sábado, 19 de novembro de 2022

UM RÁPIDO OLHAR SOBRE UM FUTURO PRÓXIMO


POR PROFESSOR JOÃO PAULO

Não há dúvidas alguma de que estão tentando minar o futuro governo Lula. Acredito que está na hora do PT ser menos republicano e mais ideológico. Não podemos pegar leve com a burguesia brasileira, pois, eles jamais vão aliviar para a classe que vive do trabalho, e os movimentos que estão fazendo neste momento, antes mesmo do terceiro governo Lula começar, deixa isto bem claro. 

A carta que os economistas liberais do PSDB enviou para Lula, não foi uma recomendação para tomar cuidado com o tal "equilíbrio fiscal". Foi na verdade uma ameaça, para intimidar o presidente eleito e forçá-lo a por na pasta do Planejamento e/ou da Fazenda, um liberal. 

O mercado financeiro plantou o Armínio Fraga e o Pérsio Árida na campanha como apoiadores para isto, para aparecerem como supostos apoiadores, para minar por dentro as estruturas do futuro governo. Depois, a pressão de bastidores para queimar o nome de Guido Mantega, feita indiretamente e diretamente pela rede Globo, mais especificamente, o Jornal O Globo e a GloboNews, mas, também, pelo Estadão, pois, o Mantega é uma ameaça para o mercado, para esta "mão invisível" que, não tem nenhum contribuição factível à população deste país, somente determina os rumos que a política econômica deve seguir e suga as riquezas produzidas pelo povo brasileiro. Pois, durante os oito anos de Mantega, a frente do Ministério da Fazenda, em nenhum momento, houve privilégio aos interesses do mercado. 

Mas, me parece que não conseguiram intimidar Lula, que continua falando que seu foco central está em melhorar a vida de todas e todos que mais precisam do Estado. Ontem a rede Globo tentou sem sucesso plantar um discurso na boca de Lula, afirmaram que sua fala em Portugal mostrou um retrocesso e um aceno ao mercado, por ele ter dito que cuidaria do povo, mas, respeitando o "equilíbrio fiscal". Esta turma já deve ter esquecido, que em todos os debates que Lula participou durante a campanha, nas entrevistas que prestou a órgãos de imprensa Corporativa e alternativa durante a campanha, Lula disse a mesma coisa. Em nenhum momento Lula e o PT se colocou na condição de passar por cima do equilíbrio fiscal, o que é um erro em minha avaliação, o que Lula questionou é continua questionando, é o tal de "teto de gastos" uma aberração golpista, criada pelos agentes do próprio mercado, com o objetivo de garantir que a riqueza produzida pela classe que vive do trabalho no país, seja usado quase em sua totalidade, para pagar juros da dívida pública ao mercado. 

E o grande temor desta gente perversa do mercado é que, com o PT governando, as coisas não sejam feitas da forma como eles desejam e determinaram ao Paulo Guedes na condição de ministro da economia do governo fascista de Bolsonaro. Aí se entende porque a maior parte da burguesia rentista do mercado apoiaram a candidatura fascista à presidência, mesmo os empresários urbanos que passaram a ter uma margem de lucro menor, mas, como boa parte deles são credores do Estado Brasileiro, e o governo fascista ampliou a dívida pública e cortou todos os investimentos sociais do Estado, o que fica claro observando a LDO enviada por este governo este ano, para o ano quem vem, e prontamente aprovada pelo Legislativo, que infelizmente, ainda terá maioria subserviente aos interesses do mercado para a próxima legislatura.

Não será uma governabilidade tranquila para Lula e para a frente de centro-esquerda e esquerda que se formou em torno do PT e do companheiro Lula. Nossos companheiros que estarão no próximo governo, terão que ter muito jogo de cintura para se relacionar com as víboras do rentismo, que dominam a economia e a política no Brasil se quiserem ter sucesso em seus objetivos de melhorar a vida de todas e todos que são vulnerabilizados pelo capitalismo. 

Quanto a nós que não estaremos nas fileiras da institucionalidade burguesa, nos caberá o papel de fazer o bom combate no meio social, nos movimentos populares, onde devemos ser a vanguarda da classe que vive do trabalho. Usando um pouco da perspectiva Gramsciana, nos próximos anos teremos que fazer a "guerra de movimento" e a "guerra de posições", ocupar todos os espaços políticos tanto na "sociedade política" onde ainda não temos à hegemonia, infelizmente, e na "sociedade civil", onde podemos e devemos está mobilizados para garantirmos esta hegemonia. 

Esta é em uma análise rápida sobre os caminhos que deveram nortear nossa atuação militante daqui para frente, não há mais espaços para a omissão política, cabe a todos e todas entendermos este processo e assumirmos nossas tarefas daqui para frente. A luta de classes nunca sairá de cena enquanto o capital for hegemônico no mundo. Mesmo que a esquerda assuma uma posição de conciliação de classes em função da conjuntura, a burguesia estará sempre nas trincheiras, na espreita para dar seu golpe mortal, cabe a todos nós nos mantivermos em nossas trincheiras, compreender os movimentos da burguesia e antecipar nossas ações, não podemos continuar jogando na defensiva.

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