quarta-feira, 31 de agosto de 2022

MANIQUEISTA! SEM MEDO DE SER FELIZ!

Por Professor João Paulo

O processo eleitoral se aproxima, estamos à trinta e sete dias do 02 de outubro, falta pouco tempo para o pais tomar a mais importante decisão política desde as lutas pela "redemocratização" do país. Esta será a mais importante eleição de nossa recente história. 

Isso porque teremos uma eleição que será disputada entre um setor representado pelo atual presidente eleito em 2018, que representa tudo de mais ruim que já surgiu em nossa história e do outro lado o ex-presidente Lula, que representa os melhores anos da história deste país.

Temos o candidato da continuidade de tudo de mais nocivo e perverso, que este país já viveu e ainda está vivendo, infelizmente. A autorização velada do Estado Brasileiro, para matar, para reativar o ódio contra os povos originários, para amplificar o racismo contra negros e mestiços, para amplificar a homofobia, o machismo, todo tipo de preconceito social e de classe, a solidificação da intolerância religiosa e tudo mais que pode fazer mal a vida em sociedade. 

Do outro lado temos a candidatura de um Brasil que deu certo, do Brasil que durante 13 anos fez seu povo muito mais feliz, o Brasil que soube cuidar daqueles que mais precisavam da presença do Estado, do Brasil que passou a ser respeitado mundialmente por todas as nações do planeta, de um país que estava aprendendo a viver harmonicamente com as diferenças.

Está eleição de 2022 será a mais importante dos últimos cinquenta anos, o povo brasileiro vai escolher entre a civilização ou a barbárie. Não se trata aqui de escolher entre o PT e PL, não se trata apenas da escolha entre Lula e Bolsonaro, entre esquerda e direita. É a escolha do país que queremos para o nosso futuro e para as gerações vindouras. Se o povo escolher a manutenção deste país mergulhado no ódio, na violência estatal contra a classe que vive do trabalho, na mais completa incompetência para cuidar dos que mais precisam do Estado e na total competência para favorecer o capital financeiro nacional e internacional, certamente teremos nosso futuro, enquanto nação soberana, duramente ameaçado.

Se o nosso povo optar pela civilização, em médio prazo teremos a possibilidade de voltarmos a sorrir, de ver a classe que vive do trabalho, sentir a alegria de ter no horizonte a oportunidade de uma vida com o mínimo de dignidade, com oportunidades reais de superarem a condição de pobreza, de miséria total de cerca de trinta e três milhões de brasileiros e brasileiras, de ter a esperança de que as futuras gerações de trabalhadores e trabalhadoras com garantia de pleno emprego. 

É isto que está em jogo neste processo eleitoral, são vidas que estão em jogo neste processo eleitoral é o futuro de milhões de pessoas que será escolhido no próximo dia 02 de outubro. É preciso que todas as pessoas de boa fé entendam o jogo e faça a coisa certa, votem em Lula para presidente e nos candidatos a governadores, senadores, deputados federais e estaduais do PT ou de partidos aliados. 

Só para concluir, esta falsa simetria que Ciro Gomes e a Rede Globo, ou qualquer brasileiro ou brasileira tentam criar entre a Candidatura Lula, com a Candidatura do atual presidente, que eu nem gosto de escrever o nome para não evocar, serve para mim como um atestado de mau-caratismo assinado por estas pessoas. Neste processo eleitoral Lula, o PT e seus aliados, representam o que há de melhor na política nacional, o outro lado é a própria representação do mau.

Esperei a entrevista, entrevista não, a aula de gestão pública do professor Lula, para concluir este ensaio. E a "sabatina" mostrou quem é quem neste processo eleitoral. E eu me orgulho muito de ter estado sempre do lado certo da história. Sigamos para o dia 02 de outubro reconstruindo a vitória do bem sobre o mal.

terça-feira, 30 de agosto de 2022

A MENTIRA VESTIDA COM AS ROUPAS DA VERDADE E COMPETENTE E PERVERSA


Por Professor João Paulo

A parábola da Verdade e a Mentira

Abraham Shapiro 

Consultor em Gestão e Governança Corporativa. Escreve diariamente em  profissaoatitude.com.br

Certa vez, a Mentira e a Verdade se encontraram.

A Mentira disse: 

- Bom dia, senhorita Verdade.

Ao ouvir isto, a Verdade foi conferir se realmente era um bom dia. Olhou para o alto, não viu nuvens de chuva e havia pássaros cantando. Uma brisa suave envolvia toda a atmosfera. Ela viu que realmente era um bom dia. Então respondeu:

- Bom dia, senhorita Mentira. 

A Mentira prosseguiu:

- Sinta o calor que faz hoje.

Tendo percebido que pela segunda vez a Mentira estivera certa, a Verdade relaxou.  Então a Mentira convidou-a para um banho no rio. Despiu-se de suas vestes, pulou na água e disse:

- Venha refrescar-se, Verdade, a água está deliciosa. 

Assim que a Verdade inocentemente tirou suas vestes e mergulhou, a Mentira saiu de fininho das águas,  vestiu-se com as roupas da Verdade e foi-se embora.

Dando-se conta do que ocorrera e  coerente a sua natureza, a Verdade recusou-se a vestir-se com as vestes da Mentira e,  por não ter do que se envergonhar, saiu a caminhar pelas ruas e vilas totalmente nua. 

É por este fato que, desde então aos olhos de muita gente, é mais fácil aceitar a Mentira vestida de Verdade, do que a Verdade nua e crua

Resolvi iniciar este pequeno ensaio, e espero que fique pequeno mesmo, com esta "Parábola .da Mentira e da Verdade" para ilustrar o que quero discuti neste ensaio. Hoje conversando com uma amiga, uma pessoa bacana, de boa índole, que inclusive irá votar no compas Lula, ela me disse que se tivesse outro candidato para vencer o inominável, não votaria em Lula, perguntei por que ela tem restrições ao nome de Lula e aí a resposta, "porque ele gosta de macumba" e "quer botar os gays para usar banheiro feminino". Hoje estou em um destes dias em que por qualquer motivo fico afetado, imediatamente me ocorreu um pensamento, poxa! Como estas igrejas pentecostais e neopentecostais tem um poder de sedução!

Achei incrível como estas mentiras vestidas com as roupas da verdade conseguem infiltrar com facilidade no imaginário coletivo de nossa população. Já havia falado com esta amiga anteriormente sobre estas questões, já tinha explicado que o presidente, chefe do poder Executivo, não faz leis. As leis são feitas pelo poder Legislativo que é formado pelos vereadores, deputados estaduais e federais e senadores. São estes os que elaboram as leis que regem nossa vida cotidiana. 

