sábado, 25 de fevereiro de 2023

O SOCIALISMO AINDA É O OBJETIVO, SÓ PRECISAMOS VOLTAR A LER O MUNDO


POR PROFESSOR JOÃO PAULO


Como a cultura burguesa se tornou tão dominante a ponto de contaminar até mesmo os setores sociais, que lutam em defesa do socialismo no Brasil e no mundo? É um questionamento que devemos nos fazer todos os dias, afinal, o futuro da classe que vive do trabalho e do socialismo é que estão sendo questionados neste momento histórico.

Vamos então olhar de perto como a ideologia burguesa influência diretamente no projeto de construção de uma nova sociabilidade mundial. É isso, para início de conversa, não se trata de uma disputa política apenas dentro das fronteiras do país é uma luta política por uma nova sociabilidade global. 

O capitalismo está destruindo a vida em todo o planeta. Este modelo está agredindo radicalmente o meio ambiente, atacando as relações humanas em suas estruturas, destruindo a vida em todos os seus fundamentos. Como foi dito por Marx e Engels, o capital transformaria tudo em "coisa", em mercadoria, e chegamos ao ápice das transformações que o capitalismo pode impor sobre o mundo e sobre o equilíbrio da vida em nosso planeta. 

Ainda assim, a esquerda mundial continua fazendo o enfrentamento ao capitalismo nos mesmos moldes dos primeiros movimentos do início do século XX. Cada um em seu quadrado, disputando espaços para provar que um grupo é mais revolucionário do que o outro, que cada partido é mais de esquerda do que o outro, que cada movimento social tem mais motivos para existir do que o outro, que cada oprimido é mais oprimido do que o outro, por conta disto suas lutas são mais importantes do que as lutas dos outros oprimidos.

Toda esta subdivisão dentro dos movimentos de esquerda vêm sustentadas por uma formulação teórica para justificar as subdivisões dos movimentos populares, sociais, partidos políticos de esquerda. O militante e teórico marxista leninista italiano Antônio Gramsci, em seu principal trabalho "Cadernos do Cárcere" já trazia esse debate. A ideologia dominante, impunha à classe dominada sua ideologia de forma tão orgânica, que faz com que ela pareça ser fruto da própria produção teórica da classe social dominada. Ele afirma que mesmo a "vanguarda intelectual" da classe dominada acaba envolvida de tal forma pela ideologia dominante, que não se dá conta de que também está sendo determinada por ela.

Feito este preâmbulo que trás um pouco do referencial teórico ao que quero discutir a partir deste momento, me parece claro que mesmo com todas as formulações teóricas que permeiam o universo das organizações de esquerda no Brasil, e que são muitas diga-se de passagem, que vão do stalinismo mais puro da Terceira Internacional ao Trotskismo vulgar da Quarta Internacional após o assassinato de Leon Trotski, passando pela social democracia e até social liberalismo das correntes hegemônicas do PT, a esquerda brasileira não entendeu a emergência da unificação das bandeiras de luta em torno de um projeto de nação soberana, popular e democrática. 

Ao contrário, o que temos são grupos a cada momento histórico ensimesmados, presos as vaidades próprias da competição um dos princípios estruturantes do liberalismo, e a necessidade de se provar o tempo todo como o mais revolucionário entre os revolucionários, o que coloca a causa (o socialismo) sempre em segundo plano. 

A todo momento, assistimos à disputas intestinais entre setores da esquerda. Em nosso meio, existem as esquerdas burguesas, as esquerdas moderadas, as esquerdas radicais, os anarquistas e ninguém tem conseguido dialogar efetivamente com a classe que vive do trabalho. 

Neste momento histórico, todos se reivindicam "Marxistas Leninistas". Sociais democratas e sociais liberais, revisionistas, stalinistas, trotskistas, morenistas, todos romperam em algum momento da história com suas posições anteriores e agora são todos "Marxistas Leninistas". Na prática, todos originários da classe média e até trabalhadores que ascenderam à condição de lideranças populares, mas, todos descolados da realidade objetiva da classe que vive do trabalho, todos vivendo o marxismo como se Karl Marx fosse uma divindade e sua produção teórica fosse estática. 

Nestas capotadas que a história do Brasil dá, é bacana ver partidos que passaram os últimos setenta anos, ao menos, propondo alianças programáticas com uma suposta "burguesia nacionalista", reaparecerem pousando de revolucionários, como se a história destes partidos pudessem ser apagadas por uma nova roupagem "marxista leninista". Não podem compas!

Já há algum tempo tenho escrito na perspectiva de chamar a atenção da esquerda brasileira para a necessidade urgente de colocarmos em pauta a unificação de nossas bandeiras em nome de um objetivo maior do que vencer o processo eleitoral. Não dá mais para discutir política de dois em dois anos. 

É preciso discutir política todos os dias, repensar e recriar uma relação dialógica, uma pedagogia política, capaz de dialogar com a sociedade civil organizada e não organizada, conhecer as muitas realidades do povo brasileiro,  conhecer de verdade, e estabelecer um novo modelo de relação política com a classe que vive do trabalho, fincado nas realidades objetivas do nosso povo e sair das superficialidades dos discursos prontos, estimulados na maioria das vezes pela ideologia burguesa dominante e determinante em nosso país, esta é  uma condição fundamental para iniciarmos um novo momento de lutas em nosso país. 

Mais uma vez retomo um debate que tenho feito há algum tempo, como foi fácil para a burguesia brasileira golpear a nossa democracia, colocar a maioria do povo brasileiro contra o partido político que efetivamente melhorou a qualidade de vida de toda a população do país, que inaugurou um novo modelo de gestão do Estado Burguês, apostando na democratização das decisões políticas, colocando os mais pobres no orçamento, na condição de agentes produtivos e produtores da melhoria da sua condição de vida. Bastaram três anos de mentiras e desconstrução deste partido de esquerda pela grande mídia burguesa, para que a maioria da população acreditasse que este partido era a representação de todo o mal praticado contra o povo. 

Um discurso que não ficou apenas nas camadas sociais de senso comum da sociedade. Competentemente a burguesia produziu um discurso também de senso comum, um senso comum produzido para um "segmento exclusivo da esquerda brasileira" que até hoje repete abobalhadamente o discurso plantado no imaginário coletivo deste setor social, pela ideilologia burguesa. 

É o momento de refletirmos sobre tudo isto e começarmos a pensar uma nova esquerda socialista, se despir radicalmente desta pele carcomida da esquerda do século XX, presa às Internacionais e determinada pela ideologia burguesa e vestir uma nova pele, de uma esquerda que ler o mundo, atualiza as muitas teorias já produzidas sobre o socialismo, que não podem e nem deve serem descartadas, e a partir deste ponto, produzir sua própria ciência política para chegarmos ao socialismo neste novo século.

