Este é o Blog M-COESO, Movimento Coletivo Ética Socialista. O Coletivo ÉTICA SOCIALISTA, é uma Rede, um movimento formado desde o início da década de 90 do século passado, a partir do movimento estudantil da UESB, e que vem atuando, contribuindo no movimento social do pais, em especial na Bahia, na região de Vitória da Conquista.
quinta-feira, 23 de maio de 2024
A REVOLUÇÃO SOCIALISTA JÁ ESTÁ EM MOVIMENTO, SÓ PRECISAMOS PERCEBÊ-LA.
terça-feira, 21 de maio de 2024
DO FASCISMO ULTRALIBERAL PARA O ESTADO DE BEM ESTAR SOCIAL De uma aventura bestial para uma nova era de inclusão social.
sexta-feira, 17 de maio de 2024
EU E A MÚSICA - Um ensaio sobre a desconstrução da música popular brasileira ao longo dos últimos setenta anos.
domingo, 12 de maio de 2024
SOBRE A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO
POR PROFESSOR JOÃO PAULO
Há alguns anos, mais precisamente há sete anos eu estava em sala de aula, no primeiro dia do ano letivo, numa turma de 3° ano do ensino médio, falando sobre a importância da filosofia na formação dos estudantes enquanto ser social, e no meio de minha fala introdutória um aluno me perguntou se eu era “comuna’, achei estranho, mais respondi de bate pronto, sou sim, não sou marxista ou materialista dialético, mais sou um Cristão Comunista. Sem entender bem o que era um Cristão Comunista ele seguiu me indagando, “como pode ser Cristão e comunista”? E eu também de bate pronto respondi, sou Cristão Católico alinhado com a Teologia da Libertação, neste momento outro estudante me questionou, “eu sou católico e a Teologia da Libertação é muito questionada hoje na Igreja”. Novamente de bate pronto respondi: questionada por quem? E o jovem também de bate pronto me respondeu, “pelo clero”.
Diante das indagações fui obrigado a mudar o meu planejamento de aula para atender a discussão que foi trazida pelos estudantes, ser professor não é tarefa fácil, às vezes somos obrigado a improvisar, como um ator faz, quando alguém comete um erro durante a peça, ou durante a gravação de um esquete para TV ou para o cinema. E de bate pronto, tive de seguir na linha que me fôra proposta pelos estudantes empolgados ali. Neste momento da história, na ultima década até os dias atuais, é tão difícil estudantes que interagem na aula que qualquer oportunidade que surge temos que aproveitar e valorizar a participação desta galerinha. E não tive dúvidas naquele momento, rapidamente mudei a direção do planejamento para não perder o taime da rapaziada.
O aluno que havia me interpelado primeiro, voltou ao ataque, “explica isto de ser Cristão e comuna e o que é Teologia da Libertação”? Olhei para ele e disse, vou responder ao colega aqui e na resposta já te respondo também, pode ser? Ele me disse que sim e seguir dialogando com a galera. Comecei a responder ao jovem, dizendo, não tem como ser Cristão e ser contra a Teologia da Libertação, se algum padre, ou qualquer membro do clero se coloca contra esta forma de ser Igreja, ou ele não conhece o verdadeiro rosto de Jesus Cristo ou está mal intencionando, fui categórico em afirmar isto, já pra dar um susto, pra mexer no fundo do coração da criança.
E ele, “porque professor”? Aí eu disse: a Teologia da Libertação é o jeito humanizado de compreender o Evangelho. Quem é Jesus? O filho de um carpinteiro e de uma dona de casa, pobres, de uma pequena vila de nome Nazaré, escravo do império romano e oprimido pelos poderosos do povo Judeu. Um trabalhador como todos nós somos hoje, também oprimidos, pelos poderosos de nosso país, e dominados por uma nação rica e imperialista. É neste contexto que Jesus nasce. Ainda criança teve de fugir para uma terra distante para sobreviver, se tornou um refugiado político antes de completar um ano, ficou 12 anos vivendo como exilado. Voltou para sua terra natal, cresceu, viveu na pobreza, sendo explorado, vendo seus pais, pagar impostos sem ter nenhum retorno. Quando se tornou adulto, iniciou sua missão salvífica e três anos depois, foi preso, condenado a morte, torturado e humilhado pelas ruas, até ser crucificado e assassinado. Como tantos jovens de hoje em dia em nossas cidades, como pode alguém negar uma Teologia que combate todas estas situações e defende que devemos amar plenamente aos nossos irmãos?
