POR PROFESSOR JOÃO PAULO
Advertência aos Ricos Opressores
"5 Ouçam agora vocês, ricos! Chorem e lamentem-se, tendo em vista a desgraça que lhes sobrevirá. 2 A riqueza de vocês apodreceu, e as traças corroeram as suas roupas. 3 O ouro e a prata de vocês enferrujaram, e a ferrugem deles testemunhará contra vocês e como fogo lhes devorará a carne. Vocês acumularam bens nestes últimos dias. 4 Vejam, o salário dos trabalhadores que ceifaram os seus campos, e que vocês retiveram com fraude, está clamando contra vocês. O lamento dos ceifeiros chegou aos ouvidos do Senhor dos Exércitos. 5 Vocês viveram luxuosamente na terra, desfrutando prazeres, e fartaram-se de comida em dia de abate[a]. 6 Vocês têm condenado e matado o justo, sem que ele ofereça resistência". TIAGO 5: 1 -6
Esta é uma passagem bíblica que sempre me chamou muita atenção e me encanta desde minha passagem pelo MOVENS (Movimento de Jovens da Catedral) em minha adolescência e juventude. Sempre vi esta passagem como uma referência literal do projeto Cristão para o mundo, para a humanidade.
O Discípulo e Apóstolo Tiago apresenta com clareza qual a ideia central do ministério de Jesus, criar o Reino de Deus, a sociedade do amor, da superação definitiva de todas as injustiças sociais e a negação das sociedades divididas por classes sociais.
Ao contrário do que pensa a maioria dos Cristãos deste nosso tempo histórico, Jesus Cristo foi um militante político, e se fizermos uma análise simples da militância política de Jesus, a partir da sociologia contemporânea, veremos que ele era de esquerda e que sua doutrina de vida se enquadra muito mais no campo a esquerda do que no campo de direita.
Alguém com um grau maior de compreensão da epistemológica da história ou da sociologia podem afirmar que é anacrônico afirmar que Jesus era de esquerda ou de direita, e que seus ensinamentos estão no campo de esquerda ou de direita, já que estas expressões históricas sociológicas só surgiram dezenove séculos após o nascimento de Jesus Cristo. Mas, uma leitura rápida do Novo Testamento nos mostra que esta a doutrina Cristã caminha paralelamente ao que se chamou de movimento de esquerda no século XIX. E eu devo concordar que não dá para definir Jesus Cristo e seus ensinamentos como sendo de esquerda e direita, exatamente por estas designação políticas não existirem em seu tempo histórico. Mas, aqui, quero fazer um exercício de abstração e traçar um quadro comparativo entre o ministério de Jesus e a Fé Cristã com a historiografia e sociologia contemporânea.
Então vamos dar uma olhada de perto nesta relação da Fé Cristã e o movimento de esquerda contemporâneo. Jesus era filho de Maria uma camponesa pobre de uma pequena vila Galiléia e foi educado pelo marido de Maria, o Carpinteiro José, pai de criação de Jesus, aprendendo com o pai a profissão de carpinteiro, logo, era um trabalhador pobre, membro de uma classe social explorada pelos poderosos, Judeus e do Império Romano. Para a historiografia e sociologia contemporânea, todo trabalhador é ou ao menos deve ser esquerda, já que a classe trabalhadora é a classe social explorada pelos ricos, capitalistas, poderosos em todo o mundo.
O Estado de Israel, tanto a Galiléia quanto a Judéia, era dominado pelo por um império estrangeiro que dominava todo o mundo conhecido entorno do Mar Mediterrâneo. Jesus e todos os judeus eram escravizados por este império, eram obrigados a pagar impostos altíssimos aos dominadores e a maioria do povo vivia na mais total pobreza, enquanto uma elite que aceitava a dominação estrangeira, e se adequava a ela, se beneficiava com a escravização do povo judeu e se enriqueciam, também explorando os trabalhadores produtores das riquezas, que não tinha nenhum direito ao bem que eles mesmos produziam. Qualquer semelhança com o modo de produção capitalista não é mera coincidência. Em todas as sociedades divididas por classes sociais, os trabalhadores produzem as riquezas que serão acumuladas pelos ricos, proprietários dos meios de produção.
A sociologia e a geopolítica crítica contemporânea nos diz sob o processo de dominação imperialista exercido pelas potencias capitalistas ocidentais sobre todo o restante do mundo desde o advento do modo de produção capitalista a partir da Revolução Industrial e das Revoluções burguesas do século XVIII e XIX. Então não é coincidência que as relações geopolíticas se desenvolveram da mesma forma opressora desde a época de Jesus Cristo até os dias atuais, é o modus operandi de todas as classes que detém o poder econômico, político e sócio-cultural ao longo da história das sociedades humanas.
