Pronto, graças a Deus vencemos o processo eleitoral. Vencemos na Bahia e no Brasil, como eu havia previsto desde o final do primeiro turno, foi uma vitória muito difícil, primeiro por que todos nós subestimamos o tamanho do fascismo no país, infelizmente, esta horda perversa está mais enraizada em nosso tecido social do que imaginávamos. Em segundo lugar, nunca tínhamos visto o uso de a máquina estatal ser usada de forma tão rígida em defesa de uma candidatura, como os fascistas utilizaram neste pleito eleitoral, segundo o economista Henrique Meirelles, cita que o déficit fiscal com as medidas eleitoreiras pela campanha fascista, chegou a quatrocentos bilhões de reais, quase três vezes mais do que a estimativa feita pela equipe econômica do governo.
Parece um absurdo, mais o governo fascista pode ter gasto 400 bilhões de reais, criando um endividamento neste montante para os cofres públicos, este endividamento, certamente vai impactar diretamente e negativamente na economia no próximo ano. Será a primeira grande tarefa da equipe econômica de Lula, assim que assenhorear-se dos números reais, que serão herdados deste desastre político de seis anos de governos golpistas.
Durante o processo eleitoral deixei de produzir os chamados textões para as redes sociais, como já disse antes, tanto na escrita, quanto por vídeos, não compartilho da ideia de que as redes sociais são para pequenas mensagens escritas e pequenos vídeos, acredito que esta ferramenta pode sim e devem ser usadas para passar conhecimento sério e substancial, com base científica, mesmo que a escrita não seja acadêmica e é neste sentido que estou retornando após o processo eleitoral. É o momento de retomar o processo de formação da classe trabalhadora, sobretudo, neste momento histórico que irá exigir de nós, militantes de esquerda uma maior inserção social na promoção da formação da classe que vive do trabalho no Brasil.
A vitória do presidente Lula, do PT e das forças democráticas no país, foi uma vitória maiúscula sem dúvidas. Enfrentamos a maior máquina política já colocada em prática em uma campanha eleitoral no país, um exército formado por pastores pentecostais e neopentecostais, ávidos por dinheiros, deputados e deputadas de extrema-direita e direita fisiologista e corrupta, empresários inescrupulosos e desonestos e uma base popular neofascista, emburrecida, violenta e barulhenta, uma união de tudo que há de pior em nosso tecido social fazendo a campanha da candidatura fascista à presidência da república, todos movidos por uma grande soma de dinheiro colocado a disposição desta gente para angariar votos.
Mas, graças a Deus, não foi o suficiente para vencer o desejo do povo brasileiro de voltar a ter um país minimamente justo, muito mais fraterno e igualitário. Vencemos com uma margem pequena de votos, mas, uma margem extremamente significativa. Afinal, os dois milhões e cento e trinta e três e setenta e sete votos, mostraram que a vontade soberana do povo brasileiro prevaleceu no final do processo eleitoral.
Ouvir comentários como “é mais Bolsonaro cresceu mais que Lula no segundo turno”, “a eleição foi apertada”, “os caras quase venceram a eleição”. E tudo isso é quase verdade, pois, o cenário real é que a maioria da população não quer mais viver sob um projeto tão nefasto como este que se instalou no país após o golpe jurídico parlamentar e midiático, que vitimou o país e nos empurrou para o pior momento econômico, político e social desde o fim da ditadura militar.
Mas, é preciso que nós que militamos neste campo de esquerda, tenhamos claro que nossa luta só está começando. Vencemos o processo eleitoral, derrotamos eleitoralmente o fascismo, mas, agora, temos o compromisso de vencer de forma definitiva o fascismo em todo o país. Agora é o momento de reconquistarmos os espaços políticos que perdemos com o golpe impetrado contra o PT e principalmente contra o povo deste país, que teve seu cume com o falso impeachment da presidente Dilma Rousseff e com a ilegal prisão do ex-presidente e agora presidente novamente Lula.
É o momento de reiniciarmos um amplo processo de formação política em nosso tecido social, é o momento de reorganizarmos e alinharmos os movimentos sociais e populares, movimentos sindicais sérios, partidos de esquerda, os setores progressistas das religiões que temos no país é o momento de todos os setores que tem consciência de classe e leitura política da realidade, assumir o papel de transformadores de nossa realidade social e cumprir com o papel militante de garantir a manutenção da democracia e ampliar os espaços de discussão e formação de uma democracia popular e sólida em nosso país.
É uma condição sine qua non, que a consciência de classe seja ampliada neste país, que a classe que vive do trabalho compreenda o seu papel histórico como classe revolucionária e isto só irá acontecer se todos nós que formamos a vanguarda revolucionária assumirmos nossa condição política e social e tomarmos a direção do processo. A vitória do companheiro Lula foi magistral e emocionante, a campanha foi linda, a militância encheu as ruas, praças, becos de todas as cidades do Brasil, vestimos nossas camisas vermelhas, mostramos para os fascistas que os símbolos nacionais não é propriedade deles, este país também é nosso, até mais nosso do que deles, já que o candidato e o governo que eles apoiaram só entregou nossas riquezas ao capital financeiro internacional. Mas, a partir de agora começa a verdadeira luta, a militância não para eleger um ou outro candidato, mas, a militância para extirpar de vez esta ideologia perversa e ceifadora de vidas que tomou nosso país de assalto.
Temos que arregaçar as mangas de nossas camisas, mesmo que estejamos de camiseta, e passemos a assumir definitivamente o compromisso com a construção de uma nova ordem econômica, política, social e cultural que tenha como princípio estruturante a construção de um modelo de desenvolvimento que inclua toda a população e gere a justiça social e mais igualdade entre todos os brasileiros e brasileiras. Este é o nosso desafio a partir de agora, lutar uma guerra interminável e incansável pelo conhecimento, pelo saber científico, pela consciência de classe, para que nunca mais as trevas do fascismo recaia sobre nossa sociedade, sobre nosso país.
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