Isso é Teologia da Libertação, neste momento toda a sala estava em silencio, se não participando da aula, mais ouvindo. E é isto que eu defendo, quando digo que sou Cristão comunista, uma teologia que lute para que um dia todos possam viver como irmãos no Reino Definitivo de Deus, onde “todos tenham vida e vida em abundancia”. Que possamos viver com igualdade, com liberdade, em um país mais fraterno, mais solidário, sem fome, sem violência, sem opressão. Só consigo compreender a fé Cristã se for nesta perspectiva, seguindo a risca os ensinamentos de Jesus Cristo.
Claro que eu não fui tão eloqüente como estou sendo aqui, escrever é sempre mais fácil para mim do que falar, mas, foi exatamente isto que eu disse e me fiz entender. Certamente para muitos ali na sala foi um surpresa, a maioria nunca havia ouvido falar em Teologia da Libertação e nem que o Cristão poderia ser comunista, a maioria tinha uma visão equivocada sobre comunismo, passada pelas fake news das redes sociais. Aí passei a explicar detalhadamente o que é o comunismo, para tentar desmistificar um pouco esta palavra, tão mal utilizada na última década. Foi bem interessante esta aula.
Introduzir este ensaio com esta narrativa sobre minha aula que desencadeou numa discussão sobre Teologia da Libertação para escrever sobre esta forma de ser Igreja e sobre este olhar sobre a fé Cristã que hoje é negligenciado por um contingente significativo dos Cristãos em nosso país, principalmente pelos Católicos, onde nasceu a Teologia da Libertação.
Mas, particularmente só consigo compreender a fé Cristã na perspectiva da Teologia da Libertação, não consigo conceber o Cristianismo sem a premissa da Libertação integral do Ser, como Jesus Cristo anunciou, “Eu vim para que todos tenham vida, vida plena e em abundancia” (João 10: 10), e tanto as escrituras sagradas quanto a tradição dos primeiros Cristãos corroboram comigo.
Na Bíblia (Novo Testamento), temos várias passagens que nos fala sobre o Reino de Deus, o reino do amor em plenitude, do cuidado com a vida, o Reino do “amai uns aos outros como Eu vos amei” (João 13: 34-35) e este deve ser o princípio estruturante da fé Cristã. Se amarmos uns aos outros com esta plenitude, não teremos oprimidos e opressores, patrão e empregado, acumulação de riquezas e miséria, explorados e exploradores. Esta é a estrutura do Reino Definitivo de Deus aqui na Terra, e o papel dos Cristãos é lutar para construir este Reino, que não está circunscrito para uma vida após a morte, ele deve acontecer na história humana, deve ser a continuidade da missão de Jesus Cristo.
Isso é fazer Teologia da Libertação, é esta a perspectiva trazida por esta teologia que hoje quase nunca ouvimos falar em nossa Igreja. Precisamos voltar a falar da Teologia da Libertação, anunciar a toda gente a boa nova da liberdade integral do homem. Cabe a nós difundirmos a Teologia da Libertação, fazer esta linha de pensamento voltar a ser a base do pensamento da Igreja Católica como foi durante a década de 1980. Discuti nas bases sociais este jeito de ser Igreja e lutar incansavelmente pela construção do Reino Definitivo de Deus aqui na Terra.
Esta missão foi nos dada por Jesus Cristo, “Ide pelo mundo e anunciai o Evangelho a todas as criaturas” (Marcos 16: 15-18), e assim devemos viver a nossa fé, apresentando o Deus da vida plena e o seu reino a todos os homens e mulheres, até que conquistemos em definitivo o Reino Definitivo de Deus.
sexta-feira, 10 de maio de 2024
QUEM ESTÁ ERRADO MADONNA OU AS CABEÇAS DE PARTE DE NOSSA POPULAÇÃO?
POR PROFESSOR JOÃO PAULO
Eu não assisti ao show de Madonna, nem fui ao Rio de Janeiro e nem assisti pela TV. Acredito que tenha sido um grande espetáculo musical, a julgar pelo talento desta artista norte-americana que já se tornou uma sessentona, mas, que não perdeu sua jovialidade, um aspecto importante da carreira desta senhora.
Mas, ouvir tantos comentários, na maioria maledicentes sobre a performance desta senhora no palco da Cidade Maravilhosa que resolvi escrever sobre esta artista que se notabilizou por chocar a sociedade de seu tempo desde o início de sua longeva e vitoriosa carreira.
