POR PROFESSOR JOÃO PAULO
É incrível, mais é verdade, ainda tem gente, que nem é uma pessoa naturalmente ruim, fazendo defesas abobalhadas do fascismo brasileiro. Claro que estas pessoas de boa índole que continuam fazendo a defesa do fascismo e dos fascistas, são completos "idiotas", devo adiantar que não estou sendo preconceituoso, ou pedante, ou agressivo com estas pessoas, a palavra "idiota" em seu sentido literal, deriva do grego clássico “idiótes”, que significa aquele que não discuti política, e quem a esta altura do campeonato ainda defende o fascismo, realmente é um grande idiota.
O que não é legal é estes idiotas ficarem fazendo provocações como se soubessem sobre o que estão falando, é melhor ficar na sua, circunscritos ao seu diminuto mundinho, afinal, este é o espaço que cabe aos idiotas. Deixem a política para os “cidadãos”, termo utilizado pela história para designar aqueles que participavam da "política" na Grécia Clássica, ou seja, tinha alguma atuação na vida da comunidade. Aqui estou usando termos extraídos da literatura Grega Clássica, para não deixar margem para interpretações equivocadas por parte dos leitores.
Política para estes que são totalmente desinformados é toda ação humana, a palavra "política" deriva da palavra grego "polis" que significa "cidade", portanto, política está relacionada à "ação do homem na cidade" uma ação “cidadã”. Neste sentido, tudo que fazemos em relação à outra pessoa é uma ação política, somos naturalmente seres políticos, já que nascemos e morremos nos relacionando com outras pessoas.
Utilizei os dois parágrafos para definir conceitualmente a ideia de política, cidadão, idiota, até para ter clareza sobre o papel de cada um na história. Agora vou entrar no tema deste ensaio, que é a permanência ainda com força de figuras que se mantém alinhados com o fascismo tosco e emburrecido brasileiro. Certamente isto é uma aberração sócio-política, ou uma patologia social, já está claro que o que mantinha esta turma mobilizada nunca existiu.
A ideia de que o “imundo” é honesto e incorruptível, já foi para o brejo à muito tempo, me parece claro que a ideia de combate a corrupção não existe, o cara e sua família comprou imóveis com dinheiro vivo, roubou bens públicos para vender no mercado paralelo na maior cara de pau, é um batedor de carteiras. Multiplicou por 10 o patrimônio pessoal e da família com os esquemas de corrupção mais toscos, o esquema das “rachadinhas”, desviando dinheiro público para contas privadas. Utilizou o poder político para desviar investigações sobre seus filhos. Tudo isso sem falar que os partidos que apóiam este “imundo”, tem o maior número de pessoas investigadas e presas por corrupção do país.
A ideia de que o cara é um nacionalista também não existe mais, o cara bateu continência para bandeiras dos EUA e Israel, vendeu refinarias brasileiras a preço de banana para empresários estrangeiros, e recebeu presentes por facilitar as negociações em favor destes empresários, tinha como projeto de poder, entregar as riquezas nacionais para o mercado imperialista internacional.
A ideia de que o cara é um homem valente, corajoso, que enfrenta o sistema na cara e na coragem também não é verdadeira. Todas as vezes que a foi apertado pela justiça, se acovardou, recuou de suas decisões, fugiu do país, após perder as eleições, se escondeu na embaixada da Hungria quando percebeu que seria apertado pelo STF. Pediu arrego aos representantes do poder Judiciário em vários momentos para se livrar da prisão. Provou por a + b que é um covarde, frouxo, o tempo todo durante seu triste governo.
E por fim a ideia de um cara antissistema, detentor da “nova política”, foi por terra, nunca se viu nada mais velho do que o governo deste senhor. Usou recursos públicos para comprar votos, bem ao estilo dos antigos coronéis. Rompeu com regras básicas da economia capitalista, criadas pela própria burguesia que o elegeu a presidência para se beneficiar eleitoralmente. Usou a maquina pública em benefício próprio o tempo todo, nada mais dentro da “velha política” do que as práticas deste rapaz e seu grupo político.
Então só há uma explicação para ainda ter gente que defenda este “traste”, os apoiadores deste ser abjeto, formam a camada mais burra da sociedade brasileira. Completos imbecis ainda fantasiados de verde e amarelo, setores do protestantismo dominados pelas Teologias da Prosperidade e do Domínio, figuras também abjetas que não sabem nada sobre o mundo, mas, se identificam com ideias nazifascistas, como machismo, xenofobia, homofobia, racismo e que acham que matar é sempre um bom negócio, setores mais atrasados da burguesia brasileira, e completos analfabetos políticos, ignorantes, que pensam que sabem alguma coisa sobre sua própria vida, mas, é só um falastrão que criminaliza os movimentos sociais como MST, MTST e o Partido dos Trabalhadores.
