domingo, 13 de novembro de 2022

PENTECOSTALISMO E NEOPENTECOSTALISMO, UMA DOITRINA DE FÊ OU UMA PATOLOGIA SOCIAL?


POR PROFESSOR JOÃO PAULO

Outro dia escrevi que estamos vivendo sobre uma patologia social que precisa ser cientificamente estudada por psicanalistas, historiadores, sociólogos e antropólogos e fui contraposto por um companheiro de luta, que disse que não podemos falar em patologia, pois, tiraríamos a responsabilidade destas pessoas que estão amontoadas nas portas dos quartéis protestando contra 0% de fraudes no processo eleitoral de 2022. 


De fato alguém precisa ser responsabilizado criminalmente por esta tentativa vil e fútil de golpear a democracia brasileira, na verdade mais uma tentativa, já que todo o governo da extrema-direita direita nazifascista teve como característica principal a radicalização de sua base visando criar sempre um clima de golpe de Estado no país. Mas, não podemos colocar todos que estão fantasiados de verde e amarelo bacando o "Zé Carioca", na mesma vala comum. Fazer isto é na verdade você partir do mesmo pressuposto de que o cara que fuma maconha deve ser preso como o traficante. 

Não podemos dizer que não há uma patologia social quando nos referimos à senhora que aparece em um vídeo toda fantasiada de periquito, segurando uma bíblia e chorando compulsivamente implorando a Deus "que mande seus exércitos para livrar o Brasil do grande mal", com o pastor Malafaia. No primeiro caso, temos uma senhora que foi de alguma forma convencida e/ou alienada da realidade, por sucessivas pregações de mentiras, produzidas e disseminadas pelas figuras dos líderes religiosos. 

Os líderes religiosos nestes casos devem e tem que ser responsabilizados criminalmente, pois, eles tem total consciência de que estão cometendo crimes seguidos quando mentem para seus fiéis e impõem a eles uma realidade inexistente e os obrigam a tomar atitudes irresponsáveis e criminosas contra o processo legal no país. Mas, a senhora fantasiada de periquito precisa de um tratamento psicossocial para se libertar do controle destes líderes que os estão os usando para fins pessoais.

Não dá para estabelecer que o trabalhador negro, bem poucos representados nestes movimentos a bem da verdade, mas, tem alguns sim participando, tem a mesma culpa do vei da Havan nos vários crimes que estão sendo cometidos com estas iniciativas golpistas no país, não são, os pobres que defendem o nazifascismo e o nazifascistas, estão sendo usados por serem ignorantes sobre política, são analfabetos funcionais, desprovidos de qualquer criticidade social. 

Continuo insistindo na tese de que nós que militamos na esquerda precisamos nos debruçar sobre o fenômeno do pentecostalismo e neopentecostalismo, aprofundar nos estudos, nos métodos utilizados para penetrar nas mentes e consequentemente nos corações das pessoas que fazem com quer pessoas que em seu cotidiano conseguem se relacionar socialmente e aparentemente pessoas de boa índole, e quando se trata de política e fé, tornam-se monstros, insensíveis e capazes de transitar entre o   ridículo à perversidade sem se dar conta de suas ações. Para que a gente não haja como a mulher que joga a criança fora junto com a água da bacia, precisamos compreender profundamente este fenômeno.

Estas pessoas sofrem um tipo de intervenção psicossocial promovida por pastores, padres, líderes Kardecistas e até babalorixás e yalorixás que tiveram suas crenças também perpassadas pela ideologia pentecostal e principalmente neopentecostal.

