segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

O Cristo, o mundo pagão, a cristianização e a história...

Gabriel

Professor Gabriel Azevedo Costa Lima*

As datas cristãs, a exemplo do São João, do Natal, e outras, remetem ao processo civilizatório, usando o termo sem valorar, da imposição da fé cristã. Bom dizer que Cristo e fé cristã, a moda histórica tradicional, não convergem na essência de objetivos. O senhor colonizador que quer catequisar, a sua conveniência de julgamento e interesse, todo o mundo "exótico" (povos coloridos, "animistas", "fetichistas", "profanos", "selvagens", "libidinosos", "ignorantes") customizou a fé cristã para um molde bem comportado ao estilo de vida das sociedade europeias "brancas", capitalistas de moralismo castrador e toda leva de contradições.

No evangelho não se encontrará bulas que orientem o comportamento sexual, padrões de decência pautadas em vestes ideais para homens, mulheres, distinção de nenhum tipo que qualifique o grau de valor de um ser humano, fosse por seu sexo, cor, sexualidade, cultura a que pertence, poder aquisitivo, cor da pele, origem, ou qualquer outra bobagem criada pelas sociedades humanas.

Agora, no meu crivo de percepção, me chama notável atenção o aspecto revolucionário do amor propagado pelo Galileu sem se ater a nenhuma amarra de tradição de seu povo, judeus, ou mesmo do poder temporal romano, que controlava o mundo antigo com punhos cerrados de aço.

Frustra seu povo quando ao contrário das interpretações das anunciações feitas pelos profetas, ele não torna-se o rei esperado, aquele que com super poderes submeteria a todos, o Império Romano inclusive, aos desígnios do povo eleito, trazendo uma era de glória e de ascensão aos judeus e a cultura judaica imposta a todos como a única verdadeira, vontade inconteste de Jeová, O Deus Senhor dos Exércitos. Não, ele traz a mensagem do poder espiritual, do amor, que nada tem haver com opressão, submissão, imposição do forte sobre o mais fraco. Reverteu o sentido de força e virtude propagado até então no mundo.

Frustrou também o Império Romano, que tolerava as práticas religiosas da tradição judaica por serem fechadas a um povo que não ameaçava o poder romano. Jesus traz uma nova filosofia, cosmologia, que marca a necessidade de se propagar aos quatros ventos. A filosofia do amor não seria posse, exclusividade de um povo eleito, mas sim uma centelha a ser acesa em qualquer coração de homem/mulher de qualquer condição. Quanta audácia desse judeu se julgar mais que Roma hein!...

Dois mil anos se arrastam em deturpações, em uso do evangelho pra oprimir, julgar, excluir. É estranho ver a cruz cristã ostentada nas formas de exploração, nas guerras do passado e atuais de combate violento ao mundo vivido pelo outro. A ideia do evangelho é de uma revolução pelo sentimento, de dentro pra fora, quando se coloca força da brutalidade, do julgamento, se estraga tudo. E vai-se estragando, na cegueira, na obtusidade da violência e da soberba.

A força espiritual vem da leveza, da firmeza, da compaixão, o resto é maluquice...

"Compaixão é fortaleza. Ter bondade é ter coragem!" (Renato Russo)

Feliz Natal queridos!!!

(*) Gabriel é historiador, professor da Rede de Educação do Estado da Bahia, atuando no município de Vitoria da Conquista - Ba.

DOIDINHOS DE QUARTEL


POR JOÃO PAULO






Doidinhos de quartel 

Alguns são só engraçados 

Outros criminosos sem razão 

Tanta gente pinel


Pedem intervenção federal

Ninguém sabe o que é isto

Engraçados e perigosos

Acampamento é o hospício 


Ameaçam a democracia 

Só querem o nosso mal

Fascistas facínoras 

Empresários caras de pau


Essa gente precisa de prisão 

Não pode ter anistia pra terrorista 

Querem romper com a democracia 

Isso é caso de polícia 


São malucos não tenha dúvidas 

Inocentes úteis ou bandidos da contravenção 

Querem continuar roubando o país 

Seis anos passando a boiada não foi suficiente 

Gente burra, gente demente

Ameaçam a segurança da nação 

Para estes criminosos de verde e amarelo 

O único caminho é a prisão.

domingo, 11 de dezembro de 2022

AINDA FALANDO DE FUTEBOL - PARTE 3

POR PROFESSOR JOÃO PAULO

Agora a copa do mundo de 2022 chegou ao fim para a seleção brasileira, mais uma vez ficamos no meio do caminho. Tivemos uma trajetória bem fácil, mas, desde o primeiro jogo, já me parecia que íamos complicar nossa caminhada. A fraca vitória sobre a Sérvia por 2 x 0 já anunciava o triste desfecho que se configurou hoje. Depois, veio a Suíça, a fraca seleção que foi massacrada por Portugal, mas, ganhamos de 1 X 0 sofrido. Aí no último jogo da primeira fase perdemos por 1 X 0 para a seleção de Camarões, curiosamente, avalio ter sido o melhor jogo da seleção na primeira fase.

Passamos em primeiro lugar para a segunda fase do torneio mundial, pegamos pela frente a mais fraca seleção que se classificou para as oitavas de final, a frágil seleção da Coreia do Sul foi uma presa fácil para a seleção brasileira brilhante no primeiro tempo, vibrante indo para cima do adversário que foi goleado em 40 minutos. Mas, o segundo tempo do jogo, foi o prenúncio de que a nossa seleção só teve 45 minutos de lucidez e bom futebol, e a seleção voltou a ser o que realmente ela é.  

Mas, passamos, chegamos às quartas de final, chegamos bem após a goleada contra a Coreia, badaladissima pela mídia esportiva brasileira, só esqueceram de dizer que a vitória contra uma seleção fraca como a que jogamos, era para ter feito oito gols, e o pior, ainda tomamos um gol de uma seleção que mesmo com muito pouco talento, conseguiu criar dificuldades para nossa seleção de ouro, cheia de atletas badalados nos clubes europeus e salários altíssimos. 

Nos encontramos nas quartas de finais com uma seleção europeia pelo caminho, como disse acima, um caminho fácil, a seleção da Croácia não deveria ser para a seleção brasileira um empecilho para seguirmos para as semifinais, afinal, o futebol brasileiro tem muito mais história do que o futebol de um país que tem menos de 30 anos de história. Mas, caímos diante da Croácia, mais uma vez o hexa, ficou no meio do caminho, e para uma seleção sem tradição no futebol, apesar de ter sido vice na última copa do mundo, tendo empatado a maioria dos jogos e vencido nos pênaltis, até chegar na final contra a França, trajetória inclusive que vai se desenhando nesta copa também. 

A seleção brasileira fez um jogo horroroso contra a fraca Croácia. Os "craques" brasileiros, estavam bem piores do que nos jogos anteriores. Não conseguiram jogar nem 10% de futebol para justificar as cifras que cada jogador ali em campo vale. Não acertaram marcar, não acertaram atacar o adversário, as poucas chances que tiveram foram horrorosamente desperdiçadas, principalmente pelo mais badalado dos atletas brasileiros, aquele que veste a camisa número 10, que já foi vestida pelos melhores jogadores do mundo em seus momentos históricos. 

Mas, desde que a copa teve início e comecei a acompanhar aos jogos que venho chamando atenção para isto, a europeização do futebol brasileiro está destruindo a paixão pelo esporte que é parte da cultura brasileira. Nós brasileiros criamos o nosso próprio jeito de jogar futebol, não precisamos copiar modelos prontos da Europa. Mas, a grande mídia vendeu a falácia ideológica de que os europeus estão mais avançados do que nos no quesito futebol. 

Isto é extremamente ideológico. É parte deste processo de aculturação social que a séculos vem passando de geração para geração. Mas, também se refazendo a partir das realidades objetivas de cada tempo histórico. É preciso manter a população dos países subjugados política e economicamente acreditando que somos de fato inferiores ao colonizador branco vindos do velho mundo e da América do Norte. 

Como afirmou o dramaturgo Nelson Rodrigues o brasileiro já sofre desde muito tempo do "complexo de vira-lata", claro que esta é uma impressão pessoal do escritor brasileiro em relação ao comportamento subserviente do povo brasileiro. Mas, de fato a classe dominante brasileira sempre foi subserviente aos interesses estrangeiros e passou isto para a população deste país, que de forma geral até os dias atuais vive de forma subserviente. 

Abandonamos nossa cultura popular e buscamos nos adaptar a tudo que foi produzido pelo branco colonizador. Nossas escolas, principalmente as privadas não falam mais sobre o folclore brasileiro, mas, grande parte comemora o halloween, folclore norte-americano, a música das favelas não é mais o samba, é o funk abrasileirado, a música de protesto no Brasil e Hap e o Hip-hop, e o sertanejo é o country norte-americana americano.

O futebol de areia virou beach soccer, como o nosso futebol arte poderia resistir aos desastrosos avanços vindos do continente Europeu, afinal, futebol é coisa para inglês ver, foi lá que surgiu, e olha que os caras só tem um titulo mundial. 

