segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

O Cristo, o mundo pagão, a cristianização e a história...

Gabriel

Professor Gabriel Azevedo Costa Lima*

As datas cristãs, a exemplo do São João, do Natal, e outras, remetem ao processo civilizatório, usando o termo sem valorar, da imposição da fé cristã. Bom dizer que Cristo e fé cristã, a moda histórica tradicional, não convergem na essência de objetivos. O senhor colonizador que quer catequisar, a sua conveniência de julgamento e interesse, todo o mundo "exótico" (povos coloridos, "animistas", "fetichistas", "profanos", "selvagens", "libidinosos", "ignorantes") customizou a fé cristã para um molde bem comportado ao estilo de vida das sociedade europeias "brancas", capitalistas de moralismo castrador e toda leva de contradições.

No evangelho não se encontrará bulas que orientem o comportamento sexual, padrões de decência pautadas em vestes ideais para homens, mulheres, distinção de nenhum tipo que qualifique o grau de valor de um ser humano, fosse por seu sexo, cor, sexualidade, cultura a que pertence, poder aquisitivo, cor da pele, origem, ou qualquer outra bobagem criada pelas sociedades humanas.

Agora, no meu crivo de percepção, me chama notável atenção o aspecto revolucionário do amor propagado pelo Galileu sem se ater a nenhuma amarra de tradição de seu povo, judeus, ou mesmo do poder temporal romano, que controlava o mundo antigo com punhos cerrados de aço.

Frustra seu povo quando ao contrário das interpretações das anunciações feitas pelos profetas, ele não torna-se o rei esperado, aquele que com super poderes submeteria a todos, o Império Romano inclusive, aos desígnios do povo eleito, trazendo uma era de glória e de ascensão aos judeus e a cultura judaica imposta a todos como a única verdadeira, vontade inconteste de Jeová, O Deus Senhor dos Exércitos. Não, ele traz a mensagem do poder espiritual, do amor, que nada tem haver com opressão, submissão, imposição do forte sobre o mais fraco. Reverteu o sentido de força e virtude propagado até então no mundo.

Frustrou também o Império Romano, que tolerava as práticas religiosas da tradição judaica por serem fechadas a um povo que não ameaçava o poder romano. Jesus traz uma nova filosofia, cosmologia, que marca a necessidade de se propagar aos quatros ventos. A filosofia do amor não seria posse, exclusividade de um povo eleito, mas sim uma centelha a ser acesa em qualquer coração de homem/mulher de qualquer condição. Quanta audácia desse judeu se julgar mais que Roma hein!...

Dois mil anos se arrastam em deturpações, em uso do evangelho pra oprimir, julgar, excluir. É estranho ver a cruz cristã ostentada nas formas de exploração, nas guerras do passado e atuais de combate violento ao mundo vivido pelo outro. A ideia do evangelho é de uma revolução pelo sentimento, de dentro pra fora, quando se coloca força da brutalidade, do julgamento, se estraga tudo. E vai-se estragando, na cegueira, na obtusidade da violência e da soberba.

A força espiritual vem da leveza, da firmeza, da compaixão, o resto é maluquice...

"Compaixão é fortaleza. Ter bondade é ter coragem!" (Renato Russo)

Feliz Natal queridos!!!

(*) Gabriel é historiador, professor da Rede de Educação do Estado da Bahia, atuando no município de Vitoria da Conquista - Ba.

DOIDINHOS DE QUARTEL


POR JOÃO PAULO






Doidinhos de quartel 

Alguns são só engraçados 

Outros criminosos sem razão 

Tanta gente pinel


Pedem intervenção federal

Ninguém sabe o que é isto

Engraçados e perigosos

Acampamento é o hospício 


Ameaçam a democracia 

Só querem o nosso mal

Fascistas facínoras 

Empresários caras de pau


Essa gente precisa de prisão 

Não pode ter anistia pra terrorista 

Querem romper com a democracia 

Isso é caso de polícia 


São malucos não tenha dúvidas 

Inocentes úteis ou bandidos da contravenção 

Querem continuar roubando o país 

Seis anos passando a boiada não foi suficiente 

Gente burra, gente demente

Ameaçam a segurança da nação 

Para estes criminosos de verde e amarelo 

O único caminho é a prisão.

domingo, 11 de dezembro de 2022

AINDA FALANDO DE FUTEBOL - PARTE 3

POR PROFESSOR JOÃO PAULO

Agora a copa do mundo de 2022 chegou ao fim para a seleção brasileira, mais uma vez ficamos no meio do caminho. Tivemos uma trajetória bem fácil, mas, desde o primeiro jogo, já me parecia que íamos complicar nossa caminhada. A fraca vitória sobre a Sérvia por 2 x 0 já anunciava o triste desfecho que se configurou hoje. Depois, veio a Suíça, a fraca seleção que foi massacrada por Portugal, mas, ganhamos de 1 X 0 sofrido. Aí no último jogo da primeira fase perdemos por 1 X 0 para a seleção de Camarões, curiosamente, avalio ter sido o melhor jogo da seleção na primeira fase.