Se mulheres trans, ou travestis ganharem o direito de usar o banheiro feminino é em função da luta deste grupo social, por garantia de direitos. Muitas vezes mulheres trans e travestis são espancadas e mortas em banheiros masculinos e veem nesta medida uma forma de se protegerem de possíveis agressões. 

Quanto a questão religiosa é ainda mais grave, pois, este é um preconceito que vem sendo passado historicamente contra as religiões de matriz africana no Brasil, e é parte de um amontoado de posições racistas, que cristalizaram o racismo estrutural em nosso tecido social desde o processo de escravização dos africanos trazidos compulsoriamente para o trabalho no Brasil colonial e imperial. 

O problema é que o coletivo imaginário popular brasileiro está tão impregnado deste racismo e de tantos outros preconceitos sociais, que as pessoas por melhores que sejam não se dão conta de que são usadas para manter estes padrões sociais, fundamentados numa cultura racista, homofóbica, machistas, xenófoba, misógina, sexista. Somos treinados desde o nascimento a ser meros reprodutores da cultura determinada pela classe dirigente, uma cultura branca e burguesa resultante de um processo de colonização perverso que não teve escrúpulos em matar nossos povos originários, escravizar povos negros trazidos do continente Africano, demonizar as culturas raízes e suas tradições, e oprimir até os brancos pobres desta terra Brasil.

É neste contexto que se dá a fala desta minha amiga. Uma pessoa que foi educada na perspectiva do pentecostalismo ou do neopentecostalismo, que passou a vida ouvindo preconceitos de todas as linhas e segmentos e não dá para esperamos que estas pessoas supere anos, décadas deformação da consciência coletiva a partir de algumas discussões pontuais. A verdade que nós pensadores e militância de esquerda precisamos aprender como dialogar com a população que sofre diariamente um ataque ininterruptos da indústria cultural da burguesia, desta classe dirigente, que aprendeu muito cedo a dominar a classe que vive do trabalho. Então sigamos aprendendo e reaprendendo a dialogar com nosso povo.

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

PARA LEMBRAR DA IMPORTANCIA DE LULA NA HISTÓRIA RECENTE DO PAÍS

Por Professor João Paulo

Quero escrever este pequeno texto para falar sobre algo que julgo extremamente importante. Vou votar e fazer a campanha de Lula para presidente da república, primeiro porque acredito que ele é o melhor candidato, suas propostas são as que mais se alinham ao que acredito hoje como projeto para mudar o mundo. Em segundo lugar porque é Lula o único candidato com capilaridade e inserção social suficiente para vencer o fascismo que há quatro anos destrói meu país e maltrata o povo brasileiro.  

Mas, devo reconhecer que este companheiro de 76 anos de idade, está fazendo um esforço hercúleo para ser candidato à presidência, em defesa dos que mais precisam da presença do Estado em suas vidas e em defesa da soberania brasileira em relação ao imperialismo estadunidense e do capitalismo sobre os países em desenvolvimento e subdesenvolvidos. 

Não deve está sendo fácil para o senhor de 76 anos que luta desde a juventude contra o patronato, contra uma burguesia extremamente perversa, contra uma mídia que ao longo de aproximadamente meio século procura todas as formas de macular a imagem deste senhor, que dedicou a sua vida a lutar por este país a lutar pelo povo brasileiro, pela classe trabalhadora.  

Este senhor passou 580 dias numa prisão, sem ter cometido nenhum crime. Antes de ser preso Lula vivenciou a morte de sua esposa, sem ter direito ao luto devido, pois, sua vida e de sua família, já estava sob ataques de um juiz inescrupuloso e procuradores e procuradoras do Ministério Público do Paraná desonestos e mancumunados com a burguesia para golpear a democracia brasileira. Este senhor de dentro da prisão, viu seu neto morrer, viu seu irmão morrer, sem direito ao luto necessário, teve de enfrentar tudo isso, sem ser culpado de nenhum crime, só porque era o favorito às eleições de 2018 e a burguesia não podia permitir que o processo golpista fosse interrompido pelo retorno do PT. 

Mesmo após ter sido inocentado em todos os processos produzidos pelo LAWFARE promovido pela CIA, FBI e pela burguesia brasileira, este senhor ainda tem que ouvir insultos, de setores da burguesia que querem vencer o processo eleitoral, candidatas e candidatos que não tem nenhum serviço prestado ao povo deste país e que nunca se comprometeram de verdade pela emancipação do país no cenário mundial, como Lula, Dilma e o PT fez. 

Apesar de ser um único candidato a presidência com uma luta histórica e com serviços prestados ao país, como melhor presidente da história do país, ainda tem que ouvir insultos de um bandido, desqualificado como Jair Bolsonaro e de um cara ressentido e intelectualmente desonesto como Ciro Gomes. Isso sem falar de que parte do povo brasileiro, trabalhadores e trabalhadoras, por quem está senhor lutou e se doou a vida toda, repetem idiotizadamente as mentiras espalhadas pela mídia burguesa e por estes outros candidatos sem história, oportunistas premiados pela burguesia para impedir a emancipação da classe que vive do trabalho.

Ele já fez muito por nosso povo e por este país, certamente este companheiro por certo, não precisa mais está passando por mais nenhum constrangimento, mas, o senso de compromisso com o país e com o povo, o motiva a permanecer na luta. 

O que o companheiro Luís Inácio Lula da Silva está fazendo é de fato um sacrifício, que eu particularmente não sei se teria saco pra fazer, já me irrita profundamente ler ou ouvir em redes sociais as opiniões imbecis e bestiais destes trinta e dois à trinta e quatro por cento de fascistas vomitam atabalhoada todos os dias em redes sociais. 

Lula é um grande homem, uma liderança popular que ficará marcada na história do Brasil e na história mundial. Sigamos o exemplo deste guerreiro.

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

QUANDO A FÉ SE TRANSFORMA EM UMA DOENÇA SOCIAL 

POR PROFESSOR JOÃO PAULO

Estou voltando à escrita de um texto sobre o papel das religiões no processo político em nosso país nas eleições desde a de 2014 até esta de 2022. É inegável que temas de cunho religioso firam incessantemente pautados em todos os processos eleitorais desde o início do processo de radicalização do golpe jurídico, parlamentar, midiático contra o povo brasileiro. 

Este processo não é uma exclusividade do Brasil. Na realidade o crescimento de pautas de caráter religiosos se tornou constante em várias regiões do planeta, especialmente em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento. 

Se olharmos de perto este fenômeno, veremos que as pautas de cunho religiosos em sua maioria estão ligadas à defesa da família tradicional capitalista, do patriotismo exacerbado, dos valores morais da sociedade burguesa, de soberania racial caucasiana e de um Cristianismo fundamentalista, belicoso e autoritário sobre a sociedade. Uma descrição perfeita do que logo ali, no início do século XX ficou conhecido como fascismo e nazismo e foram responsáveis pela segunda guerra mundial. 

