países latinos americanos, PROJETO CONDOR E PROJETO BROTHER SAM.

Com a instituição do golpe militar de 1964, vários movimentos populares surgiram no país, vários partidos políticos, de características revolucionárias, surgiram para fazer a luta pela redemocratização e contra a brutalidade e estupidez do regime militar. Várias lideranças populares brotaram da luta, mas poucas com grande destaque. A maioria foram presas, torturadas, assassinadas, e os que sobreviveram foram expulsos do país, mandadas para o exílio, ou fugiram para sobreviver.

Alguns nomes se destacaram nestes movimentos de enfrentamento a ditadura militar, estudantes, religiosos da Igreja Católica, intelectuais de esquerda, podemos enumerar alguns deles, Paulo Freire, Betinho, Carlos Mariguella, Carlos Lamarca, Fernando Gabeira, Dilma Rousseff, José Dirceu, José Genuíno, Vladimir Palmeira, Jean Marc Van Der Weid, Helenira Resende, Plínio Arruda Sampaio, Chico Mendes, Frei Betto, Frei Tito, Frei Leonardo Boff, Frei Irvin, Frei Orlando, Luiza Erundina, Amelinha Teles, Iara Iavelberg, Ana Dias, Zuzu Angel, Leonel Brizola, Miguel Arraz, Waldir Pires. 

Mas a luta se manteve no país, e é neste contexto que surgem novas lideranças populares, sobretudo, nas pastorais da Igreja Católica progressista, ligadas a Teologia da Libertação e no sindicalismo no ABC Paulista. O sindicalismo, as pastorais populares e progressistas da Igreja Católica, intelectuais de esquerda, trabalhadores e trabalhadoras rurais e urbanos, se tornaram o motor que pôs fim à engrenagem corrupta e perversa da ditadura militar no país.

A partir de meados da década de 1970, a ditadura civil militar já estava carcomida, decadente, enfraquecida pelos seus próprios erros, corrupcão endêmica e incompetência. As pastorais populares da Igreja Católica, voltam a ganhar fôlego em todo o país. Após a eclosão da greve do ABC Paulista, que teve forte influência das pastorais populares entre as lideranças, o movimento transcendeu as revindicações das categorias grevistas e se tornou um movimento nacional, e o palco para o surgimento de novos agentes políticos e novas lideranças populares. 

Este movimento grevista se tornou um grande movimento pela redemocratização do país. À sua frente estava o presidente do sindicato dos metalúrgicos, o jovem militante Luis Inácio da Silva, o Lula, ao seu lado companheiros de militancia sindical e membros da Igreja Católica, tanto do Clero Progressista, ligados à TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO, quanto membros do Laicato, oriundos das CEBS (Comunidades Eclesiais de Base). 

O movimento grevista sagrou-se vencedor, os trabalhadores tiveram suas reivindicações atendidas e a ditadura civil militar sofrera um enorme golpe. O movimento mostrou que não havia mais tempo para manutenção do regime, o processo de redemocratização se avinzinhava. O mais importante: este movimento grevista deu origem ao primeiro partido político forjado da luta dos trabalhadores, dos mais pobres, dos historicamente humilhados e que naquele momento histórico se levantava contra séculos de opressão.

Deste movimento nasceu dois agentes sociais que mudaram a correlação de forças no país. O Partidos dos Trabalhadores e a maior liderança política popular brasileira de todos os tempos, Luís Inácio Lula da Silva, o operário que no futuro se tornaria o melhor presidente da história do país para os trabalhadores, para os mais pobres, para todos historicamente marginalizados pelo capitalismo de subserviência brasileiro.

Quanto ao Partido dos Trabalhadores não há dúvidas de que é a grande expressão partidária da classe que vive do trabalho no país, o maior partido de esquerda do continente Americano. Mesmo com as mudanças ideológicas, alterações na forma de pensar a política, com as mudanças nas políticas de alianças e a guinada ao centro, o Partido dos Trabalhadores tem dado respostas importantíssimas à população brasileira que mais precisa da presença do Estado em suas vidas.

