quinta-feira, 23 de maio de 2024

A REVOLUÇÃO SOCIALISTA JÁ ESTÁ EM MOVIMENTO, SÓ PRECISAMOS PERCEBÊ-LA.

POR PROFESSOR JOÃO PAULO

Quando estamos na militância política de esquerda nos deparamos com uma série de questões que só com muita leitura para conseguirmos uma verdade relativa dos fatos. Sempre acreditei que a "luta armada" contra a burguesia estivesse na obra de Marx como uma condição inalienável, tendo como base o discurso de alguns companheiros e companheiras de militância. 
Só depois de muita leitura que entendi que a luta armada não aparece explicitamente na obra de Karl Marx, a mensagem é subliminar e é Lenin quem da ênfase a esta questão, tendo como base a realidade da Rússia no período em que ocorreu a Revolução Bolchevique. 
Outros pensadores, ocidentais, tem a "luta armada" como uma possibilidade, mas, não apresentam isto como uma necessidade imutável do processo de superação do capitalismo e para o surgimento do socialismo. Pessoalmente até acredito que em um processo de ruptura com a ordem capitalista a burguesia irá resistir e colocará suas forças repressivas contra a classe que vive do trabalho e caso aconteça, não teremos outro caminho que não seja a defesa das agressões da burguesia.  
Outro dia, há algum tempo, a bem da verdade, em um debate com um colega historiador, fui provocado, quando ele disse que no Partido dos Trabalhadores não tinha nenhum marxista, achei incrível, mais o colega parece conhecer nominalmente os quase dois milhões de filiados ao PT, para saber o que e como, todos pensam o mundo. Evidente que fiz o debate, e falei de Antônio Gramsci para este companheiro, ele rapidamente me interpelou, dizendo que o Gramsci do PT é um "reformista". 
Ora! A velha adjetivação das esquerdas que colocam rótulos em tudo e em todo mundo, que pensa diferente. O que este compas não entendeu é que não necessariamente, não falar de luta armada, seja um sinônimo de reformismo. Quando Gramsci fala de "guerra de movimento", faz uma referência a um processo revolucionário muito mais amplo do que a luta armada em si.
Para este pensador Italiano da primeira metade do século XX, na Europa Ocidental e no mundo Ocidental de uma forma geral o processo revolucionário não se apresenta da mesma forma da Rússia de 1917. Aqui onde já existia um Estado Burguês muito bem estruturado, diferente da Rússia pré-revolucionária, o processo de construção da revolução é bem mais complexo, já que as estruturas do capitalismo estão muito mais sólidas. Neste sentido, exige muito mais organização da classe subalterna, e ações efetivas de conquistas da "hegemonia do bloco histórico". Se a classe dirigente tem a hegemonia econômica, política e cultural da sociedade, torna-se fundamental que a classe subalterna, faça um primeiro movimento revolucionário, que é a conquista da hegemonia da sociedade política, a partir deste ponto, faz-se necessaria a conquista da hegemonia cultural da sociedade, aí então, a classe subalterna terá as condições históricas necessárias para a conquista da hegemonia econômica do bloco histórico. 
Desta forma não dá para definir qual ação política é revolucionária e qual não é revolucionária, toda ação política de contestação a ordem dominante burguesa é uma ação revolucionária, é isso que Gramsci chama de "guerra de movimento" e é exatamente isto que precisamos exercitar todos os dias. A revolução socialista já está acontecendo, em cada ato da classe subalterna contra seus opressores capitalistas, movemos uma peça neste complexo tabuleiro do xadrez político todas as vezes que nos levantamos contra a classe dirigente. Este é nosso papel enquanto classe social.
Marx não definiu a fórmula da revolução, Lenin escreveu a partir da realidade específica da Rússia pré-revolucionária, desde a segunda metade do século XX até este momento o capitalismo ganhou contornos bem diferentes do que o que Marx e Lenin conheceram, então não existe um método pré-definido de luta contra o capitalismo, o que existe é a luta contra o capitalismo, e o objetivo final deve ser o socialismo, como vamos conquistar este novo modelo de sociedade, são as condições históricas que vão determinar.

terça-feira, 21 de maio de 2024

DO FASCISMO ULTRALIBERAL PARA O ESTADO DE BEM ESTAR SOCIAL De uma aventura bestial para uma nova era de inclusão social.