Estes são os tipos de seres humanos que ainda defendem esta aberração e aqui nem falo mais do nome que verbaliza as vozes destes seres abjetos, aqui estou falando sobre a aberração do fascismo como projeto político. Estas pessoas são dignas de nossa pena, pois, perderam completamente a condição humana, se tornaram figuras desprezíveis, fechados em uma bolha de mentiras e fantasias macabras, cheios de ódio por tudo que está fora de seus baixíssimos padrões morais. Falsos moralistas, capazes de cometer todo tipo de atrocidades, se escondem atrás de uma máscara de boa gente, mas, são figuras sociais perigosas.
O grande problema é que este tipo de gente ainda ocupa cargos púbicos, chefias em prefeituras, têm cadeiras no poder Legislativo, no poder Executivo e no Judiciário. Estão dirigindo Igrejas dos segmentos pentecostal e neopentecostal em todos os cantos do país. Formam os tentáculos institucionais do fascismo brasileiro. E no meio popular estão os mais ignorantes de nossa sociedade, falando abertamente sobre suas relações esdrúxulas com as ideias fascistas mesmo que não saibam que mantém uma relação platônica com esta doutrina que na verdade nunca deixou de existir em nossas sociedades.
Para combater este fascismo estrutural, esta ferida aberta no seio de nossa sociedade, é preciso combater as estruturas que alimentam esta mácula social. Em primeiro lugar precisamos desenvolver uma nova pedagogia capaz de nos fazer dialogar novamente com o povo. Frei Betto em um de seus ensaios, ainda no calor do golpe jurídico, parlamentar e midiático que culminou com o falso impeachment da companheira Dilma em 2016, disse que levaríamos 30 anos para voltar a dialogar com o povo, precisamos acelerar a volta deste diálogo, pois, quanto mais demoramos mais vulneráveis ficamos em relação ao fascismo e a direita de forma geral.
Outro ponto importante é que precisamos adequar nosso discurso aos novos tempos. Não temos mais as referencias praticas das experiências do “socialismo real”, na real nunca tivemos, o modelo Soviético ou Chinês nunca foram referencias para nós, infelizmente os revolucionários do século XX não conseguiram dar as respostas que se esperava do socialismo real, precisamos começar a discutir o nosso paradigma de uma sociedade socialista, que tenha a cara do Brasil, a cara do nosso povo.
E por fim, mas, com a mesma importância precisamos pensar um modelo de sociedade que tenha em sua base as transformações implementadas pelo capitalismo no mundo desde o final do século XX e que se aceleraram neste início de novo século. Tem muita coisa acontecendo e temos que nos apropriar de tudo para consolidar um discurso para este novo tempo, principalmente para dialogar com as camadas mais jovens de nossa sociedade.
Há uma emergência desta reação dos setores de esquerda em nosso país, perdemos muito espaço, deixamos vácuos sociais, e onde há espaços vazios alguém vai ocupá-lo. E foi exatamente isto que aconteceu, perdemos o time da história, e os setores de direita e extrema-direita ocuparam os espaços, por conta disto, mesmo depois de está provado toda a incapacidade e toda a desonestidade do ex-presidente, o cara ainda consegue colocar gente nas ruas, enquanto nós paramos, deixamos de fazer movimento de rua e ainda estamos engatinhando no que diz respeito às redes sociais.
Perdemos-nos em nossas vaidades ideológicas, estamos sempre disputando espaço entre nós, e nos esquecemos de ocupar as lacunas que a direita criou nas ultimas décadas, em alguns casos, setores de esquerda até marcharam com a direita, como foi o caso das “marchas dos idiotas”, conhecido como “jornadas de junho”. Vimos inclusive intelectuais de esquerda participando e dirigindo aqueles movimentos golpistas. Este é o resultado de quando se perde totalmente o trem da história e deixa as paixões se sobrepor a razão.
É hora de revermos nossa atuação política, parar, procurar discutir o momento histórico e buscar nos adequar aos novos ventos deste novo “bloco histórico”. Temos vidas para salvar, temos um mundo para transformar e cuidar, e precisamos está alertas para as armadilhas que a história nos impôs nas três ultimas décadas, caso contrario, não conseguiremos dar continuidade aos nossos sonhos de uma sociedade mais fraterna, mais humanizada e muito mais igualitária.

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