A sociedade Judaica era dividida em partidos ou ordens sociais. Havia cinco grupos distintos, que disputavam o poder político na sociedade, os Saduceus, eram formados pela elite judaica, homens ricos que aceitavam as determinações do Império Romano e viviam a partir da cultura romana, em um processo total de aculturação, este grupo era na época de Jesus Cristo, dirigido pelo rei da Galiléia, Herodes Antipas.
Outro grupo que fazia parte da elite dos judeus era os Fariseus, doutores da Lei, responsáveis pela religiosidade judaica e pelo templo de Jerusalém, também homens ricos e submetidos aos interesses de Roma, controlava a fé do povo e determinavam como a sociedade judaica vivia. Na época de Jesus o líder deste grupo era José Caifás, apontado para o cargo de sumo sacerdote pelo governo imperialista romana.
A grande maioria da população judaica fazia parte dos Zelotes ou Zelotas, homens pobres que viviam sob o julgo do Império Romano e sob o julgo dos Saduceus e Fariseus. Eram fortemente explorados pelos opressores, obrigados a pagar impostos altíssimos e severamente punidos caso discordassem das regras estabelecidas pelos os colonizadores romanos e pelas ordens ricas da sociedade judaica. Jesus Cristo passa a ser a principal expressão de liderança deste grupo social quando dá início ao seu ministério aqui na Terra. As pregações e ensinamentos de Jesus Cristo incomodavam muitos aos Saduceus e Fariseus, pois, questionava profundamente a estrutura desigual e opressora da sociedade judaica, o que colocou estes dois grupos contra Jesus Cristo. Pregar o amor em plenitude, a justiça e igualdade entre os homens, respeito à mulher e igualdade de direitos entre todos e todas, em uma sociedade injusta, opressora e patriarcal como a sociedade judaica era visto como subversão a ordem.
Ainda tinha os Sicários, um grupo de zelotes que viviam separados dos demais, se escondiam nas montanhas, não aceitavam a submissão a Roma e nem aos Saduceus e Fariseus, defendiam a luta armada para se libertar da opressão dos grupos opressores, praticavam ataques a guarnições romanas e aos ricos da sociedade judaica. O nome de sicários deriva da palavra Sica, nome dado as espadas que usavam como armas, facas grandes e curvas, usadas para enfrentar os soldados romanos. Eram também conhecidos como zelotes radicais. Há uma hipótese de que os Sicários eram liderados por Barrabás no período em que Jesus praticava seu ministério entre os homens.
E por fim, tinham os Essênios, judeus que preferiram sair da convivência na Judéia e na Galiléia e foram morar em uma região distante, próximo ao território onde hoje fica a Índia, se dedicavam aos estudos sobre a história judaica e formavam comunidades coletivistas de produção para subsistência. Há uma hipótese de que João Batista era um Essênio que voltou para a convivência com seu povo para anunciar a chegada de Jesus Cristo.
Só fazendo um adendo aqui para deixar claro que tanto sobre Barrabás, quanto, sobre João Batista deve ser visto como hipóteses, pois, a historiografia ainda não tem confirmação científica sobre estes fatos, já que não surgiram ainda fontes históricas suficientes para comprovar estas informações com cientificidade. Devo afirmar que eu ainda não tenho ciência de documentação ou fontes que comprove estes fatos, alguns autores afirmam isto, mas, eu não posso afirmar por não ter o conhecimento científico sobre as questões.
Bem, fazendo aqui um paralelo entre a historiografia do povo Judeu com a historiografia e sociologia contemporânea e seus fundamentos científicos, me parece claro que Jesus fazia parte do grupo social oprimido pelos poderes políticos e econômicos da sociedade judaica e que os ensinamentos de Jesus colocava em xeque a ordem dominante vigente naquela sociedade, inclusive foi por isso que ele foi perseguido, duramente reprimido e condenado a prisão e a morte por crucificação, pena máxima praticada pelos romanos a um criminoso naquele período da história.
Parece-me que estes acontecimentos históricos e políticos narrados na Bíblia inclusive deixam claro em que lado da história estava Jesus Cristo. Apesar de não poder afirmar uma posição de esquerda ou de direita do ponto de vista político, pois, estas expressões só vão surgir na história cerca de dezenove séculos depois do período em que Jesus viveu entre nós, mas, se traçarmos um paralelo histórico entre os fatos da vida de Jesus e a historiografia e sociologia contemporânea, podemos afirmar que ele se posicionava a esquerda do poder estabelecido política e economicamente em seu tempo. Para dá uma referencia da missão salvífica de Jesus Cristo, destaco alguns trechos retirados da Bíblia.
