segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Conselho de Leigos e Leigas de Vitória da Conquista Celebra Dia de Cristo Rei em Encontro Arquidiocesano.

Vitória da Conquista, [27/11/2023] - Sob o calor acolhedor do sol do sudoeste baiano, mais de 40 representantes das entidades membros do CNLB dos Vicariatos da Arquidiocese de Vitória da Conquista se reuniram na manhã do último sábado, dia 25 de novembro. A Paróquia São Miguel - Alto Maron acolheu o *encontro para celebrar o Dia de Cristo Rei, uma data especial dedicada aos Cristãos Leigos e Leigas no Brasil.*

Marcelo Neves Costa, presidente do Conselho, destacou a importância do protagonismo dos leigos na construção do Reino de Deus nas estruturas sociais. "Nosso encontro não é apenas uma reunião. É um movimento, uma voz coletiva que ecoa as aspirações dos leigos e leigas desta Arquidiocese", afirmou Costa.


A manhã foi repleta de diálogos colorosos e participativos, começando pela relação da verdeira escuta, profecia e sinodalidade. Os participantes compartilharam ideias, vivencias e formação na caminhada sobre como os princípios cristãos podem ser aplicados na sociedade, guiando a construção de uma consciência critica para uma fé madura, corresponsável e comprometida com a justiça social.

A sinodalidade também esteve no centro das discussões, ressaltando a importância da participação ativa de todos no apontamente de caminhos a seguir para o próximo ano. *"Queremos uma igreja onde cada voz seja ouvida, onde todos contribuam para o desenvolvimento da comunidade"*, disse Costa, enfatizando a busca por uma sinodalidade mais profunda e participativa. Refletindo sobre as questões que refletem a conjutura estrutural e eclesial nos dias atuais e perspectivas para o futuro: *Sinodalidade, Fé e Política, Reorganizaão de uma Igreja Pastoral e Comunitária.*

Protagonismo do Laicato: Exemplos Concretos de Transformação

O Encontro foi de compartilhamento de exemplos inspiradores protagonizados pelo laicato, projetos e ações que impactam positivamente a vida das pessoas e contribuindo para a construção da ação pastoral e evangelizadora no contexto atual, como o Caderno Encantar a Política, o Grito dos Excluídos e as Escolas de Formação como ações consolidados historicamente na Arquidiocese que comemora seus 70 anos de criação . "O protagonismo do laicato não é apenas um conceito teórico, mas uma realidade viva e atuante em nossa comunidade" concretizada por meio do serviço nas pastorais sociais e demais serviços da ação missionária dos leigos e leigas. A propósito do aniversário *o CNLB se prepara tambem para comemorar o seu Jubileu no ano de 2025, que fará 50 de criação no Brasil.*

#CristoReiVDC #LaicatoEmAção #EncontroLeigosVDC #VitoriaDaConquista

domingo, 17 de setembro de 2023

PORQUE MUDEI MEU OLHAR SOBRE FUTEBOL

POR PROFESSOR JOÃO PAULO

Um debate ainda imerso em preconceitos, que se dar nos meios acadêmicos e na esquerda brasileira, espaços que respiram conhecimento filosófico e científico, numa sociedade do senso comum, devemos ou não devemos falar sobre futebol. Afinal, futebol é uma das principais ferramentas na formação de uma cultura de massas burguesa e nesta condição de ferramenta é muito utilizado para aguçar o senso comum e alienar o povo de sua condições objetivas reais, neste sentido, o futebol é tratado como "ópio do povo" e realmente é mesmo.
No filme Batismo de Sangue do diretor Helvécio Hatton, há uma sena simbólica, no momento em que "Frei Betto", o personagem, está fugindo do DOOPs, no Rio Grande do Sul, ele entra em um boteco, o jornal da uma notícia extraordinária na TV, sobre a morte de Carlos Marighela, revolucionário líder da ALN, as pessoas comuns no boteco, olham a TV, ouve a notícia, e uns caras na mesa, viram um para o outro e diz "você viu o chutaço de Rivelino? Hoje não tem o milésimo gol de Pelé", certamente estavam jogando Corinthias X Santos. Frei Betto olha como se dissesse, é por isso que eu estou fugindo? É por isso que eu estou correndo o risco de ser morto?
Seja em qualquer boteco de esquina ou mesmo nas igrejas pentecostais ou neopetencostais, espaços consolidados como os de mais rasos senso comum, o futebol é sempre um tema da moda, tem sempre alguém falando sobre futebol, de forma rasa, fluida e superficial, bem na lógica do torcedor apaixonado, incapaz de fazer uma leitura crítica sobre o tema, principalmente quando se trata de Flamengo, Corinthias e Bahia. 
Estes três clubes do futebol brasileiro que durante os anos 80 do século passado foram eleitos os clubes da "moda" pela grande mídia burguesa, Flamengo e Corinthians numa escala nacional e o Bahia, mais restrito ao estado da Bahia, pessoa sem muita capacidade de formular para além do senso comum se tornaram torcedores destes clubes, afinal, havia por parte da grande mídia, em especial a Rede Globo de Rádio e TV uma cobertura excessiva a estes clubes, em detrimento dos demais, fato que deixou de ocorrer em relação aos dois últimos mencionados, mas que persiste acontecendo em relação ao primeiro, e ao que me parece seus torcedores ainda não se deram conta de que são massa de manobra da Rede Globo, claro que não estou sendo generalista, mais que 70% dos flamenguistas, são completamente alienados, quando a questão é o amor pelo clube, na atual conjuntura não é mais um privilégio dos flamenguistas a alienação. A alienação dos torcedores hoje é algo natural, alienação em relação ao futebol, e alienação em relação à todo o resto do mundo, mais esta situação é perdoável, dado o processo de dominação da ideologia burguesa sobre a sociedade neste momento da história. 
Nos meios acadêmicos e na intelectualidade de esquerda, falar de futebol ainda é um Tabu, ainda há muita resistência em se discuti o tema. Para mim, até bem pouco tempo, me parecia inconcebível discuti futebol sem me opor a tudo que está sendo proposto para o esporte, com uma racionalidade política ideológica, mais muito fundamentado nesta perspectiva das esquerdas de que futebol, assim como a religião é o "ópio do povo". O que também não está errado, mais acho que hoje esta análise deve ser ampliada, a partir de um olhar holístico. 
Desde a copa do mundo de 1990 deixei de torcer para a seleção brasileira, quando comecei a perceber que a CBF, a FIFA e todas as federações de futebol do mundo combinavam os resultados da competição a partir dos interesses econômicos em disputa. E perdi a paixão pelo meu clube do coração, quando descobrir que o futebol assim como qualquer outra coisa no planeta estava e continua, a serviço do grande capital especulativo. 
Mas, desde que comecei a fazer algumas leituras sobre cultura, tendo como base pensadores da chamada Escola de Frankfurt e ler o intelectual e militante Italiano Antônio Gramsci, passei a olhar o futebol por outros prismas. Claro que mantenho meu olhar crítico sobre o processo de "coisificação" do futebol e manterei isto para sempre, e não só em relação ao futebol, mas, em relação à tudo que o capitalismo tem coisificado nos últimos 100 anos. Contra o capitalismo toda a minha capacidade de formulação e práxis militante. 
Mais em decorrência destas minhas releituras políticas, entendi que não há como perder em perspectiva que o futebol é parte fundamental da cultura popular brasileira, exatamente no momento em que a burguesia utilizou o futebol como um argumento burro, mais que conquistou milhões de brasileiros e brasileiras para sua causa. O discurso imbecil de que "o governo Brasileiro havia gastado recursos públicos da saúde e educação para fazer estádios para a copa do mundo de 2014 no Brasil", discurso que comprou inclusive profissionais da educação em todo o pais. Lembro-me que cheguei na escola que trabalhava e um colega de história tinha feito um trabalho com seus educandos sobre os gastos do governo com a copa do mundo e que estes recursos eram da educação e saúde, uma discussão pobre, rasa, sem aprofundamento teórico algum, faltando completamente com a verdade. Ali percebi que não dava mais para negligenciar este debate importante para ao menos 60% da população do país.
Meu processo de superação dos meus preconceitos e meu desprendimento dos conceitos radicalizados que construir ao longo dos meus 40 anos de militância orgânica na esquerda tem sido lento, confesso. Moço como foi difícil torcer para a seleção brasileira na última copa do mundo, até porque pense em um time ruim, mal convocado, mal treinado, mau escalado e sem nenhuma compreensão de futebol como esporte coletivo, e pior sem representar uma expressão importante da formação cultural do povo brasileiro. Mas, me esforcei para superar a minha radicalidade e racionalidade naquele momento e até arrisquei vibrar com alguns gols da seleção.
Vocês não sabem como foi difícil ver um jogador com talento para ser um ponta, um bom atacante até, usando a camisa 10 da seleção, que já foi de Pelé, Rivelino, Zico, e sendo utilizado como jogador de criação pelo meio, sem nenhum cacoête para exercer aquela função no jogo. Para alguém como eu que realmente conheço o esporte, é uma tortura psicológica muito grande. 
Mais nestas minhas novas leituras sobre cultura popular e suas importantes implicações para a luta revolucionária, tenho aberto concessões e voltado a discuti futebol, confesso que hoje a tarefa de discutir futebol é muito mais complexa do que era nos anos 80 e 90 do século passado. Estas novas gerações desconhecem, muito forte, o esporte e as referências que têm são bem abaixo da média. Aí o MESSI se tornou a maior referência de futebol para essa turma. Eu também acho que este atleta é o melhor do mundo dos últimos 20 anos ao menos, mais conheci em ordem cronológica Juninho Pernambucano, Edmundo, Romário, Roger Milla, Rivelino, Reinaldo, Zico, Roberto Dinamite, Falcão, Sócrates, Michel Platini, Lothar Mathäus, Maradona, e mais uma infinidades de grandes jogadores e não dá para medir o futebol com a mesma régua destas gerações de um pouco mais de 30 anos. 
Entretanto, hoje compreendo a necessidade de se fazer este debate em todos os espaços sabendo que o futebol é uma das maiores expressões da cultura popular brasileira. Dificilmente nos depararemos como uma pessoa que realmente não goste de futebol no país, certamente temos um pequeno grupo, mais a maioria da população curti assistir a uma partida de futebol. 
Neste sentido é preciso ressignificar o esporte e colocá-lo na condição de cultura popular. 
Nós últimos 30 anos o futebol mundial passou por transformações políticas muito grande. Primeiro o fato de ter se tornado uma máquina de fazer dinheiro. O esporte perdeu sua ludicidade e foi transformado em um produto extremamente lucrativo para um grupo específico e pequeno de pessoas, que investem muito dinheiro no futebol e extraem lucros estratoféricos do esporte. 
Em segundo lugar a Europa, exatamente por ter investidores que aportam grandes somas no futebol, promoveu uma recolonização do restante do mundo via futebol. O padrão adotado pelos europeus para a prática do esporte se tornou o padrão adotado pelo mundo, inclusive pelo Brasil,Argentina e Uruguai, que durante muito tempo foram espelhos, escolas, para o futebol mundial.
Em terceiro lugar é preciso devolver ao futebol o seu caráter lúdico, não dar para continuarmos tratando o esporte de forma profissional de mais, e meramente comercial como acontece agora, pois, este processo tem tirado o brilho, a essência do esporte, profissionalizando até mesmo a forma de torcer para os clubes do coração, criando verdadeiras associações de torcedores que em muitos casos se confundem com guangues e até milícias armadas dispostas a qualquer coisa para ver seu clube vencedor. O torcedor comum, os clãs de torcedores, estão gradualmente perdendo espaços para estas "torcidas organizadas". Tem até algumas que deram respostas positivas na luta contra o fascismo nestes últimos anos no país, mais na maioria são violentas e tratam de forma perigosa a relação de paixão pelo clube que torce. 
E por fim, mas, com a mesma importância, o menino "craque", que aprende a jogar futebol no meio das ruas, nos campinhos de várzea, nos "babas ou peladas" de final de semana ou depois das aulas, estão desaparecendo e sem espaços para progredir na carreira, hoje os jogadores surgem nas "escolinhas" de futebol que são pequenas e médias empresas com o objetivo de lucro. 
Tudo isto nos lava a crer que é preciso se discuti futebol também nos espaços acadêmicos, no meio da intelectualidade de esquerda e ressignificar o esporte, dar a este esporte e a outros que também passaram por este processo de profissionalização e mercantilizacão neoliberal ou ultraliberal que tem dominado as relações do futebol na atualidade, a possibilidade de se tornar um meio factível para que todos tenham os mesmos direitos sejam ricos, de classe media ou pobres e as mesmas oportunidades de fazerem carreira profissional. 
Estas relações comerciais e agora tocadas pelo capitalismo especulativo financeiro, que na maioria das vezes são nocivas ao esporte, mesmo quando dá certo, como é o caso da SAF BOTAFOGO, que até este momento tem sido sucesso, mais perdeu a essência, a condição de Clube de Futebol, precisam serem humanizadas.
Será ótimo para o torcedor se o SAF Botafogo Futebol de Regatas sagrace campeão brasileiro neste ano, mas, certamente não será como o título de 1995, onde o time foi campeão brasileiro com jogadores contratados com muitas dificuldades, sem nenhuma credibilidade, deram a volta por cima, e que depois em sua maioria se tornaram apaixonados pelo clube. Agora já terminaremos o campeonato, independente do resultado com grande parte dos atletas, estes já vitoriosos, a caminho de outras empresas espalhadas pelo mundo. 
É para resgatar esta paixão, o amor pelo clube do coração, a alegria do torcedor de ver seus ídolos por duas, três, temporadas em seu clube que precisamos ressignificar o futebol. É para que novos Guarrinchas, Pelés, Didis, Jairzinhos, Helonos de Freitas, Túlios Maravilhas, possam surgir a partir da "pelada, dos babinhas" das ruas, que temos que discutir e ressignificar o futebol. 
É para que tenhamos de volta o jeito brasileiro de se jogar futebol, com nossa ginga, com nossos dribles, com nossa alegria e felicidade de brincar com a bola no pé, que precisamos voltar a discutir e falar de futebol como uma das maiores expressões da cultura popular brasileira. Para que em um futuro próximo, não tenhamos tantos jovens usando camisas de "clubes empresas europeus", desfilando pelas ruas de nossas cidades.