POR PROFESSOR JOÃO PAULO

Algumas coisas nunca mudam e a ação da burguesia no Brasil é uma delas, passam anos, décadas e até século, mas, a classe dirigente brasileira é sempre a mesma. Uma elite econômica brutalizada e emburrecida, movida por um sentimento, complexo de superioridade, que a faz estúpida. 
Na ânsia de voltarem a governar o Estado Brasileiro, vejam, um Estado que foi criado por esta mesma classe dirigente, para que ela se favoreça das benesses do Estado Burguês, fez com que a burguesia brasileira, alicerçada pela burguesia internacional, promovesse o golpe de Estado que atingiu seu ápice em 2016 e 2018 com o falso impeachment da presidente Dilma e a prisão ilegal do atual presidente da República Lula. 
Tudo isso foi orquestrado pela burguesia imperialista norte-americana, hoje já comprovada a participação no consórcio golpista. Quais os interesses desta burguesia imperialista? Promover o desmanche do Estado Brasileiro que vinha em um processo de consolidação desde 2003, para que o imperialismo norte-americano sobre a América Latina não fosse abalado. É isso, o Brasil é a maior economia "ao sul do equador", e certamente este país fortalecido é um sério concorrente aos interesses imperialistas dos EUA e seus aliados ao  norte da linha do equador.
Bem, se toda esta ação golpista foi feita pelas burguesia imperialista em consórcio com a burguesia nacional, tá tudo certo, é só a burguesia sendo burguesia. Não! Aí é que está o dilema da estúpida burguesia nacional. O Brasil sob o comando do PT, havia melhorado a qualidade de vida de grande parte da população, havia incluído milhões no mercado consumidor, garantido o pleno emprego em 2014, e reduzido o sensivelmente o número de miseráveis no país. Isso significa que tinha mais gente consumindo, havia maior fluxo de mercado e todo mundo estava ganhando mais dinheiro, principalmente a burguesia brasileira, a social democracia brasileira começava a dar resultados satisfatórios para toda a população inclusive a burguesia. 
Aí veio a genialidade desta elite econômica brutalizada e emburrecida, determinada pelas ideias da burguesia imperialista internacional, passaram a trabalhar para derrubar o governo que estava conseguindo fazer ela mesma acumular mais riquezas em nome de um projeto liberal que reduziria a produção de riquezas para o mercado interno e facilitaria a saída de capitais através do mercado externo, trocando isto em miúdos a burguesia brasileira preferiu produzir riquezas para a burguesia internacional do que para ela própria, o velho complexo de vira-latas desta burguesia sabuja nacional. Isso chegou a tal ponto que na última eleição à presidência, a parte industrial e comercial da burguesia nacional apoiou a candidatura de Lula, pois, perceberam que estavam perdendo riquezas, ficando só o Agronegócio defendendo a política econômica liberal de subserviência que emergiu após o Golpe de Estado que culminou em 2016 e 2018. 
Não seria muito mais negócio para essa elite econômica brasileira manter o Partido dos Trabalhadores na direção do Estado? Hoje teríamos uma Estado forte, que garantiu a inclusão social, ampliou o consumo, fez a economia girar e ela mesma, a burguesia, estaria acumulando muito mais riquezas, essa é a lógica do capitalismo, e como o PT não se propôs fazer revolução, a burguesia nacional estaria muito mais forte do que está agora. E o capitalismo brasileiro, certamente estaria disputando os mercados mundiais com as grandes potências, o que geraria ainda mais riquezas para ser acumuladas pela burguesia. 
Mas, os estúpidos preferiram continuar sabujos do imperialismo é retardou o desenvolvimento do país em ao menos uma década. Agora o país terá que recomeçar do zero, pois, a aventura ultraliberal de nossa burguesia deu muito errado e só serviu para dar voz aos ignóbeis.
Agora precisaremos recuperar o tempo perdido em função desta abobalhada aventura burguesa no país. Trabalharam contra o PT por longos quarenta e quatro anos e a verdade é que só quem tem um projeto de nação livre e soberana é este partido, só quem pode criar uma nação com inclusão social e liberdade é este partido, e nem estou falando de socialismo, estou falando de garantia de um Estado de Bem Estar Social, na lógica de uma gestão humanizada do próprio capital. 
Neste sentido, é fundamental que o PARTIDO DOS TRABALHADORES comece a conquistar os espaços políticos em todos os entes federativos, a começar pelos espaços políticos nos municípios a partir das eleições de 2024, é fundamental que o PT e os partidos da base aliada ou de esquerda conquistem o maior número de municípios e de cadeiras nos Legislativos municipais este ano, para começar a desmontar a estrutura abjeto que a direita e principalmente a extrema-direita montou no país. 
Esta eleição municipal ganha um grau de importância muito maior, pois, o resultado dela será fundamental para a construção das bases que formaram uma nova estrutura política e social que contribua para a reconstrução de uma nova estrutura política e social para o país, que viabilize a construção do Estado de Bem Estar Social brasileiro, que estava sendo construído desde 2003 e que foi interrompido e desmanchado pela aventura ultraliberal da burguesia sabuja brasileira. 
Precisamos unificar nossas lutas neste momento em torno de um projeto de esquerda que tenha viabilidade eleitoral e eleger o maior número possível de defensores deste projeto para começarmos a imprimir em nossa sociedade um novo Brasil, sem ultraliberalismo e fascismo.

sexta-feira, 17 de maio de 2024

EU E A MÚSICA - Um ensaio sobre a desconstrução da música popular brasileira ao longo dos últimos setenta anos.