O Partido dos Trabalhadores nunca abriu mão da luta pela classe trabalhadora. Pode se dizer qualquer coisa sobre este partido, afinal, como toda produção humana, é passivo de falhas. Mas não se pode dizer que ele tenha negligenciado o compromisso com a construção de uma país mais justo, mais fraterno e igualitário. 

Este partido é sério e compromissado com as questões eticas e morais, aqui me arrisco a dizer que 90% dos filiados e filiadas ao PT são confiáveis e honestos, tá bom, tá bom, 85%. As principais lideranças nacionais do partido, acusadas de corrupção desde que ascendeu à direção do Estado brasileiro, certamente são honestas e moralmente éticas. Todas as denúncias não comprovadas, prisões arbitrárias sem provas reais, a história já mostrou que foi um amplo processo de guerra jurídicas (Lawfare), que gradualmente estão caindo por terra.

Nos últimos vinte anos a burguesia brasileira, ciente de que não poderiam disputar com o PT no campo das ideias, pois, só tinham um partido ideológico de direita, o PSDB, que se tornou o braço liberal da burguesia paulista e carioca. Mas este partido derreteu politicamente dado o fracasso do projeto neoliberal no país com os governos de FHC e o sucesso do primeiro governo do PT. 

Diante das vitórias do PT e as derrotas da direita no país, a burguesia brasileira buscou uma estratégia diferente, já que não conseguiram manter o debate no mesmo nível do debate feito pelo PT, optou por trazer o PT para a vala comum da política nacional. Passaram a criar factóides para acusar, julgar e condenar o Partido dos Trabalhadores. "Mensalão", "Petrolão", "Pedaladas Fiscais", "Lava Jato". Com assessoria da CIA e do FBI, e apoio irrestrito de toda mídia corporativa brasileira, foram ao longo dos últimos vinte anos, colando a pecha de corrupção no partido. 

A discussão sobre corrupção no Brasil não é novidade, na realidade é um discurso ideológico que a burguesia utilizou a vida toda para destruir a reputação dos seus adversários políticos. Foi assim com Getúlio Vargas, com João Goulart, até com Juscelino Kubitschek e Jânio Quadros, e estão usando a mesma narrativa contra o PT. 

Outra narrativa que sempre é usada contra os adversários da burguesia brasileira, desde o golpe militar de 1964 é a ideia do comunismo, que também está sendo usada contra o PT. Estas duas narrativas servem bem para manter a população de senso comum e ignorante, sob o controle ideológico da burguesia. Desta forma a burguesia brasileira e os organismos de proteção do capital financeiro internacional, mantem o povo brasileiro sob seu controle intelectual. 

Na outra ponta, temos o Luís Inácio Lula da Silva, hoje podemos ranquilamente afirmar que o companheiro Lula, é a maior liderança política da história do Brasil e sem sombra de dúvidas uma das maiores lideranças políticas da história da luta por um modelo de desenvolvimento que seja mais inclusivo, mais fraterno e mais igualitário no mundo.

A grandeza de Lula, hoje, supera, figuras importantes, como Luther King, Mahatma Gandhi e Nelson Mandela, que sem dúvidas foram grandes lideranças populares em seus países, mas não conseguiram se tornar lideranças globais. Ao contrário deles, Lula ao chegar a presidência do Brasil, construiu uma inserção mundial, fez do Brasil a maior potência  econômica e política do hemisfério sul do planeta e dele mesmo, uma liderança política global incontestável.

Não há um presidente ou primeiro ministro no mundo que não respeite o indivíduo Luis Inácio Lula da Silva. Claro que muitos tem divergências com o presidente do Brasil, processo natural, mas respeitam sua capacidade política e sua condição de maior estadista da política mundial, capaz de discutir com todos os lados, sem gerar conflitos e com isso só quem ganha é o país e seu povo brasileiro.