domingo, 27 de agosto de 2023

LENDO CENÁRIOS POLÍTICOS E ECONÔMICOS


POR PROFESSOR JOÃO PAULO (*)

Mais uma vez tivemos a cúpula do BRICS, em um momento em que a hegemonia econômica norte-americana começa a ser colocada em xeque pelos países emergentes e pelas grandes economias do hemisfério sul do planeta. Neste grande encontro o BRICS definiu por fazer uma ampliação do bloco econômico e trazer mais seis países para a composição deste bloco. Países que contemplam o continente Africano, Oriente Médio, América do Sul e Ásia Oriental, com diferentes culturas, modelos de gestão do Estado, alguns com muito dinheiro, outros nem tanto, mas, o BRICS está crescendo e se transformando em um fantasma a perseguir os países de ponta da economia capitalista mundial. 
Primeiro é preciso ter claro que não há nada de revolucionário à esquerda, na construção do BRICS e deste mundo multipolar. É uma ação econômica e política no campo da geopolítica mundial, mas, que não tem em perspectiva a superação do modo de produção capitalista, ao contrário, é uma luta dos mercados emergentes pela conquista de espaço no mercado mundial capitalista. Se esta ação pode levar à superação deste modelo de desenvolvimento de caráter liberal burguês, e caminhar para um novo modelo de desenvolvimento econômico, político e social, a história irá dizer. Mas, a proposta neste momento é de disputar o mercado e buscar a humanização do modo de produção vigente, através do emprego de novas relações políticas, mais solidárias e fraternas do que as práticadas pelo G7 e o FMI.

Depois é importante deixar claro que a política externa do governo Lula está no caminho certo para o país, para o povo brasileiro e para a construção do mundo multipolar. Para ter essa certeza, é só observar o quanto a grande mídia burguesa está incomodada com os movimentos políticos do Presidente e do Itamarati. 

Os caras das grandes mídias corporativistas estão diuturnamente tecendo críticas às posições do governo nessa nova conjuntura internacional. O fato do Brasil estar na linha de frente desta multipolaridade, e isso coloca em xeque o poder do "império norte-americano" sobre a América Latina e o sul global, deixa essa burguesia subserviente e sabuja deste país, aterrorizada. Mas isso não afeta somente a burguesia brasileira, o comandante geral da OTAN, já postou em suas redes sociais, uma mensagem defendendo a invasão e divisão do país em quatro países, com mapa e tudo mais desenhado, caso o país persista nesta política externa agressiva rumo à sua independência. Imaginem se um cara deste tem algum escrúpulo na hora de defender o seu chefe, o imperialismo norte-americano. Certamente a posição geopolítica do Brasil está incomodando muito a burguesia financeira do mundo.

A verdade é que a burguesia dirigente mundial está apavorada com a perspectiva de perder e a hegemonia sobre o planeta.

O BRICS já é uma realidade. A ida da companheira Dilma para direção do Banco do BRICS foi uma cartada de mestre do companheiro Lula. A esquerda ainda não entendeu o jogo, normal, sempre demora um pouco até cair a ficha, mas a direita já, e sabe que o país pode e certamente vai, caminhar rumo à sua autonomia financeira, soberania nacional e independência no xadrez geopolítico, tanto em relação aos EUA, quanto em relação à China, e percebe, mesmo em médio prazo, que o Brasil avança na direção de se tornar uma potência global, e que com isso a classe que vive do trabalho vai definitivamente deixar as muitas "senzalas" mantidas a ferro e fogo por esta burguesia atrasada e sabuja deste país.

Tudo me levar a crer nesta perspectiva, os acontecimentos tem me mostrado com clareza, que caminhamos para uma nova era em nossa história. Se tudo ocorrer como pretende o Partido dos Trabalhadores e Trabalhadoras, o futuro nos revelará agradáveis surpresas em médio prazo.

(*) O professor João Paulo Pereira, é historiador e servidor aposentado da rede de educação do Estado da Bahia, tendo atuado como diretor e professor do ensino fundamental e médio na cidade de Vitória da Conquista - Ba.

quinta-feira, 24 de agosto de 2023

CAPITALISMO E DEMOCRACIA? NÃO COMBINAM!