Esta mentalidade de colonizado permeia o ambiente cultural brasileiro desde sempre, eu nunca vi um europeu dançando um samba, um frevo, um ijexá, um baião, porque só nós temos que absorver o que é produzido lá fora? E nós não produzimos nada? Não exportamos nada além de commoditties? O treinador Josep Guardiola disse que seu estilo de jogo é inspirado na seleção brasileira de 1982, e é um dos treinadores mais vitoriosos e comemorado da Europa, então porque que o futebol brasileiro tem que jogar como os europeus? Não é meio paradoxal esta relação? 

Bom, o resultado prático de todo este processo de aculturação é mais um retumbante fracasso da nossa seleção de ouro, cheia de estrelas que jogam no afortunado futebol europeu. Na verdade uma seleção convocada e escalada pelos patrocinadores da CBF e dos jogadores, que exigem que seus produtos sejam expostos na vitrine chamada de copa do mundo. Será que só eu tive a impressão de que o técnico da seleção nestes quase 8 anos a frente da seleção brasileira não parecia muito feliz? Me parece que o Felipão também não estava muito feliz enquanto dirigia a seleção, sei lá pode ser só impressão minha. 

Mas, a realidade é de a condição para ser técnico da seleção brasileira, é de que não terá autonomia para montar o time. A condição para ganhar o gordo salário de treinador da seleção canarinho é a submissão aos interesses do mercado. E é certamente só teremos novamente um título mundial, primeiro quando voltarmos a jogar o nosso futebol, dar de novo ao futebol brasileiro o rosto do futebol brasileiro. Segundo, teremos que fugir deste ciclo de obediência aos interesses financeiros do mercado da bola e o treinador poder, ele, convocar, escalar, o time e fazer com ele o que Telê fez em 1982, apesar de ter cometido três erros que levou a nossa eliminação. 

Claro que os mais jovens que lerem este texto dirão, "mas, os melhores jogadores do Brasil estavam na seleção, todos são estrelas em grandes times da Europa". E desde já vou lhes responder, pois, não terei a possibilidade de responder a todos E todas. Estão errados, os grandes campeões do futebol brasileiro em 2022 foram Flamengo e Palmeiras e na seleção de 26 jogadores só tinham 3 destes dois clubes. Esta seleção que disputou a copa não representa o futebol deste país, não representa o povo brasileiro, mais uma vez foi um amontoado de jogadores vestindo nossa camisa.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

AINDA SOBRE FUTEBOL - PARTE 2

POR PROFESSOR JOÃO PAULO


Esta copa de 2022 pode ser para boa parte dos jogadores de renome mundial o fim de um ciclo, claro que se os atletas estiverem bem fisicamente e mentalmente poderão jogar daqui a quatro anos, mas, alguns deles já demonstraram interesse em pendurar as chuteiras, ao menos no que diz respeito às seleções de seus respectivos países. 


Apesar de toda a badalação midiática envolvendo as últimas gerações de jogadores de futebol, as três últimas gerações ao menos, as gerações das grandes cifras financeiras que movimentaram o mercado da bola, eu tenho cá minhas indagações sobre estes valiosíssimos atletas. 

Na verdade, desde os anos 90 do século passado, que assistimos à transações financeiras no mundo do futebol de dimensões estratosféricas, jogadores sendo negociados de todos os continentes para a Europa por valores nunca vistos antes, milhões de dólares para vender ou comprar jogadores de futebol para os grandes clubes europeus ao menos os vinte maiores. Depois, a China chegou forte no mercado e passou a importar jogadores estrangeiros também por cifras inimagináveis.  

A partir daí o que vimos foi uma intensa construção midiática de craques, toda hora surge um novo ídolo para os jovens de todo o mundo, alguns até bonzinhos de bola, outros nem tanto assim, mas, todos muito badalados, muito propagandeados pelos veículos da grande mídia esportiva e sinceramente eu que sou um apaixonado pelo bom futebol e já vivi mais de meio século, só um pouquinho a mais, fico observando estes supostos craques jogando e confesso que sempre fiquei muito decepcionado e as vezes frustrado, com os supostos craques. 

Aqui no Brasil uma porrada de jogadores foram elevados à condição de craques, chegaram até a ganhar uma estranha copa do mundo, onde claramente a arbitragem deu uma força estranha, errando a nosso favor por duas vezes durantes os poucos jogos da copa, o que nos deu duas vitórias marotas na caminhada para o penta campeonato. Ali já tínhamos algo muito estranho acontecendo, o Brasil, cheio de bons jogadores como Djalminha, Edmundo, Mauro Galvão, já mais velho a bem da verdade, mais ainda jogando em alto nível, Alex, Felipe, Pedrinho, Ramon Menezes, Juninho Pernambucano e Paulista, Palhinha, Donizete, Diego e vários outros jogadores muito bons, sem oportunidade e a torcida tendo que acreditar que os bons era um tal de "quadrado mágico", mais Gilberto Silva, Hermerson, Junho Baiano, Roque Junior, Cafu, Roberto Carlos e outros jogadores tidos como craques, mas, em minha opinião todos "cabeção" (expressão que gosto de usar para dizer que o jogador é burro).

Não dá para ser insano e afirmar que os caras eram ou são, já que alguns ainda estão em atividade, completamente pernas de pau, afinal de contas, não existe "geração espontânea" segundo Louis Pasteur 1859, e estes jogadores, souberam e/ou sabem fazer uso de algum fundamento básico do futebol para serem transformados em craques pela grande mídia esportiva. Mas, daí afirmar que eram craques, ou que são, é forçar de mais amizade, somente, jogadores médios, nada de especial. E no mundo todo foi assim, agora estamos vendo encerrar o ciclo de alguns destes jogadores médios que foram alçados à condição de craques. 

Na boa galera do futebol, me segurei muito para escrever sobre este tema, para não parecer chato, o diferentão que reclama de tudo que é popular, mas, na boa, Cristiano Ronaldo, Lewandowisk, Lukaku, De Bruyne, Xavi, Iniesta, Griezmann, Benzema, Neymar, Soares, Cavani, Di Maria, Agüero, Giroud, Müller entre outros que não me recordo agora formaram uma geração de ouro do futebol, mais só mesmo, por conta dos valores financeiros que movimentaram e ainda movimentam no mercado da bola, mas, todos passam muito longe de serem craques, acrescente a está lista o "quadrado mágico" do Brasil, ou melhor a seleção titular do penta. Todos sem excessão foram e ainda são apenas bons jogadores e alguns jogadores só  razoáveis.

Destas gerações, entre os mais caros do mundo, destaco o Messi e o Modrić, que são jogadores mais completos, que eu em minha exigência, também não os trataria por craques, mas, certamente são jogadores com mais recursos do que os demais. 

Mas, o mundo do capital em sua gana de extrair lucro de tudo, transformando tudo em mercadoria, precisa produzir em larga escala e extrair maior lucro sobre este produto, daí surgi a necessidade de criar estes jogadores mercadorias e vendê-los para o maior número de compradores por todo o mundo. Isto mesmo, as volumosas cifras não estão só na venda e compra de jogadores pelos grandes clubes europeus, ou pelo futebol chinês quando chegam a uma idade mais avançada, mas, e principalmente, na comercialização de produtos com as marcas destes atletas. 

Essas gerações vão passando, mas, o mercado vai produzindo novos produtos para ir substituindo os que vão perdendo valor de uso, que vão perdendo o prazo de validade. Esta copa de 2022, ao mesmo tempo em que vai dando fim a um ciclo, já está produzindo um novo ciclo de novos produtos para o mercado. Novos "craques" vão surgir para manter aquecido o mercado da bola. Espero que esta próxima geração venha com jogadores melhores, com ao menos uns 10 espalhados por este mundão de meu Deus que possamos realmente chamá-los de craques, têm alguns bons nomes, que ainda não dá para saber se vai vingar, mas, têm alguns aí, vejamos as cenas dos próximos capítulos.

domingo, 4 de dezembro de 2022

AINDA SOBRE FUTEBOL - PARTE 1

POR PROFESSOR JOÃO PAULO

Estamos vivendo a copa do mundo de futebol 2022 e por mais que tenhamos todas as críticas ao que foi feito do futebol não tem como nós que jogamos futebol, mesmo amador, e gostamos do esporte, não está ligado nos jogos da copa do mundo. Particularmente tenho me esforçado para assistir ao máximo possível de jogos, já vi todas as seleções jogar e fiz minhas observações sobre todas elas, posso dizer que já tenho minhas impressões sobre cada uma e sobre o atual estágio do futebol mundial, neste processo de observação dos jogos da copa. 

E por incrível que pareça, meu olhar não mudou muito agora que estou conhecendo o que supostamente é o melhor de cada país que está disputando o campeonato esportivo mais importante do planeta. Uma atividade esportiva que nesta edição certamente movimentará mais de três trilhões de dólares, por baixo, no mercado mundial. 

Antes da copa eu pouco acompanhei o futebol, minha participação como telespectador se restringiu a asisti alguns jogos do campeonato inglês, da Champions league com meu filho, que é um cabra apaixonado pelo futebol, e a assisti a alguns jogos do meu time aqui no campeonato brasileiro. Em alguns oportunidades assisti a jogos do Palmeiras e Flamengo, pois, me disseram que estavam muito bons e eu quis ver com meus próprios olhos e a dois jogos do Fluminense, pois, me disseram que Paulo Henrique Ganso havia voltado a jogar bem e fui conferir. 

