terça-feira, 8 de novembro de 2022

A EXTREMA-DIREITA É BURRA, MAS, É PERIGOSA, ESTEJAMOS ALERTAS

 Por Professor João Paulo

Neste país chamado Brasil, temos eleição direta desde 1843. Tivemos eleições marcadas por fraude eleitoral o tempo todo, fraudes cometidas sempre pela classe dominante (a burguesia). Nunca em nossa história tivemos uma eleição fraudada para favorecer a classe que vive do trabalho, ou a classe trabalhadora.

Ao contrário disto em todas as vezes que os trabalhadores tiveram próximos de ameaçar a dominação burguesa neste país, foram duramente reprimidos, na maioria das vezes pagaram com suas próprias vidas.

Esta é a história do Brasil resumida em rapidíssimas palavras. Foi assim com os indígenas que se rebelaram contra a escravização, foi assim contra os povos negros que lutavam por suas liberdades, foi assim com os pobres que buscaram melhores condições de vida durante o período regencial, foi assim que aconteceu no período imperial, na primeira república, no estado novo, nos anos 50, 60, 70 do século XX, desde a primeira tentativa de golpe militar até o final da ditadura militar em 1985. 

A partir deste ano mencionado a pouco, o país entrou em uma tentativa de democratização, "redemocratização", tivemos a Assembléia Constituinte, onde foi produzida a Constituição Cidadão com sua promulgação em 1988, logo após a primeira eleição por sufrágio universal 1989, e logo ali ficou claro que a sonhada "democracia liberal brasileira" não passava de um sonho da esquerda, a burguesia, jamais permitiria um processo político limpo, pleno, verdadeiramente democrático, pois, esta burguesia brasileira continuava e continua sendo a mesma burguesia escravocrata de outrora.

A burguesia venceu de 1989 à 2002, neste período tivemos a instauração do projeto neoliberal, que começou com o fascista Collor de Melo, um candidato criado pela grande mídia burguesa e pela FIESP, FEBRABAN e pela CNI, um projeto que fracassou retumbantemente, obrigando à própria burguesia abrir mão do seu próprio projeto e improvisar, transformando um partido que nasceu para ser social democrata na maior expressão do neoliberalismo no Brasil, o PSDB. 

Nós, militantes de esquerda sempre perdemos no processo político brasileiro, mas, em nenhum momento, mesmo sabendo que em todos os processos eleitorais, fomos radicalmente prejudicados pela máquina burguesa, que sempre utilizou dos métodos mais espúrios para vencer as eleições, nunca colocamos em xeque o processo democrático brasileiro, tivemos alguns momentos de radicalização política, em função da também radicalização e violência da burguesia, mas, sempre prezamos pelo debate democrático de ideias. 

Em 2002 vencemos as eleições presidências, muito em função de mais um retumbante fracasso do modelo neoliberal no Brasil. O governo do PSDB, que já havia vencido dois pleitos eleitorais com todo o apoio da burguesia e de sua mídia burguesa, com todo o dinheiro empregado nas campanhas pela burguesia brasileira, com a sucessão de mentiras disseminadas contra as esquerdas, e nós mesmos diante das disparidades que as disputas eleitorais sempre nos impôs, nunca rompemos com o contrato social, respeitamos os resultados das urnas, sempre questionamos as injustiças que é a disputa eleitoral entre a direita, apoiada e patrocinada pela burguesia, contra a esquerda, mantida pela classe trabalhadora e pela militância orgânica, mas, sempre respeitamos os resultados do jogo democrático. 

Vencemos em 2002, o neoliberalismo fracassou e as condições objetivas para uma vitória do campo popular, das esquerdas estavam dadas, assumimos a direção do Estado, fizemos os melhores governos da história deste país, diminuímos substancialmente o tamanho do abismo social que separa os ricos dos pobres no país. Sofremos uma oposição radical da burguesia brasileira e também internacional, até tudo certo, faz parte do jogo democrático, a partir de 2013, prevendo que perderiam novamente o processo eleitoral, a burguesia iniciou uma nova etapa de radicalização política no país. Teve início o que a as ciências humanas chamou de guerra híbrida, lawfare, guerra jurídica. Ciente de que não teriam chance de vencer as eleições pelas vias democráticas, a burguesia pôs em prática mais um processo golpista no país, claro que este processo não começou em 2013, as próprias denúncias do Mensalão, as prisões sem provas das principais lideranças nacionais do PT, a eliminação de possíveis candidatos à sucessão de Lula, já fazia parte deste projeto golpista. Mas, a radicalização deste processo vai se dá em 2013, com as manifestações que alguns historiadores chamam de "Jornadas de Junho" eu prefiro chamar de a marcha dos idiotas, pois era isto que era aquelas manifestações, um monte de gente patrocinada pela burguesia paulista, protestando contra porra nenhuma, ninguém ali sabia ao certo contra o que estavam lutando, nem mesmo os setores de esquerda que bestialmente foram levados as ruas e ajudaram a preparar o cenário ideal para uma aventura golpista da burguesia contra o Partido dos Trabalhadores e principalmente contra o povo brasileiro que ingenuamente trabalharam contra eles mesmos. 