POR PROFESSOR JOÃO PAULO 

O modo de produção capitalista se orgulha de ter introduzido no mundo o regime "democrático", principalmente no mundo ocidental, onde se localiza a maioria das potências capitalistas do planeta. Em quase todo o ocidente, a república Iluminista prevalece como modelo de gestão do Estado burguês dominante, seja em um modelo presidencialista ou parlamentarista, o que é comum, é o modelo pensado pelos Iluministas do século XVIII, a divisão do Estado em três poderes, Executivo, Legislativo, Judiciário, o sufrágio universal, e o Liberalismo como ferramenta para a gestão econômica do Estado.
O Estado no ocidente em quase todos os países, está sob a égide da classe dirigente do capitalismo, a burguesia, e esta turma se utiliza do Estado para se manter no controle de todas as ações políticas em seus países e no mundo. Neste mundo capitalista o Estado funciona como o "cofrinho" da burguesia, todas as vezes que esta burguesia precisa de dinheiro para ampliar seus lucros e manter a reprodução e acumulação de riquezas, recorrem ao seu "Estado/cofrinho" para recapitalizar o mercado. 
A burguesia é "proprietária" do Estado Liberal burguês, desde a "era das revoluções burguesas" hegemonizaram a sociedade a partir da Europa e Estados Unidos, e fazem do Estado o que bem entendem, usam o Estado em benefício próprio.É por isso que a burguesia briga tanto para não perder a direção do Estado, é por isso que são capazes de qualquer coisa para continuar com o Estado em suas mãos. 
Aqui no Brasil, nós passamos por eventos históricos importantes nos últimos treze anos, claro que estes eventos começaram bem antes, mas, vou definir aqui os últimos treze anos como delimitação de tempo para analisarmos neste ensaio, avalio que é o tempo histórico necessário para que qualquer pessoa que ler o texto entenda a ideia de democracia imposta pela burguesia ao mundo. 
Desde a eleição da companheira Dilma para a presidência da República, que a burguesia brasileira acirrou a oposição ao PT e o fez de forma tão radicalizada, ao ponto de promoverem um golpe de Estado para derrubar o PT e à presidenta Dilma caso ela fosse reeleita. E o pior que conseguiram, em um processo de Lawfare (guerra jurídica), o maior já usado contra um partido político na América Latina, o golpe se confirmou em 2016 e 2018, com o falso impeachment e a ilegal prisão de Lula, respectivamente, que o impediu de disputar a eleição naquele ano. 
Mas, não vou me prender ao golpe, sobre ele já estou discutindo em um livro que estou me propondo a escrever e se Deus quiser publicá-lo. Vou direto para o assunto que é objeto de análise aqui, como funciona o Estado Burguês no que diz respeito à política e como o mito da democracia burguesa domina e determina o mundo. 
Como já introduzir acima, pegando aqui o caso do Brasil especificamente. Em qualquer processo eleitoral a burguesia vai disputar com uma candidatura própria, esta é uma condição natural para a classe social que tem a hegemonia do processo econômico, político e cultural de uma sociedade, e quando algo dá muito errado a ponto da burguesia não ter um nome para disputar o pleito eleitoral em condições de vencê-lo, ela dá um jeito, mas, sempre vão ter um candidato "pra chamar de seu". 
Nas duas últimas eleições para presidência da República no Brasil, 2018 e 2022, a burguesia não tinha um nome com condições reais de eleição para ser o seu representante. O processo do golpe deu tão ruim para a burguesia que destruiu muito mais os prováveis candidatos da direita tradicional, do que ao Partido dos Trabalhadores, apesar das muitas mentiras contadas pela grande mídia corporativa, que pertencem à burguesia, terem feito um estrago enorme no PT, foram os partidões tradicionais da burguesia quem mais perderam espaços políticos, aqui faço referências ao, PSDB, PMDB e DEMOCRATA. 
Diante do quadro de total inanição da direita tradicional do país, o jeito foi apelar para o palhaço fascista que despontava para o grande público, em função de sua falas com viés fascistas e agressivas, mas, que repercutiam com força nas camadas mais bestializadas e brutalizadas da sociedade brasileira.
Apoiaram o Bolsonaro. Claro que o apoio a este cara nunca foi a primeira opção para a burguesia, mas, se não tinha outro, vai tu mesmo! Foi deste jeito que o fascista, miliciano, batedor de carteira, emergiu do esgoto da história e chegou à direção do Estado Brasileiro. 
É evidente que a burguesia sabia que o "energumeno" não tinha nenhuma possibilidade real de fazer uma boa gestão do Estado, mas, na falta de alternativas, embarcaram nesta aventura desastrosa para a população e para o país. Mais isso não importa muito à burguesia, desde que o Estado sirva para o fim único, criar as condições objetivas para que eles continuem acumulando dinheiro, e para isto, plantaram o Paulo Guedes ao lado do "entulho" que apoiaram. 
Outra questão que precisa ser lembrada é que havia um tendência mundial, e ainda há junto à burguesia financeira, em dobrar a apostar no fascismo, com viés ultraliberal, como alternativa política e econômica, vamos lembrar que Boris Johnson foi primeiro ministro na Inglaterra e afundou o país. Nos Estados Unidos o Donald Trump foi eleito presidente e o país teve um destino trágico sob a gestão  Trumpista. 
Na Ucrânia foi eleito um palhaço fascista a presidência do país, um ultraliberal, e o resultado está aí para todo mundo ver. E aqui no Brasil a burguesia só teve como opção o fascistoide miliciano, batedor de carteira, que certamente será preso. E por fim, a Argentina está preste a mergulhar em uma aventura irresponsável, elegendo um palhaço fascista, ultraliberal e com um cabelo mais escroto, do que o Boris Johnson, para presidente, um deputado de nome Javier Milei, o que certamente vai terminar de destruir a já fragilizada economia do país. 
O fascismo sempre é uma opção para a burguesia, sobretudo, em momentos de crises estruturais da economia capitalista, como esta que estamos vivendo há três décadas. Foi assim que figuras perversas como Mussolini, Hitler, Franco, Salazar e Hirohito, chegaram ao poder na Europa e no Japão, no início do século passado.
Importante ressaltar que todos estes líderes fascistas contaram com apoio irrestrito da burguesia. O fascismo sempre andou lado a lado com o capital privado, era patrocinado por grandes empresas capitalistas de todo o mundo. 
Neste novo momento o fascismo vem alinhado a uma política econômica ultraliberal, que pretende reduzir ao extremo o tamanho do Estado, deixando apenas o que serve do Estado para capitalizar o mercado em momentos de retração econômica. Este modelo tentou ser posto em prática no Brasil de Bolsonaro através do Paulo Guedes, mas, não tiveram competência para fazer da certo, o que foi muito bom para nós, classe que vive do trabalho, senão teríamos todos nós sidos empurrados para a pobreza extrema, como já estávamos a caminho. 
Quando afirmo acima, que o Bolsonaro pode ser preso, é porque todas as vezes que a burguesia comete um erro estratégico ela mesma se incumbe de fazer a limpeza. Olhe o destino de Trump, do Boris Johnson, os dois entulhos foram varridos para fora o processo. O Trump ainda goza de algum respaldo político, pois, as leis norte-americanas, aparentemente são mais brandas do que aqui no Brasil e permite que um cara que comandou uma tentativa de golpe, ainda possa disputar o processo eleitoral. 
Mas, o entulho daqui muito provavelmente será banido do processo político, já está inelegível e falta pouco para ser preso, assim espero, não pelo roubo das joias, mas, gostaria que fosse responsabilizado, pelas quatrocentas mil mortes durante a pandemia da covid 19, a história dirá se estou certo nesta avaliação.
A burguesia se reivindica a responsável pela belíssima "democracia ocidental", entretanto, está sempre recorrendo a figuras autoritárias e totalitárias para atingir os fins que servem à sua classe social. Este conceito de democracia que temos hoje é meramente ideológico, aceitamos a democracia burguesa como parâmetro para julgar o mundo, porque só conhecemos este modelo. Desta forma somos levados a crer que qualquer coisa diferente disto que está posto aqui, é uma ruptura com o "Estado de Direito". Mais a pergunta é, quem estabeleceu que a "democracia burguesa é o único, ou o melhor modelo de democracia no mundo? Claro, foi a própria burguesia que nos disse isto no momento em que hegemonizou a sociedade e determinou sua cultura como verdade absoluta.
Não dá para definir que o mundo ocidental aonde foi posta em prática a democracia liberal burguesa, seja um exemplo de democracia para nenhum país do mundo. Democracia etimologicamente significa "governo do povo", e isto ainda não foi conquistado por nenhum país do planeta Terra em nenhum momento histórico. É este governo do povo que nós que militamos na esquerda queremos conquistar, lutamos para conquistar. 
Uma tarefa que ainda estamos distantes de realizar, mas, temos que continuar tentando, afinal, usando uma categoria marxista leninista, somos a "vanguarda do proletariado", e precisamos persistir na ideia de um dia superarmos em definitivo a democracia liberal burguesa e conquistar uma democracia plena, onde definitivamente um governo eleito pelo povo, não precisará mais abrir mão de seus projetos e princípios, para fazer o jogo da classe dirigente e conseguir aprovar um terço das demandas populares, como está acontecendo agora com o governo Lula neste primeiro ano de mandato. 
É fundamental que continuemos construindo a luta até que tenhamos a hegemonia da "sociedade civil", o que certamente nos dará forças suficientes para conquistarmos em definitivo a "sociedade política", e instaurar a verdadeira democracia em todo o país. 
Capitalismo e democracia são antônimos, são palavras antagônicas. Neste sistema político é impossível haver democracia já que neste modo de produção, 1% da população mundial detém 82% das riquezas que circulam no mundo, sobrando apenas 28% para ser dividido para 99% da população mundial. Não há como colocar numa mesma frase democracia e capitalismo de forma positiva.

quarta-feira, 21 de junho de 2023

OS CONTRASSENSOS DA ATUAL ADMINISTRAÇÃO DA CIDADE

Pro Carlos Ribeiro(*)

A atual administração pública municipal de Vitória da Conquista demonstra total desmazelo para com o ente público, pois há sete anos vem endividando o erário público com dívidas astronômicas e com um discurso de que tem que fazer investimentos na infraestrutura do município. No entanto, algumas questões necessitam ser postas:


Primeiro: Os empréstimos sempre são contraídos nas vésperas das eleições. Como uma administração que não consegue gerir a máquina pública municipal na execução de serviços públicos corriqueiros, como troca de lâmpadas dos postes, podas de árvores e gestão adequada dos postos de saúde, vai efetivamente gerir esses recursos com equidade e transparência?

Segundo: Existem obras que, desde o governo do prefeito Guilherme Menezes, não foram concluídas, como a Avenida Perimetral. Recursos suficientes foram deixados para sua conclusão, mas não foram executados. A ineficiência no gasto da gestão com recursos fica evidente em obras que foram feitas às pressas em véspera de eleições e que hoje se mostram um desastre, como a Avenida H no Loteamento Conveima I. Foram gastos milhões de reais, apenas como exemplo.

Terceiro: Um ente público que tem um orçamento do tamanho que tem o município de Vitória da Conquista, que chega à casa de mais de 1 bilhão de reais, necessita de tantos empréstimos para realizar obras de infraestrutura? Já que o ex-prefeito Guilherme Menezes provou que se pode fazer obras importantes e com excelência de qualidade com recursos públicos próprios.

Quarto: A atual gestão criou uma grande quantidade de cargos de livre nomeação (políticos). Só em um projeto enviado à Câmara de vereadores, foram criados mais de 40 cargos de confiança, elevando os gastos com pessoal em mais de 4 milhões de reais por ano. Isso sem mencionar outros cargos comissionados na administração pública municipal. Tais ações parecem ter como objetivo apenas contemplar apadrinhados políticos.

Quinto: Será que a novela de que estão contemplando a necessidade de loteamentos sem asfalto é verdade? Pois os últimos empréstimos mostraram que as obras que foram "realizadas" só geraram dor de cabeça para a população e não demonstraram qualidade técnica suficiente para durar 20 anos ou mais.