POR PROFESSOR JOÃO PAULO

Desde muito cedo me apaixonei por música, com uns nove ou dez anos, não me lembro, afinal, já tem muito tempo isso, fui assistir ao filme OS EMBALOS DE SÁBADO A NOITE, vi John Travolta dançar e me apaixonei pelas canções do Bee Gees, desde então a música se a mais importante expressão cultural em vida. 
Meu pai era músico, sim, Zé Baticabo, foi meu grande incentivador para música, todos os dias era sagrado, ele ouvia um LP em sua vitrolinha que se parecia com uma maleta preta com, alça e tudo mais, também tinha uma vermelha mais antiga. E Zé Baticabo cantava muito bem, tocava acordeom, e "tirava um samba" na caixa de fósforos que era uma beleza, uma arte sem dúvidas.
A medida que fui amadurecendo, passando da infância para a adolescência, descobri que sabia dançar, depois descobri que sabia cantar, é sim, para a surpresa de alguns eu também sei cantar, e a música ganhou uma dimensão muito grande em minha vida. Alguns anos mais tarde arrisquei fazer uns poemas e pedi a um grande amigo e músico para por uma melodia, nasceram quatro canções que foram gravadas e virei compositor.
Passei de forma empírica a pesquisar sobre música, nacional e internacional, na juventude, quando tive acesso ao meu primeiro som 3 em 1, passava minhas horas de ócio gravando fitas cassetes das rádios FM que tocavam na cidade, trabalho hercúleo, imagina ter que acertar à hora certa que acabavam as vinhetas das rádios para soltar o "REC" e começar a gravar as canções, e a ira de quando as vinhetas apareciam no meio da música, não tinha o que fazer era ouvir a música com vinheta e tudo. 
Sempre tive muitos amigos músicos, que tocavam em bandas da cidade, era pra eu ter aprendido a tocar um instrumento musical, ou ter aperfeiçoado minha técnica vocal, mas fui impedido por duas razões, uma a falta de grana para pagar aulas de música, a outra razão foi a timidez, zorra eu era tímido de mais, tudo me reprimia, ainda sou, mais melhorei muito, eu tinha vergonha de tudo, fazer qualquer coisa sob o olhar de outras pessoas era muito difícil pra mim.
Até tentei cantar numa banda infanto juvenil aos 13 anos, mas, em minha estréia como um dos vocalistas, na festa de inauguração do Conquista Center, havia ensaiado três canções, quando chegou minha vez de me apresentar, faltou coragem, não subir no palco, pena que eu ainda não bebia, pois, quando tomo uma fico mais descontraído. 
Este acontecimento encerrou minha carreira antes de começar. Depois da amarelada, cantar em público para mim se tornou ainda mais difícil, só voltei a subir em um palco, 7 anos depois, quando já participava do MOVENS, e resolvi junto com alguns amigos montar uma banda de rock para uma apresentação no salão Dom Vital na Catedral de Vitória da Conquista, foi massa, nasceu a Banda Estrela Vermelha, que só tocou duas vezes.
Aí veio a faculdade e resolvi verticalizar na pesquisa sobre música. Sou historiador e nesta função, pesquiso sobre música, agora de forma sistematizada, defini um objeto de pesquisa e faço minhas pesquisas, não pretendo produzir sobre música, ao menos até este momento, mas, gosto de entender o percurso feito pela música brasileira desde a década de 1950. Claro que para fazer uma boa pesquisa tive de aprender um pouco sobre o tema. Lendo, ouvindo músicos, discutindo com artistas, aprendi algumas coisas sobre técnica musical, o que tem me ajudado até na hora de cantar e tomar umas cervejas. Afinei meus ouvidos, conheço os tons, aprendi a modular a voz, a solfejar, descobrir que sou barítono, massa de mais. 
Hoje aos 50 e tantos anos, aprendi muito sobre musica, e me tornei chato pra caramba quando o assunto é música, por isso mesmo evito discuti o tema com outras pessoas, mas, tenho a escrita como recurso para manifestar minhas opiniões, sem ser inoportuno com pessoas em função de minhas posições, que posso dizer, são técnicas, não tanto como eu gostaria que fossem, mas, são sim.
Todo este floreado é para dizer que há um movimento nacional que tem o objetivo e está cumprindo esta função de naturalizar todo estilo musical como música boa, chamando a cultura de massas produzida pela "indústria cultural burguesa" de cultura popular. Claro que este movimento se restringe em convencer o senso comum desta narrativa, mais o problema é que 90% de nossa população é de senso comum e se naturalizou a ideia de que música é uma questão de gosto pessoal. 
Não é! A música mundial está submetida à lógica do mercado e o mercado é o lado político que não interessa a 90% da população mundial, mas, neste ensaio vou me deter em falar sobre música brasileira, tão rica e tão maltratada por essa indústria cultural que transforma tudo em um produto para o mercado.
Na história da música brasileira sempre existiu música ruim e música boa, nem todos os artistas que gravaram neste país eram bons artistas. Houve um período em que a nossa música era um complexo de composições satíricas de cunho carnavalesco e que por mais que fossem animadas e engraçadas, eram musicalmente ruins. Também tinha uma gama de músicas extremamente piegas, que cantavam as dores provocadas por desalentos e desilusões amorosas. 
O que podemos nos orgulhar sempre é da diversidade musical, uma característica cultural do nosso país continente, onde cada região desenvolveu uma musicalidade própria, todos com a base no samba, mas, com particularidades regionais. Mas, mesmo o samba, principal música brasileira, sempre foi adequada aos interesses do mercado fonográfico e isso fez dele bom ou ruim, a depender de como a sociedade aceitasse as adequações. Se o público era mais exigente uma música com mais qualidade, se o público é menos exigente uma música com menos qualidade. 
E sempre foi assim, um tipo de música para todo tipo de público. Isso até muito recentemente, década de 1990 para ser mais preciso. Desde a década de 1950 a classe dirigente que é quem também domina a indústria fonográfica, produzia duas músicas neste país, uma para um público menos exigente e outra para um público mais exigente, por exemplo, década de 1950, tinha os cantores do rádio, que eram grandes cantores e cantoras, como Nelson Gonçalves, Agnaldo Timóteo, Ângela Maria, Marlene, que tinham lindas vozes, mais cantavam músicas bem simples, com dois ou três acordes apenas, em uma ou duas escolas, mas, também havia a Bossa Nova, com cantores com vozes menores, mais com músicas complexas, com vários acordes, apesar de poesias também simples, mas, combinadas às melodias e harmonias ricas se tornavam belas obras musicais.
Na década de 1960 a marca foi a música de muita qualidade, TEATRO DE ARENA, CPC DA UNE, TROPICALISMO E A BOSSA NOVA, e a indústria fonográfica criou a JOVEM GUARDA, uma musicalidade para se contrapor aos movimentos estéticos que ganharam uma caráter popular e de esquerda. Nasce neste momento a MPB (Música Popular Brasileira), nome dado a toda música com mais qualidade artística/cultural a partir desta década. Mas, que também pode ser uma simples classificação para todo tipo de música popular gravada no país, seja ela boa ou ruim.