O golpe que culminou em 2016 e 2018 foi responsável direto por chocar o ovo da serpente do fascismo no Brasil. O povo completamente ignorante para a política, estimulado e empurrado para uma ação militante em que eles só sabiam que era contra o governo atual, sem nenhuma discussão política lastreada por uma teoria política, com lideranças também bestiais como os movimentos MBL, Vem Pra Rua, Anônimos Online, tornara-se presa fácil para a eclosão de um sentimento fascista e dominação por uma ideologia que na verdade sempre esteve no imaginário coletivo de um percentual significativo da população brasileira.  

Este movimento político que foi requentado na mentalidade, no ambiente cultural do nosso tecido social, só precisava de uma voz que oralizasse todos os absurdos movidos pelo ódio de classe que sempre existiu na história do país, e o Bolsonaro, se tornou esta expressão deste ódio de classe, uma figura abjeta, inapta, inepta, com uma linguagem xula e vulgar, tão emburrecido como esta parcela bestializada da população, racista, homofóbico, machista, intolerante, fundamentalista, misógino, sexista, xenofóbico, era tudo que o fascismo precisa para se estabelecer como corrente política. 

E o fascismo chegou ao poder no país, aqui faço uma diferenciação e afirmo que o fascismo chegou ao poder, sempre que faço referência a eleição e governo digo que tal grupo político chegou à direção do Estado. Mas, para o fascismo o processo é diferente. Primeiro porque estes caras chegaram à direção do Estado com total apoio da burguesia brasileira. Setores da burguesia urbana só rompeu quando perceberam que haviam feito merda em apoiar um cara tão perverso até para os padrões desta burguesia que flerta com o liberalismo econômico. 

Segundo porque os fascistas buscaram a todo o momento aparelhar as instituições do Estado Brasileiro, para promover uma ruptura com a democracia liberal burguesa, algo que esta burguesia mais liberal da urbe não poderia admitir, pois, coloca em risco até mesmo o poder que esta burguesia sempre exerceu sobre o Estado. E por fim, mais não menos importante, os fascistas no poder demonstraram uma incapacidade, uma incompetência nunca vista na gestão do Estado Brasileiro, nem mesmo o Collor de Melo, foi tão incompetente para gerir a economia, ao ponto de parte da burguesia, quase toda ela, a exceção do Agronegócio, perder dinheiro, e aí quando meche no bolso da burguesia o negócio fica estreito para quem faz isso. 

Mas, aí surgiu o grande problema para o país o ovo da serpente que foi chocado pela burguesia, pariu um monstro feio, disforme, mas, que ganhou muita força em pouco tempo, não por méritos próprios, mas porque durante o processo de incubação do ovo para ser chocado, a burguesia não percebeu que estava produzindo o Frankenstein brasileiro, produziram o monstro e quando tentaram controlá-lo ele já tinha ganhado as ruas.

Este monstro cresceu, rompendo com a ordem democrática em todos os sentidos, até mesmo para a democracia burguesa que eles juram defender. O fascismo no Brasil se transformou em uma seita religiosa, uma junção de fundamentalismo religioso pentecostal e neopentecostal com o ódio de classe disseminado através da mídia contra tudo que é de esquerda ou mesmo liberal. Conservador de uma pauta de costumes extremante atrasada e sem solidez teórica, juram que defendem a família tradicional nos moldes burgueses, pai, patriarcal, o chefe de família, provedor e proprietário da autoridade familiar, mães que até tem direito a falar e opinar sobre as coisas da família, mas, que respeitem o patriarcalismo, filhos que seguem obedientemente e de forma cordata os desejos dos país, estes defensores da família tradicional, apesar da defesa irracional desta instituição, não se importa se o patriarca seja um tirano, perverso que maltrata os filhos e a esposa. 

Um falso patriota que veste as cores da bandeira sem se importar, no entanto, se os rumos da economia sejam de entrega das riquezas nacionais para o capital estrangeiro, ou se o país está submetido as determinações e aos interesses do capital financeiro internacional, sem a possibilidade de ser uma nação soberana, na verdade nenhum destes nacionalistas conseguem compreender nada sobre a geopolítica global. Os filhotes do fascismo são na verdade totalmente ignorantes sobre política, sobres história, sobres sociologia, sobre geopolítica, sobre filosofia, sobre teologia, sobre antropologia, sobre tudo na verdade.