Passamos em primeiro lugar para a segunda fase do torneio mundial, pegamos pela frente a mais fraca seleção que se classificou para as oitavas de final, a frágil seleção da Coreia do Sul foi uma presa fácil para a seleção brasileira brilhante no primeiro tempo, vibrante indo para cima do adversário que foi goleado em 40 minutos. Mas, o segundo tempo do jogo, foi o prenúncio de que a nossa seleção só teve 45 minutos de lucidez e bom futebol, e a seleção voltou a ser o que realmente ela é.  

Mas, passamos, chegamos às quartas de final, chegamos bem após a goleada contra a Coreia, badaladissima pela mídia esportiva brasileira, só esqueceram de dizer que a vitória contra uma seleção fraca como a que jogamos, era para ter feito oito gols, e o pior, ainda tomamos um gol de uma seleção que mesmo com muito pouco talento, conseguiu criar dificuldades para nossa seleção de ouro, cheia de atletas badalados nos clubes europeus e salários altíssimos. 

Nos encontramos nas quartas de finais com uma seleção europeia pelo caminho, como disse acima, um caminho fácil, a seleção da Croácia não deveria ser para a seleção brasileira um empecilho para seguirmos para as semifinais, afinal, o futebol brasileiro tem muito mais história do que o futebol de um país que tem menos de 30 anos de história. Mas, caímos diante da Croácia, mais uma vez o hexa, ficou no meio do caminho, e para uma seleção sem tradição no futebol, apesar de ter sido vice na última copa do mundo, tendo empatado a maioria dos jogos e vencido nos pênaltis, até chegar na final contra a França, trajetória inclusive que vai se desenhando nesta copa também. 

A seleção brasileira fez um jogo horroroso contra a fraca Croácia. Os "craques" brasileiros, estavam bem piores do que nos jogos anteriores. Não conseguiram jogar nem 10% de futebol para justificar as cifras que cada jogador ali em campo vale. Não acertaram marcar, não acertaram atacar o adversário, as poucas chances que tiveram foram horrorosamente desperdiçadas, principalmente pelo mais badalado dos atletas brasileiros, aquele que veste a camisa número 10, que já foi vestida pelos melhores jogadores do mundo em seus momentos históricos. 

Mas, desde que a copa teve início e comecei a acompanhar aos jogos que venho chamando atenção para isto, a europeização do futebol brasileiro está destruindo a paixão pelo esporte que é parte da cultura brasileira. Nós brasileiros criamos o nosso próprio jeito de jogar futebol, não precisamos copiar modelos prontos da Europa. Mas, a grande mídia vendeu a falácia ideológica de que os europeus estão mais avançados do que nos no quesito futebol. 

Isto é extremamente ideológico. É parte deste processo de aculturação social que a séculos vem passando de geração para geração. Mas, também se refazendo a partir das realidades objetivas de cada tempo histórico. É preciso manter a população dos países subjugados política e economicamente acreditando que somos de fato inferiores ao colonizador branco vindos do velho mundo e da América do Norte. 

Como afirmou o dramaturgo Nelson Rodrigues o brasileiro já sofre desde muito tempo do "complexo de vira-lata", claro que esta é uma impressão pessoal do escritor brasileiro em relação ao comportamento subserviente do povo brasileiro. Mas, de fato a classe dominante brasileira sempre foi subserviente aos interesses estrangeiros e passou isto para a população deste país, que de forma geral até os dias atuais vive de forma subserviente. 

Abandonamos nossa cultura popular e buscamos nos adaptar a tudo que foi produzido pelo branco colonizador. Nossas escolas, principalmente as privadas não falam mais sobre o folclore brasileiro, mas, grande parte comemora o halloween, folclore norte-americano, a música das favelas não é mais o samba, é o funk abrasileirado, a música de protesto no Brasil e Hap e o Hip-hop, e o sertanejo é o country norte-americana americano.