Mas vamos ficar aqui com o primeiro conceito de MPB. Nos anos 70 a MPB sofre um grande baque. A ditadura civil militar havia se instalado em 1964, nos primeiros dois governos militares apesar das perseguições já terem iniciado, mais foi no AI5 em 1968 que os militares passaram a perseguir toda a produção artística/cultural no país, através da “CENSURA”, toda a produção artística, jornalística, educacional, passou a ser vigiada pela ditadura e na década de 1970 as marcas desta censura começam a aparecer, somente a música de qualidade questionável passa a ser liberada no país. Maior parte dos artistas da MPB não tinha liberdade para gravar suas músicas, mesmo artistas da música brega eram censurados. Um número considerável de artistas brasileiros passaram a compor em inglês para fugir da censura militar. E nossa música foi invadida pela cultura norte-americana.
O pior que na década de 70 do século XX o que se tinha de melhor na música brasileira era aquilo que foi determinada pela cultura norte-americana. Artistas brasileiros que faziam sucesso era os participaram da Jovem Guarda, um movimento estético que copiou o rock anos 50 dos Estados Unidos e que tinha como espelho a pior fase dos The Beatles e a música brega que era destinada ao público com menos escolaridade. Grandes artistas a exemplo de Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Novos Baianos, até conseguiam gravar, mas, seus trabalhos não eram visto pela grande mídia e se tornava apenas uma produção para um pequeno grupo que continuava pesquisando música, ouvindo música alternativa, as rádios e televisões só mostravam o que era permitido pela censura militar.
Chega a década de 1980, aí eu já estava na ativa! Mas, a nossa música foi subsumida pela cultura norte-americana, o que não quer dizer que tenha se tornado ruim, só perdeu a identidade brasileira. A ditadura civil militar também estava no fim, enfraquecida e agonizante, ventos de democracia voltavam a soprar no país. A música da Bahia começa a ganhar um espaço nunca antes conquistado, e revigora a produção musical nativa, com a cara do Brasil, mas, o que mais chama a atenção na década de 1980 é que novamente a diversidade cultural em nossa música reaparece. Todos os estilos tinham lugar na mídia da melhor música à pior composição todos tinham espaço para mostrar seus trabalhos e o povo tinha direito a fazer as escolhas que mais lhe conviesse.
Tínhamos Gilberto Gil, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Chico Buarque, Djavan, Luiz Caldas, Gerônimo Santana, Sarajane, Gal Costa, Fábio Junior, José Augusto, Odair José, Amado Batista, Maria Bethania, Elba Ramalho, Banda Cheiro de Amor, Legião Urbana, Inocentes, Joana, Rosana, Roberta Miranda, Sula Miranda, Gretchen, Sidney Magal, todo mundo tinha seu público, as pessoas tinham direito a escolha, quem quisesse escolher música ruim para ouvir, era um problema de gosto pessoal, de formação cultural pessoal. Aí sim a “questão de gosto” realmente valia, pois, havia opções de escolha. 
Mais a partir de 1987 este cenário começa a mudar, a mídia corporativa e a indústria fonográfica por uma opção política abandonam a perspectiva da democracia cultural, da diversidade de estilos e passa a produzir um estilo único para ser ouvido pela população, chegamos ao período dos movimentos estéticos únicos. Primeiro foi o Country Sertanejo, surgiu a dupla Chitãozinho e Chororó e a partir desta dupla pipocou pelo país uma enxurrada de duplas country sertanejas, todo o espaço da mídia era aberto para este estilo musical, os espaços foram se fechando para outros estilos, até o pop rock do sudeste perdeu espaços para o novo e único estilo, que agora era hegemônico, a outra opção musical de caráter nacional era o Axé Music da Bahia.
É claro que ainda existiam outros estilos, mas, a grande mídia tinha muito mais espaço para o country sertanejo e o axé music do que para qualquer outro estilo, e a população perdeu o direito a escolha. Este é o grande problema do processo homogeneização da música, a população perde o direito a escolha. Aí caro leitor a “questão de gosto” desaparece, pois, o gosto passa a ser definido pela grande mídia, os pensadores da Escola de Frankfurt, chamam este processo de “indústria cultural” e formação de uma “cultura de massas”, a produção de uma cultura determinada pela grande mídia e imposta à população, de cima para baixo.
Nos anos 90 esta lógica midiática se manteve, os proprietários da “indústria fonográfica”, e produtores da “indústria cultural burguesa”, continuam mantendo o padrão de produção de uma homogeneidade musical no país. Percebendo que havia ficado um vácuo social e aqueles setores mais exigentes e criteriosos da população não tinham uma musica para ouvir, e aí se abriu espaço para uma nova geração de artistas da MPB, a primeira metade da década de 1990 surgem bons artistas, que disputavam espaços com artistas medianos e artistas bem ruins. Ao findar esta década aí a indústria fonográfica assume de vez o que pretendiam a muito tempo, passaram a criar o estilo musical, tiraram qualquer oportunidade de escolha da população e criaram uma hegemonia definitiva dos estilos criados na grande mídia e impostos como cultura de massas. 
Desde os anos 2000 até hoje em dia a música brasileira deixou de ser uma música popular para ser uma música de massas. Só se ouve aquilo que as mídias tem como padrão estético, o que as plataformas empurram como “verdade” para o público. Passou a se criar estilos, “pagode” “forró universitário e forro eletrônico”, “funk”, “arrocha”, cada um em seu tempo e espaço demarcado, estes estilos só se encontraram quando um estava desaparecendo e o outro aparecendo, e por fim o “sertanejo universitário” que é a fusão destes outros em um único estilo horroroso, com cantores e cantoras ruins, musiquinhas nada a ver, chatas pra caramba, mas, ouvidas em todos os cantos do país e por toda a população.
Isso não significa que não tem artistas fazendo uma música com mais qualidade, importante dizer que dentro da lógica do mercado, tentando se manter vivos na perspectiva mercadológica, mas, fazendo um trabalho alternativo, mas, sem espaço midiático são ouvidos por um grupo seleto de pessoas que pesquisam nas plataformas nomes que não são os que aparecem na grande mídia, que ao contrario do que se pensa ainda tem um poder muito grande de atração. 
Por fim, e só para concluir, existe sim música ruim, atualmente toda a música de sucesso na sociedade brasileira é ruim, são músicas extremamente simples, com dois ou  três acordes, arranjos simples, na maioria produzidos em sintetizadores, poesias paupérrimas, melodias horrorosas, pobres em harmonias, e artistas de medianos para ruins, ninguém que mereça está na galeria dos grandes artistas brasileiros. Uma produção midiática de massas e sem nenhum compromisso com a arte, apenas um produto para o mercado acumular muitas riquezas, já que a indústria de entretenimento gera muita riqueza.
Isso é a música brasileira atual, um produto extremamente rentável que movimenta milhões todos os anos, para que um pequeno grupo de pessoas possam acumular cada dia mais dinheiro. A arte, a diversidade cultural brasileira, se perderam neste mundo de negócios e o que está aí não representa o povo, mais é abraçado pelo povo. Desta forma vamos vivendo até que surja um movimento estético que retome a riqueza cultural do país e que nasça no meio popular e ganhe o “status” de cultura musical popular brasileira.