Lula chega aos oitenta anos gozando de todas suas faculdades mentais, será novamente candidato a presidência, por entender que ainda não há outro nome capaz de enfrentar a direita e a extrema-direita no país, até porque entende que este processo eleitoral de 2026 será marcado por uma radical interferência dos Estados Unidos e aliados, com todas suas ferramentas de destruição de nações, com o objetivo de derrotar o PT e Lula, e sabe que só seu nome tem força suficiente para fazer este enfrentamento. 

Este senhor já com idade avançada, foi preso pela ditadura civil militar, tem sua vida e de todos seus familiares devassadas há quase cinquenta anos, a burguesia brasileira é louca para encontrar um deslize de Lula para poder destruí-lo. Seu filho constantemete tem seu nome ligado a algum caso de corrupção, se pegarem o filho de Lula certamente vão acertar no pai. Foi preso injustamente em 2018, por um suposto triplex que nunca foi dele, por um sítio de um amigo que disseram ser dele. A história provou que tudo foi uma grande armação política, para impedir mais uma vitória eleitoral de Lula e do PT, e para dar continuidade ao golpe contra Dilma Rousseff. 

Voltou à presidência pelo voto do povo, em uma situação dificílima para o país, após uma governo ultraliberal que desmontou o Estado brasileiro, precarizou a vida da população mais pobre, e está recuperando a passos lentos a economia e a vida social do país. 

Lula não é um revolucionário no sentido literal do termo, nunca vamos ver esse companheiro convocar a luta armada contra a burguesia brasileira. Mas sua vida, sua história, são sim revolucionárias e a historiografia deste país e do mundo terá que dá a Luis Inácio Lula da Silva o lugar de destaque que merece. 

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Moraes contra esse espetáculo processual circense: a cada manobra uma derrota espetacular.


Por Joilson Bergher.

O Presidiário busca a todo momento um circo processual instaurada no âmbito dos procedimentos judiciais contra ele enfatizando o conflito entre estratégias defensivas percebidas como obstrucionistas e a resposta jurisdicional firmemente pautada na legalidade estrita.

Parte-se da premissa de que a postura pública histórica do réu, caracterizada pela aberta hostilidade e descredito às instituições judiciais, contextualiza e informa a recepção de suas defesas técnicas. Nesse cenário, manobras processuais como a apresentação de quesitos periciais alheios ao objeto determinado são interpretadas não como mero exercício do contraditório, mas como capítulos de uma contínua tentativa de transformar o rito em arena de espetáculo político-judiciário, visando ao desgaste e à relativização da autoridade da Corte.

Conclui-se que a atuação do ministro relator, Alexandre de Moraes, ao indeferir sumariamente tais quesitos por sua irrelevância e caráter protelatório, constitui ação pedagógica e repressiva essencial. Mais do que uma simples decisão de mérito, sua postura ergue um dique jurídico contra a banalização e a instrumentalização política do processo penal.

Ao circunscrever o debate aos estritos termos técnicos determinados – no caso, a avaliação clínica objetiva – e ao neutralizar tentativas de desvio para discussões jurídicas prematuras e passionais, o magistrado reafirma a supremacia do procedimento legal sobre narrativas paralelas. 

Tal firmeza opera na salvaguarda da integridade funcional do Poder Judiciário, demonstrando que a jurisdição se exerce sobre os autos e as provas, e não se submete a espetáculos, bravatas ou campanhas de assédio institucional.

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Joilson Bergher!
Professor Historiador, Filósofo e Ativista Cultural

sábado, 24 de janeiro de 2026

O IMPÉRIO NÃO DÁ TRÉGUAS, ESTEJAMOS ATENTOS PARA AS CENAS DOS PRÓXIMOS CAPÍTULOS.


 

POR PROFESSOR JOÃO PAULO 


Há algum tempo atrás, fui muito questionado e criticado, por minhas posições contra o imperialismo estadunidense sobre o Brasil e a América Latina. Principalmente na ocasião do golpe de Estado contra o governo Dilma, o PT e principalmente contra o povo brasileiro. 