Sexto: Ao ritmo que a prefeita e sua ineficiente administração vêm empreendendo a máquina pública municipal, é sustentável do ponto de vista financeiro-orçamentário? Hoje, a dívida pública municipal está consolidada em R$312.493.280,72, somando-se ao montante do empréstimo internacional de US$72.000.000,00, que nos valores atuais equivalem a pouco mais de R$345.000.000,00, mais os R$160.000.000 que serão obtidos no FINISA III junto à Caixa Econômica Federal, perfazendo um total de pouco mais de R$818.093.280,72, com a observação de que, sendo o empréstimo internacional em dólar, a variação é constante, dependendo da cotação atual que está neste momento, em 15 de Junho de 2023, a R$4,80.

Sétimo: Neste ritmo de endividamento, qualquer choque na economia doméstica do país por fatores externos e internos de instabilidade deixa a prefeitura em maus lençóis, pois o município, apesar de ter capacidade de endividamento, não significa que a atual gestão pública pode tomar empréstimos a toque de caixa, pois pode interferir no custeio da máquina, como pagamento da folha salarial, fornecedores e despesas básicas.

Oitavo: Há um costume da atual administração municipal de "licitações" que é uma verdadeira farra, com várias dispensas de licitações, como no atual transporte público municipal e contratação de consultorias.

A conclusão a que chegamos é que a atual administração pública municipal demonstra total inoperância administrativa e vai comprometer o futuro da cidade com tanto endividamento que vem buscando, pois as próximas administrações que virão terão um passivo enorme para quitar e inviabilizam projetos futuros, que a cidade tanto necessita para o seu desenvolvimento econômico e social da cidade e da região. Deixamos claro que não somos contra investimentos, desde que sejam feitos com responsabilidade e equidade.

A situação financeira de um município pode se tornar problemática se não forem tomadas medidas adequadas para gerenciar o endividamento. Embora a capacidade de endividamento permita que os municípios contraiam dívidas dentro de certos limites, é essencial considerar alguns pontos para evitar problemas financeiros futuros:

Capacidade de pagamento: É fundamental avaliar a capacidade do município de arcar com o serviço da dívida, ou seja, o pagamento dos juros e amortizações. Caso o endividamento comprometa uma parcela significativa da receita do município, isso pode afetar a capacidade de cumprir com as obrigações financeiras e gerar problemas de liquidez.

Sustentabilidade fiscal: O endividamento deve estar alinhado com a capacidade de geração de receitas do município. É importante analisar a trajetória da Receita Corrente Líquida (RCL) ao longo dos anos e considerar possíveis variações e flutuações que possam afetar a capacidade de pagamento da dívida.

Planejamento financeiro: Um bom planejamento financeiro é essencial para evitar problemas. É importante estabelecer metas de redução da dívida, estipular prazos realistas para sua amortização e buscar alternativas de captação de recursos que sejam sustentáveis e adequadas à situação financeira do município.

Monitoramento constante: É necessário acompanhar regularmente a evolução da dívida, a capacidade de pagamento e o impacto do endividamento sobre o orçamento do município. Isso permite identificar problemas potenciais com antecedência e adotar medidas corretivas caso necessário.

Portanto, embora a capacidade de endividamento proporcione certa flexibilidade financeira aos municípios, é importante utilizá-la com responsabilidade e considerar os riscos e impactos a longo prazo. O planejamento adequado, o controle financeiro e a análise constante são cruciais para evitar problemas financeiros e garantir a sustentabilidade fiscal do município.

 

O endividamento excessivo e a falta de transparência na gestão dos recursos públicos são questões sérias que podem comprometer o desenvolvimento econômico e social do município, pois:

Empréstimos e má gestão: É preocupante que os empréstimos sejam contraídos nas vésperas das eleições, levantando dúvidas sobre a utilização adequada desses recursos. A administração pública municipal deve priorizar a prestação de serviços básicos à população e garantir a transparência na gestão dos recursos.

Obras inacabadas e ineficiência nos gastos: A falta de conclusão de obras iniciadas em gestões anteriores e a realização de obras mal executadas levantam questionamentos sobre a eficiência na aplicação dos recursos públicos. É essencial que os investimentos sejam feitos de maneira planejada, visando à qualidade e à durabilidade das obras.

Necessidade de empréstimos: Se o município possui um orçamento considerável, é legítimo questionar a necessidade de tantos empréstimos para obras de infraestrutura. A gestão anterior demonstrou que é possível realizar obras importantes com recursos próprios. É importante avaliar se os empréstimos são realmente necessários e se há alternativas viáveis de financiamento.

Cargos de livre nomeação e gastos com pessoal: A criação excessiva de cargos de confiança e o alto gasto com pessoal podem comprometer o equilíbrio das contas públicas. É fundamental garantir que os cargos sejam preenchidos de maneira transparente e que as despesas com pessoal estejam dentro dos limites estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Qualidade das obras e investimentos: A qualidade técnica das obras é essencial para garantir sua durabilidade e evitar gastos futuros com reparos e manutenção. É necessário assegurar que as obras sejam realizadas com padrões adequados de qualidade, visando ao benefício da população a longo prazo.

Sustentabilidade financeira: O endividamento excessivo pode trazer riscos para a sustentabilidade financeira do município, especialmente diante de instabilidades econômicas. É importante que a administração municipal monitore constantemente a situação financeira, buscando medidas para garantir o equilíbrio orçamentário e evitar impactos negativos no pagamento de salários e fornecedores.

Dispensas de licitação: A realização frequente de dispensas de licitações deve ser avaliada com cautela, já que a licitação é um processo importante para garantir a concorrência e a transparência nas contratações públicas. É necessário assegurar que as dispensas estejam de acordo com a legislação e sejam justificadas devidamente.

É fundamental que a sociedade exerça seu papel de fiscalização e cobre transparência, eficiência e responsabilidade na gestão dos recursos públicos. As próximas administrações terão o desafio de lidar com o endividamento e buscar soluções para garantir o desenvolvimento sustentável do município.

(*) O professor Carlos Ribeiro, memdo do MCOESO, é graduado em História e tem formaçao técnica em Edificações, tendo atuado na Secretariade Obras do Município de Vitoria da Conquista, atualmente estuda Filosofia na PUC-RJ e faz assesoria parlamentar em Vitoria da Conquista. Estudioso atendo das questões do município tem vasta experiencia na gestão municipal de Vitoria da Conquista.

A CULTURA DO ÓDIO CEIFANDO VIDAS NO BRASIL

Professor Gabriel Azevedo Costa Lima(*)

Viemos de uma história de povo em que se naturalizou numa mão um terço, na outra o chicote. De um lado senhoras, senhorinhas, matronas, com golas altas, espartilhos de controle de seus corpos e vontades, de outro lado, a permissividade masculina em ter quantas mulheres quisesse e se deitar  com suas escravas, as quais não teriam sequer escolha. 

Os mestiços, nascidos daí, pertencentes a essa "zona cinza", a depender do acento de seu matiz na pele, ocupariam essa ou aquela função entre a senzala e a casa grande, mas, não sendo de nenhuma delas. Uma posição de opressão traidora de uns e de fascínio, emudecido, frustrado, com os afagos do pai branco nunca realizado, sem acesso aos lençóis limpos e bem passados da casa grande. Esse quadro de imagens fortes, desenhadas pela obra de Gilberto Freire, trata, ainda, em muito, da estrutura simbólica das relações de poder no nosso país.

Um povo que, embora em muito resista e também supera, uma parte, foi socializado para trair os desafortunados e perseguir, babar, os valores da elite bem nascida, "sortuda", opressora. Dai nossa síndrome de vira-lata...

Quantas vezes ouvi, "Frequento tal Centro, só tem doutor, gente fina..."

Bom nada contra os doutores, ainda mais os de ciências, precisamos deles e de sua multiplicação para democratizar seus serviços, isso é louvável. Mas falo de perversão, de sibmissão de classe, de complexo de inferioridade barra pesada. Tão barra pesada que não é incomun a vítima adotar toda visão de mundo da "casta superior" sem sequer ser vista por esta de modo minimamente humano.

O Brasil pós 2018 catalizou, aglutinou esse contraste de modo gritante e inegável. As perversões são o resultado. Até o lado feio, perverso, do opressor de elite instituído é adotado nesse pacote social macabro. Haja vista, a importação da cultura de massacres nas escolas, que não nos pertencia, era sim um sintoma grave de deterioração de uma cultura capitalista/meritocrática nos Estados Unidos, tão cobiçados... Uma cultura do individualismo da unha grande, que vai numa peneira finíssima estabelecer os heróis e descartar os fracassados. Aí... tem hora que o fracassado, cheio de dor, com a mente turvada e sentimentos emaranhados, quer mostrar aos "vencedores", em sua concepção, quem é que manda.

Enquanto não implodirmos essa cultura perversa de vencedores e fracassados, leia-se opressores e oprimidos, só estaremos então a enxugar gelo...


 (*) Professor Gabriel Azevedo Costa Lima é membro do MCOESO e atua na Rede Estaudal de Educação em Vitoria da Conquista - BA.

quinta-feira, 1 de junho de 2023

UMA RÁPIDA ANALISE DE CONJUNTURA


Por Abbdu Abdulim


Não sei o que está se passando nas cabeças de setores da esquerda brasileira, mas, sei que não deve ser nada de muito produtivo. Estamos catatônicos diante de uma duríssima realidade. Todos os dias a direita consegue impor suas pautas no Congresso Nacional diante dos olhos inertes das organizações populares e ninguém se movimenta para organizar uma reação política nas ruas. Ao contrario, há setores que estão fazendo coro, fazendo ecoar exatamente o que a direita produz e coloca na boca de intelectuais de esquerda para atingir o governo Lula. Já sabia que a trégua seria só até derrotar o fascismo que ameaçava também a direita liberal brasileira, mas, acreditei que desta vez manteríamos uma frente de esquerda bem organizada e em estágio de mobilização cotidiano para apoiar o governo e não permitir uma ação tão eficiente das direitas no país contra o governo Lula três. Mas, ao contrario, estamos completamente desarticulados, completamente desorientados, assistindo sentados em nossos sofás a história passar pela janela de nossas casas.

