POR PROFESSOR JOÃO PAULO
Agora a copa do mundo de 2022 chegou ao fim para a seleção brasileira, mais uma vez ficamos no meio do caminho. Tivemos uma trajetória bem fácil, mas, desde o primeiro jogo, já me parecia que íamos complicar nossa caminhada. A fraca vitória sobre a Sérvia por 2 x 0 já anunciava o triste desfecho que se configurou hoje. Depois, veio a Suíça, a fraca seleção que foi massacrada por Portugal, mas, ganhamos de 1 X 0 sofrido. Aí no último jogo da primeira fase perdemos por 1 X 0 para a seleção de Camarões, curiosamente, avalio ter sido o melhor jogo da seleção na primeira fase.
Passamos em primeiro lugar para a segunda fase do torneio mundial, pegamos pela frente a mais fraca seleção que se classificou para as oitavas de final, a frágil seleção da Coreia do Sul foi uma presa fácil para a seleção brasileira brilhante no primeiro tempo, vibrante indo para cima do adversário que foi goleado em 40 minutos. Mas, o segundo tempo do jogo, foi o prenúncio de que a nossa seleção só teve 45 minutos de lucidez e bom futebol, e a seleção voltou a ser o que realmente ela é.
Mas, passamos, chegamos às quartas de final, chegamos bem após a goleada contra a Coreia, badaladissima pela mídia esportiva brasileira, só esqueceram de dizer que a vitória contra uma seleção fraca como a que jogamos, era para ter feito oito gols, e o pior, ainda tomamos um gol de uma seleção que mesmo com muito pouco talento, conseguiu criar dificuldades para nossa seleção de ouro, cheia de atletas badalados nos clubes europeus e salários altíssimos.
Nos encontramos nas quartas de finais com uma seleção europeia pelo caminho, como disse acima, um caminho fácil, a seleção da Croácia não deveria ser para a seleção brasileira um empecilho para seguirmos para as semifinais, afinal, o futebol brasileiro tem muito mais história do que o futebol de um país que tem menos de 30 anos de história. Mas, caímos diante da Croácia, mais uma vez o hexa, ficou no meio do caminho, e para uma seleção sem tradição no futebol, apesar de ter sido vice na última copa do mundo, tendo empatado a maioria dos jogos e vencido nos pênaltis, até chegar na final contra a França, trajetória inclusive que vai se desenhando nesta copa também.
A seleção brasileira fez um jogo horroroso contra a fraca Croácia. Os "craques" brasileiros, estavam bem piores do que nos jogos anteriores. Não conseguiram jogar nem 10% de futebol para justificar as cifras que cada jogador ali em campo vale. Não acertaram marcar, não acertaram atacar o adversário, as poucas chances que tiveram foram horrorosamente desperdiçadas, principalmente pelo mais badalado dos atletas brasileiros, aquele que veste a camisa número 10, que já foi vestida pelos melhores jogadores do mundo em seus momentos históricos.
Mas, desde que a copa teve início e comecei a acompanhar aos jogos que venho chamando atenção para isto, a europeização do futebol brasileiro está destruindo a paixão pelo esporte que é parte da cultura brasileira. Nós brasileiros criamos o nosso próprio jeito de jogar futebol, não precisamos copiar modelos prontos da Europa. Mas, a grande mídia vendeu a falácia ideológica de que os europeus estão mais avançados do que nos no quesito futebol.
Isto é extremamente ideológico. É parte deste processo de aculturação social que a séculos vem passando de geração para geração. Mas, também se refazendo a partir das realidades objetivas de cada tempo histórico. É preciso manter a população dos países subjugados política e economicamente acreditando que somos de fato inferiores ao colonizador branco vindos do velho mundo e da América do Norte.
Como afirmou o dramaturgo Nelson Rodrigues o brasileiro já sofre desde muito tempo do "complexo de vira-lata", claro que esta é uma impressão pessoal do escritor brasileiro em relação ao comportamento subserviente do povo brasileiro. Mas, de fato a classe dominante brasileira sempre foi subserviente aos interesses estrangeiros e passou isto para a população deste país, que de forma geral até os dias atuais vive de forma subserviente.
Abandonamos nossa cultura popular e buscamos nos adaptar a tudo que foi produzido pelo branco colonizador. Nossas escolas, principalmente as privadas não falam mais sobre o folclore brasileiro, mas, grande parte comemora o halloween, folclore norte-americano, a música das favelas não é mais o samba, é o funk abrasileirado, a música de protesto no Brasil e Hap e o Hip-hop, e o sertanejo é o country norte-americana americano.
O futebol de areia virou beach soccer, como o nosso futebol arte poderia resistir aos desastrosos avanços vindos do continente Europeu, afinal, futebol é coisa para inglês ver, foi lá que surgiu, e olha que os caras só tem um titulo mundial.
Esta mentalidade de colonizado permeia o ambiente cultural brasileiro desde sempre, eu nunca vi um europeu dançando um samba, um frevo, um ijexá, um baião, porque só nós temos que absorver o que é produzido lá fora? E nós não produzimos nada? Não exportamos nada além de commoditties? O treinador Josep Guardiola disse que seu estilo de jogo é inspirado na seleção brasileira de 1982, e é um dos treinadores mais vitoriosos e comemorado da Europa, então porque que o futebol brasileiro tem que jogar como os europeus? Não é meio paradoxal esta relação?
Bom, o resultado prático de todo este processo de aculturação é mais um retumbante fracasso da nossa seleção de ouro, cheia de estrelas que jogam no afortunado futebol europeu. Na verdade uma seleção convocada e escalada pelos patrocinadores da CBF e dos jogadores, que exigem que seus produtos sejam expostos na vitrine chamada de copa do mundo. Será que só eu tive a impressão de que o técnico da seleção nestes quase 8 anos a frente da seleção brasileira não parecia muito feliz? Me parece que o Felipão também não estava muito feliz enquanto dirigia a seleção, sei lá pode ser só impressão minha.
Mas, a realidade é de a condição para ser técnico da seleção brasileira, é de que não terá autonomia para montar o time. A condição para ganhar o gordo salário de treinador da seleção canarinho é a submissão aos interesses do mercado. E é certamente só teremos novamente um título mundial, primeiro quando voltarmos a jogar o nosso futebol, dar de novo ao futebol brasileiro o rosto do futebol brasileiro. Segundo, teremos que fugir deste ciclo de obediência aos interesses financeiros do mercado da bola e o treinador poder, ele, convocar, escalar, o time e fazer com ele o que Telê fez em 1982, apesar de ter cometido três erros que levou a nossa eliminação.
Claro que os mais jovens que lerem este texto dirão, "mas, os melhores jogadores do Brasil estavam na seleção, todos são estrelas em grandes times da Europa". E desde já vou lhes responder, pois, não terei a possibilidade de responder a todos E todas. Estão errados, os grandes campeões do futebol brasileiro em 2022 foram Flamengo e Palmeiras e na seleção de 26 jogadores só tinham 3 destes dois clubes. Esta seleção que disputou a copa não representa o futebol deste país, não representa o povo brasileiro, mais uma vez foi um amontoado de jogadores vestindo nossa camisa.
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