Está é a tarefa desta nova esquerda, das novas gerações de militantes que estão surgindo agora. Precisamos compreender isto e continuarmos nossa luta para tornar factível nossa utopia socialista, não podemos passar mais um século repetindo os erros dos nossos antecessores, ou entendemos este novo desafio ou continuaremos falando para nós mesmos o tempo todo.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

O PROCESSO REVOLUCIONÁRIO E OS DESAFIOS DO NOVO TEMPO

POR PROFESSOR JOÃO PAULO 


Estou voltando com um debate que já fiz anteriormente, mas, que acredito ser importante que seja feito sempre que pudermos neste campo em que discutimos o mundo, a história humana, numa perspectiva da superação integral de toda forma de dominação, de exploração do homem pelo o homem, toda forma de opressão do Ser. 

Desde a formação das primeiras civilizações politicamente organizadas e do aparecimento da propriedade privada dos meios de produção, que os setores historicamente oprimidos, se organizam para superar a opressão imposta sobre eles por quem detém os meios de produção. 

Foi assim durante o "modo de produção Asiático", também no "modo de produção Escravista", no "modo de produção Feudal" e está sendo assim no "modo de produção Capitalista". Sobre este último, ainda em pleno vapor no mundo, temos a maior quantidade de estudos sistematizados sobre a estrutura desta opressão sobre a classe que vive do trabalho, classe social dominada no modo de produção Capitalista, e os caminhos políticos para superar essa opressão.

Não é novidade e nem segredo para ninguém de que todos os modos de produção já postos em prática pelos seres humanos até o presente momento, foram baseados na produção de riquezas, produzida pela classe política que não possuí a propriedade dos meios de produção e por isso são explorados por aqueles detentores dos meios de produção. 

Também não é novidade para ninguém que todos os modos de produção existentes até este momento histórico, tiveram e tem como objetivo produzir riquezas, para a acumulação dos proprietários dos meios de produção, enquanto a classe que vive do trabalho é expropriado do acesso à estas riquezas produzidas por eles.  

Neste sentido, as relações econômicas realmente são sobrepostas às outras relações sócio-políticas, até, às relações interpessoais, estão subordinadas ao modelo de desenvolvimento econômico. Mas, o que é preciso dizer é que estas relações econômicas se realizam numa relação orgânica com todas as relações sócio-políticas e culturais, pois, ainda hoje, entrando na terceira década do século XXI este debate ainda é por muitas vezes secundarizado nas academias e na esquerda de forma geral.

O mais incrível é que em pleno século XXI, quase dois séculos após às primeiras produções de Marx e Engels, e consequentemente quase dois séculos após as produções de boa parte dos marxistas que produziram tendo como matriz do pensamento, os estudos, de Marx e Engels, mesmo diante das profundas transformações estruturais sofridas pelo modo de produção capitalista, amplos setores da esquerda mundial ainda não se deu conta da necessidade urgente de ressignificar o pensamento marxista e trazê-lo para o século XXI. 

Não temos mais uma classe operária fincada no chão da fábrica, o proletariado formal está em curso de desaparecer, os grandes conglomerados industriais estão em rota de extinção, os bancos como foram criados também estão caducando e em pouco tempo caberão na palma de nossas mãos, os avanços tecnológicos, cientificos, estão mudando a estrutura do trabalho. A classe trabalhadora não se reconhece como classe, o mercado financeiro assume o lugar do capital produtivo, o capitalismo está mudando rapidamente neste novo século, o setor terciário ganha espaços produtivos que eram do setor secundário, a única coisa que se mantém imutável, desde o século XIX é a exploração da mão de obra dos trabalhadores pelo capital. 

Sei que muitos podem questionar essa afirmação e argumentar que a estrutura do capitalismo continua sendo a de acumulação da riqueza nas mãos da burguesia enquanto grande parte da população divide migalhas, e concordo com isso. Mas, o paradigma capitalista se alterou profundamente, o mecanismo de exploração do trabalhador pela burguesia se aprimorou radicalmente a tal ponto, que o trabalhador não consegue mais se perceber como um explorado, como um oprimido e o resultado disto é o completo controle cultural da classe que vive do trabalho por uma cultura capitalista a cada década mais enraizada em todo o mundo, em todos os segmentos sociais de todo o planeta.

O fortalecimento da cultura capitalista nesta aldeia global, só é possível porque o modo de produção não é somente modelo de organização econômica, ou política, ou cultural. Os modos de produção foram, são e serão, a fusão orgânica de tudo isso, que torna cada modelo resistente à todas as entemperes, econômicas, sociais e políticas, resistente ao enfrentamento da classe política economicamente e culturalmente dominada e esta organicidade entre todos estes fenômenos sociais é que sustenta a hegemonia da classe dirigente por séculos. 

Somente a completa exaustão das estruturas que dão sustentação ao modelo de desenvolvimento dominante pode provocar a ruptura estrutural com o modo de produção dirigente em um "bloco historico". Esta completa exaustão é produto do próprio desgaste histórico das estruturas políticas, econômicas e culturais do modo de produção, e de uma ação politica eficiente da classe social dominada por ele, que consciente de seu papel histórico como classe revolucionária, se organiza para a tomada do poder político. Esta consciência precisa garantir a hegemonia política, econômica e cultural para a nova classe social, que pretende se torna hegemônica e assume o papel de construtura de um novo paradigma civilizatório. 

O processo de revolução, ou seja, a ruptura estrutural com um modelo de desenvolvimento só se dar em longa duração, não há possibilidade desta ruptura acontecer em curta e média duração, claro que esta é a minha leitura do processo histórico e político, a partir das leituras que tenho feito, tanto dos clássicos das ciências humanas e sociais, também a partir das leituras de novos pensadores que têm se debruçado nos estudos deste novo mundo que nasce a partir da década de 90 do século XX e que estão discutindo as transformações ocorridas no mundo a partir das transformações do capitalismo, e também a partir de minhas observações da realidade, tendo como base minhas leituras e minhas próprias análises e elaboração teórica observando a cena política contemporânea. 

Não creio mais na possibilidade de superação do capitalismo se não houver uma transformação de toda a estrutura do bloco histórico que estamos vivendo. Para que tenhamos a possibilidade de construir um novo mundo, pautado na igualdade fundamental entre todos, pautado na justiça social, na superação de toda forma de opressão do Ser, é fundamental que todos os pilares de sustentação do capitalismo seja estruturalmente superados. Para mim é condição "sine qua non" que comecemos a pensar o "novo Adão" (novo homem) livre por completo de toda cultura burguesa. Somente um Ser novo, será capaz de produzir este mundo novo que fervilha em nossas utopias políticas, como pode um homem velho construir um novo mundo? 

Sempre ouço em tom de sarcasmo e ironia, a frase "você é um sonhador, um idealista'", devo afirmar que para mim não é nenhum demérito em ser "sonhador e idealista", na verdade é motivo de orgulho mesmo, parte dos maiores nomes da história foram sonhadores e idealistas.

Não consigo descolar a relação objetiva e material da sociedade, do mundo das ideias, não consigo conceber uma coisa sem a outra, leio esta relação como uma "via de mão dupla". No mundo entendo que todas as relações sejam complementares, não dá para fazer a distinção entre os mundos. E muito em função disto que não consigo crer na possibilidade de vivermos um processo revolucionário em médio e curto prazos, afinal, apesar da clara crise do modo de produção capitalista desde 1999, e até agora sem uma resolução efetiva, a classe dirigente deste "bloco histórico" tem conseguido manter inabalável e reprodução do capital, a acumulação das riquezas produzidas pela classe que vive do trabalho, e ao mesmo tempo, mesmo diante de uma crise profunda do paradigma burguês, mantém como nunca o controle cultural da sociedade.