Só para contextualizar historicamente, o nazifascismo surge na Europa Ocidental, exatamente durante uma profunda crise do capitalismo, em dois países que foram derrotados na primeira guerra mundial e suas ideias chegaram muito rapidamente às camadas mais vulneráveis da sociedade. 

Agora ele retorna ao cenário político mundial, exatamente nas primeiras décadas do século XXI, em meio a uma profunda crise estrutural do modo de produção capitalista que está em curso desde 1999 e ainda sem solução. 

Assim como no início do século XX, o nazifascismo não é um acontecimento histórico factual, é um projeto de manutenção do poder da classe dirigente do sistema capitalista, a burguesia, sobre o planeta, sobre a classe que vive do trabalho. Também como no início do século passado, o grande investidor nesta cultura de morte sobre o mundo é os Estados Unidos da América.  

Aí alguns desavisados podem perguntar, o que os norte-americanos ganham em estimular o fascismo pelo mundo novamente. Assim como no século XX, espalhar o caos para depois agir como polícia do mundo, vai dar aos EUA a condição de país politicamente e economicamente dominante no novamente no mundo, condição que neste momento da história a maior economia global está perdendo em função do crescimento de economias como a China, do poder bélico da Rússia e do fortalecimento de forças políticas antagônicas à hegemonia norte-americana sobre a América Latina. 

A diferença deste momento para o início do século XX é que os norte-americanos, passaram a usar outras armas, senão, o seu poderio bélico, para conquistar, ou reconquistar, ou manter, sua hegemonia mundial. 

Desde a década de 1950 do século passado a classe dirigente norte-americana já vislumbrava a religiosidade popular como ferramenta para a alienação da classe que vive do trabalho tanto internamente, ou seja, dentro de suas próprias fronteiras, mas, também para fora, sobretudo, em países de terceiro mundo, como eram tratados os países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, alinhados ao capitalismo ocidental no pós segunda guerra mundial. 

A aposta no fundamentalismo religioso de extrema-direita foi posta em prática com maior intensidade a partir dos anos 60 do século XX, quando os pastores pentecostais norte-americanos começaram a serem enviados para a América do Sul e países do continente Africano com a missão clara de apresentar um deus do Cristianismo que se confundisse com o padrão cultural estadunidense e vendesse para as populações pobres destes países a cultura imperialista dos Estados Unidos. Um deus "justo" capaz de por conta de sua justiça, punir a quem não seguir seus preceitos religiosos, uma visão bem medieval de Deus. Um deus que cobra do fiel através da obrigatoriedade do pagamento do "dízimo" para lhe conceder uma graça divina. 

Um deus que impõem aos seus seguidores a aceitação de sua condição de pobreza aqui nesta vida, pois, lhe promete salvação na vida após a morte. 

Um deus que lhe impõem a não participação na história, na sociedade, nas lutas e dores deste mundo, pois, este mundo real é só uma passagem para o mundo ideal após a morte. 

Um deus que permite que apenas os pastores das muitas igrejas ganhem dinheiro, por serem os escolhidos por deus para guiar as ovelhas perdidas para o mundo ideal. 

Mas, o pior é que este modelo de fé ultrapassou as barreiras do protestantismo puritano norte-americano e passou a ser professado por setores do catolicismo conservador, setores do espiritismo, setores das religiões de matriz africana e todos os segmentos religiosos no Brasil e no mundo. 

É desta forma, utilizando da fé das pessoas socialmente vulneráveis que o padrão religioso fundamentalista e fascistoide norte-americano se espalhou pelo planeta e ganhou seguidores em todo o mundo.

Não é mera coincidência o fato de onde existe pobreza há uma grande quantidade de igrejas pentecostais e neopentecostais aqui no Brasil. Estes segmentos fazem parte de um projeto de poder da burguesia financeira internacional, elas se converteram numa importante ferramenta de alienação e ignorantização dos mais pobres de nossa sociedade. 

Estes segmentos criam uma grande rede de "solidariedade" conservadora, a ideia desta rede não é a emancipação do "ser", mas, sim de conservação do "ser" em seu estágio de subserviência a ordem dominante. Prometem uma nova vida no paraíso, enquanto aqui estas pessoas se conformam, tornam-se cordatas com sua condição de empobrecimento e opressão. Situação confortável para os donos do poder. Estes segmentos religiosos funcionam como uma confraria, onde buscam todos os meios para fidelizar os fiéis e ampliar o alcance de seus domínios, inclusive a chantagem, ameaçando com o "fogo do inferno" aqueles que não obedecerem a risca as determinações dos pastores, só para completar isso serve para outros segmentos religiosos de caráter fundamentalista, logo, fascistas.

Esta é a realidade religiosa e política deste momento histórico. A religiosidade popular dos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento e até de países desenvolvidos como os Estados Unidos ou Inglaterra sendo usada para alienar e idiotizar a maior quantidade de pessoas possíveis. Se olharmos de perto, em cada bairro das cidades onde a população é mais vulnerabilizada, os templos pentecostais e neopentecostais se multiplicam como gafanhotos, abocanhando todos e tudo que conseguirem tragar. 

Este é parte do projeto de poder da burguesia financeira internacional comandada pela burguesia norte-americana, para este início de século XXI. Há um projeto claro, de disseminar este tipo de religiosidade fundamentalista, de um Cristianismo sem lastro, raso, distante, muito distante mesmo, da essência das primeiras comunidades Cristãs, distantes da essência de Jesus Cristo, paradoxal aos ensinamentos do Cristianismo e alicerce para a expansão do neofascismo sobre o mundo. 

E o pior é que tem surtido efeito e temos uma sociedade totalmente influenciada por uma cultura de morte, violenta, preconceituosa, sofrendo de uma patologia social extremamente perigosa e nociva à sociedade do "bem viver".

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

HÁ ALGUMA COISA ERRADA NO REINO DE PINDORAMA

POR PROFESSOR JOÃO PAULO

Realmente há algo de muito errado no reino de Pindorama em 2022, o psicopata genocida que governa o país ainda tem 32% de apoio e o que é mais estranho ainda, 60% deste apoio é de pretensos "cristão". Como pode alguém que se reivindica Cristão fazer a defesa de alguém que defende a morte como projeto? Coisas que só são compreensíveis se entendermos como funciona a ideologia fascistas, apesar do alto grau de estranheza e paradoxo. O fascismo está assentado sobre propaganda e princípios de um Cristianismo medievo, conservador e pautado no deus do Velho Testamento, a Tora Judaica, que mostra um deus que conduzia seu povo a vitórias em guerras. 