Me recordo de alguns companheiros de luta, que desenvolveram um tese estranha, de que as manifestações contra os governos do Partido dos Trabalhadores, eram resultantes dos muitos erros cometidos por este partido na direção do Estado brasileiro, que iam, desde a conciliação com a burguesia, até corrupção endêmica. Estes companheiros buscavam de qualquer jeito uma maneira de culpabilizar o Partido dos Trabalhadores, por todo o movimento golpista, que teve início em 2005, quando montaram a farsa do "mensalão". Aquele foi o laboratório para o desenvolvimento de um novo jeito de promoção de golpes de Estado em países em desenvolvimento e sub desenvolvidos, a guerra jurídica (Lawfare) seguida por um processo de comoção social, e manifestações populares motivadas por um amplo processo de incentivos, feitos em redes sociais e também pela mídia corporativa burguesa. 

"Revolução Ucraniana", "Movimentos de Rua na Argentina", "Primavera Árabe", "Jornadas de Junho", tudo minuciosamente pensado pelos setores de inteligência do imperialismo, com o objetivo de gerar caos político em regiões de interesses do império, para facilitar a tomada do poder politico pelas forças dominantes do capitalismo financeiro mundial e pelas burguesias subservientes destes países.

Quando disse isto, no auge dos movimentos, fui duramente rebatido por essa turma já mencionada aqui, intelectuais e militantes de esquerda que queriam "reinventar a roda". Mas também por essa massa ignorante que forma o lumpensinato cultural deste país. Dois lados bem divergentes, mas que caminharam tanto para os extremos que acabaram se encontrando em algum momento da recente história do Brasil.

Mas a história, implacável com quem não consegue lê-la de forma concreta, foi aos poucos comprovando todas as minhas teses sobre o neo-imperialismo estadunidense. E este último ato, a invasão da Venezuela e a ilegal prisão do presidente Nicolás Maduro, não deixa nenhuma dúvida de que o imperialismo estadunidense, aqui quero deixar claro, que me refiro aos Estados Unidos, mas, este país só prática o imperialismo, porque conta com  a anuência das potências capitalistas europeias e da Asia, continua em pleno vigor, e pronto para golpear tudo que estiver ao seu alcance para se manter no poder, na direção das relações econômicas e políticas do mundo. 

Como disse em um comentário em um post do whatsapp sábado, o próximo alvo do laranjão é a Colômbia e depois o Brasil. É a reedição da "Doutrina Monroe" para o século XXI, "a América para os Estados Unidos da América". Não tenho dúvidas que a ideia do presidente "orange" dos Estados Unidos é a recolonização da América Latina. É preciso ter claro que este país, que outrora foi a grande potência econômica do planeta, hoje está moribundo. Desde 2002 os Estados Unidos enfrenta déficit fiscal, são vinte e quatro anos no vermelho e sem perspectiva de resolução, a não ser que volte ter o controle sobre as antigas áreas de influências, América Latina, Oriente Médio e parte da África. 

A ideia é continuar usurpando as riquezas destas regiões do planeta para aquecer a economia decadente do império e retomar o controle político e econômico do ocidente. Para os EUA é condição "sine qua no" para enfrentar o avanço do BRICS e do multiliteralismo. 

Desta forma os EUA tenta uma nova investida sobre a América Latina. A invasão da Venezuela segue um roteiro já visto a pouco tempo em outras partes do mundo. A Venezuela é um território rico, um dos maiores produtores de petróleo e gás natural do mundo, e os yankees querem estas reservas petrolíferas para reaquecer sua economia decadente. Mas não vai parar por aí! É preciso reconquistar o Brasil, afinal, aqui também tem petróleo e agora as "terras raras" importantíssimas para a produção das novas tecnologias da indústria automotiva, de comunicação e na renovação energética limpa.

Os analfabetos políticos estão desenvolvendo uma crença "infantil", de que a invasão da Venezuela e o sequestro do presidente, vai resolver todos os problemas do povo venezuelano. Seria bom da uma revisitada em países que recentemente foram invadidos pelos EUA, Iraque, Afeganistão, Síria, Libia, Iêmen, países onde a famosa "democracia estadunidense" chegou, levada pela força de ataques armados, bombardeios, assassinatos, sequestros, e o povo vive em condições sub-humanas.