Neste início de século XXI, a burguesia está reestruturando, ou mesmo, construindo um novo paradigma capitalista, tendo como base a manutenção do processo de reprodução do capital e da exploração da mão de obra da classe que vive do trabalho. 

Para mim está evidente que a burguesia está produzindo um novo paradigma estrutural capitalista, que tem como pressupostos fundamentais, a reorganização do mundo do trabalho, novas ferramentas de reprodução do capital e uma adequação da cultura burguesa para este momento histórico de intensa transformações econômicas, tecnologicas e políticas. 

O trabalhador precisa deixar de se reconhecer como operário, proletariado, camponês, e entender que ele avançou para a condição de micro-empreendedor individual. Desta ideia deriva as novas formas de organização do trabalho e das leis que orientam o trabalho. Surgiu a terceirização, o MEI, o trabalho temporário e o trabalho intermitente. O processo de flexibilização das aposentadorias e o crescimento da informalidade consentida pelo próprio trabalhador.

Só que para que estas mudanças objetivas possa acontecer sem a resistência da classe que vive do trabalho é necessário fazer com que a classe dominada passe à acreditar que todas estas mudanças que estão surgindo no mundo do trabalho, sejam aceitas como benéficas para o conjunto da sociedade e, sobretudo, como um processo natural da própria evolução da sociedade.

É em função desta cultura que gradualmente se enraizou em nosso tecido social, que hoje, nós que militamos no campo de esquerda e de centro-esquerda perdemos o lugar de fala, e falamos o tempo todo para nós mesmos, para nossos pares. É em função deste enraizamento de uma cultura burguesa a cada década mais consolidada que no Brasil, somente 26% da população se reivindica de esquerda e destes 26%, a maioria estão nas classes B e C da sociedade, somente 32% são das classes D e E. 

Estes dados que foram tirados de uma pesquisa DATAFOLHA anterior ao processo eleitoral de 2022, mostra o porque de um candidato que não tinha nada para mostrar em seus quatro anos de governo, conseguiu dividir o país, quase pela metade, afinal, o resultado final do pleito no segundo turno de 2022, foi 50,90% contra 49,10%. Este números mostram que a população brasileira não conseguiu fazer distinção entre os projetos que disputavam a eleição. 

Se fizermos referência aos EUA, perceberemos claramente um cenário muito próximo do que vimos aqui no Brasil. Não há distinção entre os projetos políticos que estavam na disputa. Mesmo tendo um sistema eleitoral diferente do Brasil, o percentual de votos entre os dois candidatos principais foi quase divido pela metade, 51,4 % para Biden contra 46,9% do Trump. Se estendermos este olhar para a França que também viveu o pleito eleitoral em 2022, veremos que a extrema-direita de Le Pen obteve 12 milhões de votos contra 17 milhões de Macron, com o apoio de outros candidatos que disputaram o primeiro turno. E se continuarmos observando os processos eleitorais por todo o mundo veremos que em todos os países do mundo, não há mais em perspectivas de diferenças entre os projetos políticos postos em disputas. 

O que todos estes números nos dizem do ponto de vista holístico e sociologico? A cultural capitalista nunca esteva tão consolidada, a ponto da população mundial não fazer mais nenhuma distinção entre os projetos políticos em disputa na sociedade.

Ao mesmo tempo, esta naturalização do capitalismo como algo "ad aeternum", que a burguesia conseguiu introduzir no imaginário coletivo, na forma de "cultura de massa" estabelecida por ela através de uma enorme engrenagem de "indústria cultural", vem aprofundando sem resistência, as raízes do capitalismo. Não podemos acreditar que o crescimento da extrema-direita direita e de seus valores sociais e políticos, seja algo natural. Isso é parte de um projeto de poder que está sendo posto em prática pelo capital em todo o mundo. 

Todas as vezes que o capital mergulha em uma crise profunda o nazifascismo é chamado para o jogo político. Claro, que este processo é muito mais complexo, afinal, se trata de um processo histórico com todas suas variantes políticas. Mas, imagine que é muito mais fácil para o capital, ter na direção do Estado em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento governos autoritários, que coloque em prática de forma radicalizada o processo de acumulação de riquezas para o capital financeiro internacional, sem que haja resistência da classe que vive do trabalho, pois, esta teve suas bandeiras de lutas destruídas por um Estado autoritário e completamente submetido aos interesses do capital imperialista, como o que acontece hoje no Leste Europeu e estava acontecendo no Brasil desde 2016.

O nazifascismo é na realidade a radicalização do capitalismo em sua vertente mais perversa a necropolitica de caráter ultraliberal, sempre foi, muito mais opressor e com a exploração da classe que vive do trabalho elevada à décima potência, e este modelo de sociabilidade só é possível de se estabelecer no momento em que a cultura capitalista detém completamente a hegemonia cultural da sociedade. Foi assim da primeira vez em que o nazifascismo surgiu no início do século XX em um momento de crise do capitalismo e em função da ameaça Soviética, era preciso radicalizar a dominação cultural, econômica e política. E está surgindo agora neste início de século XXI, exatamente no momento em que novamente o capitalismo se aprofunda em uma crise econômica e a hegemonia norte-americana e da Europa Ocidental é questionada pela expansão econômica e política da China, da Rússia, da resistência de países que cansaram de serem escadas para o advento do capitalismo imperialista das grandes potências Ocidentais, sob a direção dos EUA.

Por que fiz todo este relato relacionando momentos históricos e análise sociológicas? Para tentar passar a ideia de que não dá para falar em revolução socialista ou de superação do capitalismo observando apenas um único aspecto da engrenagem social vivenciada neste bloco histórico. Não dá para mudarmos somente os aspectos econômicos da sociedade burguesa, não dá para mudar somente os aspectos políticos da sociedade burguesa, não dá para mudar somente as relações sociais ou somente a cultura hegemônica da sociedade burguesa. 

Para conquistar o poder político e construir outro paradigma civilizacional é fundamental que toda a estrutura do modo de produção dominante seja superado ao mesmo tempo. É preciso que a vanguarda revolucionária da classe que vive do trabalho, esteja o tempo todo em "estado permanente de revolução", o que isto significa na prática? Todos nós que fazemos política numa perspectiva de esquerda, tendo como objetivo a superação do capitalismo, já estamos construindo o processo revolucionário. 

Passar o conhecimento para outra pessoa é um ato revolucionário, pois, a revolução está em curso desde que o capitalismo nasceu como modo de produção dominante e trouxe em sua estrutura o socialismo, a classe que vive do trabalho, que é "germe" criado pelo capitalismo para destruí-lo. O sociólogo Antônio Cândido afirma que "o socialismo é totalmente triunfante desde que surgiu com a revolução industrial" e ele está corretíssimo ao afirmar isto, tudo que a classe trabalhadora conquistou até hoje foram vitórias do socialismo, que continua a impor ao capitalismo pautas da classe que vive do trabalho. 