Como afirmou Karl Marx, "a história acontece como tragédia e se repete como farsa".  Só faço um adendo para acrescentar uma palavrinha, o Cristianismo medieval e moderno foi trágico para a humanidade. Naquele momento compreensivo do ponto de vista da historiografia, apesar de totalmente questionável, mas, a doutrina Cristã havia hegemonizado o decadente Império Romano, se fundindo à cultura helênica Romana, tornando-se a religião oficial de um império que pouco tempo depois ruiu completamente, abrindo espaço para um novo modo de produção em que a única organização e poder político era a própria religiosidade. Em um momento de total superação do conhecimento, já que 90% da população da Europa Ocidental era formada de iletrados, de uma fusão cultural entre povos germânicos de diferentes etnias e o que restou do império Romano. 

Mas, o seu retorno neste início do século XXI é uma trágica farsa histórica, está aí meu adendo, acrescentar a palavra trágica antes da farsa. O retorno do Cristianismo medieval, agora está envolto em tudo que há de mais perverso na história humana, em um momento de grande desenvolvimento científico e tecnológico, com um avanço extraordinário das comunicações sociais, em pleno desenvolvimento das ciências naturais e da saúde, e o mais completo retrocesso das ciências humanas e do próprio conhecimento sobre Deus. A teologia cristã foi transformada em alguma coisa, em qualquer coisa, menos na doutrina de fé produzida por Jesus Cristo e pelos Discípulos e Apóstolos de Jesus, os criadores das Primeiras Comunidades Cristãs, descritas no livro dos Atos dos Apóstolos.

 “E na alma de cada pessoa havia pleno temor, e muitos feitos extraordinários e sinais maravilhosos eram realizados pelos apóstolos. 44Todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em comum. 45Vendiam suas propriedades e bens, e dividiam o produto entre todos, segundo a necessidade de cada um”. ATOS DOS APÓSTOLOS 2:43-45 …

E é possível afirmar isto sobre todo o Cristianismo Ocidental que passou a ser usado como ferramenta política para que a burguesia mantenha e fortaleça seu controle sobre a economia, sobre a política, sobre a cultura e a sociedade ocidental. Essa repetição da história como uma trágica farsa é um produto, produzido pela burguesia norte-americana e seus aliados europeus, com o objetivo de ter mais uma poderosa arma na perspectiva da alienação e ignorantização da população dos países subjugados pelo imperialismo capitalista sobre o mundo. 

E toda essa zorra não começou agora, no século XXI, este é um projeto que vem de longe, as primeiras igrejas pentecostais chegaram ao Brasil no início do século XX, mas, foi na década de 1970 que estes segmentos passaram a ser fortalecidos em todos o país, com forte inserção midiática em rádios e TVs, e se espalhando por todo o país e por todos os países da América Latina, Continente Africano e região Leste do continente Asiático. Aonde existe pobreza a burguesia hegemônica do Ocidente do planeta foi plantado este germe destrutivo do "cristianismo “Freestyle” para a alienação e ignorantização social.

O pentecostalismo e o neopentecostalismo como sempre uma criação norte-americana ganhou desde a década de 1970 o status de ferramenta de alienação das populações vulnerabilizadas pelo capitalismo nos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento em todo mundo. O laboratório foi a América Latina. É sabido que nas décadas de 1950 e 1960, movida pelo Concílio Vaticano II e pela Conferência de Medelín a Igreja Católica assumiu a “Opção Preferencial pelos Pobres” e passou a fazer parte dos setores da sociedade civil que lutavam contra a opressão capitalista e imperialista dos Estados Unidos. 

Estes movimento pentecostal foi disseminado pela América Latina para fazer o enfrentamento a Doutrina Social da Igreja Católica que já vinha sendo discutida no Catolicismo desde o final do século XIX com a Rerum Novarum publicada pelo Papa Leão XIII em 1891 e a Teologia da Libertação, doutrina Católica fundamentada nos preceitos do Evangelho que luta por um mundo onde a igualdade fundamental entre os homens e a justiça social seja o pilar de nossa “Fé no Deus da Vida Plena e em Abundancia”.

Como já sabemos o Protestantismo por sua natureza já nasceu como religião para dá sustentação ao modo de produção capitalista. A Reforma Protestante de Martinho Lutero e João Calvino, sobretudo, quando falamos deste último, serviram de base religiosa e teológica para justificar o modo de vida burguês a partir do século XVI. Mas, na década de 1970, século XX a burguesia, agora detentora da hegemonia econômica e política em todo o mundo, percebeu a necessidade de se contrapor a Teologia da Libertação, uma nova investida na América Latina, das mesmas ideias que a levaram a patrocinar a Reforma Religiosa do século XVI.

Desta forma o pentecostalismo e neopentecostalismo foram se fortalecendo em toda a América Latina, depois, no continente Africano e nos países subdesenvolvidos da Ásia, ganhando espaço social e determinando a forma de agir, pensar o mundo, viver a fé de grande parte da população pobre em todos os continentes. Hoje, já estão inclusive conquistando inserção em países do leste europeu e difundindo ideias pró-fascistas, que tem interferido decisivamente para o destino do mundo nestas primeiras décadas do século XXI.

Aqui no Reino de Pindorama, 60% dos apoiadores do genocida perverso e anticristo que está no governo do país. Nos últimos dias, temos visto a primeira dama, uma neopentecostal de última hora, forjada para encantar este aglomerado de gente acrítica, alienada e ignorantizada por um fundamentalismo religioso patológico, fazendo discursos e afirmando que o perverso, miliciano, genocida defensor da ditadura civil militar de 1964, defensor de torturadores e do extermínio de tudo que não é branco e rico é um enviado de Deus para entregar o país ao “senhor Jesus”.

Mas não tenho dúvidas alguma de que se toda a saga de Jesus Cristo, que foi preso injustamente, condenado por crimes que não cometeu, torturado ferozmente pelos Judeus e Romanos, crucificado, assassinado pelos ricos e poderosos estivessem acontecendo aqui no Brasil hoje, estes supostos cristãos, estariam assistindo a tudo e gritando, “vai pra Cuba”, vai pra Venezuela seu comunista”. A classe média que pensa que é rica e que agora também está sendo tragada pelo pentecostalismo e neopentecostalismo, estaria dizendo, “certamente estava envolvido com o tráfico de drogas”, “se está sendo preso é porque tem culpa”, “bandido bom é bandido morto”, “tem que ter pena de morte mesmo, só assim, a gente vai poder viver em paz”. Não tenho dúvidas disto.

E só isto explica esta situação horrível de ter um cara completamente inapto, inepto, incapaz, que vai completar quatro anos de governo sem ter uma obra deste governo em nenhum lugar do país, sem ter um projeto de governo que não seja eleitoreiro, e depois de ter condenado milhares de brasileiros a morte, não só pela negligencia em relação ao combate a pandemia, mas principalmente por ser o principal responsável por disseminar uma cultura de ódio no país, ainda ter 30% de apoio popular, na sexta economia mundial. HÁ ALGUMA COISA ERRADA NO REINO DE PINDORAMA.

quarta-feira, 17 de agosto de 2022

O DEUS DA MINHA FÉ

POR PROFESSOR JOÃO PAULO 

O Brasil vive uma crise civilizatória sem precedentes mesmo. Agora a mulher do presidente está sendo usada para vender a ideia de que este filho de Satan é um enviado de Deus. 