Bem, voltando aqui para o tema copa do mundo, após situar os leitores sobre o meu lugar de fala, fiz questão de acompanhar o máximo dos jogos possíveis desta primeira fase da copa do mundo. Não gostei muito do que vi! Sou um cara de 53 anos e tive o prazer de começar a gostar de futebol pra valer em 1978. Nesta época contrariando a cultura familiar de maioria vascaina, já torcia pelo Botafogo, sinceramente até hoje não sei porque comecei a torcer por este clube, mas, hoje em função dos estudos sobre futebol, achei uma justificativa plausível para minha preferência.

Passando a entender o futebol desde 1978, copa do mundo na Argentina, fui agraciado por ver ainda muitos dos gênios deste esporte em atividade. Hoje a referência que tenho do futebol tem como fundamento, o que vi na prática destes gênios e certamente quando ouso a comentar sobre o tema busco minhas referências, que certamente não serão de forma alguma as referências do meu filho 20 anos mais novo que eu e em função disto, me pego sempre em conflito com figuras da mesma geração dele e de gerações posteriores à dele, natural que seja assim, se temos referências diferentes nossos olhares sobre o mesmo objeto tende a ser também divergentes. 

Mas, se tem algo fora da minha área do conhecimento que eu conheço bem, essa coisa é o tal futebol, tenho até vontade de por na prática as minhas teorias sobre futebol, só para testar se na prática funcionaria, como funciona na teoria o meu olhar sobre o esporte, "este ano tenho até brincado, que vou escrever para o consulado de Cuba e pedir um emprego lá para ensinar os cubanos jogar futebol e classificar o país para sua primeira copa do mundo". 

Mas, como estava falando em algum lugar aí acima, esta copa do mundo só confirmou o que eu já havia percebido no futebol. E aquele máxima repetida muitas vezes para mim, "o futebol mudou muito" é uma realidade. Realmente o futebol mudou pra caramba, o que está errado nesta frase dita muitas vezes em minhas discussões sobre o principal esporte do planeta é seu complemento. Estas novas gerações realmente acreditam que a forma como se joga hoje é melhor e mais complexa do que a forma como se jogava nos idos dos anos de 50, 60, 70, 80 e 90 do século passado.

Não é mesmo galera! O futebol atual se tornou um esporte previsível e muito pouco criativo, o mundo inteiro joga como jogam os europeus. É isso, o velho mundo recolonizou o mundo do futebol, todos os treinadores do planeta adotaram o jeito europeu de jogar futebol; todos as seleções jogam compactadas na marcação, em duas linhas, quando retoma a posse de bola procuram sair rápido para o ataque para evitar a compactação do time adversário, a única novidade nesta copa e a exceção é a seleção da Espanha, que marca igual a todos os outros times, mas, na hora de atacar, sai tocando a bola de pé em pé de forma mais cadenciada, o que deu muito certo no primeiro jogo contra a fraca seleção da Costa Rica, mas, foi só também, acabou em segundo lugar no seu grupo. 

Não mesmo galera do futebol! O futebol de hoje não é mesmo melhor do que o que eu acostumei a ver na minha infância, adolescência  e juventude. Até acredito no argumento que diz dos atletas hoje estarem fisicamente mais preparados do que os jogadores de outrora, afinal, todas as ciências avançaram muito e a medicina, a nutrição, a preparação física, também avançaram e criaram métodos mais eficientes para produzir indivíduos e hábitos mais saudáveis. Mais o problema que o esporte não é só condicionamento físico, no esporte exige talentos e os jogadores atuais deixam muito a desejar neste quesito. Em outra perspectiva, a europeização do futebol mundial engessou o esporte de mais e este engessamento também contribuiu para a perda do talento dos jogadores. Entraram numa de que todo mundo tem que jogar e marcar, eu nunca vi Zico, Sócrates, Roberto Dinamite, Eder, Dirceu, Jorge Mendonça, Mendonça, Paulo Isidoro, Mário Sérgio, com esta obrigatoriedade de marcar, eles até faziam porque é um dos fundamentos primordiais do esporte, e faziam do seu jeito, da forma que lhes eram conveniente, mas, não por obrigação tática. O craque, o gênio sabe o tempo certo de contribuir na marcação e o tempo certo de fazer o espetáculo da bola. 

A copa inteira o que vi até agora foram alguns lances plásticos de alguns jogadores mais técnicos, posso até citar alguns nomes aqui, na França, Mbappé, Dembélé, Griezmann e Rabiot. Na Argentina, Messi e Di Maria. No Brasil, Vinícius Júnior, Anthony, Richardson, Martinele, Neimar. Alguns jogadores das seleções de Senegal, Gana e Camarões, em especial o jogador Aboubakar que marcou contra o Brasil, e outros que não vou me recorda dos nomes, um japonês que joga pra caramba, mas, também não me lembrarei do nome e alguns jovens jogadores da Espanha e da Inglaterra que também não vou me lembrar dos nomes e nem vou "da um Google" agora pois, estou dentro do buzu para Itapetinga e não tenho Internet. 

Fora estes atletas com uma técnica mais apurada, mais habilidosos o resto da copa tem sido uma repetição de esquemas táticos de marcação, muita correria e pouquíssima inteligência individual, raríssimos momentos de criatividade superando os esquemas táticos. Ô saudade do calcanhar de Sócrates, dos dribles de Zico e Maradona, dos chutes de Roberto Dinamite, dos passes perfeitos de Platini e Falcão, do futebol irreverente de Rivelino, Roger Millar e Okocha. 

Quanto a nossa seleção, a seleção brasileira, mais do mesmo, um time formado pelos patrocinadores dos jogadores, esquema de mercado mesmo, e é bom dizer que não é uma exclusividade da CBF e da seleção brasileira, me parece que este esquema é global, quem determina quem vai pra copa são os grandes empresários que patrocinam o futebol mundial e os jogadores.

Esta geração de atletas mercadorias têm até jogadores individualmente razoáveis. Mas, o conjunto de nossa seleção é muito ruim, nosso treinador que está a duas copas a frente da seleção brasileira não conseguiu criar um esquema tático para a seleção, acho que por não ter autonomia para convocar os jogadores, ele jogou a toalha, escala os 11 que os patrocinadores da CBF manda, e diz para os caras, vai lá e joga, vocês não são os bons? Esta ao menos é minha impressão assistindo aos jogos.

Por incrível que pareça, para mim o jogo em que o time jogou melhor foi este último contra a seleção de Camarões, e foi o único que o Brasil perdeu. O time foi mais objetivo, chutou mais no gol adversário, obrigou ao goleiro adversário ser o melhor jogador em campo e tomou um golzinho maroto no final e perdeu a partida o que tirou o mérito de todo o jogo onde o Brasil foi tecnicamente melhor do que os adversários e melhor do que o próprio time nos jogos anteriores.

É isto então, algumas de minhas impressões sobre o futebol neste momento de copa do mundo, a partir de todos os jogos que tive a oportunidade de assistir. Nada de especial no futebol atual, o mito de que o futebol europeu é modelo para o mundo está caindo por terra, o velho continente e o novo futebol, está sendo derrotado, claro que a possibilidade de França, Espanha, Inglaterra, Croácia e quem sabe até Portugal e Holanda, serem campeãs são grandes, não porque os times são maravilhosos e a Europa pratica o melhor futebol do mundo, mas, porque todos que passaram para a segunda fase jogam do mesmo jeito e todos os times se equivalem taticamente e tecnicamente. Mas, seria muito bom se um time fora da América do Sul e da Europa vencesse a copa, ou se tivéssemos uma final entre Senegal e Japão, difícil, mais não é impossível, aguardemos as cenas dos próximos capítulos.

sábado, 26 de novembro de 2022

LIVE DE DOMINGO - Canal MCOESO


É fundamental que passemos a perceber as questão de classes, que servem como base estrutural para o racismo. E a partir deste pressuposto, compreender que a superação do racismo passa essencialmente pela superação do modo de produção capitalista, este é o caminho mais sólido para a luta contra o racismo e o movimento contra o racismo em todo o mundo...

OBSERVANDO A REALIDADE A PARTIR DA COPA DO MUNDO.

POR PROFESSOR JOÃO PAULO

Tem um aspecto que talvez não tenha sido levado em conta pela maioria dos espectadores e telespectadores dos jogos da copa, a torcida nos estádios, e vou mostrar o porque da importância disto. Eu tenho assistido a quase todos os jogos, só deixei de assisti dois jogos até o momento e tenho prestado muita atenção na presença da torcida nos estádios. 

Sabemos que o preço dos ingressos em  copas do mundo são sempre muito caros, na verdade, tudo que é produção cultural se tornou muito caro. Li em vários canais da Internet e também assisti na televisão, em várias reportagens, que a copa do Catar tem os ingressos mais caros de todas as copas, 45% mais caros que os ingressos da última copa na Rússia. Desta forma é claro que só irão assisti aos jogos ao vivo, os torcedores que tem maior poder aquisitivo.