O sermão da montanha. As beatitudes
5 Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos; 2 e, abrindo a boca, os ensinava, dizendo: 3 Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos céus; 4 bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados; 5 bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra; 6 bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos; 7 bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia; 8 bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus; 9 bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus; 10 bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus; 11 bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem, e perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós, por minha causa. 12 Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós. MATEUS 5.
13 Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém.
14 No Templo encontrou os vendedores de bois, ovelhas e pombas e os cambistas que estavam aí sentados. 15 Fez então um chicote de cordas e expulsou todos do Templo, junto com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas. 16 E disse aos que vendiam pombas: “Tirai isto daqui! Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!” 17 Seus discípulos lembraram-se, mais tarde, que a Escritura diz: “O zelo por tua casa me consumirá”. 18 Então os judeus perguntaram a Jesus: “Que sinal nos mostras para agir assim?” 19 Ele respondeu: “Destruí, este Templo, e em três dias o levantarei”. 20 Os judeus disseram: “Quarenta e seis anos foram precisos para a construção deste santuário e tu o levantarás em três dias?” 21 Mas Jesus estava falando do Templo do seu corpo. 22 Quando Jesus ressuscitou, os discípulos lembraram-se do que ele tinha dito e acreditaram na Escritura e na palavra dele. JOÃO 2: 13-22
A mulher adúltera
8 Porém Jesus foi para o monte das Oliveiras. 2 E, pela manhã cedo, voltou para o templo, e todo o povo vinha ter com ele, e, assentando-se, os ensinava. 3 E os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério. 4 E, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando, 5 e, na lei, nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes? 6 Isso diziam eles, tentando-o, para que tivessem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra. 7 E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se e disse-lhes: Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela. 8 E, tornando a inclinar-se, escrevia na terra. 9 Quando ouviram isso, saíram um a um, a começar pelos mais velhos até aos últimos; ficaram só Jesus e a mulher, que estava no meio. 10 E, endireitando-se Jesus e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? 11 E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te e não peques mais. JOÃO 8
Estão aí três narrativas bíblicas que demonstram com clareza que todos os ensinamentos de Jesus o colocavam em linha de enfrentamento a ordem vigente na Israel pelos poderosos daquela sociedade. Se buscarmos em todos os Evangelhos veremos que por muitas vezes os posicionamentos de Jesus iam de encontro até mesmo ao que acreditavam seus discípulos e pessoas mais próximas. Ele veio para subverter a ordem política e econômica e ensinar aos homens os caminhos do amor em plenitude, da humildade e do cuidado com toda a vida, “Eu vim para que tenham vida e vida em abundância” João 10 – 10.
Outro detalhe da vida e ministério de Jesus que me chama atenção sempre é a relação que ele desenvolve com a comunidade que faz parte. Jesus podia ter se tornado um líder, ter juntado dinheiros, podia ter se fortalecido politicamente para enfrentar seus detratores, todos eles. Afinal estamos falando do filho unigênito de Deus (IAHWEH). Mas, Jesus se manteve fiel ao seu grupo social, a sua classe social, caminhou com todos e todas sem fazer distinção de gênero, da condição social. Agregou ao seu lado o cobrador de impostos, os pescadores e agricultores explorados e roubados por este cobrador de impostos, o sicário Judas iscariotes, prostitutas e por fim, até o soldado romano e perseguidor de seus Apóstolos, Paulo de Tarso, que depois se tornou o principal Apóstolo de Jesus Cristo.
Ainda traçando um quadro comparativo com a historiografia e sociologia contemporânea, quem cumpre este papel no mundo atual são os setores de esquerda. Enquanto a direita segrega o ser, divide a sociedade entre ricos e pobres, “homens de bem” e marginais, mulheres direitas e prostitutas, homossexuais e o heteronormativos, bem e mal, bom e mau. Os setores de esquerda em todo mundo busca a criação de uma sociedade onde o ser humano em sua condição humana seja o mais relevante, mais importante, o fundamental para uma sociabilidade fraterna e harmônica.
Outro ponto extremamente importante sobre o Jesus Cristo e sobre o Cristianismo está na forma de organização das primeiras comunidades Cristãs, inspiradas nos ensinamentos de Jesus. Já foi referenciada acima, mas, todas as primeiras comunidades Cristãs foram organizadas a partir da premissa de abolição da propriedade privada e a criação de uma sociabilidade pautada pela igualdade de condições entre todos e todas, pelo cuidado com o outro, com a vida, cuidado com meio ambiente. Organizada a partir de uma produção coletiva e da partilha igualitária entre todos e todas, de tudo que fosse produzido por estas comunidades. Entre os Cristãos não havia fome, não havia órfãos, não havia desabrigados. Todos era assistidos em seus direitos e necessidades fundamentais pela comunidade. Este modelo de sociedade e as sociedades de classes são diametralmente opostas, sobretudo, falando sobre o capitalismo, que mesmo em sua gênesis, o Liberalismo Político, já preconizava o individualismo e a competição como forma de estimular a produtividade da sociedade, uma visão de mundo completamente oposta aos ensinamentos de Jesus Cristo, o individualismo e a competição são princípios estruturantes do capitalismo.
