sexta-feira, 10 de maio de 2024

QUEM ESTÁ ERRADO MADONNA OU AS CABEÇAS DE PARTE DE NOSSA POPULAÇÃO?


POR PROFESSOR JOÃO PAULO

Eu não assisti ao show de Madonna, nem fui ao Rio de Janeiro e nem assisti pela TV. Acredito que tenha sido um grande espetáculo musical, a julgar pelo talento desta artista norte-americana que já se tornou uma sessentona, mas, que não perdeu sua jovialidade, um aspecto importante da carreira desta senhora. 

Mas, ouvir tantos comentários, na maioria maledicentes sobre a performance desta senhora no palco da Cidade Maravilhosa que resolvi escrever sobre esta artista que se notabilizou por chocar a sociedade de seu tempo desde o início de sua longeva e vitoriosa carreira.

Importante ressaltar que esta senhora não está nada preocupada com o que Leonardo pensa ou fala sobre ela, muito menos está preocupada com as críticas de segmentos sociais sobre seu show ou sobre seu comportamento, tem quarenta anos de carreira e foi desta forma que se tornou uma das maiores estrelas da música pop em todo o mundo. Ouvindo críticas ácidas e respondendo com seu inegável talento. 

Aos 65 anos, realizada profissionalmente e financeiramente, não irá mudar o seu olhar sobre o mundo, e nem vai fazer concessões para agradar a ninguém. Nunca foi do seu estilo se adequar às normas sociais pré-estabelecidas. Ao contrário, faz parte de sua persona artística estabelecer rupturas com todas as convenções sociais de seu tempo. Foi assim desde o princípio de sua carreira. 

O fato de o Brasil ter se tornado um país mais conservador do que sempre foi, nestas duas últimas décadas, e ter desenvolvido um falso moralismo clássico de um povo recalcado em uma parcela significativa de nossa sociedade, não iria impedir a cantora de colocar em seu show as performances que sempre colocou em suas apresentações em todos os cantos do mundo.

A ruptura com padrões morais pré-estabelecidos sempre marcaram a carreira desta artista. Ainda no início de sua carreira seus shows eram cheios de simbolismos eróticos, suas músicas traziam em suas composições, representações que questionavam a ordem moral estabelecida pela sociedade burguesa, é só dar uma olhada em Material Girl, Like a Virgin, Papa Don’t Preach, entre outras canções.

Em suas composições a Madonna sempre questionou a ideia de virgindade, a ideia de que não se pode ter filhos fora do casamento, à repressão paterna ao fato de uma jovem ter vida sexual ativa antes de se casar, durante a adolescência. Seus shows sempre marcados por uma sensualidade e sexualidades intensas. Isso nunca foi novidades nas apresentações desta, agora senhora. 

Os organizadores do evento no Rio de Janeiro, certamente deveriam saber que isso não mudaria só porque o show seria no Brasil. E certamente não esperavam que provocasse tanta animosidade, ou chocaria parte da população do país. Mas, deveriam saber que Madonna sempre apresenta seu repúdio as convenções sexuais de caráter conservador e faz isso na perspectiva de chocar a sociedade com sua forma ousada de questionar esta ordem. 

Quando assistimos a um show, devemos saber o que vamos assistir, eu gosto muito do trabalho desta senhora, não sou um “fã”, como fui de outros artistas da mesma geração dela, mas, dancei muito suas músicas nas boates que freqüentava nos idos da década de 1980, e até hoje gosto de ouvir suas canções, tenho boa parte delas em meus pen drives, sou fã de música e a década de 1980 é minha predileção, atualmente ouço todos os estilos. Se estivesse ido ao show, ou assistido pela TV, certamente saberia que poderia me deparar com uma cena erótica, pois, sempre aconteceram nos shows desta artista. E este é um dos símbolos marcantes de sua carreira. Então não dá para ficar agora, um monte de gente horrorizado com as performances de Madonna no palco. 

Por outro lado, boa parte das pessoas que estão comentando horrorizados o show, realmente são tão puros ao ponto de acharem que um show de música fará alguma diferença na vida de suas famílias? Certamente que não! Tenho plana certeza, que se este show tivesse acontecido nas décadas de 1990 ou mesmo na primeira década do século XXI não teria causando tanto alvoroço na sociedade, aquelas gerações eram bem menos conservadoras.

Agora o prefeito do Rio de Janeiro está anunciando um novo grande show para o ano que vem, segundo ele mesmo, a preferência pessoal dele é com uma banda de rock e deve ser o U2, alguém tem dúvidas de que este show, se realmente acontecer, não terá um tom político? E aí, se realmente acontecer, teremos uma galerinha questionando e brigando como aconteceu com a vinda de Rogers Waters ao Brasil.

Esta turma do falso moralismo vão sempre aparecer, os fascistas de plantão vão está sempre de prontidão para criticar tudo que não sejam seus espelhos opacos e acinzentados. Não tem jeito, esse câncer social terá sempre uma crítica a fazer a qualquer forma de arte que não sigam seus padrões estéticos. Não sei quando teremos novamente a possibilidade de olhar o mundo sem as lentes do fascismo.

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