No entanto, estes avanços conquistados durante o século XX estão sofrendo agressões e retrocessos neste início de século XXI, pois, o capitalismo conseguiu uma hegemonia cultural ainda não experimentada a partir da década de 1990 do século passado. Mesmo mergulhado numa profunda crise econômica o que leva diametralmente a uma crise política e social, a classe que vive do trabalho, mesmo os setores mais organizados, não conseguem, compreender o socialismo como alternativa ao capitalismo.

Esta falta de perspectiva de um modo de produção construído a partir da classe que vive do trabalho, abre espaço para o fortalecimento nazifascismo, ou mesmo, à continuidade do capitalismo liberal humanizado, como alternativas de mudanças na qualidade de vida dos trabalhadores, este é o principal gargalo criados pelo predomínio da cultura burguesa sobre o mundo, além de conflitos armados, a destruição de ecossistemas e a perpetuação do processo de exploração do homem pelo homem.

Diante deste quadro é condição "sine qua non" a intensificação da condição de "revolução permanente" desta vanguarda da classe que vive do trabalho em todo o mundo. É preciso conquistar todos os dias um coração, uma mente, para o engajamento na luta pelo socialismo, ao mesmo tempo, é preciso que os partidos políticos de esquerda, todas as vezes que tiverem a oportunidade, coloque em prática ações que despertem o interesse popular para a luta pelo socialismo, seja na direção do Estado Burguês, seja nos sindicatos, seja nos movimentos sociais, em espaços lúdicos, na educação, na religiosidade, nas relações interpessoais.

A burguesia desde o inicio do século XX, transformou tudo em ferramenta para difundir a cultura burguesa para toda a sociedade. A vida foi transformada em um veículo para impor a classe que vive do trabalho a visão de mundo da burguesia.

O socialismo precisa acontecer, assim como o capitalismo acontece, em todos os momentos da vida. É preciso investir maciçamente na formação de uma cultura socialista, que consiga desenvolver uma relação dialógica com a classe que vive do trabalho, e que faça oposição cotidiana à cultura capitalista

Desta forma colocaremos a revolução socialista na pauta cotidiana de toda a classe que vive do trabalho. Se nós "vanguarda do proletariado" usando um termo marxista leninista, não entendermos que a revolução já está em curso há dois séculos, ficaremos para trás nesta disputa pela hegemonia da sociedade. Nós já estamos fazendo a revolução desde que iniciamos nossa militância, quando conquistaremos a hegemonia da sociedade? Somente o processo histórico irá dizer. 

O que é certo é que este processo é muito mais complexo do que o que nos diz todas as teorias revolucionárias propostas até este momento, precisamos ressignificar todas as teorias e trazê-las para este bloco histórico, dotá-las da complexidade que é o mundo contemporâneo e adequá-las aos novos desafios que nos são impostos por este novo capitalismo que se desenha a nossa frente, e não desistir nunca da utopia do socialismo. Este é nosso papel histórico, este deve ser nosso papel militante e esta é nossa luta, sigamos construindo nossa utopia factível.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

O DISCURSO PERMEÁVEL, DIFUSO, DO FASCISMO CONTEMPORÂNEO


Por Professor Gabriel Azevedo Costa Lima


O fenômeno do bolsonarismo se expandiu por duas frentes principais. Bem distintas entre si. Entretanto, os estudiosos da cultura da extrema direita no mundo apontam que o pensamento extremista de direita serve um discurso específico a cada grupo. Isso na era informacional se dá por conta da "estrutura" que temos nas redes sociais virtuais. Vivemos numa era hiper ventilada de informações e narrativas,  onde a circulação disso se faz extremamente anárquica e sem nenhum controle.  Fato, mentira e opinião tomam contornos confundíveis, propositalmente, e também  os algoritmos (direcionamentos e gestão das inteligência s artificiais) criam "bolhas informacionais". 


Daí, pros neopentecostais, em sua maioria provenientes das classes populares, é sigerido o projeto de "evangelizar a nação na régua evangélica". Isso em nada incomoda, nem ameaça a nação espírita e da linha carismática católica, de caldo cultural, mais classe média em seu caldo cultural, cujo o mote é se ver o incomodado com a ascenção dos trabalhadores assalariados, em consumo e acesso a espaços antes restritos ao controle das classes não populares. Nem chamarei aqui de "burguesia". Estou tratando de valores... e o que bem tem é gente com "valores" não correspondentes a sua realidade socio-econômica. 

Majoritariamente, a população espírita, salvo parte mais bem formada e de pensamento mais livre, mais ancorado em Kardec, que era muito pouco "confessional"... Pois bem, a maioria destes se incomodam com a ação ativa do Estado para erradicar a miséria. Gostam de ver o pobre de cima pra baixo, podendo fazer sua caridade visível socialmente para seu conforto de ego. Pois a dicotomia dos que assistem(praticam a caridade) e dos que são assistidos(recebem a caridade) faz parte de uma simplória matemática do karma para estes. Pois, assistir(fazer caridade) e não ser o assistido é estar no lugar do "merecedor", não do "devedor". Essa cosmologia simplória, que reduz em muito a codificação, é o "senso comum perverso" desse grupo.

Assim a extrema direita surfa, as bolhas não ligam pra feminicídios recorrentes, terrorismo, tráficos diversos, associados diretamente aos que sustentam e propagam os slogans de ordem do bolsonarismo nefasto. Aqui trata-se da dissociação cognitiva, a percepção só registra e dá relevância àquilo que não desmonta o seu castelo de cartas. Afinal, esse "castelo de cartas", entorpece essas massas com catarses emocionais supridoras de carências e medos de pulsões bem primitivas, habilmente, manipuladas.

Ai deixarei pros psicanalistas, psicólogos das massas e outro profissionais que se debruçam na busca dessa compreensão.


Vitória da Conquista - 17 de fevereiro de 2023



quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

DE FUTEBOL EU ENTENDO


POR PROFESSOR JOÃO PAULO

Ao contrario do que pode sugerir o titulo deste ensaio, este texto não é para afirmar minha superioridade em relação ao conhecimento sobre o futebol, nem tão pouco para ser prepotente ou arrogante com o olhar do outro sobre o principal esporte deste país. Na realidade eu respeito muito o ponto de vista de quem tem outros posicionamentos sobre qualquer tema, até mais do que deveria, às vezes eu acho que deveria ser mais enfático e mais imperativo na defesa de minhas posições políticas sobre tudo, mas, este meu jeito de ser, sigamos em frente.

Este pequeno ensaio, e eu espero que seja pequeno mesmo, é para reforçar algo que eu ainda não conseguir passar para as pessoas oralmente, confesso que sou um pouco melhor na escrita do que com as palavras e às vezes não me faço entender com clareza.

Outro dia em uma conversa com amigos sobre futebol ouvir a afirmação de que Messi é depois de Pelé o maior jogador da história do futebol. Achei meio exagerado! Como de costume refutei a esta afirmação, afinal, jamais poderia concordar com uma blasfêmia, uma heresia, como esta no mundo do futebol. Esta afirmação nega peremptoriamente a história do futebol mundial, sou historiador e tenho que fazer estas refutações para que a historiografia não seja inverídica.