O futebol de areia virou beach soccer, como o nosso futebol arte poderia resistir aos desastrosos avanços vindos do continente Europeu, afinal, futebol é coisa para inglês ver, foi lá que surgiu, e olha que os caras só tem um titulo mundial. 

Esta mentalidade de colonizado permeia o ambiente cultural brasileiro desde sempre, eu nunca vi um europeu dançando um samba, um frevo, um ijexá, um baião, porque só nós temos que absorver o que é produzido lá fora? E nós não produzimos nada? Não exportamos nada além de commoditties? O treinador Josep Guardiola disse que seu estilo de jogo é inspirado na seleção brasileira de 1982, e é um dos treinadores mais vitoriosos e comemorado da Europa, então porque que o futebol brasileiro tem que jogar como os europeus? Não é meio paradoxal esta relação? 

Bom, o resultado prático de todo este processo de aculturação é mais um retumbante fracasso da nossa seleção de ouro, cheia de estrelas que jogam no afortunado futebol europeu. Na verdade uma seleção convocada e escalada pelos patrocinadores da CBF e dos jogadores, que exigem que seus produtos sejam expostos na vitrine chamada de copa do mundo. Será que só eu tive a impressão de que o técnico da seleção nestes quase 8 anos a frente da seleção brasileira não parecia muito feliz? Me parece que o Felipão também não estava muito feliz enquanto dirigia a seleção, sei lá pode ser só impressão minha. 

Mas, a realidade é de a condição para ser técnico da seleção brasileira, é de que não terá autonomia para montar o time. A condição para ganhar o gordo salário de treinador da seleção canarinho é a submissão aos interesses do mercado. E é certamente só teremos novamente um título mundial, primeiro quando voltarmos a jogar o nosso futebol, dar de novo ao futebol brasileiro o rosto do futebol brasileiro. Segundo, teremos que fugir deste ciclo de obediência aos interesses financeiros do mercado da bola e o treinador poder, ele, convocar, escalar, o time e fazer com ele o que Telê fez em 1982, apesar de ter cometido três erros que levou a nossa eliminação. 

Claro que os mais jovens que lerem este texto dirão, "mas, os melhores jogadores do Brasil estavam na seleção, todos são estrelas em grandes times da Europa". E desde já vou lhes responder, pois, não terei a possibilidade de responder a todos E todas. Estão errados, os grandes campeões do futebol brasileiro em 2022 foram Flamengo e Palmeiras e na seleção de 26 jogadores só tinham 3 destes dois clubes. Esta seleção que disputou a copa não representa o futebol deste país, não representa o povo brasileiro, mais uma vez foi um amontoado de jogadores vestindo nossa camisa.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

AINDA SOBRE FUTEBOL - PARTE 2

POR PROFESSOR JOÃO PAULO


Esta copa de 2022 pode ser para boa parte dos jogadores de renome mundial o fim de um ciclo, claro que se os atletas estiverem bem fisicamente e mentalmente poderão jogar daqui a quatro anos, mas, alguns deles já demonstraram interesse em pendurar as chuteiras, ao menos no que diz respeito às seleções de seus respectivos países. 


Apesar de toda a badalação midiática envolvendo as últimas gerações de jogadores de futebol, as três últimas gerações ao menos, as gerações das grandes cifras financeiras que movimentaram o mercado da bola, eu tenho cá minhas indagações sobre estes valiosíssimos atletas. 

Na verdade, desde os anos 90 do século passado, que assistimos à transações financeiras no mundo do futebol de dimensões estratosféricas, jogadores sendo negociados de todos os continentes para a Europa por valores nunca vistos antes, milhões de dólares para vender ou comprar jogadores de futebol para os grandes clubes europeus ao menos os vinte maiores. Depois, a China chegou forte no mercado e passou a importar jogadores estrangeiros também por cifras inimagináveis.  

A partir daí o que vimos foi uma intensa construção midiática de craques, toda hora surge um novo ídolo para os jovens de todo o mundo, alguns até bonzinhos de bola, outros nem tanto assim, mas, todos muito badalados, muito propagandeados pelos veículos da grande mídia esportiva e sinceramente eu que sou um apaixonado pelo bom futebol e já vivi mais de meio século, só um pouquinho a mais, fico observando estes supostos craques jogando e confesso que sempre fiquei muito decepcionado e as vezes frustrado, com os supostos craques. 