Então me ocorreu que deveria observar quem estava nas arquibancadas, qual o público dos vários países que disputam o campeonato mundial, se fariam presentes nas arquibancadas dos estádios, e estou fazendo isto. Não para minha surpresa, pois, já imaginava que fosse desta forma, a maioria absoluta dos torcedores nas arquibancadas são brancos. A exceção das seleções da África Central e Ocidental, Senegal, Gana e Camarões, que naturalmente, os mais ricos são de maioria negra. Mesmo seleções como Costa Rica, Equador, França, Brasil, onde a maioria dos atletas são negros ou mestiços, a Arábia Saudita e Catar que tem atletas, com a pele escura e negros, os torcedores são brancos em sua maioria. 

Esta percepção fica mais evidente no momento em que você olha a seleção do Equador, em que 95% dos jogadores são negros, mas, não tem torcedores negros na arquibancada. Nesta copa do mundo a novidade é o México, que ao menos no primeiro jogo, não tinha nenhum jogador aparentemente descendente dos povos originários no time titular e nem torcedores com fisionomia destes povos, só retificando, no jogo de hoje contra a Argentina, vi dois ameríndios na arquibancada, ao menos foi o que foi visto na primeira partida do país da América Central, mas, que está politicamente na América do Norte. 

O que está situação demonstra, deixa claro é a condição social de racismo estrutural e também econômico a que o mundo está submetido. Mostra a face mais perversa do capitalismo, e como este modelo de desenvolvimento é desigual. Os negros, os mestiços, os pardos podem até serem os protagonistas dentro do campo, serem as principais atrações do espetáculo. Mas, a condição sócio-econômica dos seus iguais em seus respectivos países, não lhes permitem participar da festa do futebol mundial se não estiverem dentro das quatro linhas do campo, pois, a grande maioria dos negros, dos povos originários, dos mestiços de todo o mundo, estão vivendo na condição de pobreza e até de pobreza extrema.

Por que não vemos nos estádios do Catar os trabalhadores que construíram os estádios? A copa do mundo no país mais rico do mundo, quando se avalia a renda per capita por habitantes, é um cruel retrato do capitalismo. 

Esta é a sensação que a observação das arquibancadas dos jogos da copa do Catar nos trás. O capitalismo é perverso com toda a classe trabalhadora, mas, certamente ele ainda é mais perverso com todos os não brancos do mundo. Somos nós que estamos muito mais alijados dos direitos fundamentais para uma vida digna, dos direitos mínimos que nos garanta qualidade de vida, somos nós os mais oprimidos por esta sociedade dominada pelos brancos e pensada somente para eles.

Sei que até parece que estou minimizando a questão do racismo estrutural a partir do futebol, mas, é extremante simbólico esta representação de uma realidade que é mundial. Neste sentido, é fundamental, que começemos a entender o racismo, não só em função da cor da pele, não só em função das diferenças étnicas, como algumas teses apontam. 

É fundamental que passemos a perceber as questão de classes, que servem como base estrutural para o racismo. E a partir deste pressuposto, compreender que a superação do racismo passa essencialmente pela superação do modo de produção capitalista, este é o caminho mais sólido para a luta contra o racismo e o movimento contra o racismo em todo o mundo precisa tomar consciência de que a luta pela igualdade racial é também a luta por um novo modelo de sociedade, por um novo paradigma civilizacional,  parafraseando o discurso dos PANTERAS NEGRAS, "nos não queremos um capitalismo negro, lutamos pelo socialismo". 

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

FUTEBOL, ALEGRIA DO POVO?

POR PROFESSOR JOÃO PAULO

Já passou da hora da América Latina tomar vergonha na cara no que se refere ao futebol. Criou-se uma falsa ideia de que quem joga na Europa são os melhores jogadores, convencionou-se pensar desta forma e isto se tornou uma cultura nestas primeiras décadas deste novo século, em todo o continente Americano, quem sabe até em todo o mundo. 

São estes, os atletas que jogam no grande futebol europeu, que são convocados para as respectivas seleções nacionais. E são eles os titulares absolutos dos treinadores, mas, não só dos treinadores, as populações dos países americanos, a imprensa esportiva assumiram esta perspectiva como cultura futebolística. 

Aí assistimos à situações deprimentes. Primeiro a europeização da forma de jogar futebol. Não dá para acreditar que este futebol meramente tático do praticado no velho mundo seja melhor do que a arte, a catimba, a elegria, o drible do futebol latino americano. Segundo, a Europa, é um continente formado por cinquenta países, estes cinquenta países têm quinze grandes times aproximadamente, vamos contar pra tirar as dúvidas: Espanha: Barcelona, Real Madrid, Atlético de Madrid, na França: PSG, na Alemanha: Bayer de Munic e Boruccia Dortmund, Itália: Juventus, e agora quem sabe, após os investimentos chineses a Inter e o Millan podem voltar a crescer e por fim a Inglaterra que tem o campeonato mas qualificado da Europa tem mais times de qualidade, dez times na verdade, nem vou enumerar pra não deixar o texto muito extenso. Vamos considerar que além destes tenham ainda mais dois ou três times grandes, o que forma aí um grupo de vinte, vinte e um, vinte e dois ou até vinte e três grandes clubes, o que não dá um campeonato brasileiro, é bom lembrar que destes clubes há clubes que estão tecnicamente no mesmo nível de times coadjuvantes do brasileirão, e precisamos levar em conta que estes times grandes são um catado de jogadores de todos os cantos do mundo.

E em terceiro lugar, quem disse que ganhar altos salários é sinônimo de qualidade técnica? O maior jogador de todos os tempos em minha opinião, o Mané Garrincha, morreu pobre e além dele, quantos outros atletas, tambem de ótima qualidade técnica, não conseguiram fazer sucesso e jogar no futebol europeu? 

O grande problema é que a cultura  hegemônica de toda a dinâmica social é a cultura burguesa, que estabelece um valor de mercado para tudo e todos, é o processo que Marx e Engels denominou de "processo de coisificação e reinficação da sociedade" e o capital coisificou e reinficou inclusive nosso olhar sobre o mundo e aí quando menos esperamos, nos pegamos fazendo a defesa da ideologia burguesa, da cultura hegemônica burguesa, porque também estamos hegemonizados por ela. 

Hoje assisti ao jogo entre Uruguai e Coreia do Sul, momento muito triste para quem é apreciador do bom futebol. Sinceramente vi os grandes nomes do futebol uruguaio, atletas muito bem pagos no futebol europeu, jogadores que atuam nos times grandes da Europa, e fiquei me perguntando, por que diabos Arrascaeta não está em campo? Quero acreditar que ele está lesionado, pois, é o único motivo para ele não ser titular da seleção uruguaia, diante do baixíssimo nível dos jogadores que estavam de titulares e que entraram no decorrer da partida. 

Da mesma forma como não entendo a não convocação do centroavante do Fluminense o Germán Cano, um atleta argentino, de 34 anos que nunca teve uma oportunidade de jogar uma copa do mundo em uma seleção que ao menos há três copas está carente de um bom artilheiro, certamente se ele estivesse no jogo uma daquelas bolas que cruzaram a área da Arábia Saudita no segundo tempo podia ter sido convertida no gol de empate da seleção Argentina, mas, o cara é só artilheiro do campeonato brasileiro, não merece está na seleção.

E o futebol tem sido isto neste início de século XXI, se não estiver jogando na Europa, ganhando altos salários, o jogador não serve para esta na seleção do seu país, mesmo que tenham desempenhado um ótimo papel nos campeonatos nacionais, mesmo sendo um grande jogador de futebol. Nem na cultura popular pelo visto, o atleta deve ser lembrado, afinal, se não joga na Europa deve ser um atleta ruim. Foi nisto que se converteu o principal esporte do planeta, praticado em quase todos os países do mundo, o esporte que promove a maior festa esportiva em todo o planeta Terra, uma mera mercadoria que precisa gerar muito lucro para os investidores.

sábado, 19 de novembro de 2022

UM RÁPIDO OLHAR SOBRE UM FUTURO PRÓXIMO


POR PROFESSOR JOÃO PAULO

Não há dúvidas alguma de que estão tentando minar o futuro governo Lula. Acredito que está na hora do PT ser menos republicano e mais ideológico. Não podemos pegar leve com a burguesia brasileira, pois, eles jamais vão aliviar para a classe que vive do trabalho, e os movimentos que estão fazendo neste momento, antes mesmo do terceiro governo Lula começar, deixa isto bem claro. 

A carta que os economistas liberais do PSDB enviou para Lula, não foi uma recomendação para tomar cuidado com o tal "equilíbrio fiscal". Foi na verdade uma ameaça, para intimidar o presidente eleito e forçá-lo a por na pasta do Planejamento e/ou da Fazenda, um liberal. 

O mercado financeiro plantou o Armínio Fraga e o Pérsio Árida na campanha como apoiadores para isto, para aparecerem como supostos apoiadores, para minar por dentro as estruturas do futuro governo. Depois, a pressão de bastidores para queimar o nome de Guido Mantega, feita indiretamente e diretamente pela rede Globo, mais especificamente, o Jornal O Globo e a GloboNews, mas, também, pelo Estadão, pois, o Mantega é uma ameaça para o mercado, para esta "mão invisível" que, não tem nenhum contribuição factível à população deste país, somente determina os rumos que a política econômica deve seguir e suga as riquezas produzidas pelo povo brasileiro. Pois, durante os oito anos de Mantega, a frente do Ministério da Fazenda, em nenhum momento, houve privilégio aos interesses do mercado. 