Até acredito que a pessoa que fez esta afirmação tenha o direito a fazê-la, afinal, é jovem de duas gerações posteriores à minha e de fato, concordo que de sua geração Messi tenha sido o melhor jogador que ele viu jogar, realmente ele é o melhor jogador de futebol das duas ultimas gerações de jogadores. Mas, há nesta afirmação uma contradição geracional, se este interlocutor não pode falar sobre Zico, Roberto Dinamite, Falcão, Michel Platini, Maradona, Mário Kemps, De Stefano, Rummenigge e outros jogadores do passado, também não poderia falar do Pelé, que é um jogador ainda mais velho que os enumerados acima.

Não resta dúvidas que o Messi é um jogador muito acima da média entre todos das duas ultimas gerações de atletas do futebol mundial, um dos poucos craques em atividade no mundo e entre os três que eu considero craques ele é o melhor. Mas, isto é em relação à sua geração de jogadores. Ele entrará para a galeria dos grandes jogadores de futebol de todos os tempos, acredito que tenha este direito, porque é um ótimo jogador e um ótimo ser humano, mas, afirmar que ele é melhor do que tantos outros jogadores que já têm seu nome marcado nesta galeria dos grandes craques. Achei forçado de mais!

Enquanto este bate papo se desenrolava, se desenvolvia, percebi que nas falas do interlocutor soava um tom de: zorra você radicaliza de mais a defesa dos jogadores do passado em detrimento dos jogadores atuais, ou algo do tipo você está preso ao passado. Enquanto o dialogo se desenvolvia outro amigo que estava ali ao lado, me olhava com um olhar repreensivo, como se dissesse este cara é mesmo do contra, e novamente veio à tona o fato de eu ter escalado três jogadores do Botafogo para uma seleção brasileira que convoquei em tom de brincadeira, formada só por atletas que atuam no futebol brasileiro, chegando a fazer novamente a pergunta que me fora feita em três grupos que postei a minha seleção na época da copa do mundo, fato que já trouxe para o debate em outro ensaio, “quem é Tiquinho Soares?”

Eu, só em ver a forma como uma pessoa domina a bola, sou capaz de dizer se ele será ou é um bom jogador ou jogadora. Uma vez em uma viagem com amigos, o filho de uma amiga jogou futebol pela primeira vez, acredito que ele tinha de cinco a seis anos de idade, e no momento em que ele tocou na bola pela primeira vez, eu e o padrasto dele nos olhamos e eu afirmei: este moleque vai jogar muita bola, hoje, ele é o melhor ou ao menos um dos melhores jogadores de futebol da escola em que estuda. Outra vez, brincando de bola na porta da casa de amigos em que passava o domingo, uma criança de uns cinco anos pediu para brincar conosco, quando paramos de brincar e o menino foi para sua casa eu disse para meu filho e meu ex-concunhado, vei este moleque vai ser profissional de futebol, e este menino cresceu, e se tornou jogador profissional.

E tenho este dom de perceber tecnicamente e de forma muito rápida quem sabe ou não jogar futebol. Só me enganei uma vez sobre pessoas que vi jogar futebol pela primeira vez e disse que os dois meninos não teriam futuro no futebol, um deles foi meu próprio filho, que a primeira vez que vi jogar achei muito ruim e um de seus amigos. André e Fred foram duas apostas erradas, acreditei que nunca aprenderiam a jogar futebol e os dois se tornaram bons jogadores na adolescência e juventude, até acho que ambos deveriam ter tido a oportunidade de terem se profissionalizado, quando vejo que jogadores como Ribamar e muitos outros que estão no futebol atual, se profissionalizaram e chegaram a ganhar muito dinheiro no futebol profissional.

Eu conheço deste esporte, minhas análises são técnicas e táticas, não discuto futebol por achismo ou por torcida. Quando afirmo que a seleção brasileira comete um erro há dez anos, quando começou a escalar o Neymar de meia de criação. Tecnicamente este jogador não tem as características para cumprir esta função no futebol e taticamente cria um time com um meio de campo inoperante, pouco criativo. O rapaz é bom jogador, mas, é claramente um ponta habilidoso com boa capacidade de definição de jogadas, mas, é um “cabeção” no quesito criação, com ele nesta função, a seleção brasileira só será campeã do mundo se todos os adversários estiverem em um nível muito abaixo da nossa seleção.

O mais trágico é que nós estamos vivendo uma enorme crise no futebol mundial quando falamos de jogadores criativos, meias, ou como chamávamos antigamente, pontas de lanças, este tipo de jogador, que pensa jogo e que enxerga o jogo antes dos demais jogadores em campo estão escassos. Em nenhum país do mundo têm surgido jogadores com esta característica, o que chega mais próximo disto é o Luka Modric da seleção da Croácia e do Real Madrid, que infelizmente está em fim de carreira, em função da idade. 

Aqui no Brasil temos alguns jogadores que cumprem esta função, o Paulo Henrique Ganso no Fluminense, que em minha opinião é o melhor jogador que surgiu no futebol brasileiro nos últimos dose anos, o Rafael Veiga do Palmeiras, bom jogador, não conheço bem a origem dele, mas, vi jogar algumas partidas, duas para ser mais exato e gostei muito do futebol praticado por ele, o Nenê do Vasco, muito bom jogador, pena que está em final de carreira também, o Gustavo Scarpa que jogava no Palmeiras, não sei se continua no time do Palestra Itália, e os dois do Flamengo, Everton Ribeiro e Arrascaeta, dois grandes jogadores de futebol,  desconheço que se tenham outros com característica de jogadores de criação, sim, vi ontem em um canal que o Lucas Lima, um bom ponta de lança que surgiu a alguns anos atrás ainda está na ativa, apesar de fora dos holofotes da grande mídia e dos grandes clubes. Não posso deixar de lembrar do colombiano James Rodríguez, um ótimo jogador que me parece fora do mercado para os grandes clubes de futebol do mundo.

Mas, o que eu queria mesmo discutir neste texto e isso é algo que me incomoda bastante, é o discurso de que o futebol de hoje é mais difícil de ser jogado do que o futebol de antigamente, não estou dizendo que nesta conversa que deu início a este ensaio foi dito isto. Na verdade eu sempre ouço isto na própria grande mídia, outro dia ouvir uma conversa de um destes comentaristas esportivos da SPORTTV, que “o melhor jogador brasileiro depois de Pelé é o Neymar”, precisou um Sérvio rebater a bobagem que o maluco afirmou. Estas afirmações de que o futebol hoje é mais difícil de ser jogado do que antes, e que Garrincha e Pelé teriam dificuldade de jogar o que jogaram lá na década de 50, 60 e 70, e que os jogadores da década de 1980 e 90 teriam também dificuldades para jogar atualmente é de uma falta de compreensão da realidade sem tamanho.