Em todas estas incursões estadunidenses o objetivo sempre foi a pilhagem das riquezas destes países para manter seu poder econômico e político sobre o mundo, nunca foi o cuidado com os povos. Foi por isso que os EUA esteve por trás dos golpes de Estados na América Latina das décadas de 1960 e 1970 e agora estão reeditando estas ações. Onde puderam fazer por "vias democráticas" como na Argentina e Chile, vencendo processos eleitorais o fizeram, apesar do processo de Lawfare, sobre Cristina Kirchner na Argentina, para facilitar a vitória do ultraliberal Milei.

No Brasil o golpe contra o governo Dilma e a ilegal prisão de Lula, não funcionou como queriam, pois, Lula provou sua inocência e venceu novamente as eleições no país. 

No Peru e Bolivia golpes de Estados impediram a continuidade de governos de esquerda, devolvendo os países para as burguesias entreguistas e subservientes aos interesses dos Estados Unidos. Agora a invasão armada contra a Venezuela e o acordo com setores do governo para a pilhagem do petróleo produzido pelo país. 

Não nos enganemos, as incursões estadunidenses na América Latina não cessaram, ainda precisam recolonizar a maior nação Latina Americana e a maior economia do sul global. E não medirão esforços para vencer o processo eleitoral de 2026. A Casa Branca e a CIA certamente estarão ativos nas eleições deste ano no Brasil, já estão. Tudo que estiverem as mãos para interferir no processo eleitoral brasileiro será utilizado, tenho absoluta certeza sobre isso. 

Mas não vencerão, o excelente governo do presidente Lula três, vai se sagrar com a reeleição de Lula para um quarto mandato. E aí teremos que está totalmente mobilizados, em estado de mobilização permanente, pois, as forças do imperialismo estadunidense e a burguesia brasileira, farão de tudo para não permitir a continuidade do projeto popular e democrático do Partido dos Trabalhadores no Brasil. 

Desta forma não se descarta de forma alguma, mais uma tentativa de golpe de Estado contra o Partido dos Trabalhadores e, principalmente, contra o Brasil, para recolocar na direção do Estado a burguesia sabuja e subserviente que dirige o país há séculos. O imperialismo estadunidense não descansa, e agora para sobreviver aos acontecimentos contemporâneos, terão que reeditar o mesmo projeto de pilhagem das riquezas dos países do sul global. Em função disto, que teremos que está totalmente mobilizados e conscientes do processo que teremos que enfrentar, para resistir à nova escalada imperialista, sem nos permitir ser enganados, como setores da esquerda foi nos primeiros ataques golpistas durante os primeiros governos do PT.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

UM POUCO DE ANÁLISE DE CONJUNTURA SOBRE O BRASIL E AMÉRICA LATINA PARA OS PRÓXIMOS ANOS.



POR PROFESSOR JOÃO PAULO 


Estamos novamente em um momento ímpar da  recente história do Brasil. Em vinte e seis anos deste século XXI muitas coisas aconteceram no país. Acontecimentos importantes para desenhar o futuro que o Brasil terá a partir deste bloco histórico. 

O início de século XXI, está sendo marcado por várias tentativas de reação dos países do sul global, principalmente na América Latina e África, mas também em algumas regiões do Oriente Médio e da Ásia, que lutam para se libertar do domínio econômico e político dos países imperialistas do capitalismo ocidental.

Esta reação dos países abaixo da linha do Equador, não viria sem a contrapartida do império. O capitalismo certamente iria reagir as lutas por autonomia e soberania das nações em desenvolvimento e subdesenvolvidas do mundo. Países que durante o século XX foram a  "galinha dos ovos de ouro" das potências capitalistas do hemisfério norte do planeta.

Toda a América Latina, em algum momento destes vinte e seis anos, em algum momento, elegeu governos de esquerda ou de centro-esquerda, numa atitude clara de que o povo cansou de ser ferramenta para manter a estabilidade econômica das potências capitalistas do hemisfério norte do planeta (G7).