Aqui no Brasil uma porrada de jogadores foram elevados à condição de craques, chegaram até a ganhar uma estranha copa do mundo, onde claramente a arbitragem deu uma força estranha, errando a nosso favor por duas vezes durantes os poucos jogos da copa, o que nos deu duas vitórias marotas na caminhada para o penta campeonato. Ali já tínhamos algo muito estranho acontecendo, o Brasil, cheio de bons jogadores como Djalminha, Edmundo, Mauro Galvão, já mais velho a bem da verdade, mais ainda jogando em alto nível, Alex, Felipe, Pedrinho, Ramon Menezes, Juninho Pernambucano e Paulista, Palhinha, Donizete, Diego e vários outros jogadores muito bons, sem oportunidade e a torcida tendo que acreditar que os bons era um tal de "quadrado mágico", mais Gilberto Silva, Hermerson, Junho Baiano, Roque Junior, Cafu, Roberto Carlos e outros jogadores tidos como craques, mas, em minha opinião todos "cabeção" (expressão que gosto de usar para dizer que o jogador é burro).

Não dá para ser insano e afirmar que os caras eram ou são, já que alguns ainda estão em atividade, completamente pernas de pau, afinal de contas, não existe "geração espontânea" segundo Louis Pasteur 1859, e estes jogadores, souberam e/ou sabem fazer uso de algum fundamento básico do futebol para serem transformados em craques pela grande mídia esportiva. Mas, daí afirmar que eram craques, ou que são, é forçar de mais amizade, somente, jogadores médios, nada de especial. E no mundo todo foi assim, agora estamos vendo encerrar o ciclo de alguns destes jogadores médios que foram alçados à condição de craques. 

Na boa galera do futebol, me segurei muito para escrever sobre este tema, para não parecer chato, o diferentão que reclama de tudo que é popular, mas, na boa, Cristiano Ronaldo, Lewandowisk, Lukaku, De Bruyne, Xavi, Iniesta, Griezmann, Benzema, Neymar, Soares, Cavani, Di Maria, Agüero, Giroud, Müller entre outros que não me recordo agora formaram uma geração de ouro do futebol, mais só mesmo, por conta dos valores financeiros que movimentaram e ainda movimentam no mercado da bola, mas, todos passam muito longe de serem craques, acrescente a está lista o "quadrado mágico" do Brasil, ou melhor a seleção titular do penta. Todos sem excessão foram e ainda são apenas bons jogadores e alguns jogadores só  razoáveis.

Destas gerações, entre os mais caros do mundo, destaco o Messi e o Modrić, que são jogadores mais completos, que eu em minha exigência, também não os trataria por craques, mas, certamente são jogadores com mais recursos do que os demais. 

Mas, o mundo do capital em sua gana de extrair lucro de tudo, transformando tudo em mercadoria, precisa produzir em larga escala e extrair maior lucro sobre este produto, daí surgi a necessidade de criar estes jogadores mercadorias e vendê-los para o maior número de compradores por todo o mundo. Isto mesmo, as volumosas cifras não estão só na venda e compra de jogadores pelos grandes clubes europeus, ou pelo futebol chinês quando chegam a uma idade mais avançada, mas, e principalmente, na comercialização de produtos com as marcas destes atletas. 

Essas gerações vão passando, mas, o mercado vai produzindo novos produtos para ir substituindo os que vão perdendo valor de uso, que vão perdendo o prazo de validade. Esta copa de 2022, ao mesmo tempo em que vai dando fim a um ciclo, já está produzindo um novo ciclo de novos produtos para o mercado. Novos "craques" vão surgir para manter aquecido o mercado da bola. Espero que esta próxima geração venha com jogadores melhores, com ao menos uns 10 espalhados por este mundão de meu Deus que possamos realmente chamá-los de craques, têm alguns bons nomes, que ainda não dá para saber se vai vingar, mas, têm alguns aí, vejamos as cenas dos próximos capítulos.

domingo, 4 de dezembro de 2022

AINDA SOBRE FUTEBOL - PARTE 1

POR PROFESSOR JOÃO PAULO

Estamos vivendo a copa do mundo de futebol 2022 e por mais que tenhamos todas as críticas ao que foi feito do futebol não tem como nós que jogamos futebol, mesmo amador, e gostamos do esporte, não está ligado nos jogos da copa do mundo. Particularmente tenho me esforçado para assistir ao máximo possível de jogos, já vi todas as seleções jogar e fiz minhas observações sobre todas elas, posso dizer que já tenho minhas impressões sobre cada uma e sobre o atual estágio do futebol mundial, neste processo de observação dos jogos da copa. 