domingo, 12 de maio de 2024

SOBRE A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO

 











POR PROFESSOR JOÃO PAULO


Há alguns anos, mais precisamente há sete anos eu estava em sala de aula, no primeiro dia do ano letivo, numa turma de 3° ano do ensino médio, falando sobre a importância da filosofia na formação dos estudantes enquanto ser social, e no meio de minha fala introdutória um aluno me perguntou se eu era “comuna’, achei estranho, mais respondi de bate pronto, sou sim, não sou marxista ou materialista dialético, mais sou um Cristão Comunista. Sem entender bem o que era um Cristão Comunista ele seguiu me indagando, “como pode ser Cristão e comunista”? E eu também de bate pronto respondi, sou Cristão Católico alinhado com a Teologia da Libertação, neste momento outro estudante me questionou, “eu sou católico e a Teologia da Libertação é muito questionada hoje na Igreja”. Novamente de bate pronto respondi: questionada por quem? E o jovem também de bate pronto me respondeu, “pelo clero”. 

Diante das indagações fui obrigado a mudar o meu planejamento de aula para atender a discussão que foi trazida pelos estudantes, ser professor não é tarefa fácil, às vezes somos obrigado a improvisar, como um ator faz, quando alguém comete um erro durante a peça, ou durante a gravação de um esquete para TV ou para o cinema. E de bate pronto, tive de seguir na linha que me fôra proposta pelos estudantes empolgados ali. Neste momento da história, na ultima década até os dias atuais, é tão difícil estudantes que interagem na aula que qualquer oportunidade que surge temos que aproveitar e valorizar a participação desta galerinha. E não tive dúvidas naquele momento, rapidamente mudei a direção do planejamento para não perder o taime da rapaziada.

O aluno que havia me interpelado primeiro, voltou ao ataque, “explica isto de ser Cristão e comuna e o que é Teologia da Libertação”? Olhei para ele e disse, vou responder ao colega aqui e na resposta já te respondo também, pode ser? Ele me disse que sim e seguir dialogando com a galera. Comecei a responder ao jovem, dizendo, não tem como ser Cristão e ser contra a Teologia da Libertação, se algum padre, ou qualquer membro do clero se coloca contra esta forma de ser Igreja, ou ele não conhece o verdadeiro rosto de Jesus Cristo ou está mal intencionando, fui categórico em afirmar isto, já pra dar um susto, pra mexer no fundo do coração da criança.

E ele, “porque professor”? Aí eu disse: a Teologia da Libertação é o jeito humanizado de compreender o Evangelho. Quem é Jesus? O filho de um carpinteiro e de uma dona de casa, pobres, de uma pequena vila de nome Nazaré, escravo do império romano e oprimido pelos poderosos do povo Judeu. Um trabalhador como todos nós somos hoje, também oprimidos, pelos poderosos de nosso país, e dominados por uma nação rica e imperialista. É neste contexto que Jesus nasce. Ainda criança teve de fugir para uma terra distante para sobreviver, se tornou um refugiado político antes de completar um ano, ficou 12 anos vivendo como exilado. Voltou para sua terra natal, cresceu, viveu na pobreza, sendo explorado, vendo seus pais, pagar impostos sem ter nenhum retorno. Quando se tornou adulto, iniciou sua missão salvífica e três anos depois, foi preso, condenado a morte, torturado e humilhado pelas ruas, até ser crucificado e assassinado. Como tantos jovens de hoje em dia em nossas cidades, como pode alguém negar uma Teologia que combate todas estas situações e defende que devemos amar plenamente aos nossos irmãos? 

Isso é Teologia da Libertação, neste momento toda a sala estava em silencio, se não participando da aula, mais ouvindo. E é isto que eu defendo, quando digo que sou Cristão comunista, uma teologia que lute para que um dia todos possam viver como irmãos no Reino Definitivo de Deus, onde “todos tenham vida e vida em abundancia”. Que possamos viver com igualdade, com liberdade, em um país mais fraterno, mais solidário, sem fome, sem violência, sem opressão. Só consigo compreender a fé Cristã se for nesta perspectiva, seguindo a risca os ensinamentos de Jesus Cristo.