Mas, me parece que não conseguiram intimidar Lula, que continua falando que seu foco central está em melhorar a vida de todas e todos que mais precisam do Estado. Ontem a rede Globo tentou sem sucesso plantar um discurso na boca de Lula, afirmaram que sua fala em Portugal mostrou um retrocesso e um aceno ao mercado, por ele ter dito que cuidaria do povo, mas, respeitando o "equilíbrio fiscal". Esta turma já deve ter esquecido, que em todos os debates que Lula participou durante a campanha, nas entrevistas que prestou a órgãos de imprensa Corporativa e alternativa durante a campanha, Lula disse a mesma coisa. Em nenhum momento Lula e o PT se colocou na condição de passar por cima do equilíbrio fiscal, o que é um erro em minha avaliação, o que Lula questionou é continua questionando, é o tal de "teto de gastos" uma aberração golpista, criada pelos agentes do próprio mercado, com o objetivo de garantir que a riqueza produzida pela classe que vive do trabalho no país, seja usado quase em sua totalidade, para pagar juros da dívida pública ao mercado. 

E o grande temor desta gente perversa do mercado é que, com o PT governando, as coisas não sejam feitas da forma como eles desejam e determinaram ao Paulo Guedes na condição de ministro da economia do governo fascista de Bolsonaro. Aí se entende porque a maior parte da burguesia rentista do mercado apoiaram a candidatura fascista à presidência, mesmo os empresários urbanos que passaram a ter uma margem de lucro menor, mas, como boa parte deles são credores do Estado Brasileiro, e o governo fascista ampliou a dívida pública e cortou todos os investimentos sociais do Estado, o que fica claro observando a LDO enviada por este governo este ano, para o ano quem vem, e prontamente aprovada pelo Legislativo, que infelizmente, ainda terá maioria subserviente aos interesses do mercado para a próxima legislatura.

Não será uma governabilidade tranquila para Lula e para a frente de centro-esquerda e esquerda que se formou em torno do PT e do companheiro Lula. Nossos companheiros que estarão no próximo governo, terão que ter muito jogo de cintura para se relacionar com as víboras do rentismo, que dominam a economia e a política no Brasil se quiserem ter sucesso em seus objetivos de melhorar a vida de todas e todos que são vulnerabilizados pelo capitalismo. 

Quanto a nós que não estaremos nas fileiras da institucionalidade burguesa, nos caberá o papel de fazer o bom combate no meio social, nos movimentos populares, onde devemos ser a vanguarda da classe que vive do trabalho. Usando um pouco da perspectiva Gramsciana, nos próximos anos teremos que fazer a "guerra de movimento" e a "guerra de posições", ocupar todos os espaços políticos tanto na "sociedade política" onde ainda não temos à hegemonia, infelizmente, e na "sociedade civil", onde podemos e devemos está mobilizados para garantirmos esta hegemonia. 

Esta é em uma análise rápida sobre os caminhos que deveram nortear nossa atuação militante daqui para frente, não há mais espaços para a omissão política, cabe a todos e todas entendermos este processo e assumirmos nossas tarefas daqui para frente. A luta de classes nunca sairá de cena enquanto o capital for hegemônico no mundo. Mesmo que a esquerda assuma uma posição de conciliação de classes em função da conjuntura, a burguesia estará sempre nas trincheiras, na espreita para dar seu golpe mortal, cabe a todos nós nos mantivermos em nossas trincheiras, compreender os movimentos da burguesia e antecipar nossas ações, não podemos continuar jogando na defensiva.

É SÓ MINHA OPINIÃO, MAS, OS NOVOS BAIANOS ERA FODA DE MAIS.


POR PROFESSOR JOÃO PAULO

Não é segredo para ninguém que eu sou apaixonado por música, sem restrições a ritmos, estilos, nacionalidades e tempo, pois, considero a produção artistica atemporal. Basta ser boa, com uma métrica agradável, com uma letra ou poesia bonita, (este quesito não serve para músicas internacionais, pois, só falo mal, mal, o português), com campos harmônicos bem construídos e uma melodia bonita que imediatamente já gosto. 

Sou bem chato em relação à música, também adimito, se a produção musical não cumprir alguns dos requisitos listados acima para despertar meu interesse, ela não me serve, é até por isso que gosto de pouquíssimas coisas que são produzidas e que ganham espaços midiáticos, atualmente, todas elas faltam algum dos requisitos apontados por mim acima. Mas, fora deste universo midiático e fonográfico tem muita coisa boa sendo produzida. Rompi com vários preconceitos que tinha para perceber o que está sendo produzido como música alternativa neste país e no mundo. 

Claro que minha opinião está no campo do gosto musical, não sou músico e me falta a propriedade técnica para fazer uma avaliação da música com maior precisão e rigor técnico. Mas, consigo compreender algumas coisas da música que a maioria da população não consegue. Por pesquisar muito sobre música, acabei aprendendo alguns pontos importantes para análises musical .

Também não quero neste breve ensaio convencer alguém que meu gosto musical é melhor do que o de ninguém, como faço minhas avaliações sobre música a partir do que gosto de ouvir, respeito totalmente a opinião de outras pessoas mesmo discordando de suas preferências e também dou o direito para que discordem de mim. 

Ao longo de meus 53 anos, já ouvir e gostei de muitos estilos, ritmos musicais. Já ouvir, Samba, Heavy Metal, Punk, Funk, Pop-rock, Pop nacional e internacional, Reggae, Forró, Música Baiana, Frevo, Axé Music, Rap e Rip Rop de boa qualidade e até ouço alguns artistas bem comerciais da atualidade. 

Tenho claro minha preferência hoje pela MPB, e seus vários estilos musicais. Também sou aficionado pela Música Baiana, gosto de tudo que os grandes artistas da Bahia produz ou produziram na história musical deste estado e consequentemente do país. E por falar em música baiana, é exatamente sobre isso que quero escrever.

A Bahia é um grande celeiro de artistas maravilhosos, espetaculares a bem da verdade. Os musicos deste estado têm uma participação histórica na produção musical brasileira, se levarmos em conta que a música brasileira surgiu na Bahia, esta participação fica ainda mais representativa. Em minha opinião, os melhores artistas do país nasceram aqui, a exceção de Milton Nascimento.

Mas, quando falamos em bandas, conjuntos, em minha humilde opinião, a melhor de todos os tempos, não só no Brasil, mas, no mundo, também nasceu aqui na minha bonita Bahia. Mas, quero dizer que trata-se mais uma vez, de minha opinião, a melhor banda que já existiu na música mundial, foi os NOVOS BAIANOS, e quanto mais ouço, pesquiso, conheço o trabalho desta galera, que infelizmente já perdemos, "os eternos"dois, Morais Moreira e Luiz Galvão, mais apaixonado fico. 

Os caras individualmente são monstros da música, todos eles são grandes artistas, cantores, compositores, instrumentistas, do mais alto quilate, poetas. Em conjunto eles foram fantásticos, a música produzida por estes caras durante o período de existência dos Novos Baianos ninguém nunca fez igual e duvido muito que surja outra banda que produza uma música tão grande e tão rica em fusões rítmicas e harmônicas como eles fizeram no final dos anos 60 e durante a década de 70 do século passado.

Como disse no princípio, não sou músico, minhas opiniões são muito fundamentadas em meu gosto musical, mas, tenho algum conhecimento musical e o que os Novos Baianos faziam e fazem ainda já que só dois, infelizmente, faleceram, é impressionante para o momento em que eles vivam, ainda não existiam as tecnologias usadas na música atualmente, naquele momento os artistas tinham que serem bons de verdade e ninguém foi e nem acredito que alguem será como eles. 

Pode até parecer uma análise de um fã apaixonado, e na verdade é, mas, é mais do que isto. Qualquer músico que ler o que escrevo aqui, por melhor que seja este músico, certamente vai concordar com essa avaliação que faço. Claro que eu tenho plena consciência de que a música também é uma expressão cultural dialético e a medida em que o tempo vai passando os músicos vão se aprimorando e trazendo novidades para a música que talvez os integrantes dos Novos Baianos não tenham acompanhado. Mas, no momento em que eles se organizaram como banda e o que eles produziram em relação ao que se produzia naquele momento e o que se criou após os Novos Baianos eles ainda não conseguiram ser superados, foram vanguarda e ainda se mantém na vanguarda da música, e eu gosto de muita coisa que considero muito boas, mas, nenhuma delas em minha humilde opinião supera os Novos Baianos.

Como disse lá no início este ensaio não é para traçar um quadro comparativo entre artistas e nem para convencer ninguém do meu gosto musical, mais ouvindo outro dia esta banda, não poderia deixar se fazer este registro. Os caras eram, são e serão eternamente fantásticos e as gerações futuras precisam ter algo que os  despertem, para que pesquisem e conheçam os NOVOS BAIANOS, a arte de verdade não pode ser esquecida nunca.

sexta-feira, 18 de novembro de 2022

UMA ANÁLISE POLÍTICA DOS ÚLTIMOS ACONTECIMENTOS POLÍTICOS NO PÓS-ELEIÇÃO 2022

 

POR PROFESSOR JOÃO PAULO 


Hoje é dia 18 de novembro de 2022, tem exatamente 20 dias que o Partido dos Trabalhadores e uma grande frente em defesa da democracia, venceu a eleição no país. E como eu já tinha escrito em ensaios anteriores este governo seria um governo em disputa, até em função do amplíssimo arco de alianças construído para vencer a necropolitica fascista no país. Sempre avaliei que seria assim, mas, a burguesia está exagerando, antes do governo começar, já estão tentando pautar o governo, na verdade impor ao governo Lula a agenda neoliberal que pretendiam por em pauta com a tal terceira via.

