domingo, 4 de dezembro de 2022

AINDA SOBRE FUTEBOL - PARTE 1

POR PROFESSOR JOÃO PAULO

Estamos vivendo a copa do mundo de futebol 2022 e por mais que tenhamos todas as críticas ao que foi feito do futebol não tem como nós que jogamos futebol, mesmo amador, e gostamos do esporte, não está ligado nos jogos da copa do mundo. Particularmente tenho me esforçado para assistir ao máximo possível de jogos, já vi todas as seleções jogar e fiz minhas observações sobre todas elas, posso dizer que já tenho minhas impressões sobre cada uma e sobre o atual estágio do futebol mundial, neste processo de observação dos jogos da copa. 

E por incrível que pareça, meu olhar não mudou muito agora que estou conhecendo o que supostamente é o melhor de cada país que está disputando o campeonato esportivo mais importante do planeta. Uma atividade esportiva que nesta edição certamente movimentará mais de três trilhões de dólares, por baixo, no mercado mundial. 

Antes da copa eu pouco acompanhei o futebol, minha participação como telespectador se restringiu a asisti alguns jogos do campeonato inglês, da Champions league com meu filho, que é um cabra apaixonado pelo futebol, e a assisti a alguns jogos do meu time aqui no campeonato brasileiro. Em alguns oportunidades assisti a jogos do Palmeiras e Flamengo, pois, me disseram que estavam muito bons e eu quis ver com meus próprios olhos e a dois jogos do Fluminense, pois, me disseram que Paulo Henrique Ganso havia voltado a jogar bem e fui conferir. 

Bem, voltando aqui para o tema copa do mundo, após situar os leitores sobre o meu lugar de fala, fiz questão de acompanhar o máximo dos jogos possíveis desta primeira fase da copa do mundo. Não gostei muito do que vi! Sou um cara de 53 anos e tive o prazer de começar a gostar de futebol pra valer em 1978. Nesta época contrariando a cultura familiar de maioria vascaina, já torcia pelo Botafogo, sinceramente até hoje não sei porque comecei a torcer por este clube, mas, hoje em função dos estudos sobre futebol, achei uma justificativa plausível para minha preferência.

Passando a entender o futebol desde 1978, copa do mundo na Argentina, fui agraciado por ver ainda muitos dos gênios deste esporte em atividade. Hoje a referência que tenho do futebol tem como fundamento, o que vi na prática destes gênios e certamente quando ouso a comentar sobre o tema busco minhas referências, que certamente não serão de forma alguma as referências do meu filho 20 anos mais novo que eu e em função disto, me pego sempre em conflito com figuras da mesma geração dele e de gerações posteriores à dele, natural que seja assim, se temos referências diferentes nossos olhares sobre o mesmo objeto tende a ser também divergentes. 

Mas, se tem algo fora da minha área do conhecimento que eu conheço bem, essa coisa é o tal futebol, tenho até vontade de por na prática as minhas teorias sobre futebol, só para testar se na prática funcionaria, como funciona na teoria o meu olhar sobre o esporte, "este ano tenho até brincado, que vou escrever para o consulado de Cuba e pedir um emprego lá para ensinar os cubanos jogar futebol e classificar o país para sua primeira copa do mundo". 

Mas, como estava falando em algum lugar aí acima, esta copa do mundo só confirmou o que eu já havia percebido no futebol. E aquele máxima repetida muitas vezes para mim, "o futebol mudou muito" é uma realidade. Realmente o futebol mudou pra caramba, o que está errado nesta frase dita muitas vezes em minhas discussões sobre o principal esporte do planeta é seu complemento. Estas novas gerações realmente acreditam que a forma como se joga hoje é melhor e mais complexa do que a forma como se jogava nos idos dos anos de 50, 60, 70, 80 e 90 do século passado.

Não é mesmo galera! O futebol atual se tornou um esporte previsível e muito pouco criativo, o mundo inteiro joga como jogam os europeus. É isso, o velho mundo recolonizou o mundo do futebol, todos os treinadores do planeta adotaram o jeito europeu de jogar futebol; todos as seleções jogam compactadas na marcação, em duas linhas, quando retoma a posse de bola procuram sair rápido para o ataque para evitar a compactação do time adversário, a única novidade nesta copa e a exceção é a seleção da Espanha, que marca igual a todos os outros times, mas, na hora de atacar, sai tocando a bola de pé em pé de forma mais cadenciada, o que deu muito certo no primeiro jogo contra a fraca seleção da Costa Rica, mas, foi só também, acabou em segundo lugar no seu grupo. 