Claro que eu não fui tão eloqüente como estou sendo aqui, escrever é sempre mais fácil para mim do que falar, mas, foi exatamente isto que eu disse e me fiz entender. Certamente para muitos ali na sala foi um surpresa, a maioria nunca havia ouvido falar em Teologia da Libertação e nem que o Cristão poderia ser comunista, a maioria tinha uma visão equivocada sobre comunismo, passada pelas fake news das redes sociais. Aí passei a explicar detalhadamente o que é o comunismo, para tentar desmistificar um pouco esta palavra, tão mal utilizada na última década. Foi bem interessante esta aula.

Introduzir este ensaio com esta narrativa sobre minha aula que desencadeou numa discussão sobre Teologia da Libertação para escrever sobre esta forma de ser Igreja e sobre este olhar sobre a fé Cristã que hoje é negligenciado por um contingente significativo dos Cristãos em nosso país, principalmente pelos Católicos, onde nasceu a Teologia da Libertação.

Mas, particularmente só consigo compreender a fé Cristã na perspectiva da Teologia da Libertação, não consigo conceber o Cristianismo sem a premissa da Libertação integral do Ser, como Jesus Cristo anunciou, “Eu vim para que todos tenham vida, vida plena e em abundancia” (João 10: 10), e tanto as escrituras sagradas quanto a tradição dos primeiros Cristãos corroboram comigo.

Na Bíblia (Novo Testamento), temos várias passagens que nos fala sobre o Reino de Deus, o reino do amor em plenitude, do cuidado com a vida, o Reino do “amai uns aos outros como Eu vos amei” (João 13: 34-35) e este deve ser o princípio estruturante da fé Cristã. Se amarmos uns aos outros com esta plenitude, não teremos oprimidos e opressores, patrão e empregado, acumulação de riquezas e miséria, explorados e exploradores. Esta é a estrutura do Reino Definitivo de Deus aqui na Terra, e o papel dos Cristãos é lutar para construir este Reino, que não está circunscrito para uma vida após a morte, ele deve acontecer na história humana, deve ser a continuidade da missão de Jesus Cristo.

Isso é fazer Teologia da Libertação, é esta a perspectiva trazida por esta teologia que hoje quase nunca ouvimos falar em nossa Igreja. Precisamos voltar a falar da Teologia da Libertação, anunciar a toda gente a boa nova da liberdade integral do homem. Cabe a nós difundirmos a Teologia da Libertação, fazer esta linha de pensamento voltar a ser a base do pensamento da Igreja Católica como foi durante a década de 1980. Discuti nas bases sociais este jeito de ser Igreja e lutar incansavelmente pela construção do Reino Definitivo de Deus aqui na Terra.

Esta missão foi nos dada por Jesus Cristo, “Ide pelo mundo e anunciai o Evangelho a todas as criaturas” (Marcos 16: 15-18), e assim devemos viver a nossa fé, apresentando o Deus da vida plena e o seu reino a todos os homens e mulheres, até que conquistemos em definitivo o Reino Definitivo de Deus.

sexta-feira, 10 de maio de 2024

QUEM ESTÁ ERRADO MADONNA OU AS CABEÇAS DE PARTE DE NOSSA POPULAÇÃO?


POR PROFESSOR JOÃO PAULO

Eu não assisti ao show de Madonna, nem fui ao Rio de Janeiro e nem assisti pela TV. Acredito que tenha sido um grande espetáculo musical, a julgar pelo talento desta artista norte-americana que já se tornou uma sessentona, mas, que não perdeu sua jovialidade, um aspecto importante da carreira desta senhora. 

Mas, ouvir tantos comentários, na maioria maledicentes sobre a performance desta senhora no palco da Cidade Maravilhosa que resolvi escrever sobre esta artista que se notabilizou por chocar a sociedade de seu tempo desde o início de sua longeva e vitoriosa carreira.

Importante ressaltar que esta senhora não está nada preocupada com o que Leonardo pensa ou fala sobre ela, muito menos está preocupada com as críticas de segmentos sociais sobre seu show ou sobre seu comportamento, tem quarenta anos de carreira e foi desta forma que se tornou uma das maiores estrelas da música pop em todo o mundo. Ouvindo críticas ácidas e respondendo com seu inegável talento. 

Aos 65 anos, realizada profissionalmente e financeiramente, não irá mudar o seu olhar sobre o mundo, e nem vai fazer concessões para agradar a ninguém. Nunca foi do seu estilo se adequar às normas sociais pré-estabelecidas. Ao contrário, faz parte de sua persona artística estabelecer rupturas com todas as convenções sociais de seu tempo. Foi assim desde o princípio de sua carreira. 

O fato de o Brasil ter se tornado um país mais conservador do que sempre foi, nestas duas últimas décadas, e ter desenvolvido um falso moralismo clássico de um povo recalcado em uma parcela significativa de nossa sociedade, não iria impedir a cantora de colocar em seu show as performances que sempre colocou em suas apresentações em todos os cantos do mundo.

A ruptura com padrões morais pré-estabelecidos sempre marcaram a carreira desta artista. Ainda no início de sua carreira seus shows eram cheios de simbolismos eróticos, suas músicas traziam em suas composições, representações que questionavam a ordem moral estabelecida pela sociedade burguesa, é só dar uma olhada em Material Girl, Like a Virgin, Papa Don’t Preach, entre outras canções.

Em suas composições a Madonna sempre questionou a ideia de virgindade, a ideia de que não se pode ter filhos fora do casamento, à repressão paterna ao fato de uma jovem ter vida sexual ativa antes de se casar, durante a adolescência. Seus shows sempre marcados por uma sensualidade e sexualidades intensas. Isso nunca foi novidades nas apresentações desta, agora senhora. 