Galera, estes caras jogavam com uma bola que pesava quase ½ kg, feita de couro puro, sem nenhuma tecnologia, quando chovia a bola encharcava e passava a pesar quase 1 kg. Jogavam com chuteiras na maioria das vezes com trava de ferro, com um couro duro, em um gramado pesado, de grama comum, o regramento do futebol não era pensado profissionalmente, já que o futebol ainda era quase amador e não coibia jogadas mais violentas. Os atletas não recebiam os cuidados médicos, nutricionais e psicológicos necessários para ampliar a capacidade física e não tinham os recursos necessários para treinamento como há hoje em dia e os caras arrebentavam, jogavam um futebol bonito que encantou o planeta.

Hoje a bola é fabricado sob medida para o tipo de gramado, com um material sintético e impermeável, as chuteiras são feitas sob medida, adaptadas ao clima local, ao tipo de gramado, tem chuteiras para dias de calor, para dias de chuva. Foram criados gramados especiais para os campos de futebol, os clubes tem fisiologistas, nutricionistas, um departamento médico avançado, um departamento físico com profissionais especializados para a formação física dos atletas, regramentos que impedem jogadas mais violentas, e muito dinheiro, transformando jogadores, empresários e patrocinadores destes jogadores em magnatas dos esportes, criando novos milionários e cifras nunca pensada para o mundo dos esportes.

Imaginem gênios do futebol, como Garrincha e Pelé inicialmente, e depois, craques como, Didi, Heleno de Freitas, Nilton Santos, Coutinho, Clodoaldo, Rivelino, De Stefano, Eusébio, Mário Sérgio, Maradona, Zico, Roberto Dinamite, Falcão, Mario Sérgio, Platini, Rummenigge, Beckenbauer, Cruijff, Roger Milla, Romário, Edmundo, Juninho Pernambucano e tantos outros jogando com todo este aparato tecnológico, médico, psicológico e físico, estes caras estariam voando no futebol atual, unindo a capacidade técnica individual aos avanços científicos que norteiam o atual estágio do esporte, cada atleta destes seria imbatível.

Não escrevi este ensaio com o objetivo de fazer oposição a ninguém que pensa o futebol a partir de um prisma diferente do meu, não foi mesmo a minha intenção, e nem discuti aqui questões referentes a subjetividades, nem também a questões ideológicas que envolvem o debate sobre qualquer coisa neste mundo determinado pela ideologia burguesa dominante. A intenção aqui é só apresentar o meu olhar sobre as coisas e vi no futebol um bom tema para ser discutido. A apresentação do diálogo que tive com amigos e os outros exemplos que citei no texto, serviram apenas como uma alegoria, como ilustração para referenciar as ideias que trouxe depois sobre estas comparações que geralmente são feitas entre jogadores e sobre o futebol neste debate geracional.

Se os jogadores que minha geração viu jogar, eram craques de futebol, Garrincha e Pelé, e sempre coloco Garrincha primeiro, pois, defendo que ele foi melhor que Pelé, não eram craques, eram gênios do futebol, estão num patamar que até hoje ninguém conseguiu alcançar. Os outros eram craques, hoje é impossível traçar um quadro comparativo entre os craques da década de 1980 do século XX com os jogadores de hoje. E eu considero craque o jogador capaz de mudar um resultado de uma partida com um lança genial, para mim bem poucos hoje conseguem fazer isto, Messi, Modric, Mbappé, Paulo Henrique Ganso, que voltou a jogar muita bola no ano passado, e nesta última copa, quero fazer o destaque para um cara que jogou uma copa impecável, a melhor de sua carreira, o francês Griezmann.

Em minha opinião, nesta geração só o Messi merece o título de craque, nenhum outro jogador merece o título no momento atual, por mais que a grande mídia esportiva badale vários nomes. Tem muitos jogadores bons no futebol mundial neste momento histórico, longe de mim negar que tem uma meninada despontando aí, inclusive aqui no Brasil, mas, craques do futebol ainda não surgiram no horizonte, talvez o Mbappé se continuar jogando futebol com seriedade, nesta copa já o achei meio de sapato alto.  A ausência de craques no futebol atual é um fato que me deixa triste, pois, sou apaixonado por este esporte e quero voltar a ver com alegria a grandes jogos nos campeonatos nacionais ou numa copa do mundo.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

A VITÓRIA VEIO, MAS, A TAREFA DE UM NOVO BRASIL E DE TODOS NÓS

Acervo Pessoal 
POR PROFESSOR JOÃO PAULO

Finalmente o país está podendo respirar novamente, são só vinte quatro dias de governo Lula, só vinte e quatro dias de um novo governo de centro-esquerda e já sentimos o país mais feliz. O fascismo foi derrotado nas urnas, a tentativa de golpe de Estado não deu certo, ainda bem, graças a Deus, os fascistas começam a ser punidos, a justiça trabalha ardorosamente para recolocar o país nos trilhos e começar a reconstrução do país, vamos continuar mudando o Brasil. 


Começam a aparecer os maus feitos da quadrilha que usurpou o poder no país avalizados pela quadrilha da "lava jato". A todo o momento uma nova denúncia vai aparecendo a medida que os sigilos vão sendo quebrados, e toda a perversidade que foi posta em prática pelos nazifascistas no Brasil vão aparecendo e deixando claro para todos os brasileiros de verdade os perigos que estávamos correndo em ter empurrado o país para uma aventura desastrosa elegendo o lixo fétido que emergiu do esgoto da  história deste país. 

Não pensem os mais desinformados que tudo que estamos descobrindo sobre estes governantes que passaram quatro anos roubando descaradamente a nação e tudo que ainda virá a tona sobre estes caras, destruíram o país porque eram incompetentes. Na verdade, todas as barbaridades que já foram postas as claras, como por exemplo, o orçamento enviado para o Congresso para o ano de 2023, que destinava 70% dos recursos públicos para pagar juros e dividendos aos mais ricos e deixava a maioria da população entregue à própria sorte. A volta da fome e da miséria ao país, mais da metade da população em condição de insegurança alimentar e trinta e três milhões de brasileiras e brasileiras na miséria absoluta, o genocídio dos povos Yanomami, o abandono da educação e da saúde pública, a destruição da cultura nacional, não pense que tudo isto foi por incompetência, este era o projeto político desta gente, este era o plano dos nazifascistas para o Brasil.

Se esta gente perversa tivesse vencido o processo eleitoral, viveríamos os quatro anos mais terríveis da nossa história. Definitivamente este crápula que tentou a reeleição e diante da derrota buscou um golpe de Estado, instauraria uma ditadura fascista neste país, ainda mais cruel e desumana do que o Estado Novo e a Ditadura Civil Militar de 1964. Imaginem o que seria uma ditadura dirigida por uma nazista miliciano, corrupto, sem nenhuma empatia com o SER? 

O que estamos vendo sobre os povos Yanomami é só a ponta do Iceberg. A mesma condição chegaria para os trabalhadores rurais sem terra, para as comunidades quilombolas, para os trabalhadores que vivem nas favelas e em bairros pobres, para os sem tetos, para as mulheres, para os praticantes de religiões de matriz africanas, para a comunidade LGBTQIAP+, para a maioria do povo deste país. 