Não mesmo galera do futebol! O futebol de hoje não é mesmo melhor do que o que eu acostumei a ver na minha infância, adolescência  e juventude. Até acredito no argumento que diz dos atletas hoje estarem fisicamente mais preparados do que os jogadores de outrora, afinal, todas as ciências avançaram muito e a medicina, a nutrição, a preparação física, também avançaram e criaram métodos mais eficientes para produzir indivíduos e hábitos mais saudáveis. Mais o problema que o esporte não é só condicionamento físico, no esporte exige talentos e os jogadores atuais deixam muito a desejar neste quesito. Em outra perspectiva, a europeização do futebol mundial engessou o esporte de mais e este engessamento também contribuiu para a perda do talento dos jogadores. Entraram numa de que todo mundo tem que jogar e marcar, eu nunca vi Zico, Sócrates, Roberto Dinamite, Eder, Dirceu, Jorge Mendonça, Mendonça, Paulo Isidoro, Mário Sérgio, com esta obrigatoriedade de marcar, eles até faziam porque é um dos fundamentos primordiais do esporte, e faziam do seu jeito, da forma que lhes eram conveniente, mas, não por obrigação tática. O craque, o gênio sabe o tempo certo de contribuir na marcação e o tempo certo de fazer o espetáculo da bola. 

A copa inteira o que vi até agora foram alguns lances plásticos de alguns jogadores mais técnicos, posso até citar alguns nomes aqui, na França, Mbappé, Dembélé, Griezmann e Rabiot. Na Argentina, Messi e Di Maria. No Brasil, Vinícius Júnior, Anthony, Richardson, Martinele, Neimar. Alguns jogadores das seleções de Senegal, Gana e Camarões, em especial o jogador Aboubakar que marcou contra o Brasil, e outros que não vou me recorda dos nomes, um japonês que joga pra caramba, mas, também não me lembrarei do nome e alguns jovens jogadores da Espanha e da Inglaterra que também não vou me lembrar dos nomes e nem vou "da um Google" agora pois, estou dentro do buzu para Itapetinga e não tenho Internet. 

Fora estes atletas com uma técnica mais apurada, mais habilidosos o resto da copa tem sido uma repetição de esquemas táticos de marcação, muita correria e pouquíssima inteligência individual, raríssimos momentos de criatividade superando os esquemas táticos. Ô saudade do calcanhar de Sócrates, dos dribles de Zico e Maradona, dos chutes de Roberto Dinamite, dos passes perfeitos de Platini e Falcão, do futebol irreverente de Rivelino, Roger Millar e Okocha. 

Quanto a nossa seleção, a seleção brasileira, mais do mesmo, um time formado pelos patrocinadores dos jogadores, esquema de mercado mesmo, e é bom dizer que não é uma exclusividade da CBF e da seleção brasileira, me parece que este esquema é global, quem determina quem vai pra copa são os grandes empresários que patrocinam o futebol mundial e os jogadores.

Esta geração de atletas mercadorias têm até jogadores individualmente razoáveis. Mas, o conjunto de nossa seleção é muito ruim, nosso treinador que está a duas copas a frente da seleção brasileira não conseguiu criar um esquema tático para a seleção, acho que por não ter autonomia para convocar os jogadores, ele jogou a toalha, escala os 11 que os patrocinadores da CBF manda, e diz para os caras, vai lá e joga, vocês não são os bons? Esta ao menos é minha impressão assistindo aos jogos.

Por incrível que pareça, para mim o jogo em que o time jogou melhor foi este último contra a seleção de Camarões, e foi o único que o Brasil perdeu. O time foi mais objetivo, chutou mais no gol adversário, obrigou ao goleiro adversário ser o melhor jogador em campo e tomou um golzinho maroto no final e perdeu a partida o que tirou o mérito de todo o jogo onde o Brasil foi tecnicamente melhor do que os adversários e melhor do que o próprio time nos jogos anteriores.

É isto então, algumas de minhas impressões sobre o futebol neste momento de copa do mundo, a partir de todos os jogos que tive a oportunidade de assistir. Nada de especial no futebol atual, o mito de que o futebol europeu é modelo para o mundo está caindo por terra, o velho continente e o novo futebol, está sendo derrotado, claro que a possibilidade de França, Espanha, Inglaterra, Croácia e quem sabe até Portugal e Holanda, serem campeãs são grandes, não porque os times são maravilhosos e a Europa pratica o melhor futebol do mundo, mas, porque todos que passaram para a segunda fase jogam do mesmo jeito e todos os times se equivalem taticamente e tecnicamente. Mas, seria muito bom se um time fora da América do Sul e da Europa vencesse a copa, ou se tivéssemos uma final entre Senegal e Japão, difícil, mais não é impossível, aguardemos as cenas dos próximos capítulos.

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