POR PROFESSOR JOÃO PAULO
Há algum tempo atrás, fui muito questionado e criticado, por minhas posições contra o imperialismo estadunidense sobre o Brasil e a América Latina. Principalmente na ocasião do golpe de Estado contra o governo Dilma, o PT e principalmente contra o povo brasileiro.
Me recordo de alguns companheiros de luta, que desenvolveram um tese estranha, de que as manifestações contra os governos do Partido dos Trabalhadores, eram resultantes dos muitos erros cometidos por este partido na direção do Estado brasileiro, que iam, desde a conciliação com a burguesia, até corrupção endêmica. Estes companheiros buscavam de qualquer jeito uma maneira de culpabilizar o Partido dos Trabalhadores, por todo o movimento golpista, que teve início em 2005, quando montaram a farsa do "mensalão". Aquele foi o laboratório para o desenvolvimento de um novo jeito de promoção de golpes de Estado em países em desenvolvimento e sub desenvolvidos, a guerra jurídica (Lawfare) seguida por um processo de comoção social, e manifestações populares motivadas por um amplo processo de incentivos, feitos em redes sociais e também pela mídia corporativa burguesa.
"Revolução Ucraniana", "Movimentos de Rua na Argentina", "Primavera Árabe", "Jornadas de Junho", tudo minuciosamente pensado pelos setores de inteligência do imperialismo, com o objetivo de gerar caos político em regiões de interesses do império, para facilitar a tomada do poder politico pelas forças dominantes do capitalismo financeiro mundial e pelas burguesias subservientes destes países.
Quando disse isto, no auge dos movimentos, fui duramente rebatido por essa turma já mencionada aqui, intelectuais e militantes de esquerda que queriam "reinventar a roda". Mas também por essa massa ignorante que forma o lumpensinato cultural deste país. Dois lados bem divergentes, mas que caminharam tanto para os extremos que acabaram se encontrando em algum momento da recente história do Brasil.
Mas a história, implacável com quem não consegue lê-la de forma concreta, foi aos poucos comprovando todas as minhas teses sobre o neo-imperialismo estadunidense. E este último ato, a invasão da Venezuela e a ilegal prisão do presidente Nicolás Maduro, não deixa nenhuma dúvida de que o imperialismo estadunidense, aqui quero deixar claro, que me refiro aos Estados Unidos, mas, este país só prática o imperialismo, porque conta com a anuência das potências capitalistas europeias e da Asia, continua em pleno vigor, e pronto para golpear tudo que estiver ao seu alcance para se manter no poder, na direção das relações econômicas e políticas do mundo.
Como disse em um comentário em um post do whatsapp sábado, o próximo alvo do laranjão é a Colômbia e depois o Brasil. É a reedição da "Doutrina Monroe" para o século XXI, "a América para os Estados Unidos da América". Não tenho dúvidas que a ideia do presidente "orange" dos Estados Unidos é a recolonização da América Latina. É preciso ter claro que este país, que outrora foi a grande potência econômica do planeta, hoje está moribundo. Desde 2002 os Estados Unidos enfrenta déficit fiscal, são vinte e quatro anos no vermelho e sem perspectiva de resolução, a não ser que volte ter o controle sobre as antigas áreas de influências, América Latina, Oriente Médio e parte da África.
A ideia é continuar usurpando as riquezas destas regiões do planeta para aquecer a economia decadente do império e retomar o controle político e econômico do ocidente. Para os EUA é condição "sine qua no" para enfrentar o avanço do BRICS e do multiliteralismo.
Desta forma os EUA tenta uma nova investida sobre a América Latina. A invasão da Venezuela segue um roteiro já visto a pouco tempo em outras partes do mundo. A Venezuela é um território rico, um dos maiores produtores de petróleo e gás natural do mundo, e os yankees querem estas reservas petrolíferas para reaquecer sua economia decadente. Mas não vai parar por aí! É preciso reconquistar o Brasil, afinal, aqui também tem petróleo e agora as "terras raras" importantíssimas para a produção das novas tecnologias da indústria automotiva, de comunicação e na renovação energética limpa.
Os analfabetos políticos estão desenvolvendo uma crença "infantil", de que a invasão da Venezuela e o sequestro do presidente, vai resolver todos os problemas do povo venezuelano. Seria bom da uma revisitada em países que recentemente foram invadidos pelos EUA, Iraque, Afeganistão, Síria, Libia, Iêmen, países onde a famosa "democracia estadunidense" chegou, levada pela força de ataques armados, bombardeios, assassinatos, sequestros, e o povo vive em condições sub-humanas.