Os organizadores do evento no Rio de Janeiro, certamente deveriam saber que isso não mudaria só porque o show seria no Brasil. E certamente não esperavam que provocasse tanta animosidade, ou chocaria parte da população do país. Mas, deveriam saber que Madonna sempre apresenta seu repúdio as convenções sexuais de caráter conservador e faz isso na perspectiva de chocar a sociedade com sua forma ousada de questionar esta ordem. 

Quando assistimos a um show, devemos saber o que vamos assistir, eu gosto muito do trabalho desta senhora, não sou um “fã”, como fui de outros artistas da mesma geração dela, mas, dancei muito suas músicas nas boates que freqüentava nos idos da década de 1980, e até hoje gosto de ouvir suas canções, tenho boa parte delas em meus pen drives, sou fã de música e a década de 1980 é minha predileção, atualmente ouço todos os estilos. Se estivesse ido ao show, ou assistido pela TV, certamente saberia que poderia me deparar com uma cena erótica, pois, sempre aconteceram nos shows desta artista. E este é um dos símbolos marcantes de sua carreira. Então não dá para ficar agora, um monte de gente horrorizado com as performances de Madonna no palco. 

Por outro lado, boa parte das pessoas que estão comentando horrorizados o show, realmente são tão puros ao ponto de acharem que um show de música fará alguma diferença na vida de suas famílias? Certamente que não! Tenho plana certeza, que se este show tivesse acontecido nas décadas de 1990 ou mesmo na primeira década do século XXI não teria causando tanto alvoroço na sociedade, aquelas gerações eram bem menos conservadoras.

Agora o prefeito do Rio de Janeiro está anunciando um novo grande show para o ano que vem, segundo ele mesmo, a preferência pessoal dele é com uma banda de rock e deve ser o U2, alguém tem dúvidas de que este show, se realmente acontecer, não terá um tom político? E aí, se realmente acontecer, teremos uma galerinha questionando e brigando como aconteceu com a vinda de Rogers Waters ao Brasil.

Esta turma do falso moralismo vão sempre aparecer, os fascistas de plantão vão está sempre de prontidão para criticar tudo que não sejam seus espelhos opacos e acinzentados. Não tem jeito, esse câncer social terá sempre uma crítica a fazer a qualquer forma de arte que não sigam seus padrões estéticos. Não sei quando teremos novamente a possibilidade de olhar o mundo sem as lentes do fascismo.

O FASCISMO CONTINUA VIVO EM NOSSO TECIDO SOCIAL

POR PROFESSOR JOÃO PAULO

É incrível, mais é verdade, ainda tem gente, que nem é uma pessoa naturalmente ruim, fazendo defesas abobalhadas do fascismo brasileiro. Claro que estas pessoas de boa índole que continuam fazendo a defesa do fascismo e dos fascistas, são completos "idiotas", devo adiantar que não estou sendo preconceituoso, ou pedante, ou agressivo com estas pessoas, a palavra "idiota" em seu sentido literal, deriva do grego clássico “idiótes”, que significa aquele que não discuti política, e quem a esta altura do campeonato ainda defende o fascismo, realmente é um grande idiota.

O que não é legal é estes idiotas ficarem fazendo provocações como se soubessem sobre o que estão falando, é melhor ficar na sua, circunscritos ao seu diminuto mundinho, afinal, este é o espaço que cabe aos idiotas. Deixem a política para os “cidadãos”, termo utilizado pela história para designar aqueles que participavam da "política" na Grécia Clássica, ou seja, tinha alguma atuação na vida da comunidade. Aqui estou usando termos extraídos da literatura Grega Clássica, para não deixar margem para interpretações equivocadas por parte dos leitores.

Política para estes que são totalmente desinformados é toda ação humana, a palavra "política" deriva da palavra grego "polis" que significa "cidade", portanto, política está relacionada à "ação do homem na cidade" uma ação “cidadã”. Neste sentido, tudo que fazemos em relação à outra pessoa é uma ação política, somos naturalmente seres políticos, já que nascemos e morremos nos relacionando com outras pessoas. 

Utilizei os dois parágrafos para definir conceitualmente a ideia de política, cidadão, idiota, até para ter clareza sobre o papel de cada um na história. Agora vou entrar no tema deste ensaio, que é a permanência ainda com força de figuras que se mantém alinhados com o fascismo tosco e emburrecido brasileiro. Certamente isto é uma aberração sócio-política, ou uma patologia social, já está claro que o que mantinha esta turma mobilizada nunca existiu. 

A ideia de que o “imundo” é honesto e incorruptível, já foi para o brejo à muito tempo, me parece claro que a ideia de combate a corrupção não existe, o cara e sua família comprou imóveis com dinheiro vivo, roubou bens públicos para vender no mercado paralelo na maior cara de pau, é um batedor de carteiras. Multiplicou por 10 o patrimônio pessoal e da família com os esquemas de corrupção mais toscos, o esquema das “rachadinhas”, desviando dinheiro público para contas privadas. Utilizou o poder político para desviar investigações sobre seus filhos. Tudo isso sem falar que os partidos que apóiam este “imundo”, tem o maior número de pessoas investigadas e presas por corrupção do país.

A ideia de que o cara é um nacionalista também não existe mais, o cara bateu continência para bandeiras dos EUA e Israel, vendeu refinarias brasileiras a preço de banana para empresários estrangeiros, e recebeu presentes por facilitar as negociações em favor destes empresários, tinha como projeto de poder, entregar as riquezas nacionais para o mercado imperialista internacional.

A ideia de que o cara é um homem valente, corajoso, que enfrenta o sistema na cara e na coragem também não é verdadeira. Todas as vezes que a foi apertado pela justiça, se acovardou, recuou de suas decisões, fugiu do país, após perder as eleições, se escondeu na embaixada da Hungria quando percebeu que seria apertado pelo STF. Pediu arrego aos representantes do poder Judiciário em vários momentos para se livrar da prisão. Provou por a + b que é um covarde, frouxo, o tempo todo durante seu triste governo.