Deram um treinamento de pastora neopenteco para a branca de neve, e em todo evento ela aparece fazendo um pregação hipócrita, recheada de mentiras, inundada por demagogias e injúrias contra a fé Cristã. 

Não entendo este tipo de religiosidade que permite blasfêmias como afirmar que alguém que defende uso de armas, pena de morte, torturas, alguém que acha de bom tom as  ideias de supremacia branca, patriarcalismo e machismo, homofobia, racismo, preconceitos sociais, pode ser enviado do Deus da vida. 

A não ser que o deus desta gente hipócrita seja o capeta, o copiloto. Porque o Deus de minha fé é o Deus da vida em plenitude, o Deus que enviou seu filho unigênito para nos ensinar o verdadeiro caminho para alcançarmos o Reino do Céu. O Deus da minha fé defende o amor pela vida, o cuidado com o outro e com o mundo. O Deus da minha fé defende a paz e uma relação fraterna e igualitária entre todos os seres. 

A este que a primeira dama chama de deus, o Deus da minha fé o chama de satanás.

terça-feira, 16 de agosto de 2022

O AMOR

POR PROFESSOR JOÃO PAULO

Tem um filme sobre a vida de Jesus Cristo que particularmente eu gosto muito, JESUS, A Maior História de Todos os Tempos. Este filme é marcante para mim, pois, retrata um Jesus Cristo, extremamente feliz e com um forte apelo para a humanidade do filho de Deus. Apesar de ser o filho unigênito de Deus, neste filme Jesus vai aprendendo a dimensão de sua missão salvífica, a medida que vai pondo em prática seu ministério. Um olhar novo sobre a vida de Jesus, e apesar do filme ter sido lançado em 1999, ainda é um filme atualíssimo para este nosso momento histórico. 

A uma cena extremamente representativa para minha militância política e para minha condição de indivíduo social, que serve para referendar muito do que acredito hoje como proposta de vida tanto pessoal, como ser social militante político em busca de um novo mundo, Jesus dialoga com o cobrador de impostos de nome Levi, a quem passa chamar de Matheus, e diz para ele, "venha comigo Matheus", o cobrador de impostos assustado pergunta, "para aonde"? "Jesus responde para sua casa".

Os discípulos olham todos para Jesus como se o questionasse, e Pedro lhe diz "Senhor não estou dizendo que não é o filho de Deus, mas, isso não quer dizer que não erre, este homem é um ladrão, rouba de homens pobres como eu e o Senhor quer ir a casa dele"? Jesus para, olha fixamente para Pedro e responde: "és um homem forte Pedro, é forte o bastante para amar"?

Essa pergunta de Jesus me chamou muito a atenção desde a primeira vez que assistir ao filme, digo isso, pois, toda sexta feira da paixão eu reassisto a película e ultimamente tenho assistido muito mesmo não sendo sexta feira da paixão. 

Este questionamento que Jesus faz a Pedro me incomoda sempre, e fico me perguntando se eu sou forte o bastante para amar. Outra pergunta que sempre vem a minha cabeça quando ouço esta pergunta é a dimensão do verbo amar, a partir do olhar de Jesus Cristo. Afinal, Ele, amou tanto a humanidade que se entregou por completo aos seus algozes, para nos mostrar a dimensão do que é o amor. 

E nós, seres humanos mortais, falíveis, limitados, temos a compreensão da dimensão do que significa amar? Do que é o amor? Certamente que não temos, se tivéssemos não viveríamos em um mundo tão repleto de maldade, permeado pelo ódio, envolto em uma cultura de morte que determina nossas vidas. 

A partir da leitura que faço do amor perguntado por Jesus a Pedro, tenho compreendido, que nós não nascemos prontos para viver o amor em plenitude e que nossa vida neste plano aqui na Terra, é um constate aprendizado para que nos tornemos seres de amor. Desde então tenho buscado aprender a viver o amor em plenitude, amar como Jesus nos amou. 

Não é uma tarefa fácil amar. A todo momento somos tentados a viver o desamor, a vida nos impõem esta condição. Falamos coisas que magoam o outro, quando nos sentimos afetados negativamente, reagimos com virulência com quem nos ofendeu, passamos a ter ódio desta pessoa, pois, o ódio não é um afeto específico, ele pode ser representado até numa reação em meio a uma conversa ou uma discussão acalorada, odiamos a aqueles que de alguma forma nos faz mal, guardamos mágoas e não temos à capacidade de perdoar como Jesus nos ensinou. 

Ser forte o bastante para amar, hoje para mim, significa passar por um processo de conversão do "velho Adão para o novo Adão", ou seja, se despir desta condição de um ser de ódio, e se vestir com o manto do ser de amor, nos tornarmos homens novos. Tarefa fácil, não, muito difícil.  

E o pior que temos pouquíssimo tempo de vida para concluirmos esta conversão, então precisamos o quanto antes, acelerar este processo de conversão. Pois, a missão que o próprio Jesus nos confiou, foi de construir o Reino Definitivo de Deus para toda a humanidade, e somente um homem novo será capaz de gestar este novo mundo. Como pode um ser de ódio, produzir um mundo de amor? 

E como Cristão Católico, por acreditar que viveremos este Reino de Deus, é fundamental que eu busque minha conversão pessoal e a conversão do mundo neste Reino onde o amor será a única lei, o único pilar de sustentação da vida. 

Não podemos negligenciar esta missão. Precisamos entender a dimensão salvífica do Ministério de Jesus Cristo e ir seguindo seus passos até que nos tornemos tão santos como Ele foi. Algumas coisas dá para fazermos imediatamente, tratar o outro com respeito, ter cuidado com a vida de todos que estão em nosso entorno, dizer para quem você gosta, eu te amo, e respeitar a quem não gostamos. Respeitar os diferentes e as diferenças, perdoar a quem nos ofende, cuidar da vida a todo momento, se sensibilizar com os que sofrem. São pequenos gestos que com certeza nos fará seres melhores. 

Alguém pode está se perguntando, esta pessoa que escreveu isto alcançou a condição de homem novo? Não tenho, desde que assistir o filme pela primeira vez buscado minha conversão, mas, confesso que ainda falta muito para que alcance isto, nem sei se consigo, até o dia que deixar este plano da vida, mas, juro que ao menos tenho tentado, ser forte o bastante para amar.

