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Não há nenhuma possibilidade, por menor que seja esta possibilidade, de considerar um protestante pentecostal ou neopentecostal um Cristão. Estas seitas nascidas nos EUA e que a partir da segunda metade do século XX, se espalhou rapidamente por todo o mundo ao sul da linha do Equador, se reivindicam Cristãs, mas, nem de longe lembra a doutrina de Fé ensinada por Jesus Cristo e propagada por seus discípulos e seus Apóstolos quando formaram as Primeiras comunidades Cristãs.
Ao contrário, estas seitas religiosas, que surgiram a partir do Puritanismo, corrente de pensamento reformista, oriunda da divisão do pensamento de um dos reformadores da Igreja Católica do século XVI, João Calvino, se aproximam muito mais do Judaísmo do que as religiões Protestantes tradicionais que surgiram a partir do movimento de Reforma da Igreja Católica, que Max Webber chamou em seu livro "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, de “Judaísmo Ocidental".
O Puritanismo Calvinista se tornou a maior corrente religiosa da Reforma e rapidamente se espalhou pela Europa Ocidental por ter um caráter mais popular do que o Luteranismo, o Presbiterianismo, o Anglicanismo. No século XVII, passou a ser perseguido tantos pelos Reis católicos, quanto pelos Reis de outros segmentos protestantes, especialmente na Inglaterra pela Igreja Anglicana do Rei Henrique VIII, tendo a maioria dos adeptos do Puritanismo migrado para a colônia norte-americana da Inglaterra.
Não é possível crer que este segmento religioso tenha alguma relação estreitas com os ensinamentos de Jesus Cristo e com o Cristianismo Primitivo. Como deriva do pensamento Calvinista que foi dos reformadores, o que mais produziu uma Teologia para servir aos interesses da burguesia que se tornava uma classe social forte e poderosa na Europa Moderna e seu novo modelo de desenvolvimento econômico e social, o capitalismo, o puritanismo trabalha com a Teologia da Prosperidade, acredita que a salvação é apenas uma questão de fé, se tiverdes fé e cumprir todos os ritos Calvinistas, não tomar bebidas alcoólicas, não fumar, não dançar, fazer poupança para acumular riquezas, será salvo.
O puritanismo calvinista veio se adequando às mudanças históricas e culturais até chegar ao século XXI como o segmento religioso de fundamentação cristã ocidental, que mais cresce no planeta. No EUA ganhou a forma do atual pentecostalismo e neopentecostalismo, transversalizou em várias segmentos religiosas e seu culto é hoje uma ferramenta extremamente eficiente para a manutenção do modo de produção capitalista.
Como toda religião oriunda do Protestantismo esta umbilicalmente ligada ao desenvolvimento do modo de produção capitalista, servindo inclusive como base teológica para o fortalecimento e consolidação de princípios capitalistas como a obrigatoriedade do trabalho assalariado, dignificação individual do ser pelo trabalho, adequação e aceitação da subordinação do trabalho ao capital, submissão do trabalhador ao patronato, aceitação da condição de pobreza como sendo vontade Divina, alienação do conhecimento científico e filosófico em relação ao conhecimento religioso.
Do ponto de vista religioso o fiel pentecostal ou neopentecostal deixa de ser um indivíduo com a capacidade de produzir saberes, para ser o "seguidor" de uma teologia produzida por um pastor, ou padre, ou qualquer outro líder religioso que na maioria das vezes fórmula uma teologia estruturada por interesses políticos e econômicos e até para atender a interesses inescrupulosos pessoais de lideranças religiosas inescrupulosas.
Todas estas seitas religiosas se utilizam da máxima luterana da livre interpretação da Bíblia, desprovida de qualquer formação teológica e de hermenêutica Cristã. Neste sentido, a leitura bíblica feitas por estas lideranças religiosas estão sempre determinadas por conceitos historicamente produzidos pelas convenções sociais estabelecidas pela classe dominante do bloco histórico, sem se aprofundar a doutrina de fé do Cristianismo e também de qualquer outra religiosidade preexistente. É sempre uma miscelânea de vários credos, adaptados para a cultura local onde os templos se instalam.
O sucesso deste segmento religioso deve-se a esta fácil adaptação ou apropriação cultural utilizada pelas lideranças religiosas, que parecem perceberem com muita velocidade as necessidades mais preeminentes das populações a quem vão atender e também pelo uso do fisiologismo e filantropia que secularmente acompanham as religiões tradicionais, oferecendo sempre a esperança na salvação eterna e na vida no paraíso.
Por fim, estas seitas religiosas servem como uma válvula de escape para todas as frustrações inerentes aos seres humanos em uma sociedade corrompida por valores burgueses dominantes, como o machismo, homofobia, racismo, misoginia, sexismo, submissão dos pobres aos ricos, do trabalhador ao patrão, de quem mora nas periferias pobres das cidades e do mundo a classe dominante. Para conseguir a salvação eterna, basta tentar cumprir com todos os preceitos religiosos determinados pelo líder religioso.
Esta religiosidade pentecostal e neopetecostal têm sido extremamente corrosiva para o tecido social no hemisfério sul do planeta, onde se localizam a maioria dos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento da geopolítica global, mas, também nos países mais pobres da Europa e Ásia. Neste início de século estes segmentos religiosos independente de serem protestantes, católicos ou de outros segmentos, os pentecostais e neopentecostais, tem se tornado uma ferramenta fundamental para a manutenção do modo de vida burguês e nas últimas duas décadas deste novo século o pentecostalismo e o neopentecostalismo têm trabalhado como um meio para a formação do neofascismo.
Foram seguidores destas correntes religiosas responsáveis diretas por todos os conflitos políticos e pela "fascistização" das populações pobres da América Latina, que aqui no Brasil ainda deu cinquenta e oito milhões de votos para um candidato à reeleição e que foi o pior e mais perverso de todos os presidentes que já passaram pela direção do Estado brasileiro e que fez um governo genocida, pautado pela tentativa de extermínio dos povos originários, dos negros, da comunidade LGBTQIAP+, da população urbana e rural trabalhadora que vive nas periferias pobres de nossas cidades da população trabalhadora campesina.
Foi nisto que se transformou o “cristianismo” pentecostal e neopentecostal neste início de século XXI. Um amontoado de pessoas totalmente bestializadas, dirigidos por lideranças charlatãs, mentirosas, falsos profetas, vendilhões da fé Cristã e que usam seus seguidores radicalizando e fé e a transformando em uma ferramenta para que o imperialismo norte-americano se espalhe por toda a América Latina e por todo o planeta. O pentecostalismo e neopentecostalismo é uma escola de formação de neonazistas e neofascistas. Não tem nenhuma relação direta com a verdadeira fé Cristã, com a tradição Cristã Primitiva e que tem feito muito mal a toda humanidade neste início de século XXI.
Neste sentido, o deus que habita o pentecostalismo e o neopentecostalismo jamais será o Deus da minha fé.
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