quinta-feira, 23 de maio de 2024

A REVOLUÇÃO SOCIALISTA JÁ ESTÁ EM MOVIMENTO, SÓ PRECISAMOS PERCEBÊ-LA.

POR PROFESSOR JOÃO PAULO

Quando estamos na militância política de esquerda nos deparamos com uma série de questões que só com muita leitura para conseguirmos uma verdade relativa dos fatos. Sempre acreditei que a "luta armada" contra a burguesia estivesse na obra de Marx como uma condição inalienável, tendo como base o discurso de alguns companheiros e companheiras de militância. 
Só depois de muita leitura que entendi que a luta armada não aparece explicitamente na obra de Karl Marx, a mensagem é subliminar e é Lenin quem da ênfase a esta questão, tendo como base a realidade da Rússia no período em que ocorreu a Revolução Bolchevique. 
Outros pensadores, ocidentais, tem a "luta armada" como uma possibilidade, mas, não apresentam isto como uma necessidade imutável do processo de superação do capitalismo e para o surgimento do socialismo. Pessoalmente até acredito que em um processo de ruptura com a ordem capitalista a burguesia irá resistir e colocará suas forças repressivas contra a classe que vive do trabalho e caso aconteça, não teremos outro caminho que não seja a defesa das agressões da burguesia.  
Outro dia, há algum tempo, a bem da verdade, em um debate com um colega historiador, fui provocado, quando ele disse que no Partido dos Trabalhadores não tinha nenhum marxista, achei incrível, mais o colega parece conhecer nominalmente os quase dois milhões de filiados ao PT, para saber o que e como, todos pensam o mundo. Evidente que fiz o debate, e falei de Antônio Gramsci para este companheiro, ele rapidamente me interpelou, dizendo que o Gramsci do PT é um "reformista". 
Ora! A velha adjetivação das esquerdas que colocam rótulos em tudo e em todo mundo, que pensa diferente. O que este compas não entendeu é que não necessariamente, não falar de luta armada, seja um sinônimo de reformismo. Quando Gramsci fala de "guerra de movimento", faz uma referência a um processo revolucionário muito mais amplo do que a luta armada em si.
Para este pensador Italiano da primeira metade do século XX, na Europa Ocidental e no mundo Ocidental de uma forma geral o processo revolucionário não se apresenta da mesma forma da Rússia de 1917. Aqui onde já existia um Estado Burguês muito bem estruturado, diferente da Rússia pré-revolucionária, o processo de construção da revolução é bem mais complexo, já que as estruturas do capitalismo estão muito mais sólidas. Neste sentido, exige muito mais organização da classe subalterna, e ações efetivas de conquistas da "hegemonia do bloco histórico". Se a classe dirigente tem a hegemonia econômica, política e cultural da sociedade, torna-se fundamental que a classe subalterna, faça um primeiro movimento revolucionário, que é a conquista da hegemonia da sociedade política, a partir deste ponto, faz-se necessaria a conquista da hegemonia cultural da sociedade, aí então, a classe subalterna terá as condições históricas necessárias para a conquista da hegemonia econômica do bloco histórico. 
Desta forma não dá para definir qual ação política é revolucionária e qual não é revolucionária, toda ação política de contestação a ordem dominante burguesa é uma ação revolucionária, é isso que Gramsci chama de "guerra de movimento" e é exatamente isto que precisamos exercitar todos os dias. A revolução socialista já está acontecendo, em cada ato da classe subalterna contra seus opressores capitalistas, movemos uma peça neste complexo tabuleiro do xadrez político todas as vezes que nos levantamos contra a classe dirigente. Este é nosso papel enquanto classe social.
Marx não definiu a fórmula da revolução, Lenin escreveu a partir da realidade específica da Rússia pré-revolucionária, desde a segunda metade do século XX até este momento o capitalismo ganhou contornos bem diferentes do que o que Marx e Lenin conheceram, então não existe um método pré-definido de luta contra o capitalismo, o que existe é a luta contra o capitalismo, e o objetivo final deve ser o socialismo, como vamos conquistar este novo modelo de sociedade, são as condições históricas que vão determinar.

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