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

PARA ENTENDER O CRISTIANISMO NA HISTÓRIA HUMANA

POR PROFESSOR JOÃO PAULO

Advertência aos Ricos Opressores

"5 Ouçam agora vocês, ricos! Chorem e lamentem-se, tendo em vista a desgraça que lhes sobrevirá. 2 A riqueza de vocês apodreceu, e as traças corroeram as suas roupas. 3 O ouro e a prata de vocês enferrujaram, e a ferrugem deles testemunhará contra vocês e como fogo lhes devorará a carne. Vocês acumularam bens nestes últimos dias. 4 Vejam, o salário dos trabalhadores que ceifaram os seus campos, e que vocês retiveram com fraude, está clamando contra vocês. O lamento dos ceifeiros chegou aos ouvidos do Senhor dos Exércitos. 5 Vocês viveram luxuosamente na terra, desfrutando prazeres, e fartaram-se de comida em dia de abate[a]. 6 Vocês têm condenado e matado o justo, sem que ele ofereça resistência". TIAGO 5: 1 -6

Esta é uma passagem bíblica que sempre me chamou muita atenção e me encanta desde minha passagem pelo MOVENS (Movimento de Jovens da Catedral) em minha adolescência e juventude. Sempre vi esta passagem como uma referência literal do projeto Cristão para o mundo, para a humanidade. 

O Discípulo e Apóstolo Tiago apresenta com clareza qual a ideia central do ministério de Jesus, criar o Reino de Deus, a sociedade do amor, da superação definitiva de todas as injustiças sociais e a negação das sociedades divididas por classes sociais. 

Ao contrário do que pensa a maioria dos Cristãos deste nosso tempo histórico, Jesus Cristo foi um militante político, e se fizermos uma análise simples da militância política de Jesus, a partir da sociologia contemporânea, veremos que ele era de esquerda e que sua doutrina de vida se enquadra muito mais no campo a esquerda do que no campo de direita. 

Alguém com um grau maior de compreensão da epistemológica da história ou da sociologia podem afirmar que é anacrônico afirmar que Jesus era de esquerda ou de direita, e que seus ensinamentos estão no campo de esquerda ou de direita, já que estas expressões históricas sociológicas só surgiram dezenove séculos após o nascimento de Jesus Cristo. Mas, uma leitura rápida do Novo Testamento nos mostra que esta a doutrina Cristã caminha paralelamente ao que se chamou de movimento de esquerda no século XIX. E eu devo concordar que não dá para definir Jesus Cristo e seus ensinamentos como sendo de esquerda e direita, exatamente por estas designação políticas não existirem em seu tempo histórico. Mas, aqui, quero fazer um exercício de abstração e traçar um quadro comparativo entre o ministério de Jesus e a Fé Cristã com a historiografia e sociologia contemporânea.  

Então vamos dar uma olhada de perto nesta relação da Fé Cristã e o movimento de esquerda contemporâneo. Jesus era filho de Maria uma camponesa pobre de uma pequena vila Galiléia e foi educado pelo marido de Maria, o Carpinteiro José, pai de criação de Jesus, aprendendo com o pai a profissão de carpinteiro, logo, era um trabalhador pobre, membro de uma classe social explorada pelos poderosos, Judeus e do Império Romano. Para a historiografia e sociologia contemporânea, todo trabalhador é ou ao menos deve ser esquerda, já que a classe trabalhadora é a classe social explorada pelos ricos, capitalistas, poderosos em todo o mundo.

O Estado de Israel, tanto a Galiléia quanto a Judéia, era dominado pelo por um império estrangeiro que dominava todo o mundo conhecido entorno do Mar Mediterrâneo. Jesus e todos os judeus eram escravizados por este império, eram obrigados a pagar impostos altíssimos aos dominadores e a maioria do povo vivia na mais total pobreza, enquanto uma elite que aceitava a dominação estrangeira, e se adequava a ela, se beneficiava com a escravização do povo judeu e se enriqueciam, também explorando os trabalhadores produtores das riquezas,  que não tinha nenhum direito ao bem que eles mesmos produziam. Qualquer semelhança com o modo de produção capitalista não é mera coincidência. Em todas as sociedades divididas por classes sociais, os trabalhadores produzem as riquezas que serão acumuladas pelos ricos, proprietários dos meios de produção. 

A sociologia e a geopolítica crítica contemporânea nos diz sob o processo de dominação imperialista exercido pelas potencias capitalistas ocidentais sobre todo o restante do mundo desde o advento do modo de produção capitalista a partir da Revolução Industrial e das Revoluções burguesas do século XVIII e XIX. Então não é coincidência que as relações geopolíticas se desenvolveram da mesma forma opressora desde a época de Jesus Cristo até os dias atuais, é o modus operandi de todas as classes que detém o poder econômico, político e sócio-cultural ao longo da história das sociedades humanas.

A sociedade Judaica era dividida em partidos ou ordens sociais. Havia cinco grupos distintos, que disputavam o poder político na sociedade, os Saduceus, eram formados pela elite judaica, homens ricos que aceitavam as determinações do Império Romano e viviam a partir da cultura romana, em um processo total de aculturação, este grupo era na época de Jesus Cristo, dirigido pelo rei da Galiléia, Herodes Antipas. 

Outro grupo que fazia parte da elite dos judeus era os Fariseus, doutores da Lei, responsáveis pela religiosidade judaica e pelo templo de Jerusalém, também homens ricos e submetidos aos interesses de Roma, controlava a fé do povo e determinavam como a sociedade judaica vivia. Na época de Jesus o líder deste grupo era José Caifás, apontado para o cargo de sumo sacerdote pelo governo imperialista romana.

A grande maioria da população judaica fazia parte dos Zelotes ou Zelotas, homens pobres que viviam sob o julgo do Império Romano e sob o julgo dos Saduceus e Fariseus. Eram fortemente explorados pelos opressores, obrigados a pagar impostos altíssimos e severamente punidos caso discordassem das regras estabelecidas pelos os colonizadores romanos e pelas ordens ricas da sociedade judaica. Jesus Cristo passa a ser a principal expressão de liderança deste grupo social quando dá início ao seu ministério aqui na Terra. As pregações e ensinamentos de Jesus Cristo incomodavam muitos aos Saduceus e Fariseus, pois, questionava profundamente a estrutura desigual e opressora da sociedade judaica, o que colocou estes dois grupos contra Jesus Cristo. Pregar o amor em plenitude, a justiça e igualdade entre os homens, respeito à mulher e igualdade de direitos entre todos e todas, em uma sociedade injusta, opressora e patriarcal como a sociedade judaica era visto como subversão a ordem.