E por incrível que pareça, meu olhar não mudou muito agora que estou conhecendo o que supostamente é o melhor de cada país que está disputando o campeonato esportivo mais importante do planeta. Uma atividade esportiva que nesta edição certamente movimentará mais de três trilhões de dólares, por baixo, no mercado mundial. 

Antes da copa eu pouco acompanhei o futebol, minha participação como telespectador se restringiu a asisti alguns jogos do campeonato inglês, da Champions league com meu filho, que é um cabra apaixonado pelo futebol, e a assisti a alguns jogos do meu time aqui no campeonato brasileiro. Em alguns oportunidades assisti a jogos do Palmeiras e Flamengo, pois, me disseram que estavam muito bons e eu quis ver com meus próprios olhos e a dois jogos do Fluminense, pois, me disseram que Paulo Henrique Ganso havia voltado a jogar bem e fui conferir. 

Bem, voltando aqui para o tema copa do mundo, após situar os leitores sobre o meu lugar de fala, fiz questão de acompanhar o máximo dos jogos possíveis desta primeira fase da copa do mundo. Não gostei muito do que vi! Sou um cara de 53 anos e tive o prazer de começar a gostar de futebol pra valer em 1978. Nesta época contrariando a cultura familiar de maioria vascaina, já torcia pelo Botafogo, sinceramente até hoje não sei porque comecei a torcer por este clube, mas, hoje em função dos estudos sobre futebol, achei uma justificativa plausível para minha preferência.

Passando a entender o futebol desde 1978, copa do mundo na Argentina, fui agraciado por ver ainda muitos dos gênios deste esporte em atividade. Hoje a referência que tenho do futebol tem como fundamento, o que vi na prática destes gênios e certamente quando ouso a comentar sobre o tema busco minhas referências, que certamente não serão de forma alguma as referências do meu filho 20 anos mais novo que eu e em função disto, me pego sempre em conflito com figuras da mesma geração dele e de gerações posteriores à dele, natural que seja assim, se temos referências diferentes nossos olhares sobre o mesmo objeto tende a ser também divergentes. 

Mas, se tem algo fora da minha área do conhecimento que eu conheço bem, essa coisa é o tal futebol, tenho até vontade de por na prática as minhas teorias sobre futebol, só para testar se na prática funcionaria, como funciona na teoria o meu olhar sobre o esporte, "este ano tenho até brincado, que vou escrever para o consulado de Cuba e pedir um emprego lá para ensinar os cubanos jogar futebol e classificar o país para sua primeira copa do mundo". 

Mas, como estava falando em algum lugar aí acima, esta copa do mundo só confirmou o que eu já havia percebido no futebol. E aquele máxima repetida muitas vezes para mim, "o futebol mudou muito" é uma realidade. Realmente o futebol mudou pra caramba, o que está errado nesta frase dita muitas vezes em minhas discussões sobre o principal esporte do planeta é seu complemento. Estas novas gerações realmente acreditam que a forma como se joga hoje é melhor e mais complexa do que a forma como se jogava nos idos dos anos de 50, 60, 70, 80 e 90 do século passado.

Não é mesmo galera! O futebol atual se tornou um esporte previsível e muito pouco criativo, o mundo inteiro joga como jogam os europeus. É isso, o velho mundo recolonizou o mundo do futebol, todos os treinadores do planeta adotaram o jeito europeu de jogar futebol; todos as seleções jogam compactadas na marcação, em duas linhas, quando retoma a posse de bola procuram sair rápido para o ataque para evitar a compactação do time adversário, a única novidade nesta copa e a exceção é a seleção da Espanha, que marca igual a todos os outros times, mas, na hora de atacar, sai tocando a bola de pé em pé de forma mais cadenciada, o que deu muito certo no primeiro jogo contra a fraca seleção da Costa Rica, mas, foi só também, acabou em segundo lugar no seu grupo. 