Claro que o processo político e histórico é dialético, os processos políticos se transformam muito rapidamente, principalmente quando forças políticas estão exercendo a "luta de classes". Países como Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, Brasil, Venezuela, Bolívia, México, Colômbia, Peru, Equador, Nicarágua, El Salvador, tiveram governos de centro-esquerda e esquerda, que deram muito certo. Mas todos estes países acabaram sofrendo retrocessos políticos, com as antigas forças capitalistas reassumindo a direção do Estado. 

Essas idas e vindas do processo político devem ser compreendidas como o movimento normal do processo de "lutas de classes", as forças populares e democraticas vencem o processo eleitoral, governam com uma oposição serrada dos setores dominantes do mercado interno e externo, se conseguirem fazer uma boa gestão do Estado burguês e conquistar melhorias para o povo, se mantêm na direção do Estado, se não conseguem, a classe dirigente dominante retoma o poder. Como eu disse, essa processo é normal, mas, não é natural. 

É preciso ter clareza de que este processo não é natural, ele depende das correlações de forças políticas que estão atuando no jogo. A partir daqui vou ter como centralidade o processo político no Brasil, que é uma situação singular, mas que serve como referência para quase todos os processos de golpes contra governos de centro-esquerda e esquerda na América Latina e África, no que diz respeito ao Oriente Médio, os processos são mais complexos, mas têm similaridades. 

O Brasil em sua primeira eleição direta para presidência da República, 1989, viveu a luta de classes na veia, no primeiro turno, o PT, o PDT e o PCB, lançaram candidaturas contra os partidos da classe dirigente brasileira. No segundo turno passou para disputa o candidato escolhido pela burguesia, o senhor Fernando Collor de Melo e o candidato do PT, o mais a esquerda naquele momento e representante do classe trabalhadora, Luis Inácio Lula da Silva.

No segundo turno houve a união das forças progressistas em torno do nome de Lula, o mesmo aconteceu com as forças do capitalismo em torno da candidatura de Collor. Apesar da linda campanha feita pela militância de esquerda em todo o país, como era de se esperar naquele bloco histórico, venceu a força do poder econômico, que como sempre não se preocupa com padrões éticos e morais, se utilizam do dinheiro, da mentira, da falta de seriedade, para enganar e alienar o povo. 

Mas duas eleições se seguiram, o PT disputou as duas e perdeu, agora não mais para um candidato de mentira como foi Collor de Melo, mas para um partido político de verdade, o PSDB, que deveria ser de centro-esquerda, pois, se reivindicava "social democrata", mas foi capturado pela Casa Branca e se tornou o partido encarregado de promover as políticas neoliberais no Brasil. 

Como já era esperado a aventura neoliberal brasileira não deu certo, o liberalismo econômico nunca funcionou em nenhum momento da história contemporânea, em lugar nenhum do mundo. Onde foi posto em prática aprofundou a crise do modo de produção capitalista, que estruturalmente vive em crises. O projeto do novo liberalismo, que em sua essência é ainda mais opressor que o modelo clássico do liberalismo, não podia funcionar mesmo. 

Em 2002 finalmente o Partido dos Trabalhadores vence o pleito eleitoral, fortalecido pelo fracasso das políticas neoliberais produzidas pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) e postas em práticas pelo PSDB no país. Lula se tornou o primeiro trabalhador eleito para a direção do Estado brasileiro, com ele a esperança de milhões de brasileiras e brasileiros, que sempre sonharam com uma vida mais digna. 

Com a chegada do PT à direção do Estado brasileiro, havia a perspectiva, sobretudo, de setores da esquerda, de que teríamos uma revolução no Estado, o PT fortalecido pelo apoio popular, introduziria políticas públicas que levassem à superação do Estado burguês e a construção de um Estado operário. Este processo não veio e frustrou parte da esquerda do país e do próprio partido, que indiretamente passou a ser também oposição ao Partido dos Trabalhadores. 

Mas é inegável que com o PT na direção do Estado, as prioridades foram invertidas, os primeiros governos de esquerda no país, mostrou que era possível a inclusão da classe trabalhadora no orçamento do Estado e a necessidade de implementação de políticas públicas com o objetivo de garantir gradativamente a inclusão dos mais pobres da sociedade no mercado produtivo. 