Como disse no início do texto, fazer esta relação entre o ministério de Jesus Cristo e o Cristianismo com o ser de esquerda ou de direita na perspectiva da contemporaneidade pode parecer anacrônico. Mas, é extremamente necessário em um momento em que a Fé Cristã passou a ser uma arma, uma ferramenta, poderosa do modo de produção capitalista hegemônico na perspectiva de manter a qualquer custo o domínio do Imperialismo norte-americano sobre o mundo. Já disse em um texto anterior que desde a década de 1970 os EUA, passou a exportar de forma mais incisiva e com um objetivo definido de dominação cultural e política sua religiosidade sobre o mundo subdesenvolvido e em desenvolvimento.
Esta versão pentecostal e neopentecostal norte-americana da Fé Cristã cresceu demasiadamente em todo o planeta, ao ponto de ganhar inserção política e religiosa em países do Leste Europeu que outrora viveu sob o “socialismo real” ou “capitalismo de Estado” inaugurado pela revolução de 1917 na Rússia, criou ou trouxe de volta, todo o conservadorismo e fundamentalismo religioso medieval e moderno. Este cristianismo fundamentalista trouxe de volta o fantasma do nazifascismo para a cena política em todo o mundo o que deixou o mundo muito mais belicoso e perigoso para quem consegue superar o processo de alienação e ignorantização promovida por este movimento conservador do cristianismo a modo estadunidense.
É fundamental que comecemos a discutir o verdadeiro papel da Fé Cristã, o Papa Francisco tem chamado a atenção para isto em todos os documentos que tem publicado em sue pontificado. Aqui no Brasil há setores do protestantismo que também estão preocupados com esta radicalização a direita da Fé Cristã. É condição “sine qua non” um debate sobre os rumos do Cristianismo no mundo e, sobretudo, no ocidente do planeta, já que o Cristianismo tem a hegemonia religiosa desta parte do planeta e agora está exercendo uma influência ainda mais decisiva na vida política, econômica, cultural e social dos muitos países que tem no Cristianismo a maior religiosidade.
No Brasil, por exemplo, a sexta economia mundial, temos uma bancada da Bíblia, e uma bancada Evangélica no poder Legislativo, que é extremamente belicosa, que tem força política para aprovar ou desaprovar qualquer proposta que venha do poder Executivo. Foi eleito para presidência da República um presidente completamente incapacitado para o cargo, mas, que tem o apoio quase que incondicional de quase 45% dos protestantes do país, sobretudo, nos seguimentos pentecostais e neopentecostais, que formam a maioria da população de evangélicos do país.
Este segmento religioso está usando em suas atividades religiosas, carros alegóricos que fazem apologia ao uso de armas de fogo. Tem igrejas rifando armas de grosso calibre, pastores ungindo armas de fogo, o enrijecimento da intolerância religiosa, contra religiões de matriz africanas, ataques a Igrejas Católicas e destruição de imagens em templos católicos. É a representação máxima do risco de não se combater este tipo de fundamentalismo na Fé Cristã, sob o risco de termos o retorno de ações eivadas de ódio como aconteceu na Idade Moderna na Europa Ocidental.
Estejamos alertas em relação aos acontecimentos deste inicio de século XXI. E voltando ao debate que deu início a este ensaio, a Fé Cristã mesmo não podendo ser considerada de esquerda em função da temporalidade, e quero deixar claro que somente por isso mesmo, mas, o Ser Cristão, implica diretamente em seguir os ensinamento de Nosso Senhor Jesus Cristo e Ele nunca defendeu o uso de armas, Ele nunca defendeu a tortura, Ele nunca defendeu a acepção dos diferentes, a exclusão de pessoas por suas opções e orientações, ou pela cor da pele ou pela escolhas feitas para suas vidas.
Jesus Cristo é a encarnação do amor em plenitude entre os homens, seu ministério foi para nos ensinar a amor, a cuidar da vida, cuidar de nossa casa comum. Ele veio para nos ensinar a viver a partilha, a caridade, a empatia com o próximo e com o mundo e aí, se os ensinamentos de Jesus Cristo não são de esquerda, tenho a certeza que de forma alguma são, ou serão um dia de direita. Ser Cristão e defender o capitalismo é diametralmente paradoxal, nenhuma Cristão de verdade pode defender o modo de produção capitalista, se alguém se reivindica Cristão e se posiciona politicamente à direita, tenham certeza, este é idêntico aos “vendilhões do templo”, expulsos por Jesus a chicotadas.
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