É incrível como após o anúncio do relator da LDO e da equipe de transição de que o orçamento enviado para o Congresso, pelo atual governo não contemplava as necessidades do projeto de governo de Lula de combate à fome e à miséria no país, e por conta disto a equipe de transição está propondo uma PEC para poder usar 175 bilhões a mais, acima do Teto de Gastos, o "deus mercado", ficou ouriçado, exigindo a manutenção do "equilíbrio fiscal", a Rede Globo imediatamente deu início ao seu processo conspiratório, alguns dos "analistas jornalistas", já começaram a fazer o jogo sujo da Faria Lima. 

Estes próximos quatro anos não serão fáceis para nós, o campo popular e democrático, a esquerda no Brasil, não tenho dúvidas da importância de ter se formado a frente ampla para derrotar eleitoralmente a candidatura fascista, agora virão os ônus desta aliança. Certamente não teríamos vencido o processo eleitoral, sem a Simone Tabet, Marina Silva, Geraldo Alckimin, o apoio de setores mais racionais no PDT, e outras figuras que vieram apoiar a candidatura Lula no segundo turno. Também acho o Lula maior que todas e todos, maior inclusive do que o PT e se tivesse sido  qualquer outro nome o candidato, não teria a capacidade política de vencer o processo, dado o uso da máquina estatal promovido pelo representante da extrema-direita para vencer o processo eleitoral. Mas, certamente esta grande frente trouxe os votos que faltavam para vencer o aparato e o aporte financeiro usado pelos fascistas durante a campanha eleitoral. 

Entretanto, ao que tudo indica a eleição ainda não acabou de fato. O fascismo continua mobilizado, os fascistas continuam organizados, ocupando as ruas, leia-se frente dos quartéis, e conspirando contra a democracia, contra o resultado legítimo das urnas. Neste momento estão apenas protagonizando cenas em alguns momentos tenebrosas de violência covarde contra pessoas que transitam de casa para o trabalho, ou cenas patéticas de uma gente louca e burra fazendo papel de palhaços de verde e amarelo publicamente, mas, não nos enganemos, eles estarão mobilizados e na oposição. 

Por outro lado, já estamos assistindo aos pseudos aliados de campanha, representantes da burguesia, o tal mercado, a mão invisível que domina a economia e a política do país, usando a sua arma mais poderosa, a rede Globo, para tentar pautar a política econômica do futuro governo Lula. Estão a todo custo tentando impor ao PT, à centro-esquerda e a esquerda a pauta neoliberal da terceira via. Até a Simone Tabet, que foi muito importante na campanha, já deu uma alfinetada em um governo que ainda nem começou. 

Não teremos muita paz nestes próximos quatro anos, isso já está ficando bem claro nestes primeiros movimentos. Vamos ter que manter os movimentos populares mobilizados, para não permiti um novo golpe, ou o tencionamento da burguesia empurrando o governo para a direita. A pouco vi o Armínio Fraga, economista neolineral, ex-presidente do Banco Central nos governos do PSDB, falando sobre o risco de não seguir a pauta neoliberal do equilíbrio fiscal, e afirmando, que deve-se cuidar dos mais pobres, mas, sem desagradar o mercado. 

A Globo, desde que a equipe de transição de governo Lula falou da necessidade de se fazer um aditivo a LDO para garantir a manutenção do pagamento do Bolsa Família de R$ 600,00 e propôs um investimento de 200 bilhões de reais acima do tal teto de gastos, que é uma proposta econômica criada pelo golpismo de 2016, que não parou de afirmar a mentira que esta proposta pode levar o país a um caos econômico, mas, não tem coragem de dizer que nós quatro anos de governo fascista o teto de gastos, foi destruído, o Paulo Guedes e Bolsonaro, gastaram 700 bilhões acima do Teto proposto por esta burguesia. 

O quadro que vamos enfrentar é este. Os fascistas mobilizados, pelo que aparenta neste momento, sob nova direção, já que ao que tudo indica os Bolsonaros estão mais afim de se livrarem da cadeia do que de liderar esta horda sinistra. E a direita dita liberal conspirando para derrotar o governo Lula e impor sua agenda neoliberal, mesmo sem ter votos para eleger candidatos, mas, usando principalmente seus aparelhos ideológicos para minar o terreno das esquerdas e se reestruturar a partir de um fracasso, promovidos por eles, do governo que está para começar. 

Não nos enganemos, as declarações da Simone Tabet a revista Isto É, não foi uma vacilo, não foi uma declaração equivocada de uma aliada, tudo faz parte do mesmo pacote, tudo é parte do jogo político que está sendo jogando pela Faria Lima. Ela, a Simone, é a carta na manga da burguesia rentista brasileira, o processo eleitoral a cacifou para ser o nome da burguesia para 2026, ou para qualquer outro processo, afinal, não sabemos o que nos trará um futuro próximo. 

O certo é que este momento exige das esquerdas uma unidade de ações políticas que fortaleçam os partidos de esquerda no meio popular e ao mesmo tempo organizem os movimentos sociais e populares para o enfrentamento à classe dirigente brasileira (burguesia), pois, estes nunca abandonam a luta de classes e estão sempre prontos para nos golpear.

domingo, 13 de novembro de 2022

Super Live de Domingo - Lula na COP-27 Egito 2022


O Canal do MCOESO no Youtube apresenta: Marcelo Neves, Tadeu Quadros e Alan Denizart comentam a ´participação de Lula na COP-27.
Domingo às 10:00 da manhã.



PENTECOSTALISMO E NEOPENTECOSTALISMO, UMA DOITRINA DE FÊ OU UMA PATOLOGIA SOCIAL?


POR PROFESSOR JOÃO PAULO

Outro dia escrevi que estamos vivendo sobre uma patologia social que precisa ser cientificamente estudada por psicanalistas, historiadores, sociólogos e antropólogos e fui contraposto por um companheiro de luta, que disse que não podemos falar em patologia, pois, tiraríamos a responsabilidade destas pessoas que estão amontoadas nas portas dos quartéis protestando contra 0% de fraudes no processo eleitoral de 2022. 


De fato alguém precisa ser responsabilizado criminalmente por esta tentativa vil e fútil de golpear a democracia brasileira, na verdade mais uma tentativa, já que todo o governo da extrema-direita direita nazifascista teve como característica principal a radicalização de sua base visando criar sempre um clima de golpe de Estado no país. Mas, não podemos colocar todos que estão fantasiados de verde e amarelo bacando o "Zé Carioca", na mesma vala comum. Fazer isto é na verdade você partir do mesmo pressuposto de que o cara que fuma maconha deve ser preso como o traficante. 

Não podemos dizer que não há uma patologia social quando nos referimos à senhora que aparece em um vídeo toda fantasiada de periquito, segurando uma bíblia e chorando compulsivamente implorando a Deus "que mande seus exércitos para livrar o Brasil do grande mal", com o pastor Malafaia. No primeiro caso, temos uma senhora que foi de alguma forma convencida e/ou alienada da realidade, por sucessivas pregações de mentiras, produzidas e disseminadas pelas figuras dos líderes religiosos. 

Os líderes religiosos nestes casos devem e tem que ser responsabilizados criminalmente, pois, eles tem total consciência de que estão cometendo crimes seguidos quando mentem para seus fiéis e impõem a eles uma realidade inexistente e os obrigam a tomar atitudes irresponsáveis e criminosas contra o processo legal no país. Mas, a senhora fantasiada de periquito precisa de um tratamento psicossocial para se libertar do controle destes líderes que os estão os usando para fins pessoais.

Não dá para estabelecer que o trabalhador negro, bem poucos representados nestes movimentos a bem da verdade, mas, tem alguns sim participando, tem a mesma culpa do vei da Havan nos vários crimes que estão sendo cometidos com estas iniciativas golpistas no país, não são, os pobres que defendem o nazifascismo e o nazifascistas, estão sendo usados por serem ignorantes sobre política, são analfabetos funcionais, desprovidos de qualquer criticidade social. 

Continuo insistindo na tese de que nós que militamos na esquerda precisamos nos debruçar sobre o fenômeno do pentecostalismo e neopentecostalismo, aprofundar nos estudos, nos métodos utilizados para penetrar nas mentes e consequentemente nos corações das pessoas que fazem com quer pessoas que em seu cotidiano conseguem se relacionar socialmente e aparentemente pessoas de boa índole, e quando se trata de política e fé, tornam-se monstros, insensíveis e capazes de transitar entre o   ridículo à perversidade sem se dar conta de suas ações. Para que a gente não haja como a mulher que joga a criança fora junto com a água da bacia, precisamos compreender profundamente este fenômeno.

Estas pessoas sofrem um tipo de intervenção psicossocial promovida por pastores, padres, líderes Kardecistas e até babalorixás e yalorixás que tiveram suas crenças também perpassadas pela ideologia pentecostal e principalmente neopentecostal.