A necropolítica fascista não iria poupar a ninguém que não pertencesse à elite branca e rica deste país. Mas, quatro anos deste governo perverso e corrupto e eu não tenho nenhuma duvida de que todos nós que vivemos do trabalho, todos nós que somos assalariados amargaríamos uma terrível situação de empobrecimento e insegurança alimentar. Como perderíamos direitos mínimos garantidos aos trabalhadores mesmo nas economias de caráter liberal.  

Estes bandidos são impiedosos, são perversos, cruéis e estavam dispostos a radicalizar a pobreza extrema em todo o país e criar as condições objetivas para que uma minoria branca radical assumisse sem resistência à direção definitiva deste país que se tornaria a sucursal do inferno na Terra. Não tenho dúvidas em afirmar tudo isto, este era o plano dos nazistas quando assumiram o governo e nos conduziriam para o mais completo caos. 

Mais vencemos a primeira batalha, graças a Deus, mas, está guerra ainda está longe de terminar. O bandido insano vai desaparecer à medida que seus crimes foram postos às claras para o povo brasileiro, mas, esta burguesia branca fascistizada se organizou e vão produzir um novo líder para dirigir a horda canalha que emergiu do lixo junto com o facínora nazifascista, afinal, o que não falta neste país são facínoras fascistas para assumir o lugar da besta fera que agora está fugido, enclausurado em Miami e que certamente irá se esconder no momento que for condenado. 

É por isso que devemos está em "ESTADO DE REVOLUÇÃO PERMANENTE" daqui para frente, não podemos pensar em nos desmobilizar, precisamos unificar as forças populares deste país em torno de um projeto de país que gradualmente supere estes anos de fascistizaçâo e inaugure uma nova ordem cultural, política, social e econômica para o Brasil. Esta tarefa não é só de Lula e do PT, esta tarefa é de todos nós que vivemos a utopia de uma nova história humana.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

É HORA DE LUTAR


POR PROFESSOR JOÃO PAULO 

Este início de ano está sendo marcante para a história do Brasil. Primeiro pela linda posse de Lula na presidência da República pela terceira vez, por mais uma ascensão do PT à direção do Estado Brasileiro, pela vitória da democracia sobre o autoritarismo e o nazifascismo. Mas, também pela tentativa frustrada de golpe de Estado praticado por um bando de fascistas aloprados sob o comando de um ex-presidente fracassado, insano e covarde, mais um bando de neofascistas perversos e ignorantes de toda ordem.

Neste momento em que os fatos sobre a tentativa frustrada de golpe e começamos a perceber que o governo do Distrito Federal e um setor minoritário do exército brasileiro foram coniventes com a tentativa golpista e mesmo assim o golpe se frustrou, percebemos que definitivamente a eleição se consolidou. 

O presidente Lula e seu vice Geraldo Alckmin são definitivamente os comandantes do Estado Brasileiro e terão a difícil tarefa de reconstruírem esta nação, de dar continuidade ao processo iniciado em 2003 de transformar o Brasil em uma nação livre e soberana, com o máximo de justiça social e igualdade de direitos para toda a população. 

Mas, de fato será uma tarefa muito difícil, não só pelas condições que os seis anos de governos golpistas e nazifascistas deixaram o país. Mas, principalmente porque desde o primeiro dia de sua nova gestão o governo Lula vem sofrendo uma oposição ferrenha e radicalizada da própria burguesia que o apoiou no processo eleitoral por ser ele a única possibilidade real de derrotar o nazifascismo inapto, inepto e perverso que governou o país nos últimos quatro anos.

Assim que se confirmou a vitória de Lula e do PT,  setores que estavam na campanha passaram a fazer oposição, primeiro com uma carta de três economistas liberais, que serviu para dar o ponta pé inicial para a grande mídia começar a minar o governo, segundo a PEC da Transição foi o tempo todo questionada pelos "analistas especialistas" dos jornalões e da grande mídia televisiva, terceiro foram as críticas à equipe econômica do governo, que foi alvo de críticas vorazes do mercado financeiro e em quarto lugar mais não menos importante, Lula, Janja e todos os militantes do PT passaram a serem alvos de todas as críticas, a grande mídia quer um governo do PT sem o PT. 

Além de ter de enfrentar a burguesia tentando destruir o governo, antes mesmo de o governo começar de fato, ainda temos de enfrentar os fascistas, que mesmo com a fuga do Bolsonaro, e as muitas denúncias que pairam sobre ele neste momento, mesmo com as prisões de mais de mil nazifascistas na tentativa de golpe frustrada do dia 08 de Janeiro de 2023, esta horda canalha e perversa continua organizada. Que o fujão iria abandonar a matilha raivosa para livrar sua cara, nós já sabíamos. Ele nunca deu importância a essa gente, só queria usá-los para se manter no governo e fugir da possibilidade real de prisão.

Mas, os nazifascistas que estavam por trás do covarde fujão ainda estão organizados e vão participar de qualquer ação da chamada burguesia liberal que já está se articulando para dar início a mais um processo de "guerra jurídica (LAWFARE)" contra o presidente democraticamente eleito pelo voto de sessenta milhões de brasileiras e brasileiros. Não nos enganemos, em toda a América Latina, os presidentes eleitos democraticamente, ou não, que estão no campo da centro-esquerda estão tendo dificuldades para governar em função do processo de LAWFARE arquitetado pelos EUA.  

O exemplo mais claro é o de Pedro Castilho no Peru, que desde o dia que venceu o pleito eleitoral não conseguiu governar. Agora sofreu um golpe de Estado, o que criou uma situação de intensos conflitos por todo o país, com a maioria do povo se rebelando contra a presidente golpista que foi posta no governo pela burguesia peruana. 

Temos, todos nós que militamos no campo de esquerda, entender o processo político em curso e unificar nossas lutas em defesa deste governo, que tem menos de trinta dias de gestão e já começa a ser durante perseguido pela burguesia brasileira. Mas, uma vez o Temer está sendo usado por esta burguesia como boneco mamulengo. A reação agressiva à fala de Lula sobre o golpe contra a ex-presidente Dilma Rousseff em 2016 já foi de caso pensado, bem como, a ênfase dada pela grande mídia burguesa também, tudo que estes caras querem é ir criando fatos políticos para irem minando as estruturas do governo. 

Desta forma matam dois coelhos com uma cajadada só. Ao mesmo tempo em que enfraquecem as estruturas do governo, mantém parte do governo preocupado com a defesa do mandatário e do mandato e reduz as possibilidades do governo dar as respostas rápidas que o situação do país exige neste momento histórico. A burguesia não dá ponto sem nó, uma vez disse aqui em outro ensaio que a burguesia nunca abandona a luta de classes, quando ela parece está ao nosso lado, tenham certeza que estão tramando alguma maldade contra a classe que vive do trabalho. 

Então compans, o momento é de unir forças, ocupar as ruas, fortalecer o governo Lula e do PT pelas bases e impedir que haja aqui um novo processo de LAWFARE golpista, como o que já vivemos em um passado muito recente. Os exemplos estão aí bem claros em toda a América Latina, acham mesmo que vai deixar barato na maior economia do hemisfério sul do planeta? É hora de lutar.

domingo, 5 de fevereiro de 2023

O DEUS QUE HABITA O PENTECOSTALISMO E NEOPENTECOSTALISMO JAMAIS SERÁ O DEUS DA MINHA FÉ.