Ainda tinha os Sicários, um grupo de zelotes que viviam separados dos demais, se escondiam nas montanhas, não aceitavam a submissão a Roma e nem aos Saduceus e Fariseus, defendiam a luta armada para se libertar da opressão dos grupos opressores, praticavam ataques a guarnições romanas e aos ricos da sociedade judaica. O nome de sicários deriva da palavra Sica, nome dado as espadas que usavam como armas, facas grandes e curvas, usadas para enfrentar os soldados romanos. Eram também conhecidos como zelotes radicais. Há uma hipótese de que os Sicários eram liderados por Barrabás no período em que Jesus praticava seu ministério entre os homens.   

E por fim, tinham os Essênios, judeus que preferiram sair da convivência na Judéia e na Galiléia e foram morar em uma região distante, próximo ao território onde hoje fica a Índia, se dedicavam aos estudos sobre a história judaica e formavam comunidades coletivistas de produção para subsistência. Há uma hipótese de que João Batista era um Essênio que voltou para a convivência com seu povo para anunciar a chegada de Jesus Cristo.

Só fazendo um adendo aqui para deixar claro que tanto sobre Barrabás, quanto, sobre João Batista deve ser visto como hipóteses, pois, a historiografia ainda não tem confirmação científica sobre estes fatos, já que não surgiram ainda fontes históricas suficientes para comprovar estas informações com cientificidade. Devo afirmar que eu ainda não tenho ciência de documentação ou fontes que comprove estes fatos, alguns autores afirmam isto, mas, eu não posso afirmar por não ter o conhecimento científico sobre as questões.

Bem, fazendo aqui um paralelo entre a historiografia do povo Judeu com a historiografia e sociologia contemporânea e seus fundamentos científicos, me parece claro que Jesus fazia parte do grupo social oprimido pelos poderes políticos e econômicos da sociedade judaica e que os ensinamentos de Jesus colocava em xeque a ordem dominante vigente naquela sociedade, inclusive foi por isso que ele foi perseguido, duramente reprimido e condenado a prisão e a morte por crucificação, pena máxima praticada pelos romanos a um criminoso naquele período da história. 

Parece-me que estes acontecimentos históricos e políticos narrados na Bíblia inclusive deixam claro em que lado da história estava Jesus Cristo. Apesar de não poder afirmar uma posição de esquerda ou de direita do ponto de vista político, pois, estas expressões só vão surgir na história cerca de dezenove séculos depois do período em que Jesus viveu entre nós, mas, se traçarmos um paralelo histórico entre os fatos da vida de Jesus e a historiografia e sociologia contemporânea, podemos afirmar que ele se posicionava a esquerda do poder estabelecido política e economicamente em seu tempo. Para dá uma referencia da missão salvífica de Jesus Cristo, destaco alguns trechos retirados da Bíblia.

O sermão da montanha. As beatitudes

5 Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos; 2 e, abrindo a boca, os ensinava, dizendo: 3 Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos céus; 4 bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados; 5 bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra; 6 bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos; 7 bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia; 8 bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus; 9 bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus; 10 bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus; 11 bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem, e perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós, por minha causa. 12 Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós. MATEUS 5.

13 Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém.

14 No Templo encontrou os vendedores de bois, ovelhas e pombas e os cambistas que estavam aí sentados. 15 Fez então um chicote de cordas e expulsou todos do Templo, junto com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas. 16 E disse aos que vendiam pombas: “Tirai isto daqui! Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!” 17 Seus discípulos lembraram-se, mais tarde, que a Escritura diz: “O zelo por tua casa me consumirá”. 18 Então os judeus perguntaram a Jesus: “Que sinal nos mostras para agir assim?” 19 Ele respondeu: “Destruí, este Templo, e em três dias o levantarei”. 20 Os judeus disseram: “Quarenta e seis anos foram precisos para a construção deste santuário e tu o levantarás em três dias?” 21 Mas Jesus estava falando do Templo do seu corpo. 22 Quando Jesus ressuscitou, os discípulos lembraram-se do que ele tinha dito e acreditaram na Escritura e na palavra dele. JOÃO 2: 13-22

A mulher adúltera

8 Porém Jesus foi para o monte das Oliveiras. 2 E, pela manhã cedo, voltou para o templo, e todo o povo vinha ter com ele, e, assentando-se, os ensinava. 3 E os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério. 4 E, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando, 5 e, na lei, nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes? 6 Isso diziam eles, tentando-o, para que tivessem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra. 7 E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se e disse-lhes: Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela. 8 E, tornando a inclinar-se, escrevia na terra. 9 Quando ouviram isso, saíram um a um, a começar pelos mais velhos até aos últimos; ficaram só Jesus e a mulher, que estava no meio. 10 E, endireitando-se Jesus e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? 11 E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te e não peques mais. JOÃO 8

Estão aí três narrativas bíblicas que demonstram com clareza que todos os ensinamentos de Jesus o colocavam em linha de enfrentamento a ordem vigente na Israel pelos poderosos daquela sociedade. Se buscarmos em todos os Evangelhos veremos que por muitas vezes os posicionamentos de Jesus iam de encontro até mesmo ao que acreditavam seus discípulos e pessoas mais próximas. Ele veio para subverter a ordem política e econômica e ensinar aos homens os caminhos do amor em plenitude, da humildade e do cuidado com toda a vida, “Eu vim para que tenham vida e vida em abundância” João 10 – 10.

Outro detalhe da vida e ministério de Jesus que me chama atenção sempre é a relação que ele desenvolve com a comunidade que faz parte. Jesus podia ter se tornado um líder, ter juntado dinheiros, podia ter se fortalecido politicamente para enfrentar seus detratores, todos eles. Afinal estamos falando do filho unigênito de Deus (IAHWEH). Mas, Jesus se manteve fiel ao seu grupo social, a sua classe social, caminhou com todos e todas sem fazer distinção de gênero, da condição social. Agregou ao seu lado o cobrador de impostos, os pescadores e agricultores explorados e roubados por este cobrador de impostos, o sicário Judas iscariotes, prostitutas e por fim, até o soldado romano e perseguidor de seus Apóstolos, Paulo de Tarso, que depois se tornou o principal Apóstolo de Jesus Cristo.

Ainda traçando um quadro comparativo com a historiografia e sociologia contemporânea, quem cumpre este papel no mundo atual são os setores de esquerda. Enquanto a direita segrega o ser, divide a sociedade entre ricos e pobres, “homens de bem” e marginais, mulheres direitas e prostitutas, homossexuais e o heteronormativos, bem e mal, bom e mau. Os setores de esquerda em todo mundo busca a criação de uma sociedade onde o ser humano em sua condição humana seja o mais relevante, mais importante, o fundamental para uma sociabilidade fraterna e harmônica.