Em todas estas incursões estadunidenses o objetivo sempre foi a pilhagem das riquezas destes países para manter seu poder econômico e político sobre o mundo, nunca foi o cuidado com os povos. Foi por isso que os EUA esteve por trás dos golpes de Estados na América Latina das décadas de 1960 e 1970 e agora estão reeditando estas ações. Onde puderam fazer por "vias democráticas" como na Argentina e Chile, vencendo processos eleitorais o fizeram, apesar do processo de Lawfare, sobre Cristina Kirchner na Argentina, para facilitar a vitória do ultraliberal Milei.
No Brasil o golpe contra o governo Dilma e a ilegal prisão de Lula, não funcionou como queriam, pois, Lula provou sua inocência e venceu novamente as eleições no país.
No Peru e Bolivia golpes de Estados impediram a continuidade de governos de esquerda, devolvendo os países para as burguesias entreguistas e subservientes aos interesses dos Estados Unidos. Agora a invasão armada contra a Venezuela e o acordo com setores do governo para a pilhagem do petróleo produzido pelo país.
Não nos enganemos, as incursões estadunidenses na América Latina não cessaram, ainda precisam recolonizar a maior nação Latina Americana e a maior economia do sul global. E não medirão esforços para vencer o processo eleitoral de 2026. A Casa Branca e a CIA certamente estarão ativos nas eleições deste ano no Brasil, já estão. Tudo que estiverem as mãos para interferir no processo eleitoral brasileiro será utilizado, tenho absoluta certeza sobre isso.
Mas não vencerão, o excelente governo do presidente Lula três, vai se sagrar com a reeleição de Lula para um quarto mandato. E aí teremos que está totalmente mobilizados, em estado de mobilização permanente, pois, as forças do imperialismo estadunidense e a burguesia brasileira, farão de tudo para não permitir a continuidade do projeto popular e democrático do Partido dos Trabalhadores no Brasil.
Desta forma não se descarta de forma alguma, mais uma tentativa de golpe de Estado contra o Partido dos Trabalhadores e, principalmente, contra o Brasil, para recolocar na direção do Estado a burguesia sabuja e subserviente que dirige o país há séculos. O imperialismo estadunidense não descansa, e agora para sobreviver aos acontecimentos contemporâneos, terão que reeditar o mesmo projeto de pilhagem das riquezas dos países do sul global. Em função disto, que teremos que está totalmente mobilizados e conscientes do processo que teremos que enfrentar, para resistir à nova escalada imperialista, sem nos permitir ser enganados, como setores da esquerda foi nos primeiros ataques golpistas durante os primeiros governos do PT.

2 comentários:
Amigos, importante esse texto do professor Jão.
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A meu juízo, o texto sustenta que o imperialismo dos Estados Unidos permanece ativo e agressivo na América Latina, recorrendo a estratégias como lawfare, manipulação midiática, intervenções diretas e golpes de Estado para retomar o controle político e econômico da região diante do avanço do multilateralismo e do BRICS. O autor interpreta episódios recentes — especialmente a Venezuela — como parte de uma reedição da Doutrina Monroe no século XXI, motivada pela crise econômica estrutural dos EUA e pelo interesse em recursos estratégicos como petróleo e terras raras. Nesse contexto, alerta para tentativas de interferência no processo eleitoral brasileiro de 2026, defendendo a necessidade de mobilização permanente das forças populares para proteger a democracia, garantir a continuidade do projeto liderado por Lula e resistir a novas investidas do imperialismo e das elites nacionais subservientes.
E que crítica o campo a esquerda ao lado de Lula pode propositar, amigos da Rede M-Coeso!?
Nos parece ser essencial...
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Que do campo à esquerda que está ao lado de Lula, a crítica possível — e necessária — pode ser formulada sem romper com o projeto democrático-popular, mas também sem abdicar da autonomia política. Em síntese, ela pode apontar que:
A esquerda que sustenta o governo Lula precisa reconhecer os avanços na reconstrução do Estado e na recomposição democrática, mas criticar os limites impostos pela conciliação excessiva com o capital financeiro, o agronegócio predatório e o centrão fisiológico, que enfraquecem a capacidade do governo de realizar transformações estruturais.
É legítimo alertar que a defesa da soberania nacional, frente ao imperialismo e às ingerências externas, exige mais do que estabilidade institucional: exige enfrentamento ao rentismo, fortalecimento da integração latino-americana, controle estratégico de recursos como petróleo e terras raras, democratização da mídia e ampliação real da participação popular.
Sem pressão organizada das bases, o governo corre o risco de governar acuado, administrando crises, quando poderia liderar um novo ciclo de reformas populares capazes de blindar a democracia contra o golpismo recorrente das elites internas articuladas ao imperialismo. Essa crítica não é oposição, é tensão criadora: apoia Lula, mas cobra que o governo avance onde a correlação de forças permite — e ajude, inclusive, a ampliá-la.
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