E por fim a ideia de um cara antissistema, detentor da “nova política”, foi por terra, nunca se viu nada mais velho do que o governo deste senhor. Usou recursos públicos para comprar votos, bem ao estilo dos antigos coronéis. Rompeu com regras básicas da economia capitalista, criadas pela própria burguesia que o elegeu a presidência para se beneficiar eleitoralmente. Usou a maquina pública em benefício próprio o tempo todo, nada mais dentro da “velha política” do que as práticas deste rapaz e seu grupo político. 

Então só há uma explicação para ainda ter gente que defenda este “traste”, os apoiadores deste ser abjeto, formam a camada mais burra da sociedade brasileira. Completos imbecis ainda fantasiados de verde e amarelo, setores do protestantismo dominados pelas Teologias da Prosperidade e do Domínio, figuras também abjetas que não sabem nada sobre o mundo, mas, se identificam com ideias nazifascistas, como machismo, xenofobia, homofobia, racismo e que acham que matar é sempre um bom negócio, setores mais atrasados da burguesia brasileira, e completos analfabetos políticos, ignorantes, que pensam que sabem alguma coisa sobre sua própria vida, mas, é só um falastrão que criminaliza os movimentos sociais como MST, MTST e o Partido dos Trabalhadores.

Estes são os tipos de seres humanos que ainda defendem esta aberração e aqui nem falo mais do nome que verbaliza as vozes destes seres abjetos, aqui estou falando sobre a aberração do fascismo como projeto político. Estas pessoas são dignas de nossa pena, pois, perderam completamente a condição humana, se tornaram figuras desprezíveis, fechados em uma bolha de mentiras e fantasias macabras, cheios de ódio por tudo que está fora de seus baixíssimos padrões morais. Falsos moralistas, capazes de cometer todo tipo de atrocidades, se escondem atrás de uma máscara de boa gente, mas, são figuras sociais perigosas.

O grande problema é que este tipo de gente ainda ocupa cargos púbicos, chefias em prefeituras, têm cadeiras no poder Legislativo, no poder Executivo e no Judiciário. Estão dirigindo Igrejas dos segmentos pentecostal e neopentecostal em todos os cantos do país. Formam os tentáculos institucionais do fascismo brasileiro. E no meio popular estão os mais ignorantes de nossa sociedade, falando abertamente sobre suas relações esdrúxulas com as ideias fascistas mesmo que não saibam que mantém uma relação platônica com esta doutrina que na verdade nunca deixou de existir em nossas sociedades.

Para combater este fascismo estrutural, esta ferida aberta no seio de nossa sociedade, é preciso combater as estruturas que alimentam esta mácula social. Em primeiro lugar precisamos desenvolver uma nova pedagogia capaz de nos fazer dialogar novamente com o povo. Frei Betto em um de seus ensaios, ainda no calor do golpe jurídico, parlamentar e midiático que culminou com o falso impeachment da companheira Dilma em 2016, disse que levaríamos 30 anos para voltar a dialogar com o povo, precisamos acelerar a volta deste diálogo, pois, quanto mais demoramos mais vulneráveis ficamos em relação ao fascismo e a direita de forma geral. 

Outro ponto importante é que precisamos adequar nosso discurso aos novos tempos. Não temos mais as referencias praticas das experiências do “socialismo real”, na real nunca tivemos, o modelo Soviético ou Chinês nunca foram referencias para nós, infelizmente os revolucionários do século XX não conseguiram dar as respostas que se esperava do socialismo real, precisamos começar a discutir o nosso paradigma de uma sociedade socialista, que tenha a cara do Brasil, a cara do nosso povo. 

E por fim, mas, com a mesma importância precisamos pensar um modelo de sociedade que tenha em sua base as transformações implementadas pelo capitalismo no mundo desde o final do século XX e que se aceleraram neste início de novo século. Tem muita coisa acontecendo e temos que nos apropriar de tudo para consolidar um discurso para este novo tempo, principalmente para dialogar com as camadas mais jovens de nossa sociedade.

Há uma emergência desta reação dos setores de esquerda em nosso país, perdemos muito espaço, deixamos vácuos sociais, e onde há espaços vazios alguém vai ocupá-lo. E foi exatamente isto que aconteceu, perdemos o time da história, e os setores de direita e extrema-direita ocuparam os espaços, por conta disto, mesmo depois de está provado toda a incapacidade e toda a desonestidade do ex-presidente, o cara ainda consegue colocar gente nas ruas, enquanto nós paramos, deixamos de fazer movimento de rua e ainda estamos engatinhando no que diz respeito às redes sociais. 

Perdemos-nos em nossas vaidades ideológicas, estamos sempre disputando espaço entre nós, e nos esquecemos de ocupar as lacunas que a direita criou nas ultimas décadas, em alguns casos, setores de esquerda até marcharam com a direita, como foi o caso das “marchas dos idiotas”, conhecido como “jornadas de junho”. Vimos inclusive intelectuais de esquerda participando e dirigindo aqueles movimentos golpistas. Este é o resultado de quando se perde totalmente o trem da história e deixa as paixões se sobrepor a razão.

É hora de revermos nossa atuação política, parar, procurar discutir o momento histórico e buscar nos adequar aos novos ventos deste novo “bloco histórico”. Temos vidas para salvar, temos um mundo para transformar e cuidar, e precisamos está alertas para as armadilhas que a história nos impôs nas três ultimas décadas, caso contrario, não conseguiremos dar continuidade aos nossos sonhos de uma sociedade mais fraterna, mais humanizada e muito mais igualitária.