A burguesia que também está dentro do governo orquestrou uma oposição estruturada por dentro do Congresso Nacional e estão executando com maestria o seu projeto. Os caras estão mexendo até na estrutura governamental, não há uma só proposta do governo enviada para o Legislativo que não tenha sido modificada em pontos importantes para o povo brasileiro. Com uma maioria absoluta na Câmara de Deputados o pilantra do Artur Lira, movimenta as peças do jogo ao seu bel prazer. Aí vejo aparecer em uma de nossas redes um militante, acredito do PSOL, para destruir toda a linha política que tem sido possível ser aprovada pelo governo, alguém que não está no fronte direto, que não conhece o funcionamento do Congresso, não sabe como está a correlação de forças, mas, se acha no direito de fazer críticas fortes contra o governo Lula, e chega a dizer que o governo Lula três acabou após ter feitos acordos com o Legislativo para passar alguns dos projetos do governo.

Será que eu fiquei moderado de mais com a idade? Ou será que esta turma não entendeu ainda o cenário político a que fomos submetidos? Porque eu tenho muito claro o que está acontecendo no Brasil e no mundo. Qual o governante de esquerda ou de centro-esquerda no mundo hoje está conseguindo governar com tranquilidade, sem sofrer um processo de perseguição constante da burguesia sobre seu governo? Em nenhum lugar, até a China tem sido importunada o tempo todo pela burguesia mundial capitaneada pelos Estados Unidos. Esta é tônica destas primeiras décadas do século XXI, a burguesia fortalecida, e agora ela não precisa mais de um Estado para se fortalecer, pois, o capital rentista esta internacionalizado, e os caras estão nadando de braçadas sobre uma classe que vive do trabalho, que a cada dia se torna mais vulnerável.

Os caras impediram a continuidade do fortalecimento e crescimento do BRICS, com muita facilidade, a partir de 2010, quando tentaram resolver a bolha que estourou com a quebra de três bancos de investimento mobiliário norte-americano em 2008. Os caras derrubaram vários governos com a chamada “primavera árabe” sem nenhuma resistência dos setores contrários ao capitalismo no mundo. O governante que conseguiu permanecer na direção do Estado está assistindo sem reação seu país afundar em uma guerra civil, que foi provocada pelo capitalismo imperialista, aqui falo sobre o caso da Síria, hoje uma terra arrasada por este capital rentista. Como foi fácil para o capital rentista impedir a continuidade do desenvolvimento do Brasil, minando o governo Dilma até que ela caísse, como foi fácil colocar a classe trabalhadora contra um governo que tirou o país do mapa da fome, que garantiu pleno emprego no país.

Como foi fácil para o capital rentista imperialista envolver a Rússia em um conflito internacional com o país vizinho e amigo, após terem derrubado o governante da Ucrânia e elegido um pau mandado para governar o país, e colocá-lo em linha de confronto com a Rússia. Esta guerra por mais que a gente tente negar, foi criada para enfraquecer as estruturas da Rússia e impedir uma aliança definitiva deste país com a China, o que certamente colocaria o capital rentista em cheque no mundo. Ao mesmo tempo, como está sendo fácil vender a narrativa para o mundo que a Rússia é o grande mal do mundo, e que precisa ser detida antes que provoque o apocalipse.

Agora os caras estão indo para cima da China, buscando envolver o país em um conflito com Taiwan, um conflito que só a China tem a perder, afinal, será mais um conflito envolvendo uma grande potência bélica contra um pequeno condado que só quer sua independência, apostar neste conflito é garantir que os olhos do mundo se voltem contra a China, caso ele aconteça de fato, será mais uma narrativa contra os adversários políticos e econômicos do capital rentista imperialista no mundo. 

A burguesia está jogando o jogo, jogando no ataque o tempo todo e nós, a classe que vive do trabalho estamos nas cordas. Vencemos uma eleição hiper difícil, tivemos que nos aliar com todo tipo de gente para vencer o fascismo no país, e agora a burguesia nos joga nas cordas e não temos forças para reagir, e o pior, além de estarmos recebendo os socos desferidos contra nós pela burguesia, quando tentamos reagir acertamos nosso próprio queixo. Estou utilizando destas metáforas para mostrar o quanto a esquerda está agindo de forma errada.

É momento de apoiar incondicionalmente o governo Lula, quem está em campo é Lula e seus ministros, quem está tomando os primeiros socos são eles e certamente eles sabem a gravidade das pancadas, e certamente estão traçando as melhores estratégias de defesa, cabe a nós ajudarmos estes caras a se defender, ao contrario, tem gente lutando ao lado da burguesia e usando o governo como saco de pancadas para afogar suas frustrações políticas.

Só pra fazer uma radiografia do cenário para os governantes de esquerda na América Latina e no mundo, já falei acima sobre a situação da China o país que mais cresce no mundo e que ameaça diretamente o poder do capital imperialista rentista, mesmo assim está sendo atacado o tempo todo, sem tréguas. A Índia completamente imerso nos problemas internos, após a vitória eleitoral da extrema-direita eleita com o apoio norte-americano e dos aliados da Europeus, que fez os problemas sociais seculares amplificarem no país, completamente fora do tabuleiro geopolítico mundial. 

No Chile o presidente Gabriel Boric, reservadas as críticas ideológicas à pessoa, mas, ele tentou aprovar da forma mais democrática possível uma nova Constituição para o país, através de um plebiscito popular e não conseguiu, o povo escolher ficar com a constituição constituída sob o governo de um dos mais sanguinários ditadores da história contemporânea. No dia 07/05/2023, o povo foi às urnas para eleger o conselho que será responsável pela elaboração de uma nova Constituição para o país, e elegeu com o maior numero de cadeiras a extrema-direita, com 22 acentos, a esquerda terá 17 acentos e a direita tradicional 11 acentos, imaginem este quadro.

No Peru o presidente eleito democraticamente Pedro Castilho desde que assumiu a cadeira não conseguiu governar, em um processo de Lawfare sucessivo que o impediu de governar o país, e veja que ele ainda contava com a organização da população descendente dos povos originários que foram as ruas para defender seu governo, mesmo assim, a burguesia o impediu de governar e ele tentou uma saída autoritária/popular, já que ele tinha sido eleito pelo voto da maioria do povo, para tentar assumir de fato o governo, pretendendo um golpe, não conseguiu e acabou preso.

Na Colômbia Gustavo Petro está deslizando mais que uma cobra para tentar garantir a governabilidade em um país ainda hoje dominado pela burguesia mais suja do mundo, que se mantém no poder, utilizando o trafico de drogas, com apoio irrestrito do capital rentista imperialista a partir da Casa Branca, e hora ele caminha para a esquerda, hora caminha para a direita, e ainda assim sofre uma forte oposição da direita.

Na Venezuela nem precisamos aprofundar muito, os EUA em função do conflito entre Rússia e Ucrânia recuou de algumas sansões contra o país, mas, os mais de 10 anos de sansões econômicas afundou o país em uma grande crise econômica, política e social, que certamente levará muito tempo para se reerguer.

Cuba nunca foi tão maltratada quanto está sendo agora, até seringas para a aplicação das vacinas contra a covid 19, vacinas produzidas pela própria medicina cubana, o país foi impedido de comprar em um primeiro momento. Os EUA está plantando agentes entre a população cubana para promover uma guerra hibrida contra o país. O mesmo processo de destruição do país, através de uma guerra hibrida e de Lawfare está acontecendo na Nicarágua.

E aqui no Brasil não vão permitir que Lula governe se a nós, classe que vive do trabalho, não nos organizarmos para o enfrentamento a este Congresso que é absolutamente de direita e está a serviço do capital rentista imperialista. E aí me aparece um cara em um canal de esquerda criticando o novo arcabouço fiscal, e afirmando que Haddad criou esta regra fiscal por oportunismo político, buscando apóio do mercado para uma possível candidatura. Poupe-me dessa gente, sinceramente não dá pra aguentar. 

Estes caras não percebem que este recado não é só para a burguesia brasileira, estes caras não percebem que Lula tem buscado apoio de países chaves no mundo para garantir a governabilidade, que o arcabouço fiscal, foi pensado para mostrar ao Mercado Comum Europeu que há viabilidade política e econômica em um governo de esquerda no Brasil, que ao mesmo tempo em que apresenta o arcabouço fiscal, Lula vai a China e negocia o apoio chinês para as políticas brasileiras, que Lula está fechando acordos bilaterais com vários países e regiões do mundo para se fortalecer como liderança política mundial para ganhar força para o enfrentamento com o capital rentista imperialista.

Estes caras não perceberam que nós estamos completamente em desvantagem no cenário interno. Oito dias após a festa da posse de Lula, quatro mil aloprados conseguiram invadir a sede dos três poderes em Brasília, e que a extrema-direita conseguiu aprovar uma CPI contra o maior movimento popular, com a intenção clara de criminalizar o MST e indiretamente ligar o governo a este movimento que transformaram em criminosos. E que depois do MST, os sindicatos, MTST, a Pastoral da Terra, o Movimento Negro, o Movimento Feminista, o Movimento em defesa dos LGBTQIAP+, serão também criminalizados. 

É contra isso que estamos lutando gente, precisamos ter clareza da conjuntura que estamos enfrentando neste momento, mesmo diante de uma crise sistêmica e estrutural do modo de produção capitalista, o capital rentista imperialista, continua muito forte, mais forte do que estava no final do século XX, e se não nos organizarmos seremos engolidos por ele, ou melhor já estamos sendo.

quarta-feira, 24 de maio de 2023

Vida acelerada - uma maternidade em precocidade

Por

Everton Nery*

No compasso acelerado da vida, 

A maternidade precoce te envolveu, 

Desvendando um mundo de desafios e emoções, 

Onde o tempo se revelou implacável.


Pensei que o precoce ficasse distante, 

Mas ele te acompanha, implacável, 

Ensinando lições em cima da hora, 

Tornando-te uma atravessadora do tempo.


Arrancou a coroa de Kronos

Tornando-se a rainha da urgência, 

Detestando guerras, mas vivendo batalhas, 

Em busca de uma majestade que transcende.


Ainda há tempo para construir alianças, 

Mas o tempo insiste em ser temporão, 

Desafiando-te a superar suas artimanhas, 

E encontrar a serenidade em meio ao turbilhão.