Uma ignorância tão latente que eles chegam a dialogar com o ridículo, somente uma gente com este nível de desenvolvimento cognitivo são capazes de protagonizar as cenas que nos acostumamos a assistir nos últimos anos neste país. Literalmente um rebanho, formado por figuras patéticas, perigosas a bem da verdade, mas, patéticas, que se vestem de verde e amarelo, se apropriando dos símbolos nacionais para por em prática as ações mais absurdas de negação da democracia, de questionamentos à ordem institucional, de ruptura com preceitos constitucionais. Incapazes de perceberem a dimensão de sua ignorância acreditam serem os verdadeiros donos do país, acreditam que os 23% ou 25% que formam esta ordem fascistoide, a extrema-direita, formam a maioria do povo brasileiro e tem coragem de ficar no meio da rua, propondo uma ruptura institucional e gritando que todo poder emana do povo.

Idiotas, sem querer ensinar nada a vocês, mas, 01% da população de uma cidade amotinada na porta de um quartel do exército ou até mesmo de um “Tiro de Guerra”, não representa o poder soberano que emana do povo. Este 01% da população que ainda tenta o golpismo no processo eleitoral de 2022, não se apercebeu e nem vai perceber, pois, são acéfalos, que quem fraudou a eleição deste ano foi o candidato que eles defendem com tanto afinco. Foi o ex-presidente e ex-candidato à reeleição que criou o “pacote de bondades” para tentar voltar a ser um candidato competitivo, foi este cara que criou o orçamento secreto para distribuir dinheiro para os deputados de a sua base comprar votos em todo o país, foi este candidato que usou a religiosidade do povo para forçar as pessoas a votarem nele, foi este candidato que usou a máquina do Estado para impedir que eleitores chegassem até as urnas para votar, foi este candidato que cometeu crimes eleitorais para tentar se reeleger e por fim, depois de derrotado, é este ex-tudo, que está incentivando estes retardados mentais a continuarem amotinados nas portas dos quartéis e do “tiro de guerra”, fazendo o papel ridículo de tentarem uma ruptura institucional.

Há algumas coisas que não podem deixar de serem ditas, mesmo sob o risco de ser repreendido por outros analistas da cena política, ou mesmo, sob o risco de ver o que escreveu ser desconstruído pela história. Afinal, este 01% podem começar um processo político que incendeie o país e até conseguirem um novo golpe de Estado. Mas, este movimentos puxado por esta horda fascistoide em várias cidades do país, é uma grande comédia pastelão da pior linhagem do cinema norte-americano, quero dizer que não tenho nada contra comédias pastelão, assisto e dou boas risadas de algumas delas, adoro assistir “Corra Que a Polícia Vem Aí”, “Top Gang” ou “Todo Mundo Em Pânico”, e também dou boas risadas desta turma amotinadas de verde e amarelo, são patéticos de mais, aqui em Vitória da Conquista no interior da Bahia eles estão batendo o recorde mundial de cenas cômicas por minutos desde que se amotinaram na frente do Tiro de Guerra, acho até que seria um documentário bacana e muito engraçado se alguém da área do cinema estivesse filmando para depois transformar em filme. 

Mas, como já escrevi anteriormente, não podemos achar só engraçado, até podemos rir desta gente, pois, são parte de uma comédia social trágica. Mas, temos que ter o devido cuidado com o que esta turma pode produzir para futuro, afinal, estes que estão aí nas ruas, mesmo sem entenderem nada do que estão fazendo, são os fascistas, formam a extrema-direita do país, e certamente serão arrebatados por alguma outra liderança que tentaram ficar com o espólio do Bolsonaro, que provavelmente vai desaparecer da cena política assim que levantar da cadeira presidencial, pois, é tão burro que não conseguirá se manter em evidência sem um cargo, talvez até um dos seus filhos, que por acaso tenha se elegido ao legislativo,possa herdar este espólio, se não for um bolsonaro, certamente outro alguém herdará esta turma, e certamente ainda iremos ouvir falar desta extrema-direita, destes fascistas eivados de ódio de classe, mesmo sendo estes fascistoides membros da classe que vive do trabalho, ou vítimas deste mesmo ódio.

Neste sentido, mesmo achando engraçado estas manifestações que são dignas de boas risadas até pelo comportamento absurdo e irracional deste fanáticos fundamentalistas, devemos ter muito cuidado com o que o futuro nos reserva. Estes caras são capazes de qualquer coisa pois, são fanáticos fundamentalistas sem nenhuma racionalidade. Ontem presenciei um grupo de uns 40 destes, perseguindo um rapaz portador de necessidades especiais, o acusando de ter pichado os seus carros enquanto estavam amotinados na frente do quartel, não sei se esta ação não teria tido um desfecho trágico se não fosse pela intervenção da polícia militar. Então achemos graça, é um direito nosso, mas, fiquemos atentos para as cenas dos próximos capítulos da luta contra o fascismo em nosso Brasil.

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