O caminho que o partido seguiu foi de construir a social democracia brasileira. Isso em função das correlações de forças políticas no país. Os setores dominantes do partido, após três derrotas eleitorais, entenderam que tinha que acenar para o centro, se quisessem vencer o processo eleitoral, e depois garantir as condições objetivas para governar, tendo um número significativo de deputados e senadores no parlamento. Na outra ponta era necessário abrir um canal de diálogo com a classe dirigente, que de fato é quem detém o poder econômico e político no país, entendendo que não vivemos um momento revolucionário, neste "bloco histórico". Acertado ou não, foi este o caminho que o PT traçou para dirigir o Estado brasileiro.

A partir de 2002 o Brasil entrou em um novo momento, os primeiros governos do PT arrumou a casa, deu estabilidade a moeda, controlou a inflamação, deu aumento real do salário mínimo, criou programas sociais que garantiram a inclusão dos mais pobres no orçamento do Estado, gerou vinte milhões de empregos com carteira assinada, fez investimentos na melhoria da saúde e educação, criou um programa para garantir moradias a baixo custo para a população mais pobre do país, criou programas para garantir o acesso dos mais pobres a universidade, fundou várias universidades federais, vários institutos federais de ensino técnico, programa mais médicos, SAMU 192, minha casa minha vida, programa fome zero, fez superávit primário, acumulou a maior reserva cambial da história. Se fosse listar tudo daria um livro. 

No cenário mundial, conquistou status políticos e econômicos que o país nunca experimentou antes. Pagou a dívida externa com o FMI e se tornou credor do banco, junto com a Rússia, Índia, China e África do Sul, fundou o BRICS, um banco dos países emergentes com o objetivo de disputar o mercado mundial com o FMI e o BIRD,  criou o G20, se tornou protagonista na diplomacia mundial. 

O projeto de nação do Partido dos Trabalhadores é sem sobra de dúvidas o melhor para o país. No entanto, mesmo diante dos muitos avanços conquistados pelos governos petistas para o Brasil e para o povo brasileiro, a classe dirigente brasileira, subserviente como sempre, não deu tréguas ao partido no governo. O caminho foi muito bem pavimentado para destruir o PT definitivamente. 

O primeiro passo foi criar uma guerra jurídica (Lawfare) contínua contra o Partido dos Trabalhadores. A primeira ideia foi empurrar o PT para a vala comum da política brasileira. Não é segredo para ninguém que a classe política do Brasil, sobretudo, aqueles oriundos das oligarquias políticas de todo o país, são corruptos incuráveis. Criaram um Estado só para servir aos interesses financeiros destas oligarquias. 

A ideia inicial era igualar o PT e as esquerdas a esta gente canalha. Neste sentido, desde 2005, a mídia da burguesia, criou ama narrativa que colocava todos nós mesmo lugar, na mesma vala comum, surge o "mensalão", para colar no Partido dos Trabalhadores a pecha de corrupto, tornar o PT igual aos outros partidos foi o primeiro passo para o golpe. 

Nivelar todos os partidos por baixo foi uma tarefa fácil em um país que historicamente e culturalmente já acredita que "todo político é ladrão, é corrupto", "que a política é a arte de roubar", "que só entra na política quem é desonesto". Essa máxima que é puramente ideológica, até serve para todos os partidos de direita do Brasil, afinal, a direita neste país sempre foi formada por uma elite branca que se habituou a pilhar o Estado brasileiro. Mas não serve para a esquerda deste país que sempre primou pelo cuidado com a máquina pública e sempre viu a política como ferramenta para transformar objetivamente a sociedade brasileira em defesa dos oprimidos historicamente pelo modo de produção capitalista.