Em cada passo adiante, tu resistes, 

Como uma transgressora da esperança, 

Atravessando as fronteiras do tempo, 

Em busca de uma existência em abundância.


E no desenrolar dessa jornada impactante 

Encontra a força para perseverar, 

Poetizando o presente, moldando o futuro excitante

Enquanto o tempo a observa, cortante!


Que sejas tal como sábias navegantes, 

No oceano efêmero do tempo, 

Encontrando aliados em cada amanhecer, 

Escrevendo a tua história em versos até morrer

(*) Everton Nery é docente da Universidade do Estado da Bahia - UNEB. Pós-Doutor em Educação (UFC); Doutor e Mestre em Teologia (EST.). Especialização em Educação, Desenvolvimento e Politicas Públicas (Faciba); Filosofia Contemporanea (Faculdade São Bento); Ética, Educação e Teologia (EST.). Tem Graduações em Filosofia (UEFS); Teologia (STBNe). É membro do Gerpercs (Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação, Relligião e Saúde) e Coordenador do CEPICR (Centro de Estudos e Pesquisas Internacional em Culturas e Religiões.

quinta-feira, 13 de abril de 2023

O NOVO GOVERNO DO PT E O CENÁRIO POLÍTICO NO BRASIL ATUAL

POR PROFESSOR JOÃO PAULO

Chegando aos cem dias do terceiro governo do presidente Lula e aos cem dias do seu terceiro mandato, e do quinto governo do PT no Brasil, lembrando que a presidente Dilma Rousseff só governou dois anos na reeleição, já que ela foi golpeada e não conseguiu concluir o segundo mandato. Desta vez o desafio é tão grande quanto o da presidente Dilma que só teve a possibilidade de governar com efetividade nos dois primeiros anos da primeira gestão, de 2010 à 2012. 

A partir de 2013 teve início um longo processo de Lawfare (guerra jurídica), que impediu a plena governabilidade da primeira mulher eleita presidente neste país. Mas, é sempre bom lembrar que mesmo sofrendo ataques constantes da oposição no Legislativo e sem contar com o apoio do poder Judiciário, que também estava à serviço do golpe perpetrado pela burguesia brasileira e pelo sistema financeiro internacional, o primeiro governo da presidente Dilma chegou em 2014 com pleno emprego no país e com o país fora do mapa da fome. 

Mas, voltando ao governo atual do presidente Lula, não vai ser uma tarefa das mais tranquilas governar nestes próximos quatro anos. Este governo é o resultado de uma frente política muito ampla, onde há setores de esquerda, centro-esquerda, centro-direita e da direita liberal burguesa, membros de partidos que na verdade são apenas siglas de aluguel, usados para eleger figuras pernósticas e oportunistas de toda espécie, que usam a política como meio para acumular dinheiro.

Na outra ponta nós ainda teremos que enfrentar a irracional disputa com a esquerda radical que teima em cumprir o papel, imposto pela burguesia, de fazer oposição por dentro do movimento social e popular, ao PT e à outros partidos de esquerda que disputam espaços com a burguesia na "sociedade politica" e ao mesmo tempo com uma militância que mesmo estando no PT e em outros partidos políticos de esquerda, são determinados e dominados pela ideologia burguesa. Estas figuras estão em todos os partidos de esquerda, atuam em processos eleitorais ativamente, alguns até se elegem a cargos públicos, mas, não conseguem de forma alguma romper com o imaginário coletivo burguês, (cultura burguesa). 
Estas figuras são ao mesmo tempo culpados e vítimas do processo histórico e do processo político a que fomos submetidos pela burguesia desde que esta classe social tornou-se dominante na Europa Ocidental, ainda na metade da Baixa Idade Média, e desde então passou a ditar os rumos para toda a humanidade.

O modo de produção capitalista vive de crises cíclicas, não houve nenhum momento da história deste modo de produção, em que ele não tenha passado por períodos de instabilidade política e econômica, para logo depois, mergulhar em uma profunda crise econômica, política e social. A única coisa que sempre se mantém estável neste modo de produção desde sua inauguração com o Renascimento Cultural, é a produção de uma cultural capitalista sobre o conjunto da sociedade.

Desde o aparecimento da burguesia como classe social, ela tem construído o mundo ideal para que seus princípios se estabeleçam como dominantes e determinantes na sociedade. As muitas revoluções promovidas por esta classe social desde que se tornou economicamente dominante teve como principal objetivo estabelecer o controle do pensamento social coletivo. O Renascimento Cultural, os ideais do Mercantilismo, a Reforma Protestante, o Iluminismo, o Liberalismo Político, Econômico e o Positivismo, formaram o conjunto de pensamentos, de ideias que serviram como base teórica para a prática comercial da burguesia que se formava como classe social desde a Baixa Idade Média.
 
Desde então a burguesia vem construindo o mundo ideal para que sua prática econômica, política e social, torne-se o único modelo de sociedade, o único meio de vida possível aos olhos da população mundial. O intelectual e militante italiano Antônio Gramsci, em minha opinião foi quem melhor compreendeu a perspectiva da hegemonia burguesa, ampliando a compreensão já desenvolvida por Marx e Engels no século XIX.

Olhando o capitalismo a partir das relações econômicas entre capital x trabalho, aparentemente a dominação da classe trabalhadora pela burguesia reside nas relações econômicas e políticas, mas, se fizermos uma análise mais detalhada de como funciona a hegemonia burguesa no modo de produção capitalista, veremos certamente que ela é muito mais complexa do que apenas o domínio econômico e político da sociedade. E estas primeiras duas décadas do século XXI têm sido um laboratório fantástico para esta pesquisa e compreensão do fenômeno da hegemonia do capital sobre o trabalho.

Se imaginarmos que o capitalismo está em crise econômica, política e social, desde o 1999 e não conseguiu resolver esta crise até o ano corrente e mesmo assim continua mantendo a hegemonia cultural em todo o mundo, e mais, aprofundando o controle do imaginário coletivo da humanidade, mesmo diante da crise estrutural do modo de produção, certamente liga um sinal de alerta para quem acredita que se derrotamos o capital política e economicamente instauraremos um novo paradigma civilizatório, o socialismo.

Neste momento da história me parece muito improvável que isto aconteça somente derrotando a burguesia na perspectiva econômica e política. Se lembrarmos que os primeiros anos de governos do PT no Brasil, mesmo sem ter feito nenhuma "revolução" no sentido Leninista, ou Maoista, melhorou consideravelmente a vida de quase oitenta milhões de brasileiros e brasileiras, promoveu o maior processo de distribuição de renda já visto na história deste país, e há cinco meses tivemos uma eleição que para este partido vencer o pleito contra o pior presidente que a história do Brasil já registrou, precisou formar um leque de alianças que incluiu representantes claros da burguesia brasileira, é porque há algo maior que a economia e a política, que garante a hegemonia burguesa, caso contrário, era só o povo recordar o antes e o depois de 2016, que o PT venceria fácil a eleição com qualquer nome que estivesse concorrendo contra o representante do nazifascismo no Brasil, que fracassou retumbantemente em sua gestão a frente do Estado Brasileiro.

Mas, o capitalismo é muito mais complexo do que se podia imaginar no século XIX e durante grande parte do século XX, o capitalismo atua de forma holístico, contaminando com sua ideologia todos os espaços da vida social, e desta forma desenvolveu uma cultura capitalista que impregna o tecido social a tal ponto que mesmo quem combate o capitalismo torna-se um aparelho reprodutor da cultura capitalista.

Se observarmos de perto o movimento social brasileiro, em que momento ele se colocou numa posição contrária ao modo de produção capitalista? Nossas lutas sempre foram contra as consequências geradas pelo capitalismo, mas, nunca contra a estrutura capitalista. Lutamos contra empresa colonial portuguesa nos primórdios do capitalismo/mercantilismo, mas, nunca combatemos a invasão de nosso território pelo branco europeu. Combatemos a escravização dos povos africanos trazidos compulsoriamente para o trabalho, mas, nunca questionamos o porque da escravização. Travamos várias lutas durante o ciclo minerador no Brasil e o enrijecimento da exploração do nosso país por Portugal, mas, todos os movimentos foram pontuais e individualizadas.

Chegou o Império e tivemos movimentos sociais contra a forma perversa em que o império tratava as populações vulnerabilizada pelo regime, estas lutas  também foram pontuais e individualizadas. Veio o golpe, mais um, já que a chegada do império também foi fruto de golpe, se manteve no país a mesma estrutura desigual, desumana, autocrática e autoritária dos períodos anteriores, entra em cena a República Federariva Brasileira e tivemos vários movimentos de resistências à desumanização e perversidade do capitalismo de subserviência instaurado no Brasil pela burguesia incipiente e sabuja deste país, mas, todos estes movimentos foram resultantes das necessidades objetivas de sobrevivência de setores da população explorada, nenhum de forma organizada e pautado em um projeto de nação contrario ao instaurado pela burguesia da primeira metade do século XX.

Mesmo o Partido Comunista Brasileiro, que surge em 1922, acreditava na tese de que primeiro era preciso avançar o capitalismo brasileiro para depois fazer a luta pelo socialismo. A partir da segunda metade do século XX é que começamos a pensar em outro modelo de sociadade para além do que foi pensado pela burguesia brasileira. Mesmo da década de 1950 até a década de 1980, não tínhamos um projeto de nação pautado pela classe trabalhadora, o que tínhamos eram inúmeras organizações políticas e sociais pautadas por ideologias de caráter internacionalistas que lutavam contra a burguesia e sua ditadura civil militar, mas, individualizadamente.

Ligas Camponesas, Sindicatos Rurais Católicos, Ação Católica, Ação Popular, PC do B, PCB, POLOPE, PCR, MR8, ALN, PSB, e outras tantas denominações, presas a ideologias importadas da URSS, da China, de Cuba, ou de algum pensador do século XIX ou do início do século XX, cada uma dentro do seu quadrado, e isoladamente eram facilmente desconstruídas no imaginário coletivo da classe trabalhadora pelos aparelhos ideológicos da burguesia nacionalista ou internacionalista.