Apesar de sempre trazer a referência de que esta ideologia está transversalizada em todos seguimentos religiosos, não posso deixar de dizer que é no protestantismo que ele encontrou acento, o solo mais fértil para sua disseminação. Não trato o pentecostalismo e o neopentecostalismo como corrente teológica, pode até ter nascido nos Estados Unidos nesta perspectiva teologica, mais rapidamente os detentores do poder, perceberam o potencial deste pensamento como uma ideologia com a possibilidade política de ser usada em favor do imperialismo norte-americano e do capitalismo rentista mundial. E foi neste sentido que esta ideologia foi propagada em toda a América Latina, em países do continente Africano e nos países mais pobres do continente Asiático. Manter a população pobre, explorada e oprimida pelo modo de produção capitalista, em estágio de contemplação de um mundo ideal imagético é um ótimo remédio para tornar o oprimido cordato diante da realidade objetiva. 

E este é o papel do pentecostalismo e do neopentecostalismo neste início de século XXI, tornar o oprimido cordato diante de um opressor que parece ser um semideus para estes oprimidos. É este o olhar que a maioria dos fiéis destes segmentos religiosos têm dos seus líderes figuras que parecem está acima do bem e do mal, escolhidos de Deus para guiar seu povo até a terra prometida, que surgirá no dia do juízo final, um discurso antigo, medieval até, mas, que perdurou na história humana, sobretudo, no mundo cristão ocidental e que voltou fortemente, claro que vestido com uma nova roupagem, mas, com muita força desde meados do século XX.

Mas, o ponto central aqui é a pedagogia utilizada por estes segmentos pentecostais e neopentecostais, que conseguem dialogar de forma contundente e imperativa, com a população mais vulnerável dos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento. Uma relação norteada por um misto de medo apocalíptico, com a esperança da vida no paraíso e da salvação eterna, que fez nascer um exército de figuras completamente descoladas da vida real e vivendo em um multiverso criado pelos pastores em sua maioria, já que é no protestantismo a grande expressão destes segmentos pentecostais e neopentecostais, mas, também de padres absorvidos pelo pentecostaliamo norte-americano, e líderes espirituais de outros segmentos religiosos cristãos e também não cristãos.

Claro que sabemos que estes caras que estão nas ruas lutando para que "democraticamente se instaure uma ditadura no país", estão incorrendo em crimes graves contra a ordem política no país e se estão cometendo crimes têm que serem punidos pelas instâncias responsáveis pela manutenção da democracia. Mas, não podemos deixar de compreender que a maior parte destas pessoas que estão sendo usadas para formarem o grosso destas ações golpistas, são seres adoecidos por essas lideranças que de fora do enfrentamento direto, resguardados pelos muros altos de suas mansões fortificadas, induzem este povo adoecido por este mundo imagético a que foram submetidos por esta gente perversa a viverem ou vegetarem.

Temos assistidos a cenas da vida real que beira à loucura, em um sentido mais amplo da palavra loucura, coisas pitorescas e hilariantes, típicas das esquetes dos antigos programas dos Trapalhões ou do Comando Maluco, protagonizadas por gente comum, como nós, por famílias tidas como normais, em espaços públicos sem se dar conta do papel ridículo a que estão sendo submetidos, e estas pessoas não podem por uma questão política, serem vistas como golpistas somente. 

Estas pessoas certamente estão sofrendo de uma patologia social, que também é política, já que atententam contra a liberdade, contra o contrato social, contra a democracia,  mesmo que seja esta a democracia burguesa. E vencido este processo pós eleitoral, nós cientistas sócios teremos que nos debruçar sobre o fenômeno da doença social do pentecostalismo e neopentecostalismo para entendermos o problema e quem sabe até tirar alguma lição disto para nos ajudar na difícil tarefa de criar uma consciência de classe para toda classe que vive do trabalho no país e no mundo. 

Não dá para nos sectarizarmos este debate, há muito mais para ser discutido sobre este momento histórico do que imaginamos, até porque, este não é um fenômeno brasileiro, está acontecendo em todo o planeta neste início de século. E se um fenômeno social acontece ao mesmo tempo em várias regiões do planeta, certamente as ciências das humanidades precisam estarem atentas a ele. Continuemos vivenciando e acompanhando, estes acontecimentos históricos-sociológicos para termos certeza do antídoto que devemos usar para combater algo que pode levar a humanidade ao mais completo caos civilizatório.

terça-feira, 8 de novembro de 2022

A EXTREMA-DIREITA É BURRA, MAS, É PERIGOSA, ESTEJAMOS ALERTAS

 Por Professor João Paulo

Neste país chamado Brasil, temos eleição direta desde 1843. Tivemos eleições marcadas por fraude eleitoral o tempo todo, fraudes cometidas sempre pela classe dominante (a burguesia). Nunca em nossa história tivemos uma eleição fraudada para favorecer a classe que vive do trabalho, ou a classe trabalhadora.

Ao contrário disto em todas as vezes que os trabalhadores tiveram próximos de ameaçar a dominação burguesa neste país, foram duramente reprimidos, na maioria das vezes pagaram com suas próprias vidas.

Esta é a história do Brasil resumida em rapidíssimas palavras. Foi assim com os indígenas que se rebelaram contra a escravização, foi assim contra os povos negros que lutavam por suas liberdades, foi assim com os pobres que buscaram melhores condições de vida durante o período regencial, foi assim que aconteceu no período imperial, na primeira república, no estado novo, nos anos 50, 60, 70 do século XX, desde a primeira tentativa de golpe militar até o final da ditadura militar em 1985. 

A partir deste ano mencionado a pouco, o país entrou em uma tentativa de democratização, "redemocratização", tivemos a Assembléia Constituinte, onde foi produzida a Constituição Cidadão com sua promulgação em 1988, logo após a primeira eleição por sufrágio universal 1989, e logo ali ficou claro que a sonhada "democracia liberal brasileira" não passava de um sonho da esquerda, a burguesia, jamais permitiria um processo político limpo, pleno, verdadeiramente democrático, pois, esta burguesia brasileira continuava e continua sendo a mesma burguesia escravocrata de outrora.

A burguesia venceu de 1989 à 2002, neste período tivemos a instauração do projeto neoliberal, que começou com o fascista Collor de Melo, um candidato criado pela grande mídia burguesa e pela FIESP, FEBRABAN e pela CNI, um projeto que fracassou retumbantemente, obrigando à própria burguesia abrir mão do seu próprio projeto e improvisar, transformando um partido que nasceu para ser social democrata na maior expressão do neoliberalismo no Brasil, o PSDB. 

Nós, militantes de esquerda sempre perdemos no processo político brasileiro, mas, em nenhum momento, mesmo sabendo que em todos os processos eleitorais, fomos radicalmente prejudicados pela máquina burguesa, que sempre utilizou dos métodos mais espúrios para vencer as eleições, nunca colocamos em xeque o processo democrático brasileiro, tivemos alguns momentos de radicalização política, em função da também radicalização e violência da burguesia, mas, sempre prezamos pelo debate democrático de ideias. 

Em 2002 vencemos as eleições presidências, muito em função de mais um retumbante fracasso do modelo neoliberal no Brasil. O governo do PSDB, que já havia vencido dois pleitos eleitorais com todo o apoio da burguesia e de sua mídia burguesa, com todo o dinheiro empregado nas campanhas pela burguesia brasileira, com a sucessão de mentiras disseminadas contra as esquerdas, e nós mesmos diante das disparidades que as disputas eleitorais sempre nos impôs, nunca rompemos com o contrato social, respeitamos os resultados das urnas, sempre questionamos as injustiças que é a disputa eleitoral entre a direita, apoiada e patrocinada pela burguesia, contra a esquerda, mantida pela classe trabalhadora e pela militância orgânica, mas, sempre respeitamos os resultados do jogo democrático. 

Vencemos em 2002, o neoliberalismo fracassou e as condições objetivas para uma vitória do campo popular, das esquerdas estavam dadas, assumimos a direção do Estado, fizemos os melhores governos da história deste país, diminuímos substancialmente o tamanho do abismo social que separa os ricos dos pobres no país. Sofremos uma oposição radical da burguesia brasileira e também internacional, até tudo certo, faz parte do jogo democrático, a partir de 2013, prevendo que perderiam novamente o processo eleitoral, a burguesia iniciou uma nova etapa de radicalização política no país. Teve início o que a as ciências humanas chamou de guerra híbrida, lawfare, guerra jurídica. Ciente de que não teriam chance de vencer as eleições pelas vias democráticas, a burguesia pôs em prática mais um processo golpista no país, claro que este processo não começou em 2013, as próprias denúncias do Mensalão, as prisões sem provas das principais lideranças nacionais do PT, a eliminação de possíveis candidatos à sucessão de Lula, já fazia parte deste projeto golpista. Mas, a radicalização deste processo vai se dá em 2013, com as manifestações que alguns historiadores chamam de "Jornadas de Junho" eu prefiro chamar de a marcha dos idiotas, pois era isto que era aquelas manifestações, um monte de gente patrocinada pela burguesia paulista, protestando contra porra nenhuma, ninguém ali sabia ao certo contra o que estavam lutando, nem mesmo os setores de esquerda que bestialmente foram levados as ruas e ajudaram a preparar o cenário ideal para uma aventura golpista da burguesia contra o Partido dos Trabalhadores e principalmente contra o povo brasileiro que ingenuamente trabalharam contra eles mesmos. 