Mas a burguesia brasileira, através de sua mídia corporativa, e os serviços de inteligência da Casa Branca, CIA, fizeram bem o dever de casa, criando narrativas e guerras jurídicas com o objetivo de macular a imagem do PT e de toda a esquerda do país. Tão bem feito, que até setores da esquerda foram enganados e determinados pelas narrativas ideológicas da burguesia. O pensador e militante italiano Antônio Gramsci já chamava atenção para a capacidade da burguesia de imprimir na sociedade e até na intelectualidade de esquerda suas narrativas.

O segundo passo foi garantir que as principais lideranças do Partido dos Trabalhadores tivessem seus nomes envolvidos em escândalos de corrupção, e a mídia cumpriu o papel de divulgar uma série de mentiras sobre o governo petista, garantindo condenações para as principais lideranças do partido e possíveis sucessores de Lula ao cargo de presidente, "matando dois coelhos numa cajadada só", ao mesmo tempo elimiou nomes para a sucessão de Lula e criminalizou o partido mais a esquerda do pais, com capilarade, força política e projeto de nação. Para isso mobilizaram setores da justiça brasileira, desde a primeira instância até o STF e toda a mídia burguesa e redes sociais.

Por fim, e em terceiro lugar, com as narrativas de criminalização e de corrupção contra o PT, divulgadas pela mídia burguesa e pelas redes sociais, a classe dirigente brasileira criou uma legião de antipetistas, colocar uma parcela da sociedade brasileira contra o Partido dos Trabalhadores, capaz de se levantar contra os governos do PT no momento do golpe de Estado, o que realmente aconteceu a partir do processo que chamaram de "jornadas de junho" em 2013, que desencadeou no falso impeachment da companheira Dilma Rousseff em 2016 a eclosão do golpe jurídico, parlamentar e midiático contra o Brasil e na continuidade do golpe com a ilegal prisão de Lula, o tirando da disputa eleitoral de 2018. 

O impérialismo tem várias estratégias para desestabilizar governos e países que a Casa Branca quer dominar.  A CIA se especializou nesta tarefa a partir da Guerra Fria e vai continuar fazendo isto. A burguesia brasileira é subserviente aos interesses do capitalismo financeiro internacional e vai está sempre pronta para golpear a democracia brasileira. 

Neste "bloco histórico", o cenário é favorável a um novo golpe de Estado, está legião antipetistas reduziu de tamanho, mas ainda há um contingente consideravel em nosso tecido social. Figuras nazifascistas, com uma concentração maior no sul do país, mas também espalhado em outras regiões, principalmente no meio pentecostal e neopentecostais, e outros setores religiosos com características "conservadoras", que também podem ser chamados de alienados. 

Este número de pessoas já foi maior, mas, pelas últimas pesquisas chega a 39% da sociedade brasileira, na margem de erro, pode variar de 37 a 41 %, o que é um número significativo de pessoas em nosso tecido social. Neste sentido, uma provável vitória eleitoral do PT em 2026, pode sim ser o estopim para desencadear um novo golpe de Estado, promovido pelas forças do impérialismo estadunidense sobre o Brasil, com a anuência das classes dirigente do país e dessa massa amorfa e alienada. 

Se imaginamos que o Brasil é a maior força política e econômica do hemisfério sul do planeta e que para os Estados Unidos da América, controlar politicamente e economicamente o Brasil é condição fundamental para assumir novamente o controle do sul global, não dá para descartar uma investida dos EUA e seus aliados do G7 sobre nosso país. 

Em função desta situação, é que toda esquerda brasileira, deve está em processo de mobilização continuo, fortalecida e unificada para o enfrentamento com a burguesia durante todo o provável novo mandato de Lula e do PT, para evitar que as narrativas golpistas que podem surgir em um futuro próximo, sejam absorvidas, como foram em 2013, por parte da esquerda brasileira e principalmente pelo povo deste país.

Esta análise privilegia o Brasil, mas, serve para ilustrar situações que podem ocorrer em toda a América Latina, África e países pobres da Ásia, é só olharmos para o absurdo que aconteceu na Venezuela. A geopolítica tem ganhado contornos que podem gerar uma série de eventos históricos e políticos novos e com contornos ainda desconhecidos da humanidade. Estejamos alertas!