Não mesmo galera do futebol! O futebol de hoje não é mesmo melhor do que o que eu acostumei a ver na minha infância, adolescência  e juventude. Até acredito no argumento que diz dos atletas hoje estarem fisicamente mais preparados do que os jogadores de outrora, afinal, todas as ciências avançaram muito e a medicina, a nutrição, a preparação física, também avançaram e criaram métodos mais eficientes para produzir indivíduos e hábitos mais saudáveis. Mais o problema que o esporte não é só condicionamento físico, no esporte exige talentos e os jogadores atuais deixam muito a desejar neste quesito. Em outra perspectiva, a europeização do futebol mundial engessou o esporte de mais e este engessamento também contribuiu para a perda do talento dos jogadores. Entraram numa de que todo mundo tem que jogar e marcar, eu nunca vi Zico, Sócrates, Roberto Dinamite, Eder, Dirceu, Jorge Mendonça, Mendonça, Paulo Isidoro, Mário Sérgio, com esta obrigatoriedade de marcar, eles até faziam porque é um dos fundamentos primordiais do esporte, e faziam do seu jeito, da forma que lhes eram conveniente, mas, não por obrigação tática. O craque, o gênio sabe o tempo certo de contribuir na marcação e o tempo certo de fazer o espetáculo da bola. 

A copa inteira o que vi até agora foram alguns lances plásticos de alguns jogadores mais técnicos, posso até citar alguns nomes aqui, na França, Mbappé, Dembélé, Griezmann e Rabiot. Na Argentina, Messi e Di Maria. No Brasil, Vinícius Júnior, Anthony, Richardson, Martinele, Neimar. Alguns jogadores das seleções de Senegal, Gana e Camarões, em especial o jogador Aboubakar que marcou contra o Brasil, e outros que não vou me recorda dos nomes, um japonês que joga pra caramba, mas, também não me lembrarei do nome e alguns jovens jogadores da Espanha e da Inglaterra que também não vou me lembrar dos nomes e nem vou "da um Google" agora pois, estou dentro do buzu para Itapetinga e não tenho Internet. 

Fora estes atletas com uma técnica mais apurada, mais habilidosos o resto da copa tem sido uma repetição de esquemas táticos de marcação, muita correria e pouquíssima inteligência individual, raríssimos momentos de criatividade superando os esquemas táticos. Ô saudade do calcanhar de Sócrates, dos dribles de Zico e Maradona, dos chutes de Roberto Dinamite, dos passes perfeitos de Platini e Falcão, do futebol irreverente de Rivelino, Roger Millar e Okocha. 

Quanto a nossa seleção, a seleção brasileira, mais do mesmo, um time formado pelos patrocinadores dos jogadores, esquema de mercado mesmo, e é bom dizer que não é uma exclusividade da CBF e da seleção brasileira, me parece que este esquema é global, quem determina quem vai pra copa são os grandes empresários que patrocinam o futebol mundial e os jogadores.

Esta geração de atletas mercadorias têm até jogadores individualmente razoáveis. Mas, o conjunto de nossa seleção é muito ruim, nosso treinador que está a duas copas a frente da seleção brasileira não conseguiu criar um esquema tático para a seleção, acho que por não ter autonomia para convocar os jogadores, ele jogou a toalha, escala os 11 que os patrocinadores da CBF manda, e diz para os caras, vai lá e joga, vocês não são os bons? Esta ao menos é minha impressão assistindo aos jogos.

Por incrível que pareça, para mim o jogo em que o time jogou melhor foi este último contra a seleção de Camarões, e foi o único que o Brasil perdeu. O time foi mais objetivo, chutou mais no gol adversário, obrigou ao goleiro adversário ser o melhor jogador em campo e tomou um golzinho maroto no final e perdeu a partida o que tirou o mérito de todo o jogo onde o Brasil foi tecnicamente melhor do que os adversários e melhor do que o próprio time nos jogos anteriores.

É isto então, algumas de minhas impressões sobre o futebol neste momento de copa do mundo, a partir de todos os jogos que tive a oportunidade de assistir. Nada de especial no futebol atual, o mito de que o futebol europeu é modelo para o mundo está caindo por terra, o velho continente e o novo futebol, está sendo derrotado, claro que a possibilidade de França, Espanha, Inglaterra, Croácia e quem sabe até Portugal e Holanda, serem campeãs são grandes, não porque os times são maravilhosos e a Europa pratica o melhor futebol do mundo, mas, porque todos que passaram para a segunda fase jogam do mesmo jeito e todos os times se equivalem taticamente e tecnicamente. Mas, seria muito bom se um time fora da América do Sul e da Europa vencesse a copa, ou se tivéssemos uma final entre Senegal e Japão, difícil, mais não é impossível, aguardemos as cenas dos próximos capítulos.