O golpe que culminou em 2016 e 2018 foi responsável direto por chocar o ovo da serpente do fascismo no Brasil. O povo completamente ignorante para a política, estimulado e empurrado para uma ação militante em que eles só sabiam que era contra o governo atual, sem nenhuma discussão política lastreada por uma teoria política, com lideranças também bestiais como os movimentos MBL, Vem Pra Rua, Anônimos Online, tornara-se presa fácil para a eclosão de um sentimento fascista e dominação por uma ideologia que na verdade sempre esteve no imaginário coletivo de um percentual significativo da população brasileira.  

Este movimento político que foi requentado na mentalidade, no ambiente cultural do nosso tecido social, só precisava de uma voz que oralizasse todos os absurdos movidos pelo ódio de classe que sempre existiu na história do país, e o Bolsonaro, se tornou esta expressão deste ódio de classe, uma figura abjeta, inapta, inepta, com uma linguagem xula e vulgar, tão emburrecido como esta parcela bestializada da população, racista, homofóbico, machista, intolerante, fundamentalista, misógino, sexista, xenofóbico, era tudo que o fascismo precisa para se estabelecer como corrente política. 

E o fascismo chegou ao poder no país, aqui faço uma diferenciação e afirmo que o fascismo chegou ao poder, sempre que faço referência a eleição e governo digo que tal grupo político chegou à direção do Estado. Mas, para o fascismo o processo é diferente. Primeiro porque estes caras chegaram à direção do Estado com total apoio da burguesia brasileira. Setores da burguesia urbana só rompeu quando perceberam que haviam feito merda em apoiar um cara tão perverso até para os padrões desta burguesia que flerta com o liberalismo econômico. 

Segundo porque os fascistas buscaram a todo o momento aparelhar as instituições do Estado Brasileiro, para promover uma ruptura com a democracia liberal burguesa, algo que esta burguesia mais liberal da urbe não poderia admitir, pois, coloca em risco até mesmo o poder que esta burguesia sempre exerceu sobre o Estado. E por fim, mais não menos importante, os fascistas no poder demonstraram uma incapacidade, uma incompetência nunca vista na gestão do Estado Brasileiro, nem mesmo o Collor de Melo, foi tão incompetente para gerir a economia, ao ponto de parte da burguesia, quase toda ela, a exceção do Agronegócio, perder dinheiro, e aí quando meche no bolso da burguesia o negócio fica estreito para quem faz isso. 

Mas, aí surgiu o grande problema para o país o ovo da serpente que foi chocado pela burguesia, pariu um monstro feio, disforme, mas, que ganhou muita força em pouco tempo, não por méritos próprios, mas porque durante o processo de incubação do ovo para ser chocado, a burguesia não percebeu que estava produzindo o Frankenstein brasileiro, produziram o monstro e quando tentaram controlá-lo ele já tinha ganhado as ruas.

Este monstro cresceu, rompendo com a ordem democrática em todos os sentidos, até mesmo para a democracia burguesa que eles juram defender. O fascismo no Brasil se transformou em uma seita religiosa, uma junção de fundamentalismo religioso pentecostal e neopentecostal com o ódio de classe disseminado através da mídia contra tudo que é de esquerda ou mesmo liberal. Conservador de uma pauta de costumes extremante atrasada e sem solidez teórica, juram que defendem a família tradicional nos moldes burgueses, pai, patriarcal, o chefe de família, provedor e proprietário da autoridade familiar, mães que até tem direito a falar e opinar sobre as coisas da família, mas, que respeitem o patriarcalismo, filhos que seguem obedientemente e de forma cordata os desejos dos país, estes defensores da família tradicional, apesar da defesa irracional desta instituição, não se importa se o patriarca seja um tirano, perverso que maltrata os filhos e a esposa. 

Um falso patriota que veste as cores da bandeira sem se importar, no entanto, se os rumos da economia sejam de entrega das riquezas nacionais para o capital estrangeiro, ou se o país está submetido as determinações e aos interesses do capital financeiro internacional, sem a possibilidade de ser uma nação soberana, na verdade nenhum destes nacionalistas conseguem compreender nada sobre a geopolítica global. Os filhotes do fascismo são na verdade totalmente ignorantes sobre política, sobres história, sobres sociologia, sobre geopolítica, sobre filosofia, sobre teologia, sobre antropologia, sobre tudo na verdade.

Uma ignorância tão latente que eles chegam a dialogar com o ridículo, somente uma gente com este nível de desenvolvimento cognitivo são capazes de protagonizar as cenas que nos acostumamos a assistir nos últimos anos neste país. Literalmente um rebanho, formado por figuras patéticas, perigosas a bem da verdade, mas, patéticas, que se vestem de verde e amarelo, se apropriando dos símbolos nacionais para por em prática as ações mais absurdas de negação da democracia, de questionamentos à ordem institucional, de ruptura com preceitos constitucionais. Incapazes de perceberem a dimensão de sua ignorância acreditam serem os verdadeiros donos do país, acreditam que os 23% ou 25% que formam esta ordem fascistoide, a extrema-direita, formam a maioria do povo brasileiro e tem coragem de ficar no meio da rua, propondo uma ruptura institucional e gritando que todo poder emana do povo.

Idiotas, sem querer ensinar nada a vocês, mas, 01% da população de uma cidade amotinada na porta de um quartel do exército ou até mesmo de um “Tiro de Guerra”, não representa o poder soberano que emana do povo. Este 01% da população que ainda tenta o golpismo no processo eleitoral de 2022, não se apercebeu e nem vai perceber, pois, são acéfalos, que quem fraudou a eleição deste ano foi o candidato que eles defendem com tanto afinco. Foi o ex-presidente e ex-candidato à reeleição que criou o “pacote de bondades” para tentar voltar a ser um candidato competitivo, foi este cara que criou o orçamento secreto para distribuir dinheiro para os deputados de a sua base comprar votos em todo o país, foi este candidato que usou a religiosidade do povo para forçar as pessoas a votarem nele, foi este candidato que usou a máquina do Estado para impedir que eleitores chegassem até as urnas para votar, foi este candidato que cometeu crimes eleitorais para tentar se reeleger e por fim, depois de derrotado, é este ex-tudo, que está incentivando estes retardados mentais a continuarem amotinados nas portas dos quartéis e do “tiro de guerra”, fazendo o papel ridículo de tentarem uma ruptura institucional.

Há algumas coisas que não podem deixar de serem ditas, mesmo sob o risco de ser repreendido por outros analistas da cena política, ou mesmo, sob o risco de ver o que escreveu ser desconstruído pela história. Afinal, este 01% podem começar um processo político que incendeie o país e até conseguirem um novo golpe de Estado. Mas, este movimentos puxado por esta horda fascistoide em várias cidades do país, é uma grande comédia pastelão da pior linhagem do cinema norte-americano, quero dizer que não tenho nada contra comédias pastelão, assisto e dou boas risadas de algumas delas, adoro assistir “Corra Que a Polícia Vem Aí”, “Top Gang” ou “Todo Mundo Em Pânico”, e também dou boas risadas desta turma amotinadas de verde e amarelo, são patéticos de mais, aqui em Vitória da Conquista no interior da Bahia eles estão batendo o recorde mundial de cenas cômicas por minutos desde que se amotinaram na frente do Tiro de Guerra, acho até que seria um documentário bacana e muito engraçado se alguém da área do cinema estivesse filmando para depois transformar em filme. 

Mas, como já escrevi anteriormente, não podemos achar só engraçado, até podemos rir desta gente, pois, são parte de uma comédia social trágica. Mas, temos que ter o devido cuidado com o que esta turma pode produzir para futuro, afinal, estes que estão aí nas ruas, mesmo sem entenderem nada do que estão fazendo, são os fascistas, formam a extrema-direita do país, e certamente serão arrebatados por alguma outra liderança que tentaram ficar com o espólio do Bolsonaro, que provavelmente vai desaparecer da cena política assim que levantar da cadeira presidencial, pois, é tão burro que não conseguirá se manter em evidência sem um cargo, talvez até um dos seus filhos, que por acaso tenha se elegido ao legislativo,possa herdar este espólio, se não for um bolsonaro, certamente outro alguém herdará esta turma, e certamente ainda iremos ouvir falar desta extrema-direita, destes fascistas eivados de ódio de classe, mesmo sendo estes fascistoides membros da classe que vive do trabalho, ou vítimas deste mesmo ódio.

Neste sentido, mesmo achando engraçado estas manifestações que são dignas de boas risadas até pelo comportamento absurdo e irracional deste fanáticos fundamentalistas, devemos ter muito cuidado com o que o futuro nos reserva. Estes caras são capazes de qualquer coisa pois, são fanáticos fundamentalistas sem nenhuma racionalidade. Ontem presenciei um grupo de uns 40 destes, perseguindo um rapaz portador de necessidades especiais, o acusando de ter pichado os seus carros enquanto estavam amotinados na frente do quartel, não sei se esta ação não teria tido um desfecho trágico se não fosse pela intervenção da polícia militar. Então achemos graça, é um direito nosso, mas, fiquemos atentos para as cenas dos próximos capítulos da luta contra o fascismo em nosso Brasil.