Somente no ano de 1980 surgiu a primeira frente plurepartidaria da classe trabalhadora no país, o Partido dos Trabalhadores, que mais que um partido político era uma frente, uma federação de vários setores da classe trabalhadora que fazia o enfrentamento ao capitalismo e a burguesia brasileira. Esta ao menos era a ideia primordial dos setores que idealizaram o PT. Mas, como não podia deixar de ser, a burguesia brasileira percebeu muito rapidamente o jogo e passou a utilizar seus aparelhos reprodutores da ideologia burguesa contra a organização de classe que era o Partido dos Trabalhadores.

O primeiro momento foi o de colar na imagem do PT as máculas morais que permeavam o ambiente cultural brasileiro, conceitualmente imposto pelos padrões sociais da burguesia. Inicialmente o PT era o partido dos hippes cabeludos, sujos, piolhentos e maconheiros. No segundo plano, tratou de somar a todos os rótulos apontados acima, a ideia política do anticomunismo, aí os militantes do PT se tornaram todos iguais, "todos comunistas e comedores de criancinhas". E no terceiro momento a burguesia utilizou do seu aparato ideológico para dividir a frente política de esquerda que nasceu no país, criando cisões ideológicos no partido, e a pluralidade de ideias que era a maior trunfo deste partido passou a ser vista por muitos como um ponto negativo, quantas reportagens foram feitas pelo JN, falando sobre as divergências internas do PT, durante o governo de Luiza Erondina em São Paulo, mais uma vez a burguesia trabalhando para criar cisões por dentro do movimento popular, estimulando ideologicamente as cisões dentro do maior partido de esquerda do continente Americano. A velha tática de dividir para conquistar, e a militância de esquerda como sempre caindo como patinhos no jogo da burguesia.

Este quadro se mantém até os dias atuais, o Partido dos Trabalhadores continua sendo a grande força política da classe trabalhadora até este momento, amanhã pode deixar de ser. Outros partidos de esquerda sobrevivem na sombra do PT e setores mais a esquerda estão organizados em partidos nanicos sem expressão política, fazendo política em uma bolhinha, falando para si mesmo o tempo todo, enquanto a direita se reorienta e reorganiza no país, usando a comunicação de massa através da grande mídia corporativa e os bilhões movimentados pelo mercado, e a extrema-direita (nazifascismo) ganha corpo e fôlego através do uso sistematizado pela equipe do Steve Bannon, o papa do neofascismo, das redes sociais, que tem sido a grande arma do extremismo de direita em todo mundo.

Complementando este cenário, este início de novo século nos trás uma novidade, uma militância de esquerda que não ler, preguiçosa, que se fundamenta a partir do senso comum burguês  e o reformula para adequá-lo à sua atuação de esquerda. Se adapta aos modismos culturais produzidos pela burguesia acriticamente, sem fazer nenhuma leitura histórico-sociológica, sem fazer análise de conjuntura, sobre nenhuma questão do seu tempo, conduzido pelo "oba oba" da sociedade estão sempre pronto para fazer as campanhas eleitorais, mas, em seu cotidiano não se diferem em nenhum aspecto do "analfabeto politico" de Bertolt Brechet, alguns até tentam justificar sua falta de leitura da realidade e de conhecimento utilizando de um senso comum criado pela cultura burguesa para os setores de esquerda. Grande parte da militância de esquerda deste início de século XXI está enquadrado neste grupo, uma presa fácil para uma práxis "stalinistas", ou mesmo para neofascismo.

É neste cenário que vai se dar o terceiro mandato do presidente Lula e o quinto mandato do PT a frente do Estado Brasileiro, um cenário muito desfavorável que certamente irá exigir muita pedagogia política dos que estão à frente do governo neste momento.100 dias após assumir novamente o governo do Brasil, o cenário fica visível, temos a mídia burguesa fazendo uma campanha incessante para pautar o governo à partir dos interesses do mercado rentista que nada produz, sobretudo, nesta queda de braços com o Banco Central "independente", claramente a posição da mídia corporativa burguesa é contrária ao governo Lula. Temos inimigos dentro do governo, que vieram na perspectiva de formar uma base sólida no poder Legislativo onde claramente a burguesia tem o controle político e econômico do tabuleiro de xadrez da política nacional. E aonde deveríamos está organizados e mobilizados para as batalhas que nós, classe trabalhadora, o governo Lula e do PT iremos travar nos próximos quatro anos, continuamos desorganizados, desmobilizados, divididos e sem conseguir nos comunicar com o povo com a massa que forma a classe trabalhadora do país.

Não me parece o cenário ideal! Mas, podemos mudar a correlação de forças se nós, militância de esquerda, abandonarmos nossas vaidades pessoais e entendermos que o sucesso do governo Lula em favor povo brasileiro, de quem mais precisa da presença do Estado, depende de nossa ação política nos próximos quatro anos, ou três anos e duzentos e sessenta e cinco dias. Precisamos unificar nossas bandeiras de lutas entorno do governo Lula, precisamos desenvolver em caráter de urgência, uma pedagogia política que dialogue com a classe trabalhadora, com a população mais pobre do país, precisamos ampliar nossa inserção nas redes sociais, fortalecer os canais que já temos e produzir novos canais de diálogo com o povo via redes sociais. Espalhar nossa mensagem de amor ao nosso país e de cuidado com o outro, superando a mensagem de ódio que a extrema-direita tem espalhado nas redes. Este é nosso papel revolucionário neste momento, voltar a dialogar com a classe trabalhadora e fortalecer o governo Lula, se fizermos isto estaremos dando um grande passo rumo à nossa utopia socialista. Precisamos entender isto e começar já a mudar nossa ação politica, nós dispir desta capa pequeno burguesa que nos reveste, neste momento histórico, lembrando sempre que a burguesia está o tempo todo no frente e neste momento tem o domínio total de sua principal arma de luta que é uma sociedade dominada por sua cultura capitalista.

quarta-feira, 15 de março de 2023

A QUEM SERVE O SUOR DO MEU IMPOSTO?

Por Josafá Santos*. 

(*) Um contribuinte revoltado, habitante dessa vila mal gerida, por seus gestores tão mal amada



Com certeza não sou o único conquistense que foi surpreendido com o ABSURDO aumento no valor do IPTU nesse ano de 2023. É claro que temos noção de que as coisas, os bens e serviços se oneram a cada ano, que tudo que consumimos sofre reajustes periódicos, sendo o mesmo válido para o valor dos impostos. Poderia aqui questionar porque o dono dos meios de produção que onera seus produtos a cada período, ou o Estado que aumenta seus impostos sobre o cidadão, não aumentam também os salários dos que a eles servem, nós, os trabalhadores, mas isso é para outro texto, mais longo; a conversa aqui é outra, mais objetiva e reta. 

Mesmo para um capitalista, dono dos meios de produção, uma regra é válida: não aumentar o valor daquilo que vende, acima da capacidade de compra dos seus consumidores, ou, no mínimo, seguir a regra de mercado, que em seu funcionamento de melindrosas engrenagens, fornece a porcentagem modal de aumento às coisas e serviços, viável, cabível no seu tempo e espaço. O mesmo, a mesma regra, deveria valer para o Estado em suas cobranças. Cabe ao gestor público, promover a cobrança de impostos e aplicá-los no bem estar da sociedade. 

Nenhuma sociedade que se conheça, se organizou e sobreviveu ou sobrevive/sobreviverá sem a cobrança de impostos. Isso é uma Lei, praticamente natural. A questão aqui nem é um questionamento sobre se pagar ou não se pagar impostos, uma vez que é deles que os serviços públicos são possibilitados, como educação, saúde, segurança, etc. Pago meus impostos, até porque, sendo funcionário público do Estado, nem tenho a possibilidade de sonegá-los, uma vez que já me vem descontados em folha. É um dinheiro que meu bolso não vê, literalmente falando. E pago sem (muito) reclamar, pois sei que de minha contribuição a sociedade, como um todo, se beneficia, e eu também, seja pelo salário que recebo, seja nos serviços públicos que usufruo. Nota: que deveriam ser muito melhores, dado o que eu e todos os outros trabalhadores pagamos. O problema que levanto aqui é outro, ou melhor, SÃO OUTROS. 

Primeiro: O ABSURDO aumento do IPTU de Vitória da Conquista, essa “jóia do sertão”, essa Suíça Baiana, entre o ano de 2020 e este, 2023. Tomando o meu IPTU como exemplo, em 2020 era de R$ 116, 49; em 2022 passou para R$ 207,78... Esta tarde, dia 13 de março de 2024, ao buscar o atual boleto do tal imposto, levei um tiro. Consta que deverei pagar R$ 519,17, pelo mesmo dito terreno onde moro, há dez anos. A prefeita (...) de nossa cidade, desde o início desse governo (...) tem aumentado o IPTU numa margem de 100 POR CENTO (!!!), a cada novo período, DOBRANDO O VALOR COBRADO A CADA NOVO ANO. É só comparar as contas que citei, conferir os documentos que fotografei em anexo. O salário dos servidores municipais, a verba para a merenda escolar, os recursos para a saúde educação, os investimentos sociais no município, como um todo, nem em sonho acompanharam esses reajustes. Muito pelo contrário. 

E aqui vem o segundo problema que evidencio:  O que se vê em 90 % da cidade são ruas esburacadas; ou em lama, ou com um malha asfáltica destruída, onde só se veem remendos, um por cima de outros; escolas municipais em frangalhos, as rurais em especial; ausência de concursos para diversos setores essenciais; postos de saúde em estado deplorável, onde de tudo falta, de gaze a curativos para simples coletas de sangue, além de médicos e demais profissionais em número adequado. Crateras se espalham pela cidade e passam meses sem reparo, o matagal toma conta da urbe, e assim fica por longos períodos, até que uma poda mal feita e superficial seja realizada, sem falar dos MILHARES de animais abandonados por toda cidade, procriando sem parar, sem que a prefeitura NADA FAÇA A RESPEITO,  a não ser a contratação de um imóvel que serviria como clínica popular, que já consumiu dois anos e meio de um caro aluguel, inexplicavelmente sem ainda funcionar, mesmo já estando completamente pronta. A cidade está abandonada, sem meio termos. Não se vê, de fato, onde o nosso IPTU, que dobra a cada ano, vem sendo investido. Ou melhor, vemos sim: no BAIRRO CANDEIAS, mais especificamente na eterna urbanização da AV. OLÍVIA FLORES, obra herdada de seu antecessor, que já ultrapassou a casa de DEZENAS de milhões de reais. E que ainda não foi inaugurada. 