Outro ponto extremamente importante sobre o Jesus Cristo e sobre o Cristianismo está na forma de organização das primeiras comunidades Cristãs, inspiradas nos ensinamentos de Jesus. Já foi referenciada acima, mas, todas as primeiras comunidades Cristãs foram organizadas a partir da premissa de abolição da propriedade privada e a criação de uma sociabilidade pautada pela igualdade de condições entre todos e todas, pelo cuidado com o outro, com a vida, cuidado com meio ambiente. Organizada a partir de uma produção coletiva e da partilha igualitária entre todos e todas, de tudo que fosse produzido por estas comunidades. Entre os Cristãos não havia fome, não havia órfãos, não havia desabrigados. Todos era assistidos em seus direitos e necessidades fundamentais pela comunidade. Este modelo de sociedade e as sociedades de classes são diametralmente opostas, sobretudo, falando sobre o capitalismo, que mesmo em sua gênesis, o Liberalismo Político, já preconizava o individualismo e a competição como forma de estimular a produtividade da sociedade, uma visão de mundo completamente oposta aos ensinamentos de Jesus Cristo, o individualismo e a competição são princípios estruturantes do capitalismo.

Como disse no início do texto, fazer esta relação entre o ministério de Jesus Cristo e o Cristianismo com o ser de esquerda ou de direita na perspectiva da contemporaneidade pode parecer anacrônico. Mas, é extremamente necessário em um momento em que a Fé Cristã passou a ser uma arma, uma ferramenta, poderosa do modo de produção capitalista hegemônico na perspectiva de manter a qualquer custo o domínio do Imperialismo norte-americano sobre o mundo. Já disse em um texto anterior que desde a década de 1970 os EUA, passou a exportar de forma mais incisiva e com um objetivo definido de dominação cultural e política sua religiosidade sobre o mundo subdesenvolvido e em desenvolvimento. 

Esta versão pentecostal e neopentecostal norte-americana da Fé Cristã cresceu demasiadamente em todo o planeta, ao ponto de ganhar inserção política e religiosa em países do Leste Europeu que outrora viveu sob o “socialismo real” ou “capitalismo de Estado” inaugurado pela revolução de 1917 na Rússia, criou ou trouxe de volta, todo o conservadorismo e fundamentalismo religioso medieval e moderno. Este cristianismo fundamentalista trouxe de volta o fantasma do nazifascismo para a cena política em todo o mundo o que deixou o mundo muito mais belicoso e perigoso para quem consegue superar o processo de alienação e ignorantização promovida por este movimento conservador do cristianismo a modo estadunidense.

É fundamental que comecemos a discutir o verdadeiro papel da Fé Cristã, o Papa Francisco tem chamado a atenção para isto em todos os documentos que tem publicado em sue pontificado. Aqui no Brasil há setores do protestantismo que também estão preocupados com esta radicalização a direita da Fé Cristã. É condição “sine qua non” um debate sobre os rumos do Cristianismo no mundo e, sobretudo, no ocidente do planeta, já que o Cristianismo tem a hegemonia religiosa desta parte do planeta e agora está exercendo uma influência ainda mais decisiva na vida política, econômica, cultural e social dos muitos países que tem no Cristianismo a maior religiosidade.

No Brasil, por exemplo, a sexta economia mundial, temos uma bancada da Bíblia, e uma bancada Evangélica no poder Legislativo, que é extremamente belicosa, que tem força política para aprovar ou desaprovar qualquer proposta que venha do poder Executivo. Foi eleito para presidência da República um presidente completamente incapacitado para o cargo, mas, que tem o apoio quase que incondicional de quase 45% dos protestantes do país, sobretudo, nos seguimentos pentecostais e neopentecostais, que formam a maioria da população de evangélicos do país.

Este segmento religioso está usando em suas atividades religiosas, carros alegóricos que fazem apologia ao uso de armas de fogo. Tem igrejas rifando armas de grosso calibre, pastores ungindo armas de fogo, o enrijecimento da intolerância religiosa, contra religiões de matriz africanas, ataques a Igrejas Católicas e destruição de imagens em templos católicos. É a representação máxima do risco de não se combater este tipo de fundamentalismo na Fé Cristã, sob o risco de termos o retorno de ações eivadas de ódio como aconteceu na Idade Moderna na Europa Ocidental.

Estejamos alertas em relação aos acontecimentos deste inicio de século XXI. E voltando ao debate que deu início a este ensaio, a Fé Cristã mesmo não podendo ser considerada de esquerda em função da temporalidade, e quero deixar claro que somente por isso mesmo, mas, o Ser Cristão, implica diretamente em seguir os ensinamento de Nosso Senhor Jesus Cristo e Ele nunca defendeu o uso de armas, Ele nunca defendeu a tortura, Ele nunca defendeu a acepção dos diferentes, a exclusão de pessoas por suas opções e orientações, ou pela cor da pele ou pela escolhas feitas para suas vidas. 

Jesus Cristo é a encarnação do amor em plenitude entre os homens, seu ministério foi para nos ensinar a amor, a cuidar da vida, cuidar de nossa casa comum. Ele veio para nos ensinar a viver a partilha, a caridade, a empatia com o próximo e com o mundo e aí, se os ensinamentos de Jesus Cristo não são de esquerda, tenho a certeza que de forma alguma são, ou serão um dia de direita. Ser Cristão e defender o capitalismo é diametralmente paradoxal, nenhuma Cristão de verdade pode defender o modo de produção capitalista, se alguém se reivindica Cristão e se posiciona politicamente à direita, tenham certeza, este é idêntico aos “vendilhões do templo”, expulsos por Jesus a chicotadas.

 

BRASILEIRO APURADO - Poema atribuído a Dona Lera
Comunidade de Base da Estiva, Cândido Sales - Ba

Seu moço não faça vaia/ de um roceiro mau-trajado/ Porque pega na enxada/ cava o chão ressecado./ Porque tem suas mãos grosas/ e o rosto queimado./ É seu patrício seu moço/é brasileiro apurado.

Quando dá a tardezinha/ vai pra seu rancho cansado./ E o sol de traz do muro/ vai entrando avermelhado. Os raios das estrelas/ espalhando em seu roçado/ É seu patrício seu moço/ é brasileiro apurado.

Sua labuta é tão grande/ colhe pouco resultado./ Pra São Paulo ele quer ir; deixando a família e o roçado./ Esse amigo roceiro que dá um duro danado./ É seu patrício seu moço/ é brasileiro apurado.

O pobre homem roceiro/ já vive muito cansado. Trabalhando como burro/ e não é valorizado./ Ajuda os grandes a crescer/ e ele fica lá jogado./ É seu patrício seu moço/ é brasileiro apurado.


Mulheres do MCOESO em Movimento - Um Ano do Agosto Lilás no MCOESO.


Bia Neves convidadas falam das Redes de apoio à mulher como forma de organização da luta e resistência ao ataque aos direitos humanos. Com Gicelma Rodrigues - Coord. da Cáritas da Diocese de Amargosa - Ba e Lídia Rodrigues - União de Mulheres de Vitória da Conquista.