Importante ressaltar que esta senhora não está nada preocupada com o que Leonardo pensa ou fala sobre ela, muito menos está preocupada com as críticas de segmentos sociais sobre seu show ou sobre seu comportamento, tem quarenta anos de carreira e foi desta forma que se tornou uma das maiores estrelas da música pop em todo o mundo. Ouvindo críticas ácidas e respondendo com seu inegável talento.
Aos 65 anos, realizada profissionalmente e financeiramente, não irá mudar o seu olhar sobre o mundo, e nem vai fazer concessões para agradar a ninguém. Nunca foi do seu estilo se adequar às normas sociais pré-estabelecidas. Ao contrário, faz parte de sua persona artística estabelecer rupturas com todas as convenções sociais de seu tempo. Foi assim desde o princípio de sua carreira.
O fato de o Brasil ter se tornado um país mais conservador do que sempre foi, nestas duas últimas décadas, e ter desenvolvido um falso moralismo clássico de um povo recalcado em uma parcela significativa de nossa sociedade, não iria impedir a cantora de colocar em seu show as performances que sempre colocou em suas apresentações em todos os cantos do mundo.
A ruptura com padrões morais pré-estabelecidos sempre marcaram a carreira desta artista. Ainda no início de sua carreira seus shows eram cheios de simbolismos eróticos, suas músicas traziam em suas composições, representações que questionavam a ordem moral estabelecida pela sociedade burguesa, é só dar uma olhada em Material Girl, Like a Virgin, Papa Don’t Preach, entre outras canções.
Em suas composições a Madonna sempre questionou a ideia de virgindade, a ideia de que não se pode ter filhos fora do casamento, à repressão paterna ao fato de uma jovem ter vida sexual ativa antes de se casar, durante a adolescência. Seus shows sempre marcados por uma sensualidade e sexualidades intensas. Isso nunca foi novidades nas apresentações desta, agora senhora.
Os organizadores do evento no Rio de Janeiro, certamente deveriam saber que isso não mudaria só porque o show seria no Brasil. E certamente não esperavam que provocasse tanta animosidade, ou chocaria parte da população do país. Mas, deveriam saber que Madonna sempre apresenta seu repúdio as convenções sexuais de caráter conservador e faz isso na perspectiva de chocar a sociedade com sua forma ousada de questionar esta ordem.
Quando assistimos a um show, devemos saber o que vamos assistir, eu gosto muito do trabalho desta senhora, não sou um “fã”, como fui de outros artistas da mesma geração dela, mas, dancei muito suas músicas nas boates que freqüentava nos idos da década de 1980, e até hoje gosto de ouvir suas canções, tenho boa parte delas em meus pen drives, sou fã de música e a década de 1980 é minha predileção, atualmente ouço todos os estilos. Se estivesse ido ao show, ou assistido pela TV, certamente saberia que poderia me deparar com uma cena erótica, pois, sempre aconteceram nos shows desta artista. E este é um dos símbolos marcantes de sua carreira. Então não dá para ficar agora, um monte de gente horrorizado com as performances de Madonna no palco.
Por outro lado, boa parte das pessoas que estão comentando horrorizados o show, realmente são tão puros ao ponto de acharem que um show de música fará alguma diferença na vida de suas famílias? Certamente que não! Tenho plana certeza, que se este show tivesse acontecido nas décadas de 1990 ou mesmo na primeira década do século XXI não teria causando tanto alvoroço na sociedade, aquelas gerações eram bem menos conservadoras.
Agora o prefeito do Rio de Janeiro está anunciando um novo grande show para o ano que vem, segundo ele mesmo, a preferência pessoal dele é com uma banda de rock e deve ser o U2, alguém tem dúvidas de que este show, se realmente acontecer, não terá um tom político? E aí, se realmente acontecer, teremos uma galerinha questionando e brigando como aconteceu com a vinda de Rogers Waters ao Brasil.
Esta turma do falso moralismo vão sempre aparecer, os fascistas de plantão vão está sempre de prontidão para criticar tudo que não sejam seus espelhos opacos e acinzentados. Não tem jeito, esse câncer social terá sempre uma crítica a fazer a qualquer forma de arte que não sigam seus padrões estéticos. Não sei quando teremos novamente a possibilidade de olhar o mundo sem as lentes do fascismo.