E diante de tudo isso, os aplausos de uma claque contratada e o silêncio da Câmara de Vereadores. Pagamos impostos como se vivêssemos na Suíça (Baiana...), mas moramos, nós, a grande parte dos habitantes dessa cidade, como se aqui fosse um nação empobrecida da nossa irmã África. Reinos e Impérios já caíram por muito menos, ou pela exata mesma ação de seus mau gestores. O que nos acalenta é que sempre há uma nova eleição no fim de cada buraco, digo, túnel.

terça-feira, 7 de março de 2023

SÓ PARA ENTENDER O MOMENTO POLÍTICO


POR PROFESSOR JOÃO PAULO 





O Brasil viveu um dos momentos mais tenebrosos de sua história desde a proclamação da República no apagar das luzes do século XIX. Nossa história republicana foi composta por golpes de Estado e regimes autoritários, tivemos raros momentos de democracia, e quando falamos em democracia, estamos fazendo referência à democracia burguesa, um modelo de desenvolvimento em que uma minoria muito rica detém o controle econômico e político do Estado, enquanto a maioria da sociedade vive alijada do direito à participação efetiva nas decisões políticas que implicarão diretamente em suas vidas, para, além disto, também são alijadas das condições fundamentais para uma existência digna. 

Essa condição não é um "privilégio" apenas do Brasil, o capitalismo e seu modelo de organização do Estado é igual em todo o mundo, mas, aqui no Brasil e em outros países em desenvolvimento e subdesenvolvidos, este modelo é ainda mais perverso, pois, adicione a este já perverso modelo de desenvolvimento que é por sua natureza excludente, uma pitada de submissão das burguesias nacionais aos interesses de uma burguesia internacional, cujo, o único objetivo é sugar as riquezas naturais, e também as produzidas pelo trabalho dos trabalhadores de países periféricos, para manutenção de suas sociais democracias, instituídas sobre o sangue e suor das populações dos países que estão nas periferias do planeta. 

Nos últimos seis anos cansamos de ouvir tolices do tipo, "o comunismo matou milhões de pessoas na URSS", "Karl Marx matou seis milhões de pessoas" e mais umas infinidades de asneiras ditas por um bando de gente ignorante, e mais uma malta de espertalhões de todas as marcas, ansiosos para ficarem ricos servindo ao governo nazifascista miliciano e de serem servidos por ele. Mas, ninguém parou para pensar em quantas pessoas morrem de fome no mundo diariamente, em função da má distribuição de riquezas promovida pelo capitalismo, quantas pessoas já morreram em tantas guerras promovidas pelo capitalismo, quantas pessoas morrem por dia em todo mundo em função da violência cotidiana promovida pelas péssimas relações humanas estimuladas pelo capitalismo. Ninguém nunca parou para contar quantas pessoas morrem por conta do crime organizado, que é um dos meios utilizados pelo capital para reprodução de riquezas. 

Todos os discursos que foram plantados no imaginário coletivo da população de senso comum deste país, foram discursos ideológicos, construídos a partir de um processo golpista, tramado pela burguesia brasileira, aliada à Casa Branca, ao imperialismo do capitalismo ultraliberal, que tem pensado dois projetos distintos para o mundo. Um pensado para o G7, e países desenvolvidos Ocidentais, junte-se a este grupo a Coréia do Sul e Cingapura. Um projeto onde deve prevalecer a social democracia, de direita, sob a direção da burguesia liberal. E outro projeto pensado para os países em desenvolvimento e subdesenvolvidos, onde devem prevalecer governos com características autoritárias, na perspectiva política, e pondo em prática o “ultraliberalismo” de subserviência na economia, mantendo estes países na condição de produtores de riquezas para a manutenção das sociais democracias dos países desenvolvidos.

Foi em função desta reengenharia global que o Brasil foi golpeado pelas burguesias ação que teve sua culminância em 2016 com o falso impeachment da presidente legitimamente eleita para o cargo, pela maioria do povo brasileiro, o que significa que o golpe não foi contra o Partido dos Trabalhadores e sim contra esta maioria do povo que votou em Dilma Rousseff, e mais tarde, em 2018, a ilegal, mas, minuciosamente planejada, prisão do companheiro Lula, principal nome de esquerda para disputar as eleições e que certamente teria vencido o pleito e acabado com o golpe jurídico parlamentar e midiático que deram contra o povo brasileiro. 

Apresentando de forma muito resumida o que ocorreu no Brasil desde 2016, o Brasil passou a ser um país de economia forte, destinado a ser um apêndice econômico para os interesses do capitalismo financeiro internacional. Diga-se de passagem, um "apêndice" com uma importância estruturante para a geopolítica global, Imaginem ter a maior economia do hemisfério sul do planeta nas mãos dos interesses do capital especulativo internacional. É isso, o Brasil, por suas condições naturais, econômicas e políticas é a "galinha dos ovos de ouro" para o capitalismo imperialista internacional. Ter o controle deste país é condição "sine qua non", para o sucesso do capitalismo neste início de século XXI.  

Por conta disto o mundo inteiro estava de olho nas eleições brasileiras de 2022. Primeiro por que, era fundamental derrotar o presidente Bolsonaro, uma experiência do capitalismo que deu muito errada, o cara é muito pior do que se podia esperar dele. Um verme humano, sem nenhuma possibilidade política e nem cognitiva para dirigir a maior potência econômica do hemisfério sul do país. O projeto neofascista no Brasil a partir de Jair Messias Bolsonaro deu muito errado para todo mundo, principalmente para o povo brasileiro que amargou os mais perversos anos de sua história após a "redemocratização". Mas, também para a própria burguesia internacional que apostou suas cartas no neofascista ignorante e brutalizado dos trópicos e viu ir por água a baixo seu projeto político de manter o Brasil sob seu controle e consequentemente toda a América Latina, já que o tosquíssimo presidente, isolou o país das relações geopolíticas que estavam sendo postas em prática e não conseguiu entender os movimentos das peças no tabuleiro do xadrez político mundial.

Ficou claro para a burguesia que ter o PT a frente do Estado Brasileiro é economicamente e politicamente mais viável para encaixar as peças no tabuleiro geopolítico da burguesia ocidental, afinal, um país arrasado economicamente, politicamente e socialmente não teria nenhuma utilidade na manutenção da estabilidade do modo de produção capitalista. Até para servir ao capitalismo o Brasil precisa ao menos manter a estabilidade social e política para garantir a inserção na geopolítica mundial como um gerador de riquezas para manutenção do bem estar social das grandes economias do mundo.

E claro que o PT nunca foi o plano A da burguesia nacional e muito menos da burguesia imperialista mundial. O plano A era que o PT e o nazista fossem defenestrados pelo golpe jurídico parlamentar e midiático que foi posto em prática no país. As burguesias trabalharam para construir uma terceira via, mas, não contavam com a ideia do nazista tosco de ter os seus próprios planos, de ter um projeto pessoal e se utilizar da máquina estatal para se manter na direção do Estado Brasileiro, e com isso, impediu o surgimento desta terceira via. 

Não nos enganemos, a grande aliança firmada para o segundo turno, com o objetivo de derrotar o nazifascismo emburrecido e brutalizado de Bolsonaro, só foi possível em função da necessidade das burguesias de derrotar o projeto pessoal de enriquecimento ilícito dos nazifascistas e ao mesmo tempo impedir a continuidade de um governo que deu muito errado, isolando o mais importante país do hemisfério sul, do restante do mundo "civilizado". 

Mas, nesta aliança ampla que foi formada para salvar o Brasil e nosso povo dos perversos brutalizados, tem algumas arapucas que precisam ser desarmadas. Para governar o PT teve que fazer concessão à direita mais sórdida da política nacional, o famigerado "CENTRÃO", que vai o tempo todo minar o governo por dentro. Esta turma está a serviço da burguesia brasileira e mesmo estando no governo vão cumprir o papel designado por quem os elegeu, a burguesia. E já estamos vendo dois ministros oriundos de partidos deste grupo tão nefasto para a política nacional e principalmente para a população deste país, colocando as manguinhas de fora e “fazendo graça para o diabo rir” como dizia sempre o meu amigo Pe. Guiba. O ministro das comunicações, já se envolvendo em canalhices e escândalo e outro, o ministro de minas e energias, contrariando o próprio presidente Lula.

Isto não é nenhuma novidade, a burguesia nunca abre mão do poder, ela tem sempre planos B, C, D e E para garantir a manutenção de seu "status quo" e do seu poder sobre a sociedade. Desta vez a estratégia é diferente, ao invés de fazer oposição de fora pra dentro, querem está no governo e fazer oposição dentro do governo, por isso, plantaram os "cavalos de tróia".

Manter o poder político em países chaves como o Brasil, é condição “sine qua non” para a burguesia neste momento de profunda crise das estruturas do modo de produção, já são vinte e quatro anos de uma crise que parece não ter fim para os capitalistas, que buscam de toda por em prática suas estratégias para manter as engrenagens do sistema em funcionamento. Garantir o controle do Brasil está na ordem do dia para o capitalismo imperialista, o que puderem fazer para impedir o sucesso de um governo de centro-esquerda no Brasil, tenham certeza, será feito. 

O irritante é estarmos entrando no terceiro mês da gestão do PT neste terceiro mandato do companheiro Lula e já termos setores da esquerda fazendo afirmações como as que ouvir a pouco tempo, após, o Brasil ter votado contra a invasão da Ucrânia pela Rússia no conselho da ONU, ouvir o absurdo de que o governo Lula é subserviente ao Biden, ou que o governo é de direita por ter voltado a cobrar os impostos sobre os combustíveis.

Cabe a sociedade e aos setores de esquerda no Brasil, entender o jogo que está sendo jogado e se organizar politicamente para garantir que o governo Lula dê certo para todos os brasileiros, este início de governo tem dado pistas do que estamos enfrentando, e precisamos está atentos às movimentações da burguesia e nos mobilizar para derrotá-los. Este será um jogo difícil de ser vencido, mas, com a mobilização permanente da classe que vive do trabalho temos muito mais chances.