POR PROFESSOR JOÃO PAULO

Não há nenhuma possibilidade, por menor que seja esta possibilidade, de considerar um protestante pentecostal ou neopentecostal um Cristão. Estas seitas nascidas nos EUA e que a partir da segunda metade do século XX, se espalhou rapidamente por todo o mundo ao sul da linha do Equador, se reivindicam Cristãs, mas, nem de longe lembra a doutrina de Fé ensinada por Jesus Cristo e propagada por seus discípulos e seus Apóstolos quando formaram as Primeiras comunidades Cristãs.

Ao contrário, estas seitas religiosas, que surgiram a partir do Puritanismo, corrente de pensamento reformista, oriunda da divisão do pensamento de um dos reformadores da Igreja Católica do século XVI, João Calvino, se aproximam muito mais do Judaísmo do que as religiões Protestantes tradicionais que surgiram a partir do movimento de Reforma da Igreja Católica, que Max Webber chamou em seu livro "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, de “Judaísmo Ocidental".

O Puritanismo Calvinista se tornou a maior corrente religiosa da Reforma e rapidamente se espalhou pela Europa Ocidental por ter um caráter mais popular do que o Luteranismo, o Presbiterianismo, o Anglicanismo. No século XVII, passou a ser perseguido tantos pelos Reis católicos, quanto pelos Reis de outros segmentos protestantes, especialmente na Inglaterra pela Igreja Anglicana do Rei Henrique VIII, tendo a maioria dos adeptos do Puritanismo migrado para a colônia norte-americana da Inglaterra. 

Não é possível crer que este segmento religioso tenha alguma relação estreitas com os ensinamentos de Jesus Cristo e com o Cristianismo Primitivo. Como deriva do pensamento Calvinista que foi dos reformadores, o que mais produziu uma Teologia para servir aos interesses da burguesia que se tornava uma classe social forte e poderosa  na Europa Moderna e seu novo modelo de desenvolvimento econômico e social, o capitalismo, o puritanismo trabalha com a Teologia da Prosperidade, acredita que a salvação é apenas uma questão de fé, se tiverdes fé e cumprir todos os ritos Calvinistas, não tomar bebidas alcoólicas, não fumar, não dançar, fazer poupança para acumular riquezas, será salvo. 

O puritanismo calvinista veio se adequando às mudanças históricas e culturais até chegar ao século XXI como o segmento religioso de fundamentação cristã ocidental, que mais cresce no planeta. No EUA ganhou a forma do atual pentecostalismo e neopentecostalismo, transversalizou em várias segmentos religiosas e seu culto é hoje uma ferramenta extremamente eficiente para a manutenção do modo de produção capitalista.

Como toda religião oriunda do Protestantismo esta umbilicalmente ligada ao desenvolvimento do modo de produção capitalista, servindo inclusive como base teológica para o fortalecimento e consolidação de princípios capitalistas como a obrigatoriedade do trabalho assalariado, dignificação individual do ser pelo trabalho, adequação e aceitação da subordinação do trabalho ao capital, submissão do trabalhador ao patronato, aceitação da condição de pobreza como sendo vontade Divina, alienação do conhecimento científico e filosófico em relação ao conhecimento religioso. 

Do ponto de vista religioso o fiel pentecostal ou neopentecostal deixa de ser um indivíduo com a capacidade de produzir saberes, para ser o "seguidor" de uma teologia produzida por um pastor, ou padre, ou qualquer outro líder religioso que na maioria das vezes fórmula uma teologia estruturada por interesses políticos e econômicos e até para atender a interesses inescrupulosos pessoais de lideranças religiosas inescrupulosas.

Todas estas seitas religiosas se utilizam da máxima luterana da livre interpretação da Bíblia, desprovida de qualquer formação teológica e de hermenêutica Cristã. Neste sentido, a leitura bíblica feitas por estas lideranças religiosas estão sempre determinadas por conceitos historicamente produzidos pelas convenções sociais estabelecidas pela classe dominante do bloco histórico, sem se aprofundar a doutrina de fé do Cristianismo e também de qualquer outra religiosidade preexistente. É sempre uma miscelânea de vários credos, adaptados para a cultura local onde os templos se instalam.

O sucesso deste segmento religioso deve-se a esta fácil adaptação ou apropriação cultural utilizada pelas lideranças religiosas, que parecem perceberem com muita velocidade as necessidades mais preeminentes das populações a quem vão atender e também pelo uso do fisiologismo e filantropia que secularmente acompanham as religiões tradicionais, oferecendo sempre a esperança na salvação eterna e na vida no paraíso.

Por fim, estas seitas religiosas servem como uma válvula de escape para todas as frustrações inerentes aos seres humanos em uma sociedade corrompida por valores burgueses dominantes, como o machismo, homofobia, racismo, misoginia, sexismo, submissão dos pobres aos ricos, do trabalhador ao patrão, de quem mora nas periferias pobres das cidades e do mundo a classe dominante. Para conseguir a salvação eterna, basta tentar cumprir com todos os preceitos religiosos determinados pelo líder religioso. 

Esta religiosidade pentecostal e neopetecostal têm sido extremamente corrosiva para o tecido social no hemisfério sul do planeta, onde se localizam a maioria dos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento da geopolítica global, mas, também nos países mais pobres da Europa e Ásia. Neste início de século estes segmentos religiosos independente de serem protestantes, católicos ou de outros segmentos, os pentecostais e neopentecostais, tem se tornado uma ferramenta fundamental para a manutenção do modo de vida burguês e nas últimas duas décadas deste novo século o pentecostalismo e o neopentecostalismo têm trabalhado como um meio para a formação do neofascismo.

Foram seguidores destas correntes religiosas responsáveis diretas por todos os conflitos políticos e pela "fascistização" das populações pobres da América Latina, que aqui no Brasil ainda deu cinquenta e oito milhões de votos para um candidato à reeleição e que foi o pior e mais perverso de todos os presidentes que já passaram pela direção do Estado brasileiro e que fez um governo genocida, pautado pela tentativa de extermínio dos povos originários, dos negros, da comunidade LGBTQIAP+, da população urbana e rural trabalhadora que vive nas periferias pobres de nossas cidades da população trabalhadora campesina.

Foi nisto que se transformou o “cristianismo” pentecostal e neopentecostal neste início de século XXI. Um amontoado de pessoas totalmente bestializadas, dirigidos por lideranças charlatãs, mentirosas, falsos profetas, vendilhões da fé Cristã e que usam seus seguidores radicalizando e fé e a transformando em uma ferramenta para que o imperialismo norte-americano se espalhe por toda a América Latina e por todo o planeta. O pentecostalismo e neopentecostalismo é uma escola de formação de neonazistas e neofascistas. Não tem nenhuma relação direta com a verdadeira fé Cristã, com a tradição Cristã Primitiva e que tem feito muito mal a toda humanidade neste início de século XXI. 

Neste sentido, o deus que habita o pentecostalismo e o neopentecostalismo jamais será o Deus da minha fé.