Apesar de sempre trazer a referência de que esta ideologia está transversalizada em todos seguimentos religiosos, não posso deixar de dizer que é no protestantismo que ele encontrou acento, o solo mais fértil para sua disseminação. Não trato o pentecostalismo e o neopentecostalismo como corrente teológica, pode até ter nascido nos Estados Unidos nesta perspectiva teologica, mais rapidamente os detentores do poder, perceberam o potencial deste pensamento como uma ideologia com a possibilidade política de ser usada em favor do imperialismo norte-americano e do capitalismo rentista mundial. E foi neste sentido que esta ideologia foi propagada em toda a América Latina, em países do continente Africano e nos países mais pobres do continente Asiático. Manter a população pobre, explorada e oprimida pelo modo de produção capitalista, em estágio de contemplação de um mundo ideal imagético é um ótimo remédio para tornar o oprimido cordato diante da realidade objetiva. 

E este é o papel do pentecostalismo e do neopentecostalismo neste início de século XXI, tornar o oprimido cordato diante de um opressor que parece ser um semideus para estes oprimidos. É este o olhar que a maioria dos fiéis destes segmentos religiosos têm dos seus líderes figuras que parecem está acima do bem e do mal, escolhidos de Deus para guiar seu povo até a terra prometida, que surgirá no dia do juízo final, um discurso antigo, medieval até, mas, que perdurou na história humana, sobretudo, no mundo cristão ocidental e que voltou fortemente, claro que vestido com uma nova roupagem, mas, com muita força desde meados do século XX.

Mas, o ponto central aqui é a pedagogia utilizada por estes segmentos pentecostais e neopentecostais, que conseguem dialogar de forma contundente e imperativa, com a população mais vulnerável dos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento. Uma relação norteada por um misto de medo apocalíptico, com a esperança da vida no paraíso e da salvação eterna, que fez nascer um exército de figuras completamente descoladas da vida real e vivendo em um multiverso criado pelos pastores em sua maioria, já que é no protestantismo a grande expressão destes segmentos pentecostais e neopentecostais, mas, também de padres absorvidos pelo pentecostaliamo norte-americano, e líderes espirituais de outros segmentos religiosos cristãos e também não cristãos.

Claro que sabemos que estes caras que estão nas ruas lutando para que "democraticamente se instaure uma ditadura no país", estão incorrendo em crimes graves contra a ordem política no país e se estão cometendo crimes têm que serem punidos pelas instâncias responsáveis pela manutenção da democracia. Mas, não podemos deixar de compreender que a maior parte destas pessoas que estão sendo usadas para formarem o grosso destas ações golpistas, são seres adoecidos por essas lideranças que de fora do enfrentamento direto, resguardados pelos muros altos de suas mansões fortificadas, induzem este povo adoecido por este mundo imagético a que foram submetidos por esta gente perversa a viverem ou vegetarem.

Temos assistidos a cenas da vida real que beira à loucura, em um sentido mais amplo da palavra loucura, coisas pitorescas e hilariantes, típicas das esquetes dos antigos programas dos Trapalhões ou do Comando Maluco, protagonizadas por gente comum, como nós, por famílias tidas como normais, em espaços públicos sem se dar conta do papel ridículo a que estão sendo submetidos, e estas pessoas não podem por uma questão política, serem vistas como golpistas somente. 

Estas pessoas certamente estão sofrendo de uma patologia social, que também é política, já que atententam contra a liberdade, contra o contrato social, contra a democracia,  mesmo que seja esta a democracia burguesa. E vencido este processo pós eleitoral, nós cientistas sócios teremos que nos debruçar sobre o fenômeno da doença social do pentecostalismo e neopentecostalismo para entendermos o problema e quem sabe até tirar alguma lição disto para nos ajudar na difícil tarefa de criar uma consciência de classe para toda classe que vive do trabalho no país e no mundo. 

Não dá para nos sectarizarmos este debate, há muito mais para ser discutido sobre este momento histórico do que imaginamos, até porque, este não é um fenômeno brasileiro, está acontecendo em todo o planeta neste início de século. E se um fenômeno social acontece ao mesmo tempo em várias regiões do planeta, certamente as ciências das humanidades precisam estarem atentas a ele. Continuemos vivenciando e acompanhando, estes acontecimentos históricos-sociológicos para termos certeza do antídoto que devemos usar para combater algo que pode levar a humanidade ao mais completo caos civilizatório.

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