O FASCISMO CONTINUA VIVO EM NOSSO TECIDO SOCIAL
POR PROFESSOR JOÃO PAULO
É incrível, mais é verdade, ainda tem gente, que nem é uma pessoa naturalmente ruim, fazendo defesas abobalhadas do fascismo brasileiro. Claro que estas pessoas de boa índole que continuam fazendo a defesa do fascismo e dos fascistas, são completos "idiotas", devo adiantar que não estou sendo preconceituoso, ou pedante, ou agressivo com estas pessoas, a palavra "idiota" em seu sentido literal, deriva do grego clássico “idiótes”, que significa aquele que não discuti política, e quem a esta altura do campeonato ainda defende o fascismo, realmente é um grande idiota.
O que não é legal é estes idiotas ficarem fazendo provocações como se soubessem sobre o que estão falando, é melhor ficar na sua, circunscritos ao seu diminuto mundinho, afinal, este é o espaço que cabe aos idiotas. Deixem a política para os “cidadãos”, termo utilizado pela história para designar aqueles que participavam da "política" na Grécia Clássica, ou seja, tinha alguma atuação na vida da comunidade. Aqui estou usando termos extraídos da literatura Grega Clássica, para não deixar margem para interpretações equivocadas por parte dos leitores.
Política para estes que são totalmente desinformados é toda ação humana, a palavra "política" deriva da palavra grego "polis" que significa "cidade", portanto, política está relacionada à "ação do homem na cidade" uma ação “cidadã”. Neste sentido, tudo que fazemos em relação à outra pessoa é uma ação política, somos naturalmente seres políticos, já que nascemos e morremos nos relacionando com outras pessoas.
Utilizei os dois parágrafos para definir conceitualmente a ideia de política, cidadão, idiota, até para ter clareza sobre o papel de cada um na história. Agora vou entrar no tema deste ensaio, que é a permanência ainda com força de figuras que se mantém alinhados com o fascismo tosco e emburrecido brasileiro. Certamente isto é uma aberração sócio-política, ou uma patologia social, já está claro que o que mantinha esta turma mobilizada nunca existiu.
A ideia de que o “imundo” é honesto e incorruptível, já foi para o brejo à muito tempo, me parece claro que a ideia de combate a corrupção não existe, o cara e sua família comprou imóveis com dinheiro vivo, roubou bens públicos para vender no mercado paralelo na maior cara de pau, é um batedor de carteiras. Multiplicou por 10 o patrimônio pessoal e da família com os esquemas de corrupção mais toscos, o esquema das “rachadinhas”, desviando dinheiro público para contas privadas. Utilizou o poder político para desviar investigações sobre seus filhos. Tudo isso sem falar que os partidos que apóiam este “imundo”, tem o maior número de pessoas investigadas e presas por corrupção do país.
A ideia de que o cara é um nacionalista também não existe mais, o cara bateu continência para bandeiras dos EUA e Israel, vendeu refinarias brasileiras a preço de banana para empresários estrangeiros, e recebeu presentes por facilitar as negociações em favor destes empresários, tinha como projeto de poder, entregar as riquezas nacionais para o mercado imperialista internacional.
A ideia de que o cara é um homem valente, corajoso, que enfrenta o sistema na cara e na coragem também não é verdadeira. Todas as vezes que a foi apertado pela justiça, se acovardou, recuou de suas decisões, fugiu do país, após perder as eleições, se escondeu na embaixada da Hungria quando percebeu que seria apertado pelo STF. Pediu arrego aos representantes do poder Judiciário em vários momentos para se livrar da prisão. Provou por a + b que é um covarde, frouxo, o tempo todo durante seu triste governo.
E por fim a ideia de um cara antissistema, detentor da “nova política”, foi por terra, nunca se viu nada mais velho do que o governo deste senhor. Usou recursos públicos para comprar votos, bem ao estilo dos antigos coronéis. Rompeu com regras básicas da economia capitalista, criadas pela própria burguesia que o elegeu a presidência para se beneficiar eleitoralmente. Usou a maquina pública em benefício próprio o tempo todo, nada mais dentro da “velha política” do que as práticas deste rapaz e seu grupo político.
Então só há uma explicação para ainda ter gente que defenda este “traste”, os apoiadores deste ser abjeto, formam a camada mais burra da sociedade brasileira. Completos imbecis ainda fantasiados de verde e amarelo, setores do protestantismo dominados pelas Teologias da Prosperidade e do Domínio, figuras também abjetas que não sabem nada sobre o mundo, mas, se identificam com ideias nazifascistas, como machismo, xenofobia, homofobia, racismo e que acham que matar é sempre um bom negócio, setores mais atrasados da burguesia brasileira, e completos analfabetos políticos, ignorantes, que pensam que sabem alguma coisa sobre sua própria vida, mas, é só um falastrão que criminaliza os movimentos sociais como MST, MTST e o Partido dos Trabalhadores.
Estes são os tipos de seres humanos que ainda defendem esta aberração e aqui nem falo mais do nome que verbaliza as vozes destes seres abjetos, aqui estou falando sobre a aberração do fascismo como projeto político. Estas pessoas são dignas de nossa pena, pois, perderam completamente a condição humana, se tornaram figuras desprezíveis, fechados em uma bolha de mentiras e fantasias macabras, cheios de ódio por tudo que está fora de seus baixíssimos padrões morais. Falsos moralistas, capazes de cometer todo tipo de atrocidades, se escondem atrás de uma máscara de boa gente, mas, são figuras sociais perigosas.
O grande problema é que este tipo de gente ainda ocupa cargos púbicos, chefias em prefeituras, têm cadeiras no poder Legislativo, no poder Executivo e no Judiciário. Estão dirigindo Igrejas dos segmentos pentecostal e neopentecostal em todos os cantos do país. Formam os tentáculos institucionais do fascismo brasileiro. E no meio popular estão os mais ignorantes de nossa sociedade, falando abertamente sobre suas relações esdrúxulas com as ideias fascistas mesmo que não saibam que mantém uma relação platônica com esta doutrina que na verdade nunca deixou de existir em nossas sociedades.
Para combater este fascismo estrutural, esta ferida aberta no seio de nossa sociedade, é preciso combater as estruturas que alimentam esta mácula social. Em primeiro lugar precisamos desenvolver uma nova pedagogia capaz de nos fazer dialogar novamente com o povo. Frei Betto em um de seus ensaios, ainda no calor do golpe jurídico, parlamentar e midiático que culminou com o falso impeachment da companheira Dilma em 2016, disse que levaríamos 30 anos para voltar a dialogar com o povo, precisamos acelerar a volta deste diálogo, pois, quanto mais demoramos mais vulneráveis ficamos em relação ao fascismo e a direita de forma geral.
Outro ponto importante é que precisamos adequar nosso discurso aos novos tempos. Não temos mais as referencias praticas das experiências do “socialismo real”, na real nunca tivemos, o modelo Soviético ou Chinês nunca foram referencias para nós, infelizmente os revolucionários do século XX não conseguiram dar as respostas que se esperava do socialismo real, precisamos começar a discutir o nosso paradigma de uma sociedade socialista, que tenha a cara do Brasil, a cara do nosso povo.
E por fim, mas, com a mesma importância precisamos pensar um modelo de sociedade que tenha em sua base as transformações implementadas pelo capitalismo no mundo desde o final do século XX e que se aceleraram neste início de novo século. Tem muita coisa acontecendo e temos que nos apropriar de tudo para consolidar um discurso para este novo tempo, principalmente para dialogar com as camadas mais jovens de nossa sociedade.
Há uma emergência desta reação dos setores de esquerda em nosso país, perdemos muito espaço, deixamos vácuos sociais, e onde há espaços vazios alguém vai ocupá-lo. E foi exatamente isto que aconteceu, perdemos o time da história, e os setores de direita e extrema-direita ocuparam os espaços, por conta disto, mesmo depois de está provado toda a incapacidade e toda a desonestidade do ex-presidente, o cara ainda consegue colocar gente nas ruas, enquanto nós paramos, deixamos de fazer movimento de rua e ainda estamos engatinhando no que diz respeito às redes sociais.
Perdemos-nos em nossas vaidades ideológicas, estamos sempre disputando espaço entre nós, e nos esquecemos de ocupar as lacunas que a direita criou nas ultimas décadas, em alguns casos, setores de esquerda até marcharam com a direita, como foi o caso das “marchas dos idiotas”, conhecido como “jornadas de junho”. Vimos inclusive intelectuais de esquerda participando e dirigindo aqueles movimentos golpistas. Este é o resultado de quando se perde totalmente o trem da história e deixa as paixões se sobrepor a razão.
É hora de revermos nossa atuação política, parar, procurar discutir o momento histórico e buscar nos adequar aos novos ventos deste novo “bloco histórico”. Temos vidas para salvar, temos um mundo para transformar e cuidar, e precisamos está alertas para as armadilhas que a história nos impôs nas três ultimas décadas, caso contrario, não conseguiremos dar continuidade aos nossos sonhos de uma sociedade mais fraterna, mais